Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004

ANO:1829


SUMÁRIO:
Destaques Cronologia Acontecimentos Bibliografia Personalidades Livros do Ano Falecimentos e Nascimentos

I – DESTAQUES

PORTUGALMUNDO

Política

· Revolta cartista (Janeiro)

· Terrorismo de Estado (Abril/Maio)

· Reconhecimento internacional de D. Miguel (Outubro)

· Grécia. Tratado de Andrinopla (Setembro)

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Ideias

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II – CRONOLOGIA

NACIONAL

· Janeiro

9 Revolta cartista em Lisboa, comandada pelo brigadeiro Moreira Freire

· Fevereiro

20 Rio Pardo cede a pasta da guerra ao conde de São Lourenço. Mas este, logo no dia seguinte, demite-se, sucedendo-lhe o conde de Barbacena

· Março

6 Enforcamento de Moreira Freire e de outros revoltosos no Cais do Sodré

15 Palmela e Guerreiro chegam à ilha Terceira

· Abril

9 Decisão da alçada do Porto

11 Luís de Paula Furtado do Rio Mendonça é substituído na pasta da justiça por Barbosa de Magalhães.

 

· Maio

4 Terrorismo de Estado. Publicitada a decisão da alçada do Porto

7 Execuções da alçada do Porto. Protestos britânicos, franceses e austríacos

· Junho

15 Decreto nº 2 de D. Pedro, a partir do Rio de Janeiro, instituindo uma regência colectiva para governar a nação, constituída pelo marquês de Palmela, o conde de Vila Flor (futuro duque da Terceira) e José António Guerreiro. Nesse mesmo dia, Vila Flor assumiu o cargo de governador e capitão-geral das ilhas dos Açores.

· Agosto

11 Derrota da esquadra miguelista na batalha naval de Vila Praia

13 Jesuítas regressam a Lisboa

31 D. Maria da Glória regressa ao Brasil

 

· Outubro

2 Estados Unidos reconhecem o regime de D. Miguel

11 Espanha reconhece o regime de D. Miguel

INTERNACIONAL

· 14 de Setembro Tratado de Andrinopla concede independência à Grécia.

· Ainda em 1829...

III - ACONTECIMENTOS DO ANO

IV – BIBLIOGRAFIA

AUTORES

OBRAS

BOAVENTURA, Frei Fortunato de São

O Defensor dos Jesuítas (1829-1833)

FOURIER, Charles

Le Nouveau Monde Industriel et Sociétaire , 1829.

GARRETT, Almeida

Tractado de Educação Londres, 1829.

LAMENNAIS, Felicité Robert 1782-1854

Des progrès de la Révolution et de la lutte contre l'église

1829.

LIEBER, Franz

Encyclopedia Americana,1829-1833. Editor.

MILL, James

Analysis of the Phenomena of the Human Mind, 1829.

SCLEGEL, Friedrich Von (1772-1829)

Philosophie der Sprache und des Wortes, 1829

Tchaadaev, Pedro

Cartas Filosóficas, 1829-1831

V - PERSONALIDADES DO ANO

Fourier, Charles (1772-1837) François-Marie-Charles Fourier. Autodidacta francês, teórico do cooperativismo integral. Um socialista anti-estatista. Assume-se contra o industrialismo, o urbanismo, o liberalismo e a concorrência, mas distancia-se do socialismo, insurgindo-se contra a

abolição da propriedade privada e as heranças, considerando tal como monstruosidades. Propõe a criação de falanstérios, sociedades de produção e de consumo, onde, pela associação voluntária, se suprimiria a concorrência, abolindo os próprios salários. Nestes, os rendimentos seriam divididos em doze partes, quatro para remuneração do capital, cinco para o trabalho e três para o talento, isto é, para a direcção. Os seus discípulos, reunidos em torno a revista Réforme Industrielle, são liderados por Victor Considérant, tentando criar vários falanstérios que se arruinam. Elabora a teoria da atraction passionée, considerando que, em lugar de se refrearem as paixões, elas devem ser desenvolvidas e sublimadas, de modo a atingir-se aquilo que designa por garantisme, o estado da harmonia perfeita. As respectivas obras completas começam a ser publicadas em 1846. Um dos admiradores de Fourier é André Breton, um dos fundadores do surrealismo. Théorie des Quatre Mouvements et des Destinées Générales , 1808. ,

Traité de l'Association Doméstique et Agricole, 1822.

Le Nouveau Monde Industriel et Sociétaire , 1829.

