Cessar fogo na Bósnia (5 de Outubro)
João Paulo II visita Estados Unidos (4 a 8 de Outubro)
Los Angeles jury finds O. J. Simpson not guilty of murder charges (Oct.
3). Pope John Paul II visits U.S. on whirlwind tour (Oct. 4–8). Warring
parties agree on cease-fire in Bosnia (Oct. 5). Million Man March draws
hundreds of thousands of black men to capital (Oct. 16). Quebec narrowly
rejects independence from Canada (Oct. 30).
Eleição nº 72 (1 de Outubro de 1995). Eleição da Assembleia da República. 8 906 608 eleitores. 5 904 854 votantes. PS: 112 deputados, 43, 76%;. PPD/PSD: 88 deputados, 34, 12%. CDS/PP: 15 deputados, 9,05%. PCP/PEV: 15 deputados, 8, 57%. Socialistas ficam a quatro deputados da maioria absoluta.
Nova alternância do poder, com o Partido Socialista, já liderado por António Guterres, a vencer o PSD, entretanto liderado por Fernando Nogueira.
Governo nº 121 de António Manuel de Oliveira Guterres (28 de Outubro). XIII Governo Constitucional Cavaco Silva que, no dia 10, anuncia a respectiva candidatura a Presidente da República, desmaia na cerimónia de tomada de posse do sucessor. O novo governo socialista é marcado pela falhada
promessa do no jobs for the boys, enquanto Cavaco Silva mantém a respectiva candidatura à presidência da República, contra a do socialista Jorge Sampaio. Guterres anuncia o propósito de concretização de duas intenções programáticas apresentadas ao eleitorado, a regionalização e a modificação
do sistema eleitoral. Cairão no inferno do adiamento.

Rosado Correia, grão-mestre do Grande Oriente Lusitano, protesta junto de Guterres contra a predominância dos católicos no governo (Outubro). No entanto, segundo fontes bem informadas, haveria cerca de dezena e meia de irmãos nos altos cargos governamentais,
com destaque para Fausto Correia, dos poucos membros do governo que revelou a sua filiação no GOL:
A década cavaquista, marcada por uma democrática personalização do poder e por uma oligárquica instituição do chamado Estado-Laranja, chega ao fim. Entre 17 de Maio de 1985 e 19 de Fevereiro de 1995, sob o signo do cavaquismo, há dez anos de estabilidade política, dez anos de adesão à
Europa, dez anos de Estado Laranja. Assim se encerra um ciclo político pós-revolucionário, onde Cavaco esteve para o 25 de Abril, como Napoleão para 1789 e De Gaulle para a Libération de 1945. Primeiro, é a ilusão revolucionária da paz, da liberdade e do pão. Depois, a ilusão
cavaquista do crescimento e do sucesso, do betão no chão, de todos podermos ser, à maneira da nova nobreza republicana, sôtor ou engenheiro. Mas o PSD, em regime de complexo condicionado, tenta, naturalmente, a continuação do cavaquismo sem Cavaco, tal como o PS tenta o soarismo sem
Soares, enquanto Cavaco e Soares continuam os ausentes-presentes da política portuguesa. Chegam assim os tempos de interregno, com Soares em Belém e com Cavaco a preparar-se para se candidatar a Belém. Chegam os tempos das lideranças fracas e, no plano das ideias, reina o confusionismo, com
os socialistas a enrodilharem-se em estados gerais, com o CDS a assumir-se como uma alternativa cada vez mais poujadista e cada vez mais anti-europeia e onde muitos, de forma galhofeira, alvitram a hipótese de um governo de coligação entre Emídio Rangel e Paulo Portas, sob a presidência de Francisco
Pinto Balsemão. Nogueira é um vazio de quid anímico e mobilizador, dotado do cinzentismo típico dos números dois e enredado em certo complexo de esquerda. O PS apresenta interessantes projectos sobre a moralização da política, mas faltam-lhe as asas das ideias, onde a tentação da
esquerda, o leva a lançar-se nas avenidas do desencanto.