Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004

ANO:1831


SUMÁRIO:
Destaques Cronologia Acontecimentos Bibliografia Personalidades Livros do Ano Falecimentos e Nascimentos

I – DESTAQUES

PORTUGALMUNDO

Política

· Sufocada revolta liberal, em Lisboa (Fevereiro)

· D. Pedro abdica do trono, no Brasil (Abril)

· Enforcamentos (Março)

· Revolta cartista, em Lisboa (Agosto)

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·

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Ideias

 

· Socialismo. Palavra consagrada por Robert Owen em 1841, terá sido pela primeira vez utilizada com uma certa precisão por Pierre Leroux, em 1831, seguido de Fourier, 1833, depois de começar a circular por volta de 1820.

· Buchez. Um dos teóricos do federalismo, defendendo uma república democrática, integrando associações de produtores. Mistura as ideias de socialismo cristão com o espírito europeu, fundando em Paris, no ano de 1831, o jornal Européen.

· Chauvinismo. Diz-se de patriotismo exaltado face ao estrangeiro. Deriva do nome do soldado napoleónico Nicolas Chauvin, celebrizado por uma comédia dos irmãos Cogniard, de 1831.

 

II – CRONOLOGIA

NACIONAL

· Fevereiro

7 Sufocada revolta liberal em Lisboa

9 Novos tribunais de excepção

· Março

14 Novos enforcamentos

· Abril

7 D. Pedro abdica de Imperador do Brasil face a uma revolta de nativistas. Segue-se o domínio destes sob a liderança do regente Diogo António Feijó, um liberal contra quem se levantam os regressistas conservadores.

11 D. Pedro parte para França com D. Maria da Glória

17 Expedição cartista contra as Flores e o Corvo. Lisboa corta relações diplomáticas com a França

· Maio

4 D. Pedro e D. Maria da Glória tocam no Faial

· Junho

12 D. Pedro e D. Maria da Glória chegam a Cherburgo

· Julho

1 Duque do Cadaval é substituído pelo conde de Basto na chefia do governo (ministro assistente ao despacho)

6 Roussin, Albin (1781-1854). Almirante francês. Comanda as operações da esquadra francesa no Tejo contra D. Miguel.

· Agosto

5 Papa Gregório XVI reconhece o regime de D. Miguel

21 Revolta cartista em Lisboa da Infantaria 4. Participa Alexandre Herculano

· Setembro

10 Enforcamento de 44 revoltosos em Campo de Ourique

27 Rio Mendonça regressa à pasta da justiça.

· Ainda em 1831...

- José Bonifácio é nomeado tutor de D. Pedro II, até 1833

INTERNACIONAL

· Setembro A revolta polaca, reprimida por Nicolau I, é julgada, gerando uma onda de protestos em toda a irmandade liberal, marcada, então, pela política externa britânica de Canning e pela propaganda maçónica de Mazzini. O nosso Almeida Garrett, por exemplo, em Portugal na Balança da Europa, de 1930, diz que a Rússia ameaça a Europa com seus milhões de baionetas. Não lhe tenhamos medo se formos livres. E o czar está certo e seguro desses milhões de baionetas? Cedo veremos que não.

· Ainda em 1831...

- List, Friedrich (1789-1846). Professor alemão. Defensor de um Zollverein, regressa à Alemanha, exercendo funções de cônsul norte-americano em Hamburgo e Leipzig. Vive em Paris entre 1837 e 1841. Defensor do proteccionismo e do nacionalismo económico. Combate a escola inglesa da economia clássica

- A partir de 1830-1831, argumentando-se com a circunstância dos lituanos terem participado no levantamento polaco, foi encerrada a Universidade de Vilnius e o nome Lietuvos passou a ser proibido.

- Ioannes Antonios Capo d’Istrias. Político grego, nascido em Corfu. Diplomata, entra ao serviço da Rússia em 1809, participando no Congresso de Viena. Chega a ministro dos estrangeiros da Rússia de 1816 a 1822. Eleito presidente da nação grega em Abril de 1827. Acusado de autocracia, morre assassinado.

