Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004

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ANO:1914


SUMÁRIO:
Destaques Cronologia Acontecimentos Bibliografia Personalidades Livros do Ano Falecimentos e Nascimentos

I – DESTAQUES

PORTUGALMUNDO

Política

· Governo de Bernardino Machado (Fevereiro)

· Criada a União Operária Nacional (Março)

· Segunda Outubrada (Outubro)

· Congresso autoriza a entrada de Portugal na Guerra (Novembro)

· Governo de Vítor Hugo Azevedo Coutinho (Dezembro)

· Combate de Naulila (Dezembro)

· Atentado ao Arquiduque Francisco Fernando, em Serajevo (Junho);

· Início da Grande Guerra

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Ideias

· Surge a revista Nação Portuguesa, órgão do Integralismo Lusitano, dito Revista de Filosofia Política, cujo primeiro número, dirigido por Alberto Monsaraz, aparece em 1914, numa sequência de onze, até 1916. Retoma-se a publicação a partir de 1922. Defende, então, a ideia de revolução na permanência. Invoca a necessidade de constituição de uma biblioteca essencial, para se recuperar o nosso pensamento contra-revolucionário, onde se salientam os nomes do marquês de Penalva, visconde de Santaré,, José Acúrsio das Neves e Frei Fortunato de São Boaventura. Reinterpretam os percursos de Alexandre Herculano, Henrique da Gama Barros, Henriques Nogueira, Oliveira Martins, Eça de Queirós, Silva Cordeiro e Alberto de Sampaio. Entre os estrangeiros, são frequentemente citados Renan, Taine, Gustave Le Bon, Maurras, George Valois, Comte, édouard Berth, Ortega y Gasset, Jacques Maritain e George Sorel, sempre em nome de l’homme qui vient, conforme as palavras deste último. Entre os principais colaboradores: António Sardinha, Luís de Almeida Braga, José Adriano Pequito Rebelo, Adriano Xavier Cordeiro, Amadeu de Vasconcelos, Domingos de Gusmão Araújo, Francisco Vieira de Almeida, Hipólito Raposo, João do Amaral e Simeão Pinto de Mesquita. Para a segunda série, entre 1922 e 1928, é mobilizada uma nova geração com Manuel Múrias, Afonso Lopes Vieira, Carlos Malheiro Dias, Ivo Cruz, J. Lúcio de Azevedo, Pedro Teotónio Pereira, Marcello Caetano, Nuno de Montemor, Rodrigues Cavalheiro e Francisco Rolão Preto.

· Durante o governo de Bernardino Machado, reaparece o jornal O Dia, afecto aos dissidentes progressistas de José Maria Alpoim

· Na Carta de um Velho a um Novo, de Ramalho Ortigão, a João Amaral, aquele escritor apoia o movimento integralista.

·

·

II – CRONOLOGIA

NACIONAL

· Janeiro

- Generaliza-se o uso do bilhete de identidade, nos termos das portarias de 9 de Setembro e 8 de Dezembro de 1913. O bilhete de identidade havia sido criado em 1907.

9 O senador João de Freitas ataca pessoalmente Afonso Costa, acusando-o de favorecimentos a antigos clientes do escritório. Democráticos, em protesto, saem da sala.

- Um dos dois deputados socialistas das eleições suplementares de 1913 passa para os democráticos. Dos independentes, que eram 19, passam 11

14 Afonso Costa apresenta orçamento

15 Começa a greve dos ferroviários, com sabotagens. Dura até 23 de Janeiro e envolve cerca de sete mil trabalhadores. Encerramento do sindicato ferroviários e tumultos no Rossio, com mortos e feridos. Lisboa chegou a estar isolada da província.

16 Brito Camacho requer que a revisão da Lei da Separação entre em imediata.

21 Senado vota moção contra o governo, com apoio de unionistas e evolucionistas. Havia sido nomeado um governador da Guiné, sem se ouvir o Senado, violando ao artigo 25º da Constituição.

24 Manuel de Arriaga apresenta aos três principais partidos uma carta programa, pedindo trégua nas lutas políticas e a constituição de um governo extrapartidário, com eleições gerais depois da acalmação. Recebe apoio dos unionistas (em 31 de Janeiro) e dos evolucionistas (em 1 de Fevereiro). Oposição de Afonso Costa (4 de Fevereiro). Como salienta João Chagas no seu Diário, Arriaga, chamado aos oitenta anos a ser árbitro de conflitos humanos, o humanitarista de 48, o paladino da paz universal, o autor de "Harmonias Sociais"! O que vai ele fazer? O que fazem todos os portugueses em presença de conflitos – pedir ordem. A palavra ordem é a expressão máxima da sisudez nacional. Mas em Portugal só há ordem e paz quando não se levantam conflitos de ideias. Quando estes surgem, tudo grita e ninguém se entende

25 Governo pede a demissão em carta datada de 25 de Janeiro, mas no dia 26 pede uma moção de confiança ao Congresso que é aprovada por 114-93. Protesto dos deputados e senadores da oposição que abandonam a sala.

