As longas praias do poente
A areia lenta, a duna,
o vento, a erva, um pio de gaivota,
um insecto que rasteja, seco,
e um resto de tábua calcinada.
O barulho da onda no rumor do pinhal
e um trilho de terra batida
que nos leva não sei onde.
Teus cabelos negros, diante do sol
e os lábios breves, vermelhos.
Todo o mundo à nossa beira.
Nas longas praias do poente,
um horizonte sem fim
que a retina não concentra.
Um tempo imenso, inteiro:
não há métrica que o meça
nem rima que o detenha.