III - ACONTECIMENTOS DO ANO

Jovem Italia (1831) Sociedade secreta Jovem Itália (Giovine Italia), constituída em Marselha, por Mazzini. No manifesto fundador reclama-se a constituição de unidades nacionais, entendida como o presságio da grande Federação Europeia que deve unir numa só associação todas as famílias do antigo mundo. A federação dos povos livres apagará a divisão dos Estados, querida, fomentada pelos déspotas, e deste modo desaparecerão as rivalidades de raças e se consolidarão as nacionalidades tais como as querem o direito e as necessidades locais. Aplicando estes princípios a Itália, este antigo carbonari propõe a instauração de uma republica unitária e democrática, através da insurreição popular e até pretendia fazer imbuir o patriotismo italiano de um fervor moral e deísta, bem resumido no lema que adoptou: Deus e Povo.

IV – BIBLIOGRAFIA

AUTORES

OBRAS

BORGES, Ferreira

Principios de Syntetologia, Londres, 1831

CALHOUN, John

Address to the People of South Carolina, [1831]

CATEAUBRIAND

De la Restauration et de la Monarchie élective 1831, onde se opõe à monarquia de Julho, assumindo o legitimismo.

FERREIRA, Silvestre Pinheiro

- Projecto de Ordenações para o Reino de Portugal, Paris, 1831 (em três tomos, onde se propõe uma reforma das leis fundamentais portuguesas, pela edição de leis orgânicas para a respectiva execução)

- Observações sobre a Constituição do Império do Brazil e sobre a Carta Constitucional do Reino de Portugal, Paris, 1831

GODWIN

Thoughts on Man, 1831.

