Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004

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ANO:1875


SUMÁRIO:
Destaques Cronologia Acontecimentos Bibliografia Personalidades Livros do Ano Falecimentos e Nascimentos

I – DESTAQUES

PORTUGALMUNDO

Política

· Funda-se o Partido Socialista Português (Janeiro)

·

·

· Restauração dos Bourbons, em Espanha

· Constituição, em França

·

Ideias

· No ano em que Rafael Bordalo Pinheiro cria, na Lanterna Mágica, o símbolo do Zé Povinho, Eça de Queiroz publica o célebre romance de costumes O Crime do Padre Amaro

· José Braz de Mendonça Furtado. Este último, deixou-nos umas Lições, redigidas por Barbosa Magalhães e João das Neves, em 1875-1876, onde, sobre um fundo de krausismo, já surgiam invocações de Stuart Mill, Alexis de Tocqueville, Proudhon, Guizot e J. K. Bluntschli. Iniciava-se assim nova viragem no capítulo das nossas tradicionais influências, misturando-se pitadas de positivismo e utilitarismo, com algum organicismo estadualista, de matriz germânica que, em breve, nos conduziria à recepção das vulgatas hegelianas.

· João Bonança publica em Coimbra Da Reorganização Social. Depois de se destacar como um dos primeiros defensores portugueses do casamento civil, este ex-padre vai ser também um dos primeiros teóricos do socialismo, considerado um ponto avançado da escola liberal e do tratamaneto dos assuntos sociais e religiosos debaixo do ponto de vista puramente científico, como se proclamava no anúncio da obra, publicado no Jornal de Coimbra

· Schäffle, Albert (1831-1903) Organicista. Estabelece analogias entre os organismos sociais e os seres vivos. Considera o Estado como um corpo real, em carne e osso, onde o governo desempenha as funções do cérebro.

· Taine, em nome da trilogia race, milieu, moment, começa a editar Les Origines de France Contemporaine, que pretende ser uma espécie de manual para a formação dos dirigentes da III República Francesa. Acabava definitivamente o modelo eclético de Victor Cousin, próximo daquilo que, entre nós, foi o krausismo.

 

 

II – CRONOLOGIA

NACIONAL

· Janeiro

2 Inaugurada a 20ª legislatura

5 Começa a construção da ponte D. Maria Pia no Porto pela empresa Eiffel. Até Outubro de 1877

10 Funda-se o Partido Socialista Português. Em Espanha surge a República Federativa e Antero defende uma federação republicana-democrática.

· Março

22 Fundação do Banco Lisboa e Açores

· Abril

2 Encerra o parlamento.

9 Aprovado....

· Maio

23 Morte do duque de Loulé.

· Junho

18 Morte de António Feliciano de Castilho.

20 Inaugurado a linha de caminho de ferro Porto-Braga a primeira de capitais e engenharia portuguesas

24 Sentença de McMahon sobre Lourenço Marques

· Agosto

- Conferências sobre vinhos de António Augusto de Aguiar em 9 e 25 de Agosto, no Teatro D. Maria II.

· Ainda em 1875...

INTERNACIONAL

·

· Ainda em 1875..

- Sublevações na Bósnia levam o sultão a introduzir reformas no Império Otomano

- Em Epanha, a Restauração

- Em França, Constituição de 1875, da 3ª República, parlamentarista. No mesmo país, aparece uma nova publicação periódica: Année Politique.

III - ACONTECIMENTOS DO ANO

Restauração (1875-1902) Do lat. restaurare, reparar ou refazer. Regime político espanhol, depois da restauração dos Bourbons em 29 de Dezembro de 1874. Protagonizado pelo rotativismo dos partidos conservador, liderado por Antonio Cánovas del Castillo, assassinado em 1897, e liberal, de Sagasta, morto em 1902. Marcado pela oligarquia e pelo caciquismo, conforme as críticas de um dos expoentes da geração de 1898. Sucede-lhe um modelo de sucessivas crises políticas, com Maura à frente dos conservadores e Canalejas, liderando os liberais. No período, reinam Alfonso XII, até 1885, e Alfonso XIII, com a regência de Maria Cristina até 1902.

O novo regime, inspirado por Sagasta, líder do partido fusionista ou liberal, e Canovas del Castillo, líder do novo partido liberal-conservador, vai dar origem à Constituição de 1876. Cánovas, pegando nos restos do antigo partido moderado, vai transformá-lo no partido liberal-conservador. Derrota definitivamente os carlistas. é o tempo áureo do caciquismo. Contudo, a partir de 1881 é admitida a liberdade de associação, permitindo a entrada na legalidade do Partido Socialista fundado clandestinamente em 1879. Em 1888 surgia a UGT e dois anos depois já celebrava à luz do dia o 1º de Maio.

