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ANO:1916

 


SUMÁRIO:
Destaques Cronologia Acontecimentos Bibliografia Personalidades Livros do Ano Falecimentos e Nascimentos

I – DESTAQUES

PORTUGALMUNDO

Política

· Criada uma Comissão Central das Subsistências (Fevereiro)

· Alemanha declara guerra a Portugal (Março)

· Ministério da União Sagrada presidido por António José de Almeida (Março)

· Criado um Ministério do Trabalho e da Previdência Social (Março)

· Ocupação de Quionga (Abril)

· Constituído em Tancos o Corpo Expedicionário Português (Julho)

· Revolta abortada de Machado Santos (Dezembro)

· Submarino alemão ataca o Funchal (Dezembro)

· Início do ataque a Verdun (Fevereiro)

· Revolta da Páscoa, em Dublin (Abril)

· Batalha de Somme (Julho)

· Itália e Roménia entram na guerra (Agosto)

· Morte de Francisco José (Novembro)

Ideias

·

·

· Neohegelianos, entre Marx e o fascimo. O professor siciliano Giovanni Gentile, antigo teórico marxista, que há-de ser o principal ideólogo do fascismo, lança em 1916 duas das suas principais obras: I Fondamenti della Filosofia del Dirittto e Teoria Generale dello Spirito come Atto Puro.

· O Estado como forma de vida. Da Suécia, mais propriamente de Upsala, vêm uma das obras fundamentais da geopolítica contemporânea, Rudolf Kjellen, discípulo de Kjellen, onde o Estado é entendido como um indivíduo geográfico. O organicismo atinge assim o seu clímax cientificista.

· A decadência do Ocidente. Oswald Spengler, em Leipzig, lança a primeira edição da sua teoria da Decadência do Ocidente, dito um esboço de morfologia da história. O biologismo compara a história à vida das plantas, contra a visão linear do progressismo iluminista. Afinal as culturas crescem, entram na civilização e depois passam para a decadência.

 

 

 

 

 

 

II – CRONOLOGIA

NACIONAL

· Janeiro

- Greve dos carregadores e dos empregados municipais em Lisboa.

- Greves nalgumas universidades

- Começa a construção do Casino do Estoril.

30 Viagem de Afonso Costa e Bernardino Machado ao Porto para a comemoração do 25º aniversário do 31 de Janeiro de 1891 (até 2 de Fevereiro).

- No mesmo dia, começam os assaltos a armazéns de víveres.

· Fevereiro

7 Pela lei nº 480, cria-se uma Comissão Central de Subsistências, destinada consultar e tomar providências sobre o aprovisionamento do país em matérias primas e mercadorias de primeira necessidade. Permite-se que o governo faça requisições de matérias primas e meios de transporte. Criadas comissões distritais de subsistências. Estabelecido o regime geral de preços: tabelas de preços estabelecidas pelas comissões distritais, mas homologadas pela comissão central. Penaliza-se a recusa de venda. Estabelece-se o modelo do manifesto obrigatório.

24 Dava-se a primeira apreensão de um navio alemão surto no Tejo (serão abrangidos 70), o que motivou os protestos parlamentares de Brito Camacho no dia seguinte. Os britânicos tinham solicitado que o governo português requisitasse os navios alemães que se refugiaram nos portos portugueses. Apreensão autorizada por decreto do dia 23 e levada a cabo por Leote do Rego. Serão apreendidos 70 navios alemães e dois austríacos.

- O governo obtém um crédito, de dois milhões de libas, do banco central britânico para a compra de trigo e de material de guerra

- Greve de tecelões na Covilhã. Tumultos em Lisboa, com bombas e mortos.

· Março

- Nos princípios de Março, o governador civil de Lisboa manda dissolver a União Operária Nacional, a Federação dos Metalúrgicos e da Construção Civil, bem como a União dos Sindicatos de Lisboa, com o pretexto de faltar lei reguladora sobre a matéria. Nas mesmas circunstâncias se encontravam as associações patronais que, no entanto, não receberam idêntica ordem.