Théorie de l'Unité Universelle , 1841. Nova edição do trabalho anterior .

La Fausse Industrie, 1835. Oeuvres Complètes , Paris, éditions Anthropos, 1971 e Genebra, Slatkine, 1971, em 12 vols..

VI - LIVROS DO ANO

Tchaadaev, Piotr (1794-1856) Antigo hussardo que em Carta Filosófica, de 1829-1831, tenta construir, mas ainda à maneira germanista de Herder, a primeira história do mundo em redor do povo russo. Com efeito, até então, os eslavos eram considerados povos sem história, circunstância que andava directamente ligada à circunstância de não haver um suficiente desenvolvimento da teoria da linguagem. Na verdade, só em 1783 é que a Academia decidiu elaborar um dicionário e uma gramática da língua russa, desencadeando um processo que vai levar a que, logo nos começos do século XIX, o russo se tenha transformado em língua literária. é a partir de meados da década de trinta do século XIX que Tchaadaev vai lançar o movimento de defesa da comunidade (soborrnost'), ponto de partida para o esforço de russificação que, meio século depois, levará Alexandre III, a partir de 1887, a determinar que, nas universidades, apenas possa ensinar-se em russo. Para Tchaadaev, todos reconhecerão que o homem não tem outro destino neste mundo senão trabalhar pela destruição da sua personalidade e sua substituição por uma existência social e impessoal. Dizia também que metidos no nosso casulo [...] permanecemos fora das grandes aventuras do mundo [...] mantivemo-nos abrigados debaixo dos nossos telhados de madeira e de colmo. Mais: vindos ao mundo como filhos ilegítimos, sem herança e sem ligação com os homens que nos precederam à face da terra, nada temos nos nossos corações dos ensinamentos anteriores às nossas próprias existências. O que é hábito e instinto nos outros povos, temos nós de meter às marteladas nas nossas cabeças. Somos, a bem dizer, estrangeiros a nós próprios. Marchamos no tempo, por forma tão singular que, à medida do nosso avanço, a véspera foge-nos para sempre - consequência natural duma cultura de importação e de imitação. Entre nós não há desenvolvimento íntimo, progressão natural; as ideias novas varrem as antigas, porque não provêm delas: surgem não se sabe donde. Porque não acolhemos senão ideias feitas, não marca as nossas inteligências o sulco inapagável que todo movimento progressivo grava nos espíritos e que faz a sua força. Crescemos, mas não amadurecemos. Contudo, baseado nestas razões, acaba, paradoxalmente, por ser favorável a uma conversão da Rússia ao catolicismo. Trata-se, como assinala Besançon, de uma historiografia de tipo gnóstico, com os dois princípios e os três tempos do maniqueísmo, mas, em vez de serem apresentados através de uma mitologia, são-no através de uma história pretensamente real, objecto de ciência constatável. é o que assinala a passagem de um pensamento gnóstico a um pensamento ideológico. Assim, esta ficção que se recusa a ser uma ficção, que se apoia nos Padres e na realidade, torna-se uma ficção em dois graus, quase impossível de assinalar. No fundo, Tchaadaev pretendia aplicar à Rússia, de forma bem patriótica, as teses do destino manifesto e da missão nacional que o nascente romantismo ocidental ensaiava para outras pátrias. Assim, vem falar na potencialidade da Rússia e da sua não revelação, correspondendo-se com personalidades ocidentais como Joseph de Maistre e Louis Bonald, dois eminentes teóricos contra-revolucionários, bem como com Schelling. Para o autor russo em análise, nunca marchámos com os outros povos, não pertencemos a nenhuma das outras famílias do género humano. Não somos nem do Oriente nem do Ocidente, nem nos dizem respeito as tradições de um ou do outro. Apesar destas relações de filiação ideológica, as teses da Rússia como explosão retardada foram consideradas pelas autoridades russas como revolucionárias, pelo que o respectivo autor não só foi silenciado pela censura, como também considerado oficialmente louco, sendo condenado a vigilância médica.

VII - FALECIMENTOS E NASCIMENTOS

FALECIMENTOS

NASCIMENTOS

JAY, John (1745-1829)

MÜLLER, Adam (1779-1829)

TCHERNICHEVSKI, NIKOLAI Gavrilovitch (1829-1889)


 
© José Adelino Maltez
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Cópias autorizadas, desde que indicada a proveniência:
Página profissional de José Adelino Maltez ( http://maltez.info)
Última revisão em: 01-05-2009

 

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