1998

Social-Liberalismo

 



 

Miguel Reale

 

Social-Liberalismo é o qualificativo assumido por Miguel Reale, em O Estado Democrático de Direito e o Conflito das Ideologias, de 1998, visando uma distinção face ao neoliberalismo de Friedman e Hayek, dado que estes consideram a justiça social como um termo sem sentido (meaningless).

A tese é também assumida por José Guilherme Merquior em O Liberalismo- Antigo e Moderno, Rio de Janeiro,1991. Conforme Reale, o social-liberalismo é, em suma o resultado da convergência entre a herança liberal e a socialista, e, por ser o resultado natural de um processo histórico, surge desprovido de preconceitos e antagonismos abstractos, obedecendo às exigências e conjunturas de cada povo rumo à democracia social.

Invoca Constant, Tocqueville e Stuart Mill, quando admitiram a necessidade de intervenção reguladora do Estado, visando a superação do liberalismo individualista. Assume, sobretudo, as teses de Thomas Hill Green, de 1870, quando considerava que o verdadeiro liberal é, por natureza, um reformador social, o paladino do humilde explorado e o adversário de todos os altos interesses dominantes e predatórios.

Mas não se deixa conduzir pela paixão ideológica, dado que os capitalistas não são os únicos a terem privilégios egoístas e predatórios; o operariado bem organizado, abrangendo muitos milhões de trabalhadores, pode também ser predatório e perigoso ao bem-estar comum.

Na mesma linha de liberalismo social, coloca John Hobson e Leonard Hobhouse, os dois Hob, que defenderam a necessidade de unir liberdade e igualdade, bem como a perspectiva de Keynes, defensora do pluralismo.

Outros autores brasileiros defensores da tese são Ives Grandra da Silva Martins, em Uma Visão do Mundo Contemporâneo, Pioneira,1996, e Celso Lafer, Desafios: Ética e Política, São Paulo, Sicialiano,1995.

 

©  José Adelino Maltez, História do Presente

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 23-04-2009