4 Regime do manifesto dos cereais.

9 Alemanha declara guerra a Portugal. Nota entregue pelo barão Van Rosen.

10 I mediato e unânime apoio parlamentar ao governo, por causa da guerra. Sessão parlamentar onde Afonso Costa propõe um governo de unidade nacional.

11 Brito Camacho diz só colaborar num verdadeiro ministério nacional, onde também estivessem representados monárquicos e socialistas, pelo que considera que o modelo é apenas de concentração republicana. Os católicos não colaboram sem prévia alteração da Lei da Separação e os monárquicos nem sequer são chamados.

12 Lei nº 491 concede ao poder executivo as faculdades necessárias para o estado de guerra

13 Arrolamento dos vinhos e azeites

- São sondados para a chefia do governo os republicanos independentes Augusto José da Cunha, Guerra Junqueiro e Anselmo Braamcamp Freire. Leote do Rego faz a mediação entre António José de Almeida e Afonso Costa.

15 Nomeado o ministério da União Sagrada

16 Apresentação parlamentar do novo governo, sob o signo da pátria em perigo.

- A lei nº 494, de 16 de Março, cria o Ministério do Trabalho e Previdência Social. A lei foi discutida, aprovada e publicada num único dia. Inclui uma Direcção-Geral de Previdência Social e Subsistências.

- Ainda neste dia, criados lugares de subsecretário de Estado e de ministro sem pasta

28 Instaurada censura à imprensa. Protesto imediato da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto.

· Abril

- Greve da construção civil em Abril. Incêndio na Escola Naval. Mal-estar provocado pela crise das subsistências

- Concluída a ocupação do Quionga em Moçambique, território de que tínhamos sido desapossados em 1894. é governador de Moçambique Álvaro de Castro

4 Proibido o ingresso de alemães em território nacional. Obrigados a sair os existentes, ficando presos os que tinham entre 16 e 45 anos. Sequestro dos respectivos bens (23 de Abril de 1916).

14 é proposta uma lei de ampla amnistia, abrangendo os responsáveis pelas incursões monárquicas. Esta proposta gera um protesto do próprio Manuel de Arriaga.

20 Instaurada a censura postal

- Em Paris, suicida-se o poeta Mário de Sá Carneiro, nascido em 1890

- Proposta no parlamento a cruzada das mulheres portuguesas.

29 Pelo decreto nº 2 357 é regulada a exportação, reexportação e importação de géneros de primeira necessidade. Proibida a exportação para o estrangeiro de lãs, salitre, vitrato de sódio, fios e cordões para instalações eléctricas. Proibida a exportação para as colónias de combustíveis, automóveis e genéros alimentícios de que haja escassez na metrópole. Livres de direitos pautais as importações de gados, cerais, à excepção do trigo, batatas e carnes.

· Maio

1 Discurso de Afonso Costa na Câmara dos Deputados sobre a questão das subsistências.

5 Decreto transfere o ministério dos estrangeiros do Terreiro do Paço para o palácio das Necessidades.

5 e 9 S ão mandadas encerrar por antecipação as aulas nalgumas escolas oficiais

- Greve dos metalúrgicos e dos carroceiros

14 Votação do orçamento

20 Deputados considera que, perante a guerra, a alma portuguesa ainda não encontra aquela vibração suprema. Jaime Cortesão havia defendido a criação de um sistema de propaganda face à nossa participação na guerra

24 Reordenada a inspecção militar para todos os indivíduos com idade inferior a 45 anos e não apurados

· Junho

5 Criados três lugares de Subsecretário de Estado

9 Decreto eleva o limite da circulação fiduciária de 120 para 145 mil contos. Será de 200 mil contos em Dezembro deste ano.

9 a 21 Afonso Costa em Paris na Conferência Económica dos Aliados. Segue para Londres (de 21 de Junho a 27 de Julho).

19 A Lei nº 616 estabelece que as faculdades podem reconhecer o grau de doutor aos professores com três anos de serviço. Ficam abrangidos na faculdade de Estudos Sociais e Direito Alberto da Rocha Saraiva, Albino Vieira da Rocha, Soares das Neves e Barbosa Magalhães, até então bacharéis formados.

