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ANO:1919

 


SUMÁRIO:
Destaques Cronologia Acontecimentos Bibliografia Personalidades Livros do Ano Falecimentos e Nascimentos

I – DESTAQUES

PORTUGALMUNDO

Política

· Governo de José Relvas (Janeiro)

· Republicanos conquistam Estarreja Fevereiro)

· Fim da Traulitânia no Porto (Fevereiro)

· Queda da monarquia do Norte em Vila Real (Fevereiro)

· Dissolução do parlamento sidonista (Fevereiro)

· Substituição dos governadores civis, com os democráticos a assaltarem o poder local (Fevereiro)

· Sai o primeiro número de A Batalha (Fevereiro)

· Nova lei eleitoral (Março)

· Governo de Domingos Pereira, sem ministros sidonistas (Março)

· Eleições. Democráticos (55%), evolucionistas (22%), unionistas (10%). (Maio)

· Governo de Sá Cardoso, dominado pela ala moderada dos democráticos (Junho)

· Eleição de António José de Almeida como Presidente da República (Agosto)

· Criação da CGT (Setembro)

· Posse de Almeida e formação do Partido Liberal (Outubro)

· Formado o Grupo Parlamentar Popular, uma dissidência dos evolucionistas (Outubro)

· Sidonistas afectos a Egas Moniz passam a integrar os liberais (Outubro)

· Criação de A Bandeira Vermelha e institucionalização dos Maximalistas (Outubro)

· Fundação do Partido Nacionalisra dos Trabalhadores Alemães (Janeiro)

· Assassinato de Rosa Luxemburgo (Janeiro)

· Ofensiva dos russos brancos no norte do Cáucaso (Janeiro)

· Começa a Guerra na Irlanda (Janeiro)

· Chineses invadem a Mongólia (Janeiro)

· Começa a guerra russo-polaca (Fevereiro)

· Revolta comunista, na Hungria (Fevereiro)

· Fundação da III Internacional, Komintern (Fevereiro)

· Assassinato de Emiliano Zapata (Abril)

· Publicado o pacto da Sociedade das Nações (Abril)

· Alemanha assina o Tratado de Versalhes (Junho)

· Constituição de Weimar, na Alemanha (Julho)

Ideias

·

·

· Surge o Pan-africanismo, com Marcus Garvey

·

 

 

 

II – CRONOLOGIA

NACIONAL

· Janeiro

2 Juntas conferenciam com Canto e Castro. Membros da Junta Militar do Norte (coronel Artur da Silva Ramos e major António Coutinho) conferenciam com Canto e Castro, pelas 18 horas. Pedem que Egas Moniz e Afonso de Melo abandonem o governo. No dia seguinte já esta Junta faz nova proclamação do país.

5 Manifestação antimonáqrquica.Manifestação unitária de sindicalistas e socialistas, apoiada por republicanos contra as movimentações monárquicas

6 Confrontos entre militares monárquicos e republicanos em Vila Real. Coronel Ribeiro de Carvalho, republicano nomeado por Tamagnini, enfrenta uma coluna do major Alberto Margaride, enviado pela Junta do Norte.

- No mesmo dia, Ultimato da Junta Militar do Norte a Tamagnini

- Remodelação governamental. Tamagnini Barbosa cede à pressão das juntas monárquicas e afasta do governo as pessoas mais ligadas a Egas Moniz, nomeadamente Afonso de Melo Pinto Veloso, coronel Corte Real e Forbes Bessa .

8 O novo governo faz a sua apresentação parlamentar em 8 de