IV – BIBLIOGRAFIA

AUTORES

OBRAS

BLUNTSCHLI

- Lehre vom Modernen Staat , 3 vols.: I - Allgemeine Staatslehre; II - Allgemeines Staatsrecht; III - Politik als Wissenschaft, Estugarda, 1875 - 1876).

- Die Schweirische Nationalitat, 1875.

BONANçA, João

Da Reorganização Social. Aos Trabalhadores e Proprietários, Coimbra, Imp. Commercial e Industrial, 1875.

FOUILLé, Alfred

Histoire de la Philosophie, 1875

GLUMPLOWICZ, Ludwig

Rasse und Staat, 1875

HUXLEY, Thomas Henry

Practical Biology, 1875.

LAFITTE, Pierre

Les Grans Types de l’Humanité, 2 vols, Paris, 1875-1876.

MAINE, Henry summer

Lectures on the Early History of Institutions, 1875.

SCHAFFLE

Bau and Leben des sozialen Korpers, 1875

SCHÄFFLE, Albert

Bau und Leben des sozialen Körpers, 1875

SPENCER, Herbert

Principles of Sociology, 1875

TAINE

Les Origines de la France Contemporaine 1875-1893. Pretende ser uma espécie de manual de formação dos dirigentes da III República. 11 volumes em três partes.

V - PERSONALIDADES DO ANO

Taine, Hippolyte Adolphe (1823-1893) Positivista francês. Historiador. Marcado pelo positivismo, distancia-se da filosofia eclética de Victor Cousin que até 1857 dominava os meios intelectuais franceses. Eleito para a Academia Francesa em 1878. Criticando o romantismo, inicia a postura positivista, em nome da razão e das virtudes clássicas. Marcado pelo determinismo geográfico, à semelhança de Ratzel. Influenciado pelo darwinismo social.

Raça, meio, momento

Fundador do naturalismo, em nome da trilogia race, milieu, moment. Porque há um conjunto de caracteres biológicos transmitidos hereditariamente; porque as tradições, as crenças, os hábitos mentais e as instituições modelam os indivíduos; porque há sempre um conjunto de circunstâncias que desencadeiam a acção. Fala nas grandes pressions environnats, que la race façonne l'individu, que le pays façonne la race. Ligado a Renan. Colabora com Boutmy na fundação da école Libre des Sciences Politiques. Tenta transportar para o âmbito das ciências morais os métodos das ciências físicas, aceitando o determinismo e o mecanicismo psicológico. Porque existe uma espécie de predisposição que dirige todas as ideias e todos os actos de um povo.

Raça

Entende por raça, o conjunto das características hereditárias imprimidas pela família às gerações seguintes. Neste sentido distingue raças superiores e inferiores. Nas primeiras, a raça ariana, o espírito inteiro, tomado pelo belo e pelo sublime que concebe um modelo ideal capaz, por sua nobreza e sua harmonia, de conquistar para si a ternura e o entusiasmo do género humano. Já nas inferiores coloca os semitas, onde falta a metafísica, porque o espírito é muito tenso e inteiro … o homem reduz-se ao entusiasmo lírico, à paixão irrefreável, à acção fanática e limitada.

Psicologia positiva

Prélot considera que Taine é marcado por uma psicologia positiva e por uma sociologia não compreensiva, dado contrariar a máxima de Dilthey, para quem a natureza se explica, ao contrário da cultura que apenas pode compreender-se. Para Taine, pelo contrário, a alma faz parte da própria da natureza.

[1855] Voyage aux Pyrénnées

[1856] Essai sur Tite-Live

[1857] Essais de Critique et d'Histoire

[1857] Les Philosophes Classiques du XIX Siècle

[1870] De l'Intelligence

[1873] Histoire de la Littérature Anglaise

4 vols. 1863-1864.

[1875] Les Origines de la France Contemporaine

1875-1893. Pretende ser uma espécie de manual de formação dos dirigentes da III República. 11 volumes em três partes.