26 Incidentes, à noite, Afonso Costa promove cortejo de apoio aos democráticos, com foguetes, vivório, filarmónicas e um balão à veneziana; a manifestação é dispersa por oposicionistas ao tabefe, no Rossio. Bandos de formigas pretas chegam a cercar o jornal O Mundo.

· Fevereiro

4 Manifestação oposicionista nocturna, do Largo de Camões para Belém, organizada por Machado Santos, Júlio Martins, Carlos da Maia e Rocha Martins exige a queda de Afonso Costa, amnistia para todos os presos políticos e reabertura das associações sindicais encerradas. Entram na manifestação sindicalistas armados de archotes, a partir da Avenida 24 de Julho. Almeida e Camacho recusam participar e os comerciantes de Lisboa não fecharam as portas.

9 Constituído o governo de Bernardino Machado. Bernardino era embaixador no Rio de Janeiro e tinha pouco antes regressado a Lisboa, a bordo do paquete Avon: caía do céu. Segundo João Chagas ofereceu pastas a toda a gente a dos negócios estrangeiros a meio mundo. Ninguém lhe pegou, nem o Júlio Dantas. O governo bernardizava-se, conforme dizia Guerra Junqueiro.

- Bernardino, primeiro, tentou chamar para o governo os republicanos históricos do Porto, convidando Basílio Teles, Alves da Veiga, Guerra Junqueiro e Paulo Falcão, mas todos recusaram. Segundo dizia, em nota oficiosa de 7 de Janeiro, quer formar o ministério com elementos extrapartidários e elementos conciliadores representantes dos partidos, numa fórmula que, conforme se lia em A Capital, não seria a repetição da concentração partidária.

10 Apresentação parlamentar do novo governo. Promete revisão da Lei da Separação e ampla amnistia, falando em congraçamento da família portuguesa e dizendo não ao sectarismo. Apoio formal dos democráticos, aberta oposição dos evolucionistas e expectativa benévola dos 17 deputados unionistas. Os evolucionistas justificam a oposição dizendo que no gabinete há três ministros democráticos, uma agremiação que fomentoua desordem, o tumulto, a guerra civil entre os portugueses e que agasalhou e incitou espiões miseráveis que vitimaram inocentes e desgraçaram famílias inteiras.

15 Deputado socialista Manuel José da Silva, entrevistado por O Século, propõe a institucionalização dos contratos colectivos de trabalho.

16 62 parlamentares evolucionistas e unionistas assinam documento onde se propõe a fusão dos dois partidos. Camacho concorda, Almeida põe condições.

19 Reaparece o jornal monárquico O Dia, afecto a José Maria de Alpoim

- No mesmo dia, Proposta de lei da amnistia apresentada no parlamento pelo ministro da justiça Manuel Monteiro. Aprovada no dia seguinte por 102-24, será publicada no dia 21. Os presos serão libertados logo no dia 22. Amnistia abrange o desterro dos bispos. Abrange 572 indivíduos presos e 1 700 emigrados. Segundo João Chagas, atira sobre a República dois mil adversários odientos. Brito Camacho terá apoiado a medida, dizendo que conspirar é um direito

- Ainda a 19, Chagas observa: greve em Portugal. Comboios descarrilados, bombas, pontes que saltam, comunicações interrompidas

- Tumultos em Monção.

- Patriarca de Lisboa regressa à diocese em Fevereiro. O do Porto em 3 de Abril.

 

· Março

2 Afonso Costa assume o exercício efectivo das funções de professor e director da Faculdade de Direito e Estudos Sociais de Lisboa. Até fins de Janeiro de 1915, quando pede licença. Apenas regressa em Novembro de 1915, mas apenas preside a uma sessão do conselho, dado que, depois de Julho ter um acidente, passa a presidente do ministério.

- Afonso Costa discursa da Câmara dos Deputados: tenho sido acusado de muitas coisas e, entre elas, a de extinguir o sentimento religioso em duas gerações. Essa calúnia é de tal natureza que merece o sorriso e o desdém que, quase sempre merecem os caluniadores

8 Fernando Pessoa cria o heterónimo Alberto Caeiro

9 Morte de José Luciano de Castro, na Anadia

14 a 17 Congresso Operário de Tomar. Criada a União Operária Nacional. Estão represnetados 103 sindicatos. Carlos Rates apresenta uma tese sobre A Carestia da Vida que será, depois, publicada em folheto.

22 Interrompido comício católico na igreja de S. João de Almedina em Coimbra. Estavam presentes Salazar e Cerejeira.

24 Desloca-se a Lisboa comissão de católicos de Coimbra para inteirar o governo dos distúrbios. Bernardino Machado toma a salomónica decisão de, em nome da paz académica, mandar encerrar todos os centros académicos.

28 Decreto sobre a central hidro-eléctrica das Portas do Ródão. O diploma vai levar à queda do governo, sendo revogado em 24 de Junho.

· Abril

3 D. António Barroso volta discretamente ao Porto. No dia 7, grande manifestação pública de apoio ao bispo regressado.

7 Doutrinação anarco-sindicalista. Sai o primeiro número de O Despertar, dito mensário das juventudes sindicalistas. Na sede destas se reúnem vários militantes sindicalistas, ouvindo conferências doutrinárias sobre o anarco-sindicalismo. Entre os conferencistas o professor Aurélio Quintanilha, adversário da intervenção de Portugal na guerra e que, depois, servirá como intermediário dos anrco-sindicalistas junto de Sidónio Pais, de quem fora aluno.

8 O Integralismo Lusitano. Começa a publicar-se em Coimbra Nação Portuguesa

16 O parlamento rejeita o regresso a Portugal do jesuíta Pestana da Silva que se encontrava gravemente doente na Galiza. Bernardino fora favorável a um requerimento apresentado pelo pai do mesmo, mas no parlamento apenas teve o apoio de Jacinto Nunes, João de Meneses e do socialista Manuel José da Silva. O governo cede, para não abrir crise.

20 Aniversário da Lei da Separação, os republicanos do Porto organizam grande manifestação de resposta à manifestação dos católicos do dia 7.

- Greves de pintores e metalúrgicos em Lisboa e da construção civil em Coimbra. Tumultos em Olhão.

· Maio

1 Lei sobre a livre associação e funcionamento das associações de classe.

- Congresso das Associações Comerciais e Industriais

2 a 4 Congresso no Porto da Federação das Juventudes Católicas, presidido pelo conde de samodães. Salazar discursa: A Democracia e a Igreja. Tentativa de assalto ao congresso no dia 4.

23 Freire de Andrade assume a pasta dos estrangeiros, até aí gerida interinamente por Bernardino Machado.

- Greve dos pescadores em Sesimbra.

· Junho

6 João Chagas observa: a República continua a sofrer da sua crise de autoridade, que em Portugal ninguém sabe compreender

8 Reforma do ensino primário

17 A questão do decreto de 28 de Março é levantada na Câmara dos Deputados pelo deputado evolucionista Celorico Gil. António Maria da Silva chama-lhe canalha. O contraventor insulta-o, qualificando este como tolerado. Bofetões nos Passos Perdidos.

20 Mantida a Lei da Separação, depois de votação parlamentar. Manifestações de católicos e da Associação do Registo Civil. Bernardino Machado lamenta que a República não tenha um cardeal Saraiva ou um D. Alves Martins.

- Os ministros democráticos demitem-se, mas Tomás Cabreira, inconformado, apesar de demitir-se pede também a demissão de membro do partido democrático. O Supremo Tribunal Administrativo considerou o diploma inconstitucional. Em 20 de Junho os deputados e senadores democráticos votam pela constitucionalidade do diploma e mandam que os ministros do partido não assinem qualquer decreto declarando nulo o diploma.

- Afonso Costa desafia António José de Almeida para duelo, sabendo que este o não aceita, por ser defensor do modelo dos tribunais de honra.

- Concurso para assistentes da Faculdade de Estudos Sociais e Direito. Admitido Martinho Nobre de Melo em detrimento de João Evangelista Campos Lima, Alfredo Pimenta e António Macieira.

22 Bernardino Machado pede a demissão por causa do decreto de 28 de Março.

23 Remodelação governamental, também, por causa das Portas de Ródão. Saem Rodrigues Monteiro e Tomás Cabreira da justiça e das finanças. Bernardino assume interinamente a justiça e Santos Lucas é o novo ministro das finanças.

24 Anulado o decreto de 28 de Março (Portas de Ródão). Como observa João Chagas, quando Bernardino Machado está no poder nunca há em rigor uma crise, e é o que sucede … tapou rapidamente os buracos deixados pelos seus três colaboradores e prossegue.

28 Realizam-se conferências anarquistas em Lisboa e no Porto.

30 Aprovado o orçamento e encerrada a legislatura. Houve falta de quorum nas sessões de 27, 28 e 29. A falta de quorum tem a ver com a projectada discussão da lei eleitoral. Os evolucionistas não comparecem e os unionistas retiram-se.

- No mesmo dia, discute-se nova lei eleitoral, principalmente no tocante à divisão dos círculos. Admitia-se o sistema de lista incompleta, reservando-se um quarto dos deputados para as minorias. O deputado evolucionista Mesquita de Carvalho considera que o projecto serve para servir os interesses de uma seita e para favorecer a dementada ambição de uma criminosa ditadura parlamentar. O projecto será discutido e aprovado na Câmara dos Deputados, mas nunca chegou a ser votado pelo Senado.

- Ainda a 30, Afonso Costa declara: a República carece de um governo extrapartidário até às eleições; que o sr. Presidente do Ministério se conserve até lá no seu posto de honra.

- Tumultos na Idanha e na Azambuja. Conflitos estudantis em Coimbra (200 estudantes presos).

- Greve dos operários das moagens por falta de importação de trigo.

· Julho

- Aumento do câmbio que passa dos 4$93 de Maio de 1911 para 5$30.

20 Lei nº 253 sobre o regime de fiscalização do vinho do Porto.

23 Novos ministros. Sousa Monteiro na justiça e Almeida Lima no fomento.

31 São marcadas eleições em Portugal para o dia 1 de Novembro

· Agosto

3 P roibida a exportação de combustíveis, gado e géneros alimentícios, à excepção do vinho, em Portugal.

4 Encerradas as Bolsas de Fundos de Lisboa e do Porto. Regime estabelecido pelo decreto nº 797 de 25 de Agosto.

7 Bernardino Machado lê relatório sobre a posição de Portugal em sessão do Congresso. Proclamada a fidelidade à aliança luso-britânica. Aplauso unânime.

8 Lei nº 275 permite ao governo actuar sem peias parlamentares, face ao estado de guerra: concede ao poder executivo as faculdades necessárias para, na actual conjuntura, garantir a ordem em todo o país e salvaguardar os interesses nacionais, bem como para ocorrer a quaisquer emergências extraordinárias de carácter económico e financeiro. é ao abrigo deste diploma que se exercerá a ditadura de Pimenta de Castro. A lei foi prorrogada pela Lei nº 292 de 29 de Janeiro de 1915 e renovada pela lei de 5 de Junho de 1915.

- Entre os defensores do intervencionismo está João Chagas, nosso representante em Paris. Teixeira Gomes, em Londres, é mais moderado. Brito Camacho é contra a intervenção no teatro europeu do conflito, defendendo apenas uma intervenção em áfrica. Esta é também a posição dos monárquicos, através de Aires de Ornelas, lugar-tenente de D. Manuel II. O rei chega a propor que os monárquicos colaborem com a República para o efeito. Alguns jornais monárquicos, como a Nação falam mesmo na necessidade de um governo de concentração nacional.

- Leote do Rego fala num perigo ibérico, referindo-se aos monárquicos

10 Novas penalidades para comerciantes que elevem os preços dos géneros de primeira necessidade, pelo decerto nº 741. Nesse diploma também se institui um sistema global de fiscalização do preço dos géneros alimentícios.

- Leis nº 277 e 278. Leis orgânicas das províncias ultrmarinas do ministro Lisboa de Lima.

17 Criada uma Comissão de Subsistências, para géneros alimentícios e combustíveis, pelo decreto nº 767

18 S ão instituídos armazéns gerais industriais e criada uma comissão especial junto do ministério do fomento para a aplicação de providências visando o abastecimento do país em géneros alimentícios e combustíveis.

- Também neste dia, determina-se a organização de duas expedições militares para áfrica.

21 C riadas bolsas de mercadorias em Lisboa e no Porto.

25 Ataque alemão ao posto de Maziua, em Moçambique

26 Decreto do ministro das finanças Santos Lucas estabelece em 120 000 contos o limite da circulação fiduciária (limite das notas chamadas de ouro). Limite de 17 de Outubro de 1910 foi fixado em 72 000 contos de réis. Era de 86 559 contos em 31 de Dezembro de 1913 e de 96 459 em finais de 1914.

- Greve dos cabouqueiros e dos fabricantes de cal em Lisboa.

- Tumultos em Lamego (10 mortos)

- Assaltado o jornal A Liberdade.

· Setembro

7 Publicada a Carta de um Velho a um Novo, de Ramalho Ortigão, a João Amaral, onde aquele escritor apoia o movimento integralista.

11 Partem para áfrica as primeiras expedições militares. A de Angola, que segue a bordo do Moçambique, é comandada pelo coronel Alves Roçadas. Desembarca em Moçâmedes no dia 1 de Outubro e chega ao Lubango a 17 do mesmo mês. A de Moçambique, que segue a bordo do Durham Castle, e comandada pelo coronel Massano de Amorim. Chega a Lourenço Marques a 16 de Outubro.

18 Assaltos a armazéns de víveres no Porto. Intervenção das forças policiais. Greve dos tecelões no Porto. Assaltos a armazéns de víveres em Almada.

- Observações de João Chagas: aqui falta tudo – autoridade, disciplina, ordem, polícia. Uma só palavra convém ao que vejo: - anarquia – anarquia mansa, lenta, dissolvendo tudo, apodrecendo tudo.

19 A s eleições são adiadas sine die, atendendo a que persistem ainda os motivos de ordem internacional que aconselharam os partidos republicanos à patriótica suspensão das questões políticas internas. Nesse mesmo dia, o governo publicita um relatório sobre as respectivas actividades.

24 Criação de uma Junta Reguladora da Situação Cambial, com delegados das associações privadas, pelo decreto nº 886. Visa a fixação oficial das cotações cambiais.

- Nesse dia, o Jornal O Dia suspende a publicação, protestando contra o facto de alguns dos seus números terem sido apreendidos. Na altura, chegam a publicar-se outros jornais monárquicos como o Jornal da Noite, Restauração e Talassa.

- Lançado à água o contratropedeiro Guadiana, construído no Arsenal da Marinha.

- Greve dos tipógrafos no Porto.

· Outubro

10 O s britânicos convidam Portugal a abandonar a neutralidade.

13 Conselho de Ministros decide criar um corpo expedicionário destinado a intervir em França

14 Proibida a reexportação de géneros alimentícios e de medicamentos

18 Incidente de Naulila

20 Segunda Outubrada. Proclamada a monarquia em Mafra em 20 de Outubro, com intervenção do germanófilo Rodrigues Nogueira. Os conspiradores monárquicos, quando se dirigiam a Torres vedras, são derrotados em S. Pedro da Caldeira pelas tropas governamentais comandadas pelo capitão Álvaro Poppe. Incidentes em Bragança. Assalto a vários jornais monárquicos em Lisboa (Jornal da Noite, Restauração e Talassa), bem como ao jornal crítico independente, Ridículos. Criado em 22 de Outubro um tribunal militar especial

para julgamento dos conspiradores monárquicos.

28 Facilitada a entrada na metropole de cereais produzidos nas colónias

31 Ataque alemão a Cuangala

· Novembro

5 Novos embarques para áfrica em 5 de Novembro, 1, 3 e 10 de Dezembro.

21 Congelamento das rendas de casa dos prédios urbanos pelo Decreto nº 1 079.

23 Governo é autorizado pelo Congresso a intervir na guerra, numa reunião extraordinária do Congresso. Lei nº 283 publicada no dia seguinte.

25 Redução dos custos de armazenagem dos géneros alimentícios no porto de Lisboa

- Parte para o Brasil Duarte Leite, o primeiro embaixador formal da República no Rio de Janeiro.

29 Carta de Afonso Costa a João Chagas: eu tenho reclamado um governo patriótico, nacional em que os partidos se responsabilizem, solidarizem e concentrem, com um programa de ir à Guerra europeia (e consequente beligerância imediata) e de enérgica defesa republicana, um governo que até não deveria integrar nenhum dos chefes republicanos. Reconhece também que os dois grupos (evolucionistas e unionistas), agora, odeiam-se mortalmente … um só pensa em acabar com o outro, em fazer aproximações connosco que lhe permitam pôr a pão e laranja, nas próximas eleições o concorrente que não serviu para aliado

30 Instaurada a censura sobre assuntos miliatres

· Dezembro

2 Reabertura do parlamento. Bernardino Machado lê o relatório do governo.

- No mesmo dia, o deputado democrático Vitorino Godinho referia insultuosamente o chamado decreto da mobilização.

4 Bernardino Machado declarava categoricamente, sem a habitual cordialidade, que se a moção não fosse retirada o governo se demitiria.

- Aprovada, por 77-10, moção para interpelação ao governo, por causa do decreto nº 1096 sobre a mobilização, publicado em 25 de Novembro.

- A votação de 4 de Dezembro foi apenas sobre a admissibilidade da moção, dado que o líder dos democráticos na Câmara dos Deputados, Alexandre Braga contrariou os intentos de Bernardino.

- Havia sinais de oposição ao governo dentro dos próprios democráticos e dos unionistas. Entre os primeiros, salientem-se as intervenções de Jaime Cortesão, a partir do jornal O Norte. Entre os segundos, os artigos de Jacinto Nunes em A Luta. Defendiam o governo, A República, de António José de Almeida, e O Intransigente, de Machado Santos

5 Bernardino Machado apresenta a demissão

- Preparativos para a formação de um novo governo. Arriaga convidou Braamcamp Freire, Magalhães Lima e Machado Santos para formarem governo. Todos recusaram. Machado Santos ter-lhe-á dito: Senhor Presidente, apesar de sermos ambos livres pensadores, permita-me V. Exª esta expressão: Deus salve a República!.

- António José de Almeida recusa governo de concentração. Afonso Costa diz que a união é impossível por causa das guerras pessoais. Almeida considera que a questão tem a ver com princípios, nomeadamente com as divergências quanto à Lei da Separação. Brito Camacho está contra o governo de concentração e até contra a hipótese de governo extrapartidário, defendendo um governo de base parlamentar demo-evolucionista ou demo-unionista. Mas põe obstáculos até à concretização deste último.

10 Manuel de Arriaga convida Azevedo Coutinho, o então presidente do Senado, para formar governo.

12 Governo constituído. Todos os ministros são do partido democrático, à execepção de Ferreira de Simas. O governo conta apenas com o apoio parlamentar dos democráticos.

14 Na apresentação parlamentar n em uma palavra sobre problemas económicos, sociais e religiosos, quando continua a alta dos preços. Defesa da necessidade da realização de eleições gerais no mais curto prazo em condição da mais perfeita imparcialidade. Vitória na Câmara dos Deputados por 63-39. Derrota do governo no Senado por 27-26.

- No Senado, Bernardino Machado refere: a crise … estava aberta já há muito tempo; é a crise profunda, que precisava de ser sanada, a crise dos partidos. Não há dúvida de que a formação dos partidos dentro da República foi prematura.

- Os evolucionistas assumem franca, calma e decidida oposição e guerra sem tráguas, dado não ser possível fazer uma política imparcial com um governo partidário. Os unionistas não apoiam, porque o governo não pode inspirar confiança à nação.

17 Os deputados unionistas e Machado Santos renunciam aos mandatos. Senado fica sem quorum. O Congresso, eleito em 28 de Maio de 1911, tinha a sua legislatura prolongada por um decreto do governo de Bernardino Machado de 19 de Setembro, que adiava as eleições. Chamam ao governo os miseráveis de Vítor Hugo e a adega do Alexandre. Senado fica sem quorum.

18 Combate de Naulila. Dura quatro horas. Derrota das forças portuguesas.

19 e 20 Artigos de Brito Camacho em A Luta contra a intervenção bélica no teatro de operações da Europa.

· Ainda em 1914...

- Grémio Luso-Escocês Surgiu uma cisão dentro da Maçonaria, com um grupo dissidente o Supremo Conselho do Grau 33 a considerar ilegal o Grande Oriente Lusitano e a constituir o Grémio Luso-Escocês que elegeu para dirigente máximo o general Luís Augusto Ferreira de Castro. Cerca de um terço do povo maçónico terá aderido a esta dissidência que vai manter-se até 1926. Em 1919 o Grande Oriente Lusitano só tem 1 807 filiados, com 88 lojas, contra 30 do Grémio Luso-Escocês. Três anos depois, em 1922, há 105 lojas do Grande Oriente Lusitano, ou Grémio Lusitano, contra 23 do Grémio Luso-Escocês (no total, 33 são de Lisboa e 10 do Porto). Quando se deu a reunificação em 1926, há 3 153 maçons e 115 lojas.

INTERNACIONAL

· 16 de Março A esposa do ministro francês das finanças, Caillaux, assassina o director de Le Figaro

· 10 de Maio Bloco das Esquerdas ganha eleições em França

· Junho

14 Governo de Viviani em França

28 Assassínio do arquiduque Francisco Fernando, em Serajevo

· Julho

23 Ultimato da áustria-Hungria à Sérvia

25 Promessa de auxílio da Rússia à Sérvia

28 Declaração de guerra da áustria-Hungria à Sérvia

30 Mobilização geral russa

31 Ultimatos alemães à França e à Rússia

- Assassinato de Jean Jaurès em França

· Agosto

1 Declaração de guerra da Alemanha à Rússia

2 Invasão alemã do Luxemburgo

3 Invasão alemã da Bélgica

4 Declaração de guerra à Alemanha pelo Reino Unido

23 Japoneses atacam territórios alemães na China

26 Forma-se em França o governo da União Sagrada

· Setembro

2 Em França, o recém formado gabinete instala-se em Bordéus.

3 Eleito papa Bento XV

5 Morte de Charles Péguy

· 28 de Outubro Turcos entram na guerra

· Dezembro

3 Alemães ocupam a Bélgica

9 Governo francês volta a instalar-se em Paris

 

 

 

III - ACONTECIMENTOS DO ANO

1914-1918 Grande Guerra Produz cerca de 7 734 300 mortos. Assassinato de Francisco Fernando em Serajevo (28 de Junho) e começo da guerra (1 de Agosto). Batalha do Marne (5 a 12 de Setembro). Potências centrais penetram na Bucovina e na Galícia (1 a 13 de Maio de 1915). Início do ataque alemão a Verdun (21 de Fevereiro de 1916). Batalha do Somme (Junho a Novembro de 1916). USA entram na guerra (2 de Abril de 1917). Batalha da Flandres (Julho a Novembro de 1917). Em 8 de Janeiro de 1918 surge a proclamação dos catorze pontos de Wilson. Tratado de Brest-Litovsk de 3 de Março de 1918 entre a Rússia comunista e as potências centrais: a Rússia perde cerca de um quarto do território, renunciando aos países bálticos, à Ucrânia, à Polónia e à Finlândia e tem de devolver regiões turcas ocupadas. A Bulgária cede a 30 de Setembro. A Turquia capitula a 31 de Outubro. A áustria-Hungria a 4 de Novembro. Armistício com a Alemanha (11 de Novembro de 1918). A Alemanha retira da Bélgica, do Luxemburgo, da Alsácia-Lorena e da margem esquerda do Reno, enquanto a leste, volta às fronteiras de 1914. Em 9 de Novembro o kaiser havia abdicado e proclamara-se a república alemã. Em 14 de Novembro subia ao poder Mazarik na Checoslováquia e Pilsudski na Polónia. Começa a conferência de paz em Versalhes (18 de Janeiro de 1919). Tratado de paz com a Alemanha a 28 de Junho de 1919 (Tratado de Versalhes); com a áustria, a 10 de Setembro (Tratado de Saint-Germain); com a Bulgária, a 27 de Novembro; com a Hungria a 4 de Junho de 1920 (Tratado de Trianon); com a Turquia em 10 de Agosto de 1920 (Tratado de Sèvres).

Integralismo Lusitano Em 8 de Abril de 1914, durante o governo de Bernardino Machado, começa a publicar-se em Coimbra o jornal Nação Portuguesa. Logo em 7 de Setembro de 1914 Ramalho Ortigão declara-se simpatizante do movimento em Carta de um Velho a um Novo, dirigida a João Amaral. Durnate o governo de Pimenta de Castro, em 7 de Abril de 1915, na Liga Naval, iniciam um ciclo de conferências sobre a questão ibérica, promovido pelo Integralismo Lusitano.

 

 

IV – BIBLIOGRAFIA

AUTORES

OBRAS

BOURGEOIS, Léon

La Politique de Prévoyance Sociale, 2 vols., 1914-1919.

BRYCE, James

South America, Observations and Impressions, 1914.

COSTA, Joaquin

Política Quirúrgica, 1914.

DITHLEY

Einleitung in die Geisteswissenschaften (Leipzig, 1914) (cfr. trad. cast. de Eugénio Imaz, Introducción a las Ciencias del Espirito, México, Fondo de Cultura Economica, 1944).

ESTALINE

Marxismo E Questão Nacional [1914]

GRAMSCI

Scritti Giovanili (1914-1918), Turim, Einaudi, 1958

LIMA, Campos

O Estado e a Evolução do Direito (Lisboa, Livraria Bertrand, 1914; dissertação apresentada na então Faculdade de Estudos Sociais e Direito de Lisboa)

LIPPMAN

A Preface to Politics, Nova York, Mitchell Kennerley, 1914.

ORTIGãO, Ramalho

As últimas Farpas, 1911 - 1914.

RADBRUCH, Gustav

Rechtsphilosophie, 1914 (cfr. trad. port. de Luís Cabral Moncada, Filosofia do Direito, Coimbra, Livraria Arménio Amado, 1961)

RAVà, Adolfo

Lo Stato come Organismo Etico, 1914

SARAIVA, Rocha

Lições de Direito Político, Coligidas de harmonia com as prelecções do Exº Sr. Dr. Rocha Saraiva ao curso do 1º ano jurídico de 1914-1915, por Augusto Oliveira e A. Duarte Silva, Coimbra, 1914

TELES, Basílio

Prometeu Agrilhoado, 1914

TORRRES, Alberto

- A Organização Nacional, Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1914.

- O Problema Nacional Brasileiro, Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1914.

VEBLEN

The Instinct of Workmanship and the State of Industrial Arts Nova Iorque, Viking, 1914

WALLAS, Graham

The Great Society, 1914

WATSON, John Broadus

Behavior, 1914

 

 

 

V - PERSONALIDADES DO ANO

Watson, John Broadus (1878-1958) Um dos primeiros behavioristas norte-americanos. Professor de psicologia na John Hopkins University.

· Animal Education, 1903

· Behavior, 1914

· Psychology from the Standpoint of a Behaviourist, Chicago, Lippincot, 1919.

· Behaviorism, 1925

Torres, Alberto de Seixas Martins (1865-1917) Político e pensador brasileiro. Formado em direito por São Paulo em 1865. Participa nas lutas abolicionistas e assume a militância republicana e positivista. Parlamentar e governador do Estado do Rio de Janeiro. Membro do Supemo Tribunal Federal. Critica o modelo parlamentar, defendendo o que qualificou como autoritarismo instrumental. Influenciado por Spencer e pelo darwinismo social, acaba por influenciar o modelo político brasileiro de Getúlio Vargas, principalmente através do seu discípulo Oliveira Viana. é fortemente criticado por Alceu Amoroso Lima. Assume o cientificismo de Comte e teoriza o nacionalismo brasileiro.

· A Organização Nacional, Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1914.

· O Problema Nacional Brasileiro, Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1914.

· As Fontes da Vida no Brasil, Rio de Janeiro, 1915.

Ravà, Adolfo Perspectivando o Estado como organismo ético, entende-o como o organismo político que tem um máximo de unidade, um máximo de autonomia e um máximo de organização

· 1911, Il Diritto come Norma Tecnica; Trabalho reeditado em 1950.

· 1914, Lo Stato come Organismo Etico

· 1929, Lezioni di Filosofia del Diritto; Pádua, Cedam- Casa Editrice Dott. Antonio Milani

· 1950, Diritto e Stato nella Morale Idealistica, Pádua

Liebknecht, Karl (1871-1919) Filho do fundador do SPD Wilhelm Liebnecht. Advogado, celebrizado pela defesa de revolucionários. Funda em 1907 o primeiro movimento de juventude socialista. Ataca desde logo o militarismo, denunciando depois as relações das chefias políticas alemãs com os fabricantes de armamento. Assume o pacifismo da II Internacional em 1914, aliando-se a Jean Jaurès. é o único deputado do Reichstag que em Dezembro de 1914 vota contra as despesas de guerra. Aliado a Rosa Luxemburg contra a direcção do SPD forma então o Gruppe mais tarde transformado no Spartakusbund. Expulso do partido em Janeiro de 1916, é mobilizado como soldado raso, mas será preso por liderar uma manifestação contra a continuação da guerra. Proclama a República Socialista em Berlim em Novembro de 1918, quando já advoga as teses da revolução violenta. Será assassinado juntamente com Rosa Luxemburg. Autor de Militarismus und Antimilitarismus de 1907, obra que lhe valeu uma condenação à prisão, e de Estudo das Leis do Movimento no Desenvolvimento da Sociedade, publicado postumamente em 1920. Spartakus. Grupo comunista alemão, inspirado por Rosa Luxemburg e Karl Liebknecht. Destaca-se do SPD em Janeiro de 1916. Liga-se em Abril de 1917 ao Partido Socialista Independente, donde saem em 1918 por não aceitarem colaborar com o governo no esforço de guerra. Formam o Partido Comunista da Alemanha (KPD) no Congresso ocorrido de 29 de Dezembro de 1918 a 1 de Janeiro de 1919. Voltam a juntar-se ao Partido Socialista Independente no Congresso de Halle de 1920, surgindo o Partido Comunista Unificado. Este partido, a partir de 1925 é sujeito a uma operação de estalinização, através da liderança de Ernst Thalmann. Nas eleições de 1932 obtêm 13% e nas de 1933, 12%. Em 1945, em 21 e 22 de Abril, na zona alemã sob ocupação soviética, juntam-se ao SPD, formando p SED (Sozialistische Einheitspartei Deutschlands).

 

 

 

 

 

 

 

VI - LIVROS DO ANO

& Estado (O) e a Evolução do Direito, 1914. Dissertação apresentada na então Faculdade de Estudos Sociais e Direito de Lisboa por Campos *Lima. O autor aborda no cap. II a formação do Estado e no seguinte as relações entre o Estado e o direito; no cap. IV disserta sobre as transformações do direito público e no V, intitulado a transformação do Estado, defende um modelo de Estado sindicalista. Termina com uma prospectiva sobre a evolução do direito em que defende a abolição do Estado.

 

 

VII - FALECIMENTOS E NASCIMENTOS

FALECIMENTOS

NASCIMENTOS

BOHM-BAWERK, Eugen (1851-1914)

JAURÈS, Jean (1859-1914)

LUCIANNO de Castro Pereira Corte-Real , José (1834-1914).

MAHAN, Alfred Thayer (1840-1914)

MUN, Conde Albert de (1841-1914)

PéGUY, Charles (1873-1914)

PEIRCE, Charles Sanders (1830-1914)

PIO X (1835-1914)

ROMERO, Sílvio da Silveira Ramos (1851-1914)

 

ANDROPOV, Yuri (1914-1984)

CASTRO, José Guilherme de Melo e (1914-1972)

GOMES, Francisco da Costa (n. 1914)

KRISTOL, Irving (n. 1914)

MACEDO, Henrique Veiga de (n. 1914)

NAMORADO, Joaquim (1914-1986)

PAUPéRIO, Arthur Machado (n. 1914)

QUEIRó, Afonso Rodrigues (1914-1995)(Antigo Prof. Fac. Direito De Coimbra)

RIBEIRO, Francisco Casal (n. 1914)

SILVA, Lúcio Craveiro da (n. 1914)

VILLEY, Michel (1914-1988)


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