Os pacifistas estão no Ocidente, os mísseis estão a Leste

(François Mitterrand)

 

Antes vermelhos do que mortos

(Slogan do movimento pacifista ocidental)

 

Edificação progressiva da União europeia que se deveria realizar pelo aprofundamento  e a extensão das actividades europeias para cobrir de uma maneira coerente, ainda que sobre diferentes bases jurídicas, uma parte crescente das relações entre os Estados membros e das respectivas relações externas. Estabelecem-se como objectivos da União europeia: reforçar e prosseguir o desenvolvimento das Comunidades que são o núcleo da União europeia pelo aprofundamento das políticas existentes e a elaboração de políticas novas no quadro dos tratados de Paris e Roma

(Conselho Europeu de Estugarda)

 

Conselho de Estugarda

A poeira só passava a assentar a partir de 1983, quando o Conselho Europeu de Estugarda, de 17-19 de Junho, depois de ter sido reaprofundado o eixo-franco britânico, produzia uma Declaração Solene sobre a União Europeia, que invoca o espírito das cimeiras de Haia, de 1969, e de Paris, de 1972. Aí se proclama a necessidade de uma edificação progressiva da União europeia, visando reforçar e prosseguir o desenvolvimento das Comunidades consideradas como o núcleo da União europeia pelo aprofundamento das políticas existentes e a elaboração de políticas novas no quadro dos tratados de Paris e de Roma.

 

Trata-se de texto menos ambicioso que a declaração Gensher/ Colombo de Novembro de 1981. Fala-se na edificação progressiva da União europeia que se deveria realizar pelo aprofundamento  e a extensão das actividades europeias para cobrir de uma maneira coerente, ainda que sobre diferentes bases jurídicas, uma parte crescente das relações entre os Estados membros e das respectivas relações externas. Estabelecem-se como objectivos da União europeia: reforçar e prosseguir o desenvolvimento das Comunidades que são o núcleo da União europeia pelo aprofundamento das políticas existentes e a elaboração de políticas novas no quadro dos tratados de Paris e Roma; de desenvolver e reforçara a cooperação política e de aí incluir  os aspectos políticos e económicos da segurança e de  desenvolver a cooperação cultural e a aproximação das legislações e a actividade concertada contra a delinquência internacional.

Sublinhada a importância de uma estratégia económica global para lutar contra o desemprego e a inflação e favorecer a convergância dos níveis de desenvolvimento económico dos países membros, de uma acção eficaz no domínio social para reduzir o desemprego, em particular o dos jovens, de um reforço do SME e da política comercial comum, da completa realização do mercado interno conforme os tratdos, nomeadamente a supressão dos obstáculos  que ainda obstam à circulação das mercadorias, de capitais e de serviços, da prossecução do desenvolvimento da política agrícola comum  MOTA CAMPOS, I, p.410.

 

Se, em termos de identidade quanto às perspectivas da construção europeia, tudo parecia entrar na recuperação do tempo perdido, eis que a primeira grande crise do SME, também de 1983, faz ressurgir os velhos fantasmas da descrença.

 

 

Neste ano em que Raymond Aron  falecia, a Europa política assiste às vitórias eleitorais de Kohl na República Federal da Alemanha (Março) e de Thatcher na Grã-Bretanha (Junho), seguidas no final do 0ano pela vaga de manifestações pacifistas em Bona, Roma, Londres, Bruxelas e Paris, contra a instalação de mísseis Pershing, na sequência da decisão de Ronald Reagan de lançar a Iniciativa de Defesa Estratégica.

Portugal, entretanto, vivia o primeiro ano de uma experiência de governo de Bloco Central, sob a liderança de Mário Soares, que obtivera uma maioria relativa nas eleições de 27 de Fevereiro, face à alteração de lideranças ocorridas nos principais partidos da Aliança Democrática, onde o CDS leva à liderança Francisco Lucas Pires e o PSD vê Mota Pinto substituir Pinto Balsemão.

O novo governo que enceta uma série de medidas de austeridade, principalmente sob a acção do Ministro das Finanças Ernâni Lopes, toma também as primeiras medidas práticas de abertura dos sectores nacionalizados à iniciativa privada, principalmente por acção do Ministro da Indústria, Veiga Simão.

E estranha-se que o Conselho de Estugarda tenha silenciado qualquer referência quanto à data da solicitada adesão de Portugal à CEE.

Enquanto isto, em Dezembro, reúnia no Porto o X Congresso do PCP, onde, muito discretamente, entre os convidados soviéticos, figurava o ainda desconhecido Mikhail Gorbatchov...

Cronologia oficial da história da União Europeia

1983

Ano Europeu das PME e do artesanato

 

Recortes da história oficiosa do Centre Virtuel de la Connaissance sur l’Europe (CVCE)

Ces travaux aboutissent à un document que le Conseil européen de Stuttgart des 17-19 juin 1983 adopte sous la forme d'une Déclaration solennelle sur l'Union européenne. Sans remettre en cause les acquis du compromis de Luxembourg  qui, depuis 1966, généralise la recherche de l'unanimité au Conseil, la déclaration de Stuttgart consacre les Communautés existantes et plaide pour un renforcement des politiques communes. Elle reconnaît au Conseil européen un rôle d'impulsion politique générale, suggère l'application généralisée du vote majoritaire au Conseil des ministres et associe la Commission et le Parlement aux travaux de la coopération politique européenne (CPE). La déclaration de Stuttgart définit quatre domaines d'action pour l'Union européenne : les Communautés européennes, la politique étrangère, la coopération culturelle et le rapprochement des législations nationales.

 

Bien qu'elle marque de façon solennelle la volonté des États membres de relancer la construction européenne, la déclaration de Stuttgart n'est pas juridiquement contraignante. Et elle demeure relativement modeste quant à ses modalités d'application concrète. Certains États membres s'émeuvent par ailleurs de ce que le texte semble menacer le droit de veto, arme politique ultime, au sein du Conseil.  

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: