Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004

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ANO:1847


SUMÁRIO:
Destaques Cronologia Acontecimentos Bibliografia Personalidades Livros do Ano Falecimentos e Nascimentos

I – DESTAQUES

PORTUGALMUNDO

Política

· Remodelações governamentais (Fevereiro, Abril, Agosto, Dezembro)

· Convenção do Gramido (Junho)

· Sá da Bandeira aceita submeter-se (Junho)

· Eleições (Novembro)

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Ideias

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· Cavour, Camillo Benso, Conde de (1810-1861) funda, com Cesare Balbo, o jornal Il Risorgimento, defensor da instauração de uma monarquia constitucional em Itália.

·

 

 

II – CRONOLOGIA

NACIONAL

· Janeiro

6 Primeira de sucessivas suspensões das garantias constitucionais (decretos de 6 e 27 de Janeiro; 6 de Fevereiro, 6 de Março, 6 de Abril, 6 de Maio e 6 de Junho).

9 Póvoas nomeado comandante dos patuleias, o General é nomeado comandante militar das duas Beiras, aliando-se a Sá da Bandeira.

30 Derrota miguelista em Vila Pouca de Aguiar. Mac Donnel será chacinado.

- Esquarda cartista, comandada por Soares Franco, bloqueia o Porto.

· Fevereiro

20 Remodelação governamental: João de Oliveira, conde do Tojal, na fazenda, até 22 de Agosto de 1847; Barão de Ovar, General António da Costa e Silva substitui o Visconde de Algés na guerra. Comerciantes de Lisboa aplaudem a chegada de Tojal à fazenda. Os funcionários públicos não são pagos desde Outubro.

27 O exército da Patuleia, comandado pelo conde de Melo, ataca Estremoz

· Abril

9 Sá da Bandeira, assumindo-se como lugar-tenente da Junta, desembarca no Algarve e inicia marcha para Lisboa. Chega a Setúbal e junta-se às tropas do conde de Melo e às guerrilhas do Sul. Tem como colaboradores Braamcamp e José Estevão

11 Tumultos em Lisboa, onde estacionam tropas inglesas e espanholas

16 Sá da Bandeira detém-se em Setubal. Perde 500 homens no combate do Alto do Viso. Cartistas comandados pelo conde Vinhais

27 e 28 Nova remodelação governamental. Francisco Tavares de Almeida Proença substitui Marcelino Máximo de Azevedo e Melo no reino (até 22 de Agosto de 1847). Manuel Duarte Leitão substitui José Jacinto Valente Farinho nos negócios eclesiásticos e justiça (até 22 de Agosto de 1847). Ildefonso Leopoldo Bayard substitui Ovar na guerra e D. Manuel de Portugal e Castro nos estrangeiros. Conde do Tojal substitui D. Manuel Portugal e Castro, na marinha e ultramar. Valente Farinho, visconde da Oliveira, visconde de Algés e D. Manuel Portugal e Castro saem do governo

29 Novos tumultos patuleias em Lisboa. Fogem seiscentos presos do Limoeiro. Fome

· Maio

1 Sá da Bandeira, depois do combate do Alto do Viso, aceita armistício

3 Barão da Ponte da Barca, Jerónimo Pereira de Vasconcelos substitui Bayard na guerra.

27 Esquadra britânica bloqueia o Douro impedindo a saída da esquadra do conde das Antas

· Junho

3 Divisão espanhola ocupa o Porto

12 Sá da Bandeira aceita submeter-se

24 Convenção do Gramido. Assinam Loulé e António César Teixeira de Vasconcelos pelas juntas, na presença dos espanhóis general D. Manuel de la Concha, coronel Buenaga e o inglês coronel W. Wylde Como salienta Oliveira Martins, o povo voltava para casa, chorando: chorando assistira à entrada de Concha.

