1995
 

Outubro
Cessar-fogo na Bósnia

 

 

Cessar fogo na Bósnia (5 de Outubro)

João Paulo II visita Estados Unidos (4 a 8 de Outubro).

 

 

 

 

 

 

 

Eleição nº 72 (1 de Outubro de 1995). Eleição da Assembleia da República. 8 906 608 eleitores. 5 904 854 votantes. PS: 112 deputados, 43, 76%;. PPD/PSD: 88 deputados, 34, 12%. CDS/PP: 15 deputados, 9,05%. PCP/PEV: 15 deputados, 8, 57%. Socialistas ficam a quatro deputados da maioria absoluta. Nova alternância do poder, com o Partido Socialista, já liderado por António Guterres, a vencer o PSD, entretanto liderado por Fernando Nogueira.

Governo nº 121 de António Manuel de Oliveira Guterres (28 de Outubro). XIII Governo Constitucional Cavaco Silva que, no dia 10, anuncia a respectiva candidatura a Presidente da República, desmaia na cerimónia de tomada de posse do sucessor. O novo governo socialista é marcado pela falhada promessa do no jobs for the boys, enquanto Cavaco Silva mantém a respectiva candidatura à presidência da República, contra a do socialista Jorge Sampaio. Guterres anuncia o propósito de concretização de duas intenções programáticas apresentadas ao eleitorado, a regionalização e a modificação do sistema eleitoral. Cairão no inferno do adiamento.

Rosado Correia, grão-mestre do Grande Oriente Lusitano, protesta junto de Guterres contra a predominância dos católicos no governo (Outubro). No entanto, segundo fontes bem informadas, haveria cerca de dezena e meia de irmãos nos altos cargos governamentais, com destaque para Fausto Correia, dos poucos membros do governo que revelou a sua filiação no GOL:

A década cavaquista, marcada por uma democrática personalização do poder e por uma oligárquica instituição do chamado Estado-Laranja, chega ao fim. Entre 17 de Maio de 1985 e 19 de Fevereiro de 1995, sob o signo do cavaquismo, há dez anos de estabilidade política, dez anos de adesão à Europa, dez anos de Estado Laranja. Assim se encerra um ciclo político pós-revolucionário, onde Cavaco esteve para o 25 de Abril, como Napoleão para 1789 e De Gaulle para a Libération de 1945. Primeiro, é a ilusão revolucionária da paz, da liberdade e do pão. Depois, a ilusão cavaquista do crescimento e do sucesso, do betão no chão, de todos podermos ser, à maneira da nova nobreza republicana, sôtor ou engenheiro. Mas o PSD, em regime de complexo condicionado, tenta, naturalmente, a continuação do cavaquismo sem Cavaco, tal como o PS tenta o soarismo sem Soares, enquanto Cavaco e Soares continuam os ausentes-presentes da política portuguesa. Chegam assim os tempos de interregno, com Soares em Belém e com Cavaco a preparar-se para se candidatar a Belém. Chegam os tempos das lideranças fracas e, no plano das ideias, reina o confusionismo, com os socialistas a enrodilharem-se em estados gerais, com o CDS a assumir-se como uma alternativa cada vez mais poujadista e cada vez mais anti-europeia e onde muitos, de forma galhofeira, alvitram a hipótese de um governo de coligação entre Emídio Rangel e Paulo Portas, sob a presidência de Francisco Pinto Balsemão. Nogueira é um vazio de quid anímico e mobilizador, dotado do cinzentismo típico dos números dois e enredado em certo complexo de esquerda. O PS apresenta interessantes projectos sobre a moralização da política, mas faltam-lhe as asas das ideias, onde a tentação da esquerda, o leva a lançar-se nas avenidas do desencanto.

 

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©  José Adelino Maltez, História do Presente (2006)

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