1995
 

Fevereiro
Crise da moeda mexicana

 

 

Falência da casa bancária Baring Brothers (Fevereiro)

Plano de salvação da moeda mexicana, unindo tesouro norte-americano e FMI (21 de Fevereiro)

Fernando Nogueira vence o Congresso do PSD, derrotando José Manuel Durão Barroso por 33 votos. Pedro Santana Lopes fica em terceiro lugar (dias 17 a 19 de Fevereiro). Os dois últimos hão-de ser efectivamente os primeiros e o vencedor há-de sair derrotado. O debate é pobre, sem ideias, mas com muitas tricas de corredores. Nogueira canta a "portugalidade" e o "personalismo social-democrata", num programático estudantil que quase soa a falsete. Barroso, confuciano, é sinicamente esfíngico, no alto do pedestal de uma imagem de ministro dos estrangeiros de Portugal. Os dois são equilibristas e demonstram que hão-de ser sempre o que a conjuntura neles provocar. A terceira-via de Pedro Santana Lopes não é melhor nas ideias, apesar de magistral no bluff. Entre mil e tal delegados, Nogueira ganha com cerca de três dezenas de votos de diferença. Se Mota Amaral logo reclama os quarenta votos dos delegados açorianos, fica nos ouvidos de todos a tirada do nortenho Luís Filipe Meneses que chama aos não-nogueiristas sulistas, elitistas e liberais, lapso que o faz voltar a casa antes das urnas abrirem. Dizendo em voz alta o que gosta de pensar até repete o maurrasiano em política o que parece, é. Mais uma vez, mil e tal iniciados ditam os partidocratas que em nós todos vão mandar. Desses poucos que falam em nome de todos, nesta democracia assim partidocratizada, onde se misturam certos mais ricos com alguns mais expeditos. A crise de representação passa assim pelo Coliseu, nome de circo, pátio de cantigas, onde todos proclamam, na linha de Cavaco que é preciso mais país, que primeiro está o país e que só depois está o partido. Na prática a teoria tende sempre a ser outra e até o partido vem sempre depois da carreira pessoal.

Socialistas. Jorge Sampaio anuncia a respectiva candidatura a Presidente da República, na Reitoria da Universidade de Lisboa, reavivando a memória da sua luta como líder estudantil nos anos sessenta (7 de Fevereiro de 1995). Encerram os Estados Gerais do PS no Coliseu dos Recreios em Lisboa (11 de Março).

Populares. Manuel Monteiro vence Congresso do CDS que passa a designar-se Partido Popular. Apoio do grupo de Paulo Portas, considerado o inspirador da mudança, alterando-se a tradicional política europeia do partido (12 de Fevereiro de 1995).

 

 

 

 

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©  José Adelino Maltez, História do Presente (2006)

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