22 Parada militar em Montalvo, proclamando-se o chamado milagre.

23 Lei nº 621, sobre a organização dos corpos administrativos. Altera lei nº 88 de 7 de Agosto de 1913

30 Novo regime do comércio de trigo pela lei nº 2 488. Manifesto dos cereais. Criados modelos de avaliação do consumo por concelhos.

· Julho

1 Embarque de nova expedição militar para Moçambique comandada por Ferreira Gil.

- Negociado um crédito de 20 milhões de libras que permite estabilizar o câmbio português nos anos de 1916 a 1918. A libra que em 1915 estava a 6$74,8 passou para 7$03,2 em 1916; 7$26 em 1917 e 7$90, 1 em 1918

15 Manifestos obrigatórios para vários géneros alimentícios pelo decreto nº 2 515.

- Também neste dia, providências sobre a circulação de moeda de prata e sobre a emissão de bilhetes de tesouro. Decreto nº 2 511 proíbe a exportação de moeda de prata , dado que esta começou a rarear. A moeda de prata da monarquia foi mandada recolher.

22 Constitui-se em Tancos o Corpo Expedicionário Português, de 30 000 homens, sob o comando de Norton de Matos

· Agosto

4 Governo promove comícios junto dos principais monumentos, defendendo a nossa participação na Guerra

7 Reunião extraordinária do Congresso. Governo expõe as diligências financeiras, diplomáticas e militares. Manifesta-se alguma oposição por parte dos unionistas.

20 Congresso do partido unionista.

31 Motim em frente a São Bento. Merceeiros reclamam fornecimento de açúcar e abolição do tabelamento de preços.

- No mesmo dia, foi proposta e aprovada a restauração da pena de morte nos campos de batalha para casos de traição. Unionistas e socialistas opõem-se e abandonam a sala.

- No jornal A Capital reconhece-se: em Portugal ninguém desejou a guerra. Aceitou-se esse mal como inevitável, como necessário para mantermos perante o mundo o lugar honrado a que as nossas tradições gloriosas nos dão direito.

· Setembro

5 Até 12 de Outubro. Afonso Costa substitui interinamente António José de Almeida na chefia do governo e na pasta das colónias

30 Criada a Comissão de Abastecimentos em lugar da Comissão Central de Subsistências, pelo decreto nº 2 660. As anteriores comissões distritais passam as respectivas atribuções para os governadores civis.

· Outubro

8 Batalha campal no Porto. Morto um polícia.

12 Decreto nº 2 670. Novo regime cerealífero.

25 Pelo decreto nº 2 691 são regulamentados os preços do trigo nacional, tipos de farinha e pão. Permite ao governo estabelecer casas de fabrico e venda de pão. Regulamentado o sistema cerealífero, no dia seguinte. Manutenção Militar passa a comprar a produção nacional e a ter o exclusivo das importações.

· Novembro

- III Congresso da Federação das Juventudes Católicas Portuguesas em Braga. Apoio à criação da União Católica proposta pelos bispos .

· Dezembro

13 Revolta abortada, sob o comando de Machado Santos. Governo suspende jornais monárquicos, bem como A Luta. Presos vários deputados, entre os quais o unionista Moura Pinto. São também detidos Egas Moniz e Alfredo Magalhães. O planeamento coube a Vasco de Carvalho, com a colaboração do capitão Eurico Cameira. Machado Santos sai com tropas de Tomar, mas não passa de Abrantes, onde é detido por Abel Hipólito. Machado Santos passa a ficar detido no palácio do Fontelo em Viseu. Ramificações subversivas a movimentos ocorridos em Castelo Branco e na Figueira da Foz. Os revoltosos, visando convencer autoridades civis e militar chegam a imprimir um Diário do Governo apócrifo. As notícias sobre o golpe são censuradas.

- Há faltas de combustíveis, açúcar e pão. Começam protestos na imprensa. Também no dia 13, é criada uma comissão de abastecimento de carnes.

19 Aprovada uma lei sobre o saneamento de oficiais. Proposta apresentada pelo ministro da guerra, Norton de Matos. Ramada Curto, então deputado democrático, chama-lhe burla e monstruosidade jurídica. José Barbosa proclama que a República caminha para um abismo, em que se pode perder, criticando comissões de civis, chamados defensores das instituições. Jorge Nunes diz: vejo-me regressado a Janeiro de 1908, com menos liberdade ainda, porque os ditadores de 1916 excederam, na violência e na sua obra, os ditadores de 1908. Nessa ocasião, dois homens – um rei e um príncipe – pagaram com a vida a obra dos ditadores, que fizeram um decreto que não era mais violento nem mais despótico que esta lei. Estão bem vingados os ditadores de 1908, porque os ditadores de 1916 excederam-nos na maldade da sua obra. Ramada Curto conclui que o governo pode ter a maioria para lhe aprovar essa proposta, mas o que não tem é a maioria das consciências.

28 Aumento do limite da circulação fiduciária. De 140 mil contos para 200 mil.

30 Por decreto deste dia, regime de poupança de energia, especialmente quanto à iluminação pública e particular. Novo horário das repartições públicas (das 10 às 16 horas). Guarda Nacional Republicana passa a reforçar o policiamento das ruas.

- No mesmo dia, proibido o abate de vitelas.

- Submarino alemão afunda navios ingleses que estavam surtos no porto do Funchal. Lançadas várias granadas sobre a cidade.

· Ainda em 1916...

 

 

 

INTERNACIONAL

· Janeiro

1 Formação do grupo Spartakus, com Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo

30 Alemães bombardeiam os arredores de Paris, usando dirigíveis

· Fevereiro

21 Início do ataque alemão a Verdun. A ofensiva alemã é detida, apenas, no dia 10 de Abril. Dura até 15 de Dezembro, com a vitória dos aliados. Franceses acabam por recuperar os territórios ocupados pelos alemães, no fim das operações. As tropas francesas são comandadas por Pétain.

· Abril

24 Revolta da Páscoa em Dublin

· Maio

31 Batalha naval da Jutlândia com vitória dos aliados

· Junho

- Ofensiva russa sob o comando de Brussilov

5 Começo da revolta árabe contra o Império Otomano

24 Nova ofensiva alemã sobre Verdun

· Julho

1 Batalha de Somme

· Agosto

27 Itália declara guerra à Alemanha

- No mesmo dia, entrada da Roménia na guerra, ao lado dos aliados.

· Novembro

5 Proclamação do reino da Polónia

7 Reeleição de Woodrow Wilson

21 Morte de Francisco José. Sucede-lhe o sobrinho, Carlos I.

· Dezembro

7 Lloyd George, primeiro-ministro britânico

26 Assassinato de Rasputine

III - ACONTECIMENTOS DO ANO

 

 

IV – BIBLIOGRAFIA

AUTORES

OBRAS

BRAGA, Luís de Almeida

Culto da Tradição, 1916

CABREIRA, Tomás

Problema Tributário Português, 1916

COSTA, Joaquin

Maestro, Escola y Patria, 1916.

DEWEY, John

Democracy and Education, 1916

GENTILE

- Fondamenti (I) della Filosofia del Diritto, 1916; (trad. port. Os Fundamentos da Filosofia do Direito, 1916, apud Cerroni, Umberto, O Pensamento Político, vol. VII)

- Teoria Generale dello Spirito come Atto Puro, 1916

KJELLEN, Rudolf

Staten Som Lifsform, 1916

PARETO

Trattato di Sociologia Generale, 1ª ed. it., 1916; (Cfr. Traité de Sociologie Générale, in Oeuvres Complètes, 23 vols., Genebra, éditions Droz, tomo XII, 1968)

SALAZAR, António de Oliveira

Questão Cerealífera. O Trigo, 1916

SARAIVA, Rocha

- As Teorias sobre a Representação Política e a Nossa Constituição, 1916

- Cadeiras de Direito Político (Sumários das Matérias Professadas no Ano Lectivo de 1915-1916, da autoria dos Professores Ludgero Neves e Rocha Saraiva, Lisboa)

SAUSSURE

Cours de Linguistique Générale, 1916; (Obra póstuma, publicada pelos discípulos C. Bally e A. Sechhaye. Ver ed. Paris, Payot, 1964).

SCHELER, Max

Der Formalismus in der Ethik und die material Wertethik , 1913 - 1916; (cfr. trad. fr. de M. de Gandillac, Le Formalisme en éthique et l’éthique Materielle des Valeurs, Paris, éditions Gallimard, 1955; trad. cast. de Rodriguez Sanz, Etica, Madrid, Revista de Occidente, 1941).

VASCONCELOS, Amadeu

Meus (Os) Cadernos, 1913-1916

VILHENA, Júlio Marques

Antes da República. Notas Autobiográficas, 1916

 

 

 

 

V - PERSONALIDADES DO ANO

Spengler, Oswald (1880-1936) Filósofo da história alemão. Estuda ciências naturais em Halle, Munique e Berlim e dedica-se ao ensino secundário até 1910. Depois de 1918, assume-se como jornalista político.

· 1916,Untergang des Abendlandes. Umrisse einer Morphologie der Weltgeschichte,Viena, Braumüller, · 1918, Tem uma primeira edição em 1916, em Leipzig. A Decadência do Ocidente. Esboço de uma Morfologia da História; o tomo I intitula-se Gestalt und Wirklichkeit, ou Forma e Realidade. O segundo vol. intitulado Der mensch und die Technik, data de 1922 e é editado em Munique; (Trad. fr. Le Déclin de l'Occident, Esquissse d'une Morphologie de l'Histoire Universelle, Paris, Gallimard, 1948.); (Trad. port. A Decadência do Ocidente, Rio de Janeiro, Zahar, 1982.)

· 1920, Preussentum und Sozialismus

· 1922, Welthistorische Perspektiven,Armin Mohler

· 1931, Der Mensch und die Technik. Bertrag zu einer Philosophie des Lebens, Munique, 1931; (Trad. port., O Homem e a Técnica, Lisboa, Guimarães Editores, 1980).

· 1932, Politische Schriften

· 1933, Jhare der Entscheidung. Deutschland und die Weltgeschichtliche Entwicklung,Munique; (Trad. fr. Années Décisives. L'Allemagne er le Développement du Monde, Paris, Mercure de France, 1934).

 

 

Salazar, António de Oliveira

· A Questão Cerealífera. O Trigo

Coimbra, Imprensa da Universidade, Estudos de Economia Nacional, 1916.

· «Alguns Aspectos da Crise das Subsistências»

In Boletim da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, 1917 - 1918, pp. 272-345.

· A Minha Resposta. No processo de Sindicância à Universidade de Coimbra

Coimbra, Coimbra Editora, 1919.

· Centro Católico Português. Princípios e Organização

oimbra, Coimbra Editora, 1922

· Aconfessionalismo de Estado

Conferência proferida em 14 de Junho de 1925, no X Congresso da Associación Española para el Progresso de las Ciencias, Madrid, Tomo I, pp. 129 ss, 1923.

· A Paz de Cristo na Classe Operária

Conferência proferida em Braga, no Congresso Eucarístico Nacional, em 4 de Julho de 1924; in Primeiro Congresso Eucarístico Nacional, Braga, Empreza Acção Católica, 1924, pp. 168-176.

· Laicismo e Liberdade

Conferência proferida no Funchal, Abril de 1925.

· Discursos e Notas Políticas

Coimbra, Coimbra Editora, 1935 - 1967.

 

 

Gentile, Giovanni (1875-1944) Filósofo italiano. Nasce na Sicília. Professor em Palermo, Pisa e Roma. Ministro fascista da educação de 1922 a 1924. Presidente da Enciclopédia Italiana em 1929. Preside, de 1925 a 1929, ao Instituto Fascista de Cultura. Adere em 1943 à República de Saló. Assassinado na sua casa de Florença em 15 de Abril de 1944. Semeia hegelianismo por todos os quadrantes ideológicos, desde a nova esquerda hegeliana de Ugo Spirito, ao neo-marxismo de Gramsci, sem esquecer a multifacetada caminhada de Croce, sucessivamente marxista, fascista e liberal

· Rosmini e Gioberti, 1898

· La Filosofia di Marx, Pisa, 1899.

· Dal Genovesi al Galluppi, 1903

· Il modernismo e i rapporti tra religione e filosofia, 1909

· Sistema di pedagogia come scienza filosofica, 1912

· L'atto del pensare come atto puro , 1912

· I problemi della scolastica e il pensiero italiano, 1913

· La riforma della dialettica hegeliana,1913

· Studi vichiani, 1914

· I Fondamenti della Filosofia del Diritto,1916.

· Teoria Generale dello Spirito come Atto Puro,1916.

· Sistema di logica come teoria del conoscere,2 voll., 1917-1922

· Le origini della filosofia contemporanea in Italia, 3 voll., 1917-1923

· Il tramonto della cultura siciliana, 1918

· Gino Capponi e la cultura toscana del secolo XIX, 1922

· I profeti del Risorgimento italiano: Mazzini e Gioberti, 1923

· Studi sul Rinascimento, 1923

· Giordano Bruno e il pensiero del Risorgimento, 1925

· Origini i Dottrina del Fascismo,1927.

· Fascismo e Cultura,Milão, 1928.

· La filosofia dell'arte, 1931

· Genesi e Struttura della Società,1946

 

 

VI - LIVROS DO ANO

Trattato di Sociologia Generale, 1916 Pareto procura formular através de um processo dito lógico-experimental, as relações invariantes entre chefes políticos e militantes e entre governantes e governados, reconhecendo a existência de elites em todas as actividades sociais. Neste sentido, procura observar as elites independentemente de uma perspectiva moral

Considera que a classe governante e o governo efectivo tanto usam a força, pela coerção, como o consentimento manipulado, através da arte política. Este segundo modo é principalmente actuado pela clientela política e no domínio dos bastidores.

Circulação de elites

Com efeito, os governantes usam as técnicas do leão e da raposa. Como estas raramente se reúnem na mesma pessoa, gera-se uma circulação de elites, entendida como a capilaridade que permite a passagem da elite não-governamental para a elite não governamental, dado que a elite não é estática, vivendo uma situação de transformação que embora lenta é contínua.

Relações com Marx

Toda a sua perspectiva assenta no dualismo elite- massa, uma variante psicologista que pretendia substituir o dualismo economicista de Marx. Mas, se se afasta deste no plano epistemológico, acaba por coincider com ele nas conclusões.

Os resíduos e as derivações

O dualismo assenta nos conceitos de resíduos e derivações. Os resíduos são sentimentos persistentes dentro do comportamento social. Derivações, as ideias desenvolvidas para se justificar o comportamento social, os meios pelos quais as acções dos homens são explicadas e racionalizadas. Nos resíduos, há, por um lado combinações, a mistura de símbolos antigos ou sentimentos tradicionais com usos modernos (v.g. as cores verdes e vermelhas dos semáforos) e, por outro, agregações persistentes, os resíduos em estado puro, sem qualquer combinação. As elites correspondem, em geral, a combinações. As massas, a agregações persistentes.

 

& Untergang des Aendlandes 1916 Obra de Oswald Spengler, primeiro editada em Leipzig, em 1916. Tem como subtítulo Umrisse einer Morphologie der Weltgeschichte (Esboço de uma Morfologia da História). Defende uma concepção dita morfológica da história, que há um aparecimento e uma dissolução contínuas de diferentes culturas, cada qual com cerca de mil anos. Estabelece-se assim uma analogia com a vida das plantas, dizendo que cada cultura também passa por uma série regular de estádios. Nega-se a visão linear do progresso, como aparece na sucessão das idades antiga, meideval e moderna. Se cada cultura tem uma alma, como dizia Herder, todas elas são mortais. Depois de um período de crescimento, entram naquilo que designa por fase da civilização, que antecede a extinção final. Contra a causalidade, invoca o destino. Contra a civilização, defende a cultura. Contra a natureza, invoca a história. Contra a decadência, exalta a vida. Considera que se vive uma nova fase da história, depois do perío clássico, greco-romano, ou apolínio, o chmado período fáustico ou ocidental. Salienta que o defeito ocidental sempre esteve na preocupação de encontrar uma solução para um problema, em vez de ver que para muitas perguntas há muitas respostas, que toda a pergunta filosófica não é mais do que o desejo velado de conseguir uma determinada resposta que já está implicíta na própria pergunta, que as grandes perguntas de uma época não podem ser compreendidas duma forma suficientemente transitória e que por isso é necessário adoptar um grupo de soluções historicamente limitadas, cujo conjunto e só ele - isento de todos os juízos de valor pessoais - é susceptível de fornecer a chave para os segredos últimos. Para o verdadeiro conhecedor do ser humano não há pontos de vista absolutamente certos ou absolutamente errados [...] O fenómeno, noutras culturas, fala uma linguagem diferente. Para outros homens existem outras verdades. O pensador tem de admitir a validade de todas, ou de nenhuma. (Untergang des Abendlandes. (Viena, Braumüller, 1918). Tem uma primeira edição em 1916, em Leipzig. (A Decadência do Ocidente. Esboço de uma Morfologia da História; o tomo I intitula-se Gestalt und Wirklichkeit, ou Forma e Realidade). O segundo vol. intitulado Der mensch und die Technik, data de 1922 e é editado em Munique. Cfr. a trad. fr. Le Déclin de l'Occident, Esquissse d'une Morphologie de l'Histoire Universelle, Paris, Gallimard, 1948.

 

& Staten Som Lifsform, 1916 O Estado como Forma de Vida), obra de Rudolf Kjellen, onde o Estado nos aparece como uma manifestação biológica, como um indivíduo geográfico. Assim, este autor considera que os Estados são seres sensíveis e inteligentes — exactamente como os indivíduos (... ), são seres sensíveis e racionais como os homens (... ) fenómenos orgânicos profundamente enraizados nas realidades territoriais (... ) seres vivos supra-individuais tão reais como os indivíduos, mas infinitamente maiores e mais poderosos (... ) os Estados falam e trabalham, fazem uniões ou lutam nos campos de batalha, invejam-se, odeiam-se ou simpatizam entre si, atraem-se, repelem-se, ajudam-se ou combatem-se, da mesma maneira como os restantes seres de uma comunidade.

 

 

VII - FALECIMENTOS E NASCIMENTOS

FALECIMENTOS

NASCIMENTOS

ALPOIM CERQUEIRA BORGES CABRAL, José Maria de (1858-1916).

BEIRãO, Francisco António da Veiga (1841-1916)

CARNEIRO, Júlio César de Morais (1850-1916)

CASTELO BRANCO, António de Azevedo (1843-1916)

FAGUET, émile (1847-1916)

GOUVEIA, D. António Aires (1828-1916)

LEROY-BEAULIEU, Paul (1843-1916)

OLIVEIRA, Eduardo Freire de (1841-1916)

SOUSA, José Ferreira Marnoco e (1869-1916)

DELGADO, Humberto da Silva (1916-1965)

DIAS, José Sebastião da Silva (n.1916)

FERREIRA, Vergílio (1916-1996)

MacNAMARA, Robert Strange (n. 1916)

MORO, Aldo (1916-1978)

VILHENA, Vasco de Magalhães (n. 1916)


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© José Adelino Maltez. Todos os direitos reservados. Cópias autorizadas, desde que indicada a proveniência: Página profissional de José Adelino Maltez ( http://maltez.info). Última revisão em: 02-05-2009 © José Adelino Maltez. Todos os direitos reservados. Cópias autorizadas, desde que indicada a proveniência: Página profissional de José Adelino Maltez ( http://maltez.info). Última revisão em: 02-05-2009