 

Barreto de Meneses, Tobias (1839-1889). Formado em direito pelo Recife. Mistura o positivismo de Comte, o naturalismo de Haeckel e certa memória do ecletismo de Cousin. Chefe de fila da chamada Escola do Recife, onde também enfileiram Sílvio Romero e Clóvis Beviláqua. Mulato, dito da fulgurante plebe, declara ter trocado a blusa do poeta pelo casacão do filósofo. Assinala que em toda a natureza as formas são expressões das forças, e as forças não existem sem produzir as formas. Logo, o cidadão é a forma social do homem, como o Estado é a forma social do povo. Neste sentido, proclama que o conceito de sociedade... representada como um sistema de forças combatente assume-se contra o combate pela vida. Defende que o cidadão sem o homem, o homem sem o cidadão, a sociedade abstraída do Estado; o Estado abstraído da sociedade não passam de categorias lógicas do pensamento especulativo. Porque é mister que o cidadão exprima o homem, como o Estado deve exprimir o povo; é mister que o homem faça o cidadão, como o povo deve fazer o Estado.

1875 Ensaios e Estudos de Filosofia e Crítica

1875.

1888 Questões Vigentes de Filosofia do Direito

1888.

1926 Varios Escritos

Aracuju, Edição do Estado de Sergipe, 1926.

1926 Questões Vigentes

Aracuju, Edição do Estado de Sergipe, 1926.

1926 Filosofia e Crítica

Aracuju, Edição do Estado de Sergipe, 1926.

1926 Obras Completas

Rio de Janeiro, 1926. Cinco volumes.

VI - LIVROS DO ANO

& Herbert Spencer (1820-1903), que nos seus Principles of Sociology, de 1875, considera a sociedade como um organismo social, na senda do darwinismo, um organismo marcado pela evolução, pela diversificação e pela especialização crescente dos diversos órgãos e parcelas, distinguindo claramente entre estruturas sociais e funções sociais. é um dos primeiros a teorizar a sociedade primitiva:"a causa que mais contribuiu para engrandecer as ideias dos fisiologistas, é a descoberta pela qual nós aprendemos que organismos que, no estado adulto, nada parecem ter em comum, foram, nos primeiros períodos do seu desenvolvimento, muito semelhantes; e mesmo que todos os organismos partem duma estrutura comum. Se as sociedades se desenvolvem e se a dependência mútua que une as suas partes, dependência que supõe a cooperação, se efectuou gradualmente, é preciso admitir, que apesar das diferenças que acabam por separar as estruturas desenvolvidas, há uma estrutura rudimentar donde todas derivam".

 

& Bau und Leben des sozialen Körpers (1875-1878) Albert Schäffle considera o Estado como um corpo real, em carne e osso, onde o governo desempenha as funções do cérebro. Em Bau und Leben des Sozialen Körpers, longa obra de quatro volumes marcada por comparações anatómicas, biológicas e psicológicas entre a sociedade e a pessoa humana, tanto no corpo como na alma, o Estado aparece-nos como um super-organismo que representa uma vida animal de ordem superior. O Estado é considerado como a fase final da evolução da natureza, que passou do informe para formas cada vez mais complexas e de âmbito cada vez maior,num crescendo evolutivo que culmina as prévias etapas: cristal, planta, animal, homem, família, grupos de famílas.

 

 

VII - FALECIMENTOS E NASCIMENTOS

FALECIMENTOS

NASCIMENTOS

BASTOS, Aureliano Cândido Tavares (1839-1875)

CAIRNES, John Elliot (1823-1875)

CASTILHO, António Feliciano de (1800-1875)

JORDAO,Levy Maria (1831-1875)

LOULé, 1º duque de, Nuno José Severo de Mendonça de Moura Barreto (1804-1875)

PAIVA MANSO, 1º Visconde de. Levi Maria Jordão de Paiva Manso (1831-1875).

MOHL, Robert von (1799-1875)

RODBERTUS-JAGETZOV, Johann Karl (1805-1875)

TELHADO, José do (José Teixeira da Silva) (1816-1875)

BARBUSSE, Henri (1875-1935)

BASTO, Eduardo Alberto Lima (1875-1942)

DIAS, Carlos Malheiro (1875-1941)

GENTILE, Giovanni (1875-1944)

LASK, Emil (1875-1915)

MANN, Thomas (1875-1955)

REIS, José Alberto dos (1875-1955).

SANTI, Romano (1875-1943)

SANTOS, António Maria de Azevedo Machado (1875-1921).

SCHWEITZER, Albert (1875-1965)

SIEGFRIED, André (1875-1959)


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© José Adelino Maltez. Todos os direitos reservados. Cópias autorizadas, desde que indicada a proveniência: Página profissional de José Adelino Maltez ( http://maltez.info). Última revisão em: 01-05-2009 © José Adelino Maltez. Todos os direitos reservados. Cópias autorizadas, desde que indicada a proveniência: Página profissional de José Adelino Maltez ( http://maltez.info). Última revisão em: 01-05-2009