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D. Duarte aborda problemas políticos,
nomeadamente as relações entre a prudência política e a justiça. A prudência, a qual se pinta com três rostos, porque se
entende lembrança das cousas passadas, consideração das presentes e providência
para o que pode acontecer ou esperamos que seja. Considera três virtudes: saber, crer e poder: o saber por prudência se rege, o crer por
justiça, e o poder por temperança nas cousas deleitosas e por fortaleza em
contradizer, cometer e suportar os feitos de temer, ou sentir perigos,
trabalhos, nojos grandes, despesas, desprazimento de algumas pessoas, se
cumprir por guardar ou percalçar virtudes. É que os reinos não são outorgados para folgança e deleitação, mas para
trabalhar, de espírito e corpo, mais que todos (cap. L). Porque aos Príncipes cumpre de reger e encaminhar
seu povo em ordenado e devido fim e isto faz prudência. Mas o
Príncipe não pode encaminhar o povo a bom fim, não conhecendo o fim. Até
porque, destruído o povo, destruído é o
principado (cap. LI). Faz uma classificação da sociedade em cinco
estados ou classes: o clero (os
"oradores"), os guerreiros ("defensores"), os
"lavradores e pescadores" (entendidos como "pees em que toda a
cousa publica se mantem e soporta") e os oficiais (considerados "os
mais principaaes consselheiros, juizes, regedores, veedores, scrivãaes e
semelhantes" e os que usam de algumas artes aprovadas e mesteres) (cfr.
ed. Livraria Sá da Costa, Lisboa, 1942, bem como a de Lisboa, Imprensa
Nacional/ Casa da Moeda, 1982, com actualização ortográfica, introdução e notas
de João Morais Barbosa).
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