Blum, Léon
 (1872-1950)

 

 

Um dos mestres do socialismo democrático francês, defensor do pluralismo político, da planificação democrática. Opositor ao bolchevismo, considerando o mesmo como blanquista, contrário à tradição socialista. Jurista, literato e crítico de teatro. De origens judaicas. Depois de uma carreira como auditor no Conselho de Estado, desperta para a política com a questão Dreyfus. Funda, com Jaurès, L’Humanité, em 1904. Eleito deputado a partir de 1919. Encarregado da redacção do programa de acção dos socialistas, passa a director do jornal Le Populaire, que desde 1920 se opõe aos comunistas. Apesar de se assumir como marxista, entende o socialismo à maneira de Jaurès, como um sentimento da solidariedade humana e como uma exigência da consciência. Torna-se chefe do grupo parlamentar socialista. Apoia a formação do cartel das esquerdas em 1924, sustentando governos radicais, mas, até 1936, concebe, para os socialistas, uma política de soutien sans participation. Em 1926 salienta que os socialistas tanto podem assumir a conquista do poder, pela via revolucionária, como o exercício do poder, a gestão da ordem legal republicana, através de uma maioria parlamentar, com respeito das regras constitucionais.

Presidente do conselho de ministros francês com a Front Populaire  entre 4 de Junho de 1936 e 21 de Junho de 1937 e de 13 de Março a 8 de Abril de 1938, assumindo, no intervalo, as funções de vice-presidente do conselho. Autoriza em Junho de 1940 que dois socialistas participem no governo de Pétain, apesar de, no mês seguinte, ser um dos oitenta deputados que recusam plenos poderes ao velho marechal. Preso na Alemanha durante a Guerra.. Volta à chefia do governo entre 13 de Dezembro de 1946 e 16 de Janeiro de 1947. Publica em1945 À l’Échelle Humaine, obra escrita em 1941, onde defende a social-democracia como o processo de passagem do capitalismo para o socialismo, conservando as liberdades tradicionais. Advoga um socialismo humanista que não é fatalismo nem determinismo, tal como também não se configuar como resignação nem cinismo, devendo libertar a pessoa humana de todas as servidões que a oprimem..2711

 

 

 

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©  José Adelino Maltez, História do Presente (2006)

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 19-03-2009