O Conselho Europeu reúne-se em Barcelona, Espanha (15 e 16 de
Março). O debate incide sobre questões económicas, sociais e ambientais,
é dada prioridade à interconexão das economias europeias a nível de
mercados financeiros e de redes de energia, dos transportes e
comunicações, instando à rápida adopção de legislação para abertura de
mercados com este fim. São reforçadas as políticas que têm como
objectivo o pleno emprego e o desenvolvimento de uma economia
competitiva baseada no conhecimento. É feita referência à parceria
euro-mediterrânica, às relações com os Estados Unidos e com países dos
Balcãs ocidentais e à situação no Zimbabwe. Por sua vez, é adoptada uma
declaração sobre a deterioração do conflito israelo-palestiniano.
Segunda sessão plenária da Convenção Europeia (21 e 22 de Março). O
próprio pós-fascista italiano Fini invoca a necessidade de uma
federação de Estados-Nações, citando Jacques Delors, emboara o
polaco Oleksy contrarie a hipótese de um núcleo duro para a construção
europeia.
Eleição nº 74 da Assembleia da República (17 de Março). PSD, liderado por José Manuel Durão Barroso vence com 40,12%. PS: 37,85%. CDS-PP, de Paulo Portas, 8,75%. Comunistas, 6,97%. Bloco de Esquerda, com o doutor em economia Francisco Louçãö , o trotskista que
marca a imagem do grupo, 2,76%. PSD e PP assinam acordo de coligação governativa (28 de Março). Todo o espectáculo de marketing político a que se assiste, é o principal revelador do deserto de ideias que vamos continuando a
atravessar. Os diversos condutores das caravanas que passam, a ver qual chega primeiro em seu clamar, elevam ao máximo as expectativas do cidadão comum, fazendo com que o vencedor seja punido a curto prazo, dado que, na vida real, será
inevitável a frustração, perante promessas que ninguém poderá cumprir. Os chamados estados de graça são cada vez mais curtos e, face aos propagandismos, as massas têm malthusianos instintos de ingratidão, porque tanto lambem na mão que dá, como logo mordem quando a mesma nada traz... Nenhum
dos principais dos condutores das caravanas eleitorais está, aliás, suficientemente enraizado na efectiva opinião pública, pelo que as maiorias eleitorais, que, em torno deles, se formarem, nunca corresponderão a maiorias sociológicas. O vencedor nunca terá o conforto de uma vaga de fundo, assente
nos portugueses que temos. Apesar da TVI de José Eduardo Moniz e Marcelo Rebelo de Sousa e da SIC de Pinto Balsemão, mas sem Emídio Rangel, a política já não tem o mesmo ritmo das telenovelas com êxito, mesmo daquelas que, sendo de produção portuguesa, e com actores portugueses, não passam de
adaptações de um guião sul-americano.