Dá-se a implosão da URSS e a consequente dissolução do Comecon e do
Pacto de Varsóvia, com Ieltsine a vencer o golpe de Moscovo que pretende
suspender o processo, enquanto George Bush defende o conceito de uma
nova ordem mundial (27 de Setembro). Na Europa, decorre o Conselho
Europeu de Maastricht, Butros-Butros-Ghali é eleito secretário-geral da
ONU (21 de Novembro) e, em Portugal, quase nada de novo, a não ser
eleições. O censo dá-nos 9 862 670 habitantes, José Saramago destaca-se
com O Evangelho Segundo Jesus Cristo e o Prémio Pessoa é
atribuído ao arqueólogo Cláudio Torres, tendo, sobretudo em conta as
escavações feitas em Mértola, onde, afinal, há mais um Portugal
paleo-cristão do que restos da moirama, com que muitos pretendiam
integrar-nos no Terceiro Mundo. O Expresso elege como homens do
ano um tal sindicalista Torres Couto, um tal intelectual Mega Ferreira,
um tal secretário de Estado Santana Lopes e um tal tarimbeiro da
política laranja, chamado Luís Filipe Meneses. Todos ilustres homens de
sucesso sem obra-prima mas com muitas promessas de obra feita e,
sobretudo, detentores daquele eficaz sentido de oportunidade que lhes
permite saber apostar no vencedor.