· Agosto

22 Ampla renovação do governo. Apenas se mantém o presidente, Saldanha. Segundo as palavras de Lavradio, era o chamado governo lânguido e ambíguo, face à impossibilidade da constituição de um governo forte, como chegou a ser tentado com a integração de Rodrigo da Fonseca e Silva Carvalho. Este governo começou por declara-se imparcial, mas logo tenta formar um terceiro partido, integrando cartistas e setembristas moderados:

António de Azevedo Melo Carvalho, no reino, em vez de Almeida Proença (até 18 de Dezembro de 1847); Francisco António Fernandes da Silva Ferrão nos negócios eclesiásticos e justiça, onde substitui Leitão (até 18 de Dezembro de 1847); Marino Miguel Franzini na fazenda, em vez de Tojal; o barão de Almofala, brigadeiro Silva Leão, substitui o barão de Ponte da Barca, na guerra, até 8 de Janeiro de 1848; João de Fontes Pereira de Melo na marinha e ultramar, substituindo o conde do Tojal (até 18 de Dezembro de 1847); Velez Barreiros, barão da Senhora da Luz, nos estrangeiros, em lugar de Ildefonso Leopoldo Bayard

- António Bernardo da Costa Cabral regressa do exílio e organiza em Lisboa um centro cartista que tem João Rebelo da Costa Cabral como o principal organizador

· Outubro

- José Estevão redige o programa da Associação Eleitoral Setembrista

· Novembro

28 e 12 de Dezembro. Eleições. As terceiras e últimas eleições do cabralismo, de acordo com o decreto de 12 de Agosto de 1847. 142 deputados (119 no continente e 10 nas ilhas, todos por círculos plurinominais; 13 no ultramar, dos 3 por círculos uninominais e 10 por círculos plurinominais). Os homens da patuleia abandonam o acto eleitoral. Estava no poder o Governo de Saldanha, com António de Melo no reino.

· Dezembro

18 Remodelação governamental

- Saldanha na presidência, na guerra (onde substitui Almofala) e nos estrangeiros (o barão da Senhora da Luz);

- Bernardo Gorjão Henriques no reino, onde substitui Melo e Carvalho (até 29 de Março de 1848);

- Joaquim José de Queirós e Almeida nos negócios eclesiásticos e justiça, em vez de Ferrão;

- Coronel José Joaquim Falcão na fazenda, em vez de Franzini;

- Agostinho Albano da Silveira Pinto na marinha e ultramar, em vez de João Fontes Pereira de Melo

INTERNACIONAL

·

· Ainda em 1847...

- Independência da Libéria

- Mazzini, em Londres, apela ao papa Pio IX para encabeçar o movimento da unificação italiana.

- Em Inglaterra, Lord Aberdeen faz uma coligação com os Wighs

III - ACONTECIMENTOS DO ANO

Gramido, Convenção do (1847) Convenção assinada em 24 de Junho de 1846 celebrada entre as partes que se opunham na guerra civil da Patuleia. Depois de mais seis anos de uma primeira guerra civil (1828-1834), de dois anos de vindicta (1834-1836) e de seis anos de indecisão revolucionária (1836-1842), o cabralismo ainda conseguiu impedir, com o apoio estrangeiro, uma revolução que vinha de baixo para cima, em nome do tal país das realidades que queria ser soberano. Como observa Camilo Castelo Branco, se o fermento azedo que fez levedar a revolução de 1846, foram as assuadas das mulheres à volta dos cadáveres exumados, o que seria irrisório se não fosse bestialmente repugnante, eis que o setembrismo resvalou dos seus briosos princípios avançados, porque estes ao preconizarem ... um tumulto fanaticamente alarvejado como estimulante de evolução progressista foi descaro que transcende todos os maus costumes da devassa Política. Arguiam a rainha e os seus ministros predilectos de retrógrados, escarneciam a religião nos prelos e nos templos, e ao mesmo tempo insinuavam no clero miguelista do Minho que acirrasse a plebe boçal contra a lei ímpia que proibia as inumações na terra das igrejas. Os de Setembro, espíritos fortes e demolidores dos preconceitos inveterados, desonraram-se legitimando o canalhismo do motim popular nos adros e o incêndio dos arquivos nas regedorias e nas câmaras