HUGO, Victor

Notre-Dame de Paris, de 1831

MILL, John Stuart

Essays on Unsettled Questions in Political Economy

V - PERSONALIDADES DO ANO

VI - LIVROS DO ANO

Mazzini, Giuseppe (1805-1872) Defensor daquilo que François Châtelet qualifica como o nacionalismo filantrópico. Criador dos movimentos Jovem Itália (fundada em Marselha, em 1831) e Jovem Europa (fundada na Sabóia, em 1834), ambos em forma de sociedade secreta. Advogado, carbonário, via a unificação italiana como o início da unificação europeia, desenvolvendo uma intensa actividade de agitador, tanto através de sociedades secretas como por meio de brochuras e manifestos. Mistura o liberalismo com uma certa concepção teísta, adoptando como divisa, desde 1831, Deus e Povo. Em 1847, em Londres, chegou a apelar ao papa Pio IX para encabeçar o movimento da unificação italiana. No ano seguinte, volta para Itália, participando em vários movimentos subversivos. Uma figura de encruzilhada que, depois de tentar conciliar a ideia de federação europeia com o nacionalismo italiano, acabou no gnosticismo da Terceira Roma. Propunha a instauração na Itália de uma republica unitária e democrática, através da insurreição popular e até pretendia fazer imbuir o patriotismo italiano de um fervor moral. Três anos mais tarde, em 1834, depois de ser expulso de França e de tentar invadir o Piemonte, quando estava exilado em Berna, funda outro movimento, a Jovem Europa. O agitador italiano volve-se agora em agitador europeu, procurando congregar todos os movimentos congéneres. Estabelecido em Londres desde 1837, é daí que chega a propor a convocatória de um grande congresso europeu, juntando todos os movimentos republicanos da França, da Polónia, da Alemanha, da Hungria e da Itália, marcados pelo mesmo ideal, simultaneamente nacionalista e europeísta. Com a primavera dos povos de 1848, regressa a Itália, onde dirige a revolta de Nápoles contra os austríacos, em Março, passando, depois, para a Toscânia e para Roma, onde os seus partidários, em Fevereiro de 1849, chegaram a proclamar uma república, com um triunvirato, por ele participado, que governaria ditatorialmente até ao mês de Junho, quando as tropas francesas restabeleceram a autoridade temporal do papa. Lançado de novo no exílio londrino, não deixa de promover mais uma série de revoltas, todas elas frustradas, em Mântua (1852), Milão (1853) e Génova (1857). Opondo-se à política de unificação italiana promovida pelo Piemonte e muito particularmente à aliança que Cavour fez com Napoleão III, sofreu um profundo desaire quando o principal dos seus partidários, aribaldi, se aliou ao processo monárquico da unificação. A partir de então, propõe que se separem os destinos da pátria dos destinos da monarquia, visando transformar a nação num corpo armado, estreitamente ligado a todos os povos livres, para apressar a vitória da unidade republicana em Itália. A este projecto se unem muitos revolucionários franceses, espanhóis, portugueses e boémios, visando, conforme as palavras de Mazzini, que o estremecimento momentâneo havia de transformar-se, vinte e quatro horas depois, no hurrah! de uma insurreição medonha. Em 870 ainda desembarca clandestinamente na Sicília, mas é preso. Vive os seus últimos dias no exílio suíço, em Lugano, mas, em 1872, fazendo-se passar por um inglês, entra em Itália, onde morre em Pisa. Como comenta um seu contemporâneo, Cantu, caíram-lhe em sorte agentes indignos; e um chefe de partido muita vez parece dirigir os seus subordinados, mas obedece-lhes. Como Hamlet, cujas ideias se não coadunavam com os factos, Mazzini queixava-se de tudo e de todos; inimigo da omnipotência do Estado, inimigo da política de expedientes maquiavélicos, das teorias teocráticas que fazem recuar até às trevas da idade média, restava um vago Deus e Povo. Ele queria acção, mas fazia-a consistir na insurreição, pensando chegar à democracia pelos caminhos da demagogia. Buscou aproveitar-se dos tumultos que ele não tinha promovido, em Milão, em Palermo e em Roma; teve a presunção de querer inspirar a política da Europa inteira. E apesar de nunca se ter ligado com os monárquicos, contudo transigia com os príncipes, como representantes da nação, e ofereceu a Itália a Carlos Alberto, a Pio XI, e ultimamente a Bismarck (Novembro de 1867), contanto que favorecesse cada um deles as ideias que ele espalhasse. é, aliás, este mesmo Mazzini que faz renascer as teses imperialistas da Terceira Roma, acreditando que depois da Roma dos Imperadores e da Roma dos Papas teria de surgir a Roma do Povo. Assim, em 1871, propõe que a Itália constitua um vasto império colonial no Mediterrâneo: o estandarte romano tremulou sobre essas terras nos dias em que, após a queda de Cartago, o Mediterrâneo foi denominado o nosso mar. Fomos senhores de toda essa região até ao século V. Mussolini, o inicial militante socialista que, depois funda o fascismo, mais não faz do que dar continuidade a esse sonho.

· Manifesto da Jovem Itália, Marselha, 1831.

· Manifesto da Jovem Europa, Sabóia, 1834.

· A Santa Aliança dos Povos, 1849.

Enfantin, Prosper (1796-1864) Barthélemy Prosper, de nome próprio. Um dos socialistas franceses, discípulo de Saint-Simon desde 1825. Filho de banqueiro. Preso em 1832, acusado de defender a bigamia.

& Traité d’économie Politique

1831

& La Réligions Saint-Simoniènne

1831

& Doctrine de Saint-Simon

1832

 

VII - FALECIMENTOS E NASCIMENTOS

FALECIMENTOS

NASCIMENTOS

ARNIM, Achim von (1781-1831)

CLAUSEWITZ, Karl von (1780-1831)

HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich (1770-1831)

MACEDO, José Agostinho de (1761-1831)

MONROE, James (1758-1831)

NIEBUHR, Barthold Georg (1776-1831)

RODRIGUES DE BRITO, Joaquim José (1753-1831)

SCHLÖZER, C von (1774-1831)

STEIN, Heinrich Friedrich, barão de (1757- 1831)

JORDãO, Levy Maria (1831-1875)

RIBEIRO Ferreira, TOMáS António (1831-1901)

SCHÄFFLE, Albert (1831-1909)


 
© José Adelino Maltez
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Última revisão em: 01-05-2009