Na Raiz do Mais Além

 

I
ROSA DOS VENTOS

Somos ainda quem fomos
Portugal que partiu
Ao mar demos quem somos

No mais além do ocidente
Peregrinar raízes
É preciso Portugal
As incansadas viagens da minha terra
Deste lugar que não tem lugar
Na raiz do meu país
Sempre um lugar onde
À procura de quem somos
Retornados, revoltados
O dia a cair dentro de mim


II
SOBRE A PROCURA DA PALAVRA


Entreversos, entrelinhas
Escrever quem sou
Este prazer de escrever
A semente do poema
O encanto do poema por fazer
Palavra a palavra me aprofundo

III
ENTRE QUATRO PAREDES

Árvore replantada
Claustrofobia
Sítios que apetecem sempre
Partido e repartido
Memórias de barca bela
Biografia
Ser como todos os outros
Sempre a dor de não sermos
Deixem que deixe de ser
Hino à glória de ter medo
Uma rosa cor de rosa
Não fazer nada
Domingo à tarde
Ser de novo menino
Do Porto que me deu cidade
No baile do clube
O prazer de fumarmos um cigarro
Ser do contra

IV
MEMÓRIA DE AMOR AUSENTE

A praia primeira dos meus dias
Neste remoçar do tempo
Beber de um gole
Um destino por cumprir
Borboleta, voar
Quem me dera moço de novo
Partir, sair daqui
Em teu corpo vegetal profundo
Se teus olhos me dessem

V
CANTOS DO ALÉM

A utopia tem de ser um dia
Nunca sou quem estou
Peregrinar a memória
Tempo de ter tempo
Tudo me passa além
Amanhã há-de vir sol
Na teia do poema
Navegante de saudade
Ao poema dou quem sou
Sentinela de mim mesmo
Esta luz a mais, meridional
Pressa de chegar depressa
Andorinha te dou nome
De onde vem o sol?
Vai em frente, segue viagem
Ir ao fundo de quem sou
Este mais além que pensa
Nos olhos de minha filha
Ciclo das estações

MALHAS QUE A GUERRA TECE

Guiné verde vermelha
Missão cumprida
Nesta guerra guerrilheira
Alguém que sepultaram na distância

 

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Copyright © 1998 por José Adelino Maltez. Todos os direitos reservados.
Página revista em: 16-01-2009.