Com efeito, as confusões regeneradoras do vintismo que levaram ao confronto entre pedristas e miguelistas, acabaram depois por gerar novo confronto entre os patuleias e os cabralistas de que só viria a sair-se com nova regeneração, a partir de 1851. Loulé e António César Teixeira de Vasconcelos são os representantes das juntas num acto assinado na presença de representantes das forças militares estrangeiras: dos espanhóis D. Manuel Concha e coronel Buenaga e do inglês coronel W. Wylde. Com esta convençaão, imposta por forças militares estrangeiras, em nome da Quádrupla Aliança de 1834, a santa liberdade defendida pelos partidários anticabralistas da Maria da Fonte e da Patuleia foi usurpada. Como então chega a proclamar Rodrigues Sampaio, deixávamos de ter uma coroa pela graça de Deus e pela Constituição, dado que a mesma passava a sê-lo por graça dos aliados, ingleses e espanhóis, sobretudo, e vontade do estrangeiro. Oliveira Martins observa que o povo voltava para casa, chorando: chorando assistira à entrada de Concha. Aliás, logo em Abril de 1848, surgem os primeiros jornais republicanos e, no mês seguinte, formou-se a Carbonária Portuguesa, num movimento também influenciado pela chamada primavera dos povos.

IV – BIBLIOGRAFIA

AUTORES

OBRAS

BALMES, James

Filosofia Elemental, 1847

BLANC, Louis

Histoire de la Révolution Française

12 vols., Paris, Langlois et Leclercq, 1847-1862.

CABET

Le Vrai Christianisme suivant Jésus-Christ

D'AZEGLIO, Luigi Taparelli

Della Nazionalitá

LIBERATO, José

Autopsia dos Partidos Políticos e Guarda-Quedas dos Governos ou Ensaio sobre as Contínuas Revoluções de Portugal, Lisboa, 1847

MARX, Karl

Misère de la Philosophie. Réponse à la Philosophie de la Misère de M. Proudhon

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich

Die deutsche Ideologie Cfr. trad. port. A Ideologia Alemã, in Obras Escolhidas, 3 tomos, Lisboa-Moscovo, Edições Avante-Edições Progresso, tomo 1, 1982

STAHL, Friedrich Julius

Der Christliche Staat

V - PERSONALIDADES DO ANO

Carvalho, José Liberato Freire de (1772-1855) Maçon. Um liberal radical que toma como modelo Camile Desmoulins. Influenciado pelas teses de Rousseau e Condorcet. Foi cónego regrante de Santo Agostinho até 1808 (José do Loreto), quando juntou ao nome de baptismo o nome de Liberato. Traduziu a Arte de Pensar de Condillac e foi membro da maçonaria, onde confraternizou com Bocage. Evadiu-se para Inglaterra em 1813, onde funda, juntamente com Bernardo José Abrantes de Castro e Pedro Nolasco da Cunha, o Investigador Português, ainda subsidiado pelo Rio de Janeiro, e o Campeão Português ou Amigo do Rei e do Povo (1819-1821). Em 1820 assume a defesa de uma federação liberal com a Espanha, criticando o facto de nos termos tornado uma colónia do Brasil. Depois de nesse ano regressar a Portugal, funda o Campeão Português em Lisboa, onde continuou a atacar D. Pedro. Deputado às constituintes por Viseu, será desterrado para Coimbra depois da Vilafrancada. Depois de 1834, será deputado pela Madeira e arquivista da Câmara dos Pares. Com o setembrismo passará a administrador da Imprensa Nacional. Grão-mestre da chamada maçonaria do sul em 1834-1835.

· Ensaio Histórico-Político, 1830.

· Autopsia dos Partidos Políticos e Guarda-Quedas dos Governos ou Ensaio sobre as Contínuas Revoluções de Portugal, Lisboa, 1847

· Memórias da Vida de José Liberato Freire de Carvalho, Coimbra, 1855 (2ª ed., Lisboa, Assírio & Alvim, 1982)

 

 

VI - LIVROS DO ANO

 

VII - FALECIMENTOS E NASCIMENTOS

FãLECIMENTOS

NASCIMENTOS

SCHLEGEL, August-Wilhelm Von (1767-1847)

COELHO, Francisco Adolfo 1847-1919

FAGUET, émile 1847-1916

GIDE, Charles (1847-1932)

D. MARIA Pia de Sabóia (1847-1911)

SOREL, Georges (1847-1922)

NETCHAEV, Serguei (1847-1882)


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© José Adelino Maltez. Todos os direitos reservados. Cópias autorizadas, desde que indicada a proveniência: Página profissional de José Adelino Maltez ( http://maltez.info). Última revisão em: 01-05-2009 © José Adelino Maltez. Todos os direitos reservados. Cópias autorizadas, desde que indicada a proveniência: Página profissional de José Adelino Maltez ( http://maltez.info). Última revisão em: 01-05-2009