1981

Governos de Balsemão e Soares retomando o controlo do PS

Cosmopolis

© José Adelino Maltez, História do Presente, 2006

 

Governo nº 116 II Governo da AD, I Governo de Pinto Balsemão, VII Governo Constitucional (9 de Janeiro). Continua a repartição de pastas entre o PSD e o CDS, mas Freitas do Amaral não participa, deixando a tarefa coordenadora deste partido a cargo de Basílio Horta, enquanto ministro de Estado adjunto do primeiro-ministro.

 

Conselho Nacional do PS. Derrota de Mário Soares, com a recondução do secretariado com 60 votos a favor, 30 contra e 23 abstenções. Preparava-se o Congresso de Maio, com eleição de delegados com base em moções de estratégia política (3 de Janeiro).

Investidura de Ramalho Eanes (14 de Janeiro)

Bomba das FP-25 contra o Banco do Brasil (3 de Fevereiro).

Pamplona Corte Real é eleito Provedor de Justiça (3 de Fevereiro)

Cavaco Silva presidente do Conselho Nacional do Plano (3 de Fevereiro)

Melo Egídio nomeado CEMGFA (17 de Fevereiro)

VIII Congresso do PSD, com vitória de Francisco Pinto Balsemão (dias 20, 21 e 22 de Fevereiro).

Surge o movimento Ordem Nova (23 de Fevereiro) onde se integra Paulo Teixeira Pinto.

 

IV Congresso do CDS, com reeleição de Freitas do Amaral (27 de Março).

Relatório governamental sobre Camarate fala em acidente e negligência dos pilotos (9 de Abril).

IV Congresso do PS, no Coliseu do Recreios em Lisboa, com reeleição de Mário Soares (13 de Maio).

Assembleia da área metropolitana de de Lisboa do PSD presidida por Cavaco Silva critica a liderança de Pinto Balsemão, considerando-a cinzenta e frouxa (11 de Junho).

Conselho Nacional do PSD reafirma apoio a Balsemão, com o novo líder a proclamar que o partido tem que optar entre ele e a linha minoritária, expressa por Cavaco Silva. Mas a oposição interna vai continuar, protagonizada também por Eurico de Melo e pelo gabinete de estudos do PSD do Porto (14 de Junho).

Regresso do filho pródigo – Mota Pinto reinscreve-se no PSD, seis anos após ter abandonado o partido e depois de se assumir como mandatário da candidatura presidencial de Soares Carneiro (18 de Junho).

Freitas contra Balsemão – Diogo Freitas do Amaral, que havia mantido contactos com Eurico de Melo, faz uma intervenção pública, onde, para além de criticar o Presidente da República, salienta a crise do PSD, considerando ser imperioso reconciliar a maioria parlamentar com o governo, através de uma remodelação ministerial. Balsemão é obrigado a pedir a demissão a Eanes (6 de Agosto). A política volta a estar embrulhada. Crises nos partidos, outra vez eleições no horizonte, intrigalhada por todo o lado, greves, o raio (Vergílio Ferreira).

Novo equilíbrio na AD. Conselho Nacional do PSD volta a apoiar Balsemão (16 de Agosto) que aceita formar novo governo, depois de obter garantias do CDS e do PPM e de Freitas do Amaral se disponibilizar para integrar o executivo (20 de Agosto)

Julgamento da rede bombista. Condenados, entre outros, Ramiro Moreira (24 de Agosto).

Governo nº 117 o III Governo da AD, II Governo de Pinto Balsemão, VIII Governo Constitucional (4 de Setembro). São mobilizados os três chefes dos partidos da Aliança Democrática: para além de Balsemão (PSD), Freitas do Amaral (CDS), como vice-primeiro ministro e da defesa naciona, e Gonçalo Ribeiro Teles (PPM), como ministro de Estado e da qualidade de vida.

Outros ministros são, pelo PSD: João Salgueiroö (ministro de Estado e das finanças e plano), Fernando Amaral (ministro adjunto do primeiro-ministro), Marcelo Rebelo de Sousa (assuntos parlamentares, desde 16 de Junho), Ângelo Correia (administração interna), Menères Pimentel (justiça e reforma administrativa), André Gonçalves Pereira (estrangeiros, até 9 de Junho, quando lhe sucede Vasco Futcher Pereira), Meneres Pimentel, Fraústo da Silva, Queirós Martins (trabalho, substituído por Luís Morales em 12 de Junho), Vítor Crespo (substituído por Fraústo da Silva em 12 de Junho) e Viana Baptista (habitação, obras públicas e transportes).

Pelo CDS: Luís Barbosa (assuntos sociais), Basílio Horta (agricultura e pescas), Bayão Horta (indústria, energia e exportação), Francisco Lucas Pires (cultura e coordenação científica).

O canto do cisne – Bomba das FP25 em Felgueiras (27 de Setembro). Acaba a FRS por iniciativa do PS (10 de Outubro). Oliveira Dias eleito presidente da Assembleia da República (22 de Outubro). Delegação do PS, com Rui Mateus, Menano do Amaral e Edmundo Pedro visitam Bagdade. São portadores de uma carta de Mário Soares para Saddam Hussein (Novembro).

Os marechais – António de Spínola e Costa Gomes são promovidos a marechais pelo Conselho da Revolução (17 de Dezembro).

IX Congresso do PSD no Porto, com reeleição de Pinto Balsemão (dias 5 e 6 de Dezembro). Moura Guedes demite-se de líder parlamentar do PSD, depois de criticar a política de saúde do governo (15 de Dezembro). Vive-se num ambiente de apodrecimento da situação política, a que não são estranhas as frequentes fugas de informação sobre altos assuntos de Estado, nomeadamente conversas de Balsemão com Eanes, que é obrigado a ter que gravara as audiências entre os dois. Balsemão há-de justificar-se, atribuindo as responsabilidades ao ministro Marcelo Rebelo de Sousa que então atinge o auge da sua eficácia como criador de factos políticos.

& Antunes, José Freire (2003): 368; Ferreira, Vergílio (1983): 376, 381; Mateus, Rui: 262; Oliveira, César: 262. Neste ano, publicámos: Leis da Concorrência: Elementos para um Debate, in Empresas e Empregados,1981; Lei Interna da Concorrência Requer Novas Relações EstadoEconomia, in Diário de Notícias Economia, 9 de Novembro de 1981.

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: