1990
 

Fim do comunismo?

 

Começa a primeira etapa da União Económica e Monetária, pela liberalização dos movimentos de capitais (1 de Julho) e conclui-se o processo de unificação alemã.

Em Portugal, é publicado o tomo I do livro I de Das Kapital, de Karl Marx, Crítica da Economia Política, com uma rigorosa tradução de José Barata Moura, numa edição conjunta das Edições Avante e da Editorial Progresso de Moscovo. Por ironia do destino, a primeira versão directa de tal obra acontece no ano I do fim do comunismo, remetendo para o domínio da arqueologia filosófica, aquilo que nunca precisou deste sustento para ser uma ideologia de sucesso.

O ano de 1990 é, de facto, o ano da ascensão de Boris Ieltsine. Depois de em Janeiro ter surgido o movimento Rússia Democrática (Janeiro) e de, no dia 4 de Fevereiro, meio milhão de pessoas se manifestarem em Moscovo a seu favor, decorrem as eleições na Federação da Rússia (4 de Março), não tardando que o mesmo Ieltsine venha a ser eleito presidente do repectivo Parlamento (20 de Maio), adquirindo a legitimidade democrática que faltava a Gorbatchev. Pouco depois de a mesma Federação se assumir como entidade soberana (12 de Junho), eis que Ieltsine abandona formalmente o Partido Comunista da Rússia, na mesma altura em que o movimento Rússia Democrática se transforma no Partido Democrático da Federação Russa (21 de Junho). Entretanto, a Lituânia declara-se independente, sem reconhecimento da URSS (11 de Março). No plano das relações entre as superpotências, se, em 30 de Maio, Bush e Gorbatchev assinam em Washington acordo de desarmamento químico e fazem mais uma cimeira em Helsínquia no dia 9 de Setembro, três dias depois, surge o Tratado de Moscovo sobre a reunificação alemã, subscrito pelas quatro potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial e pelas duas Alemanhas. E cinquenta anos depois, Moscovo reconhece finalmente a autoria do massacre de Katyn, onde foram chacinados 15 soldados e oficiais polacos, enquanto Carlos Carvalhas se torna adjunto de Álvaro Cunhal e o ex-comunista Iliescu vence as eleições na Roménia e Lech Walesa é eleito presidente da Polónia.

 

 

 

©  José Adelino Maltez, História do Presente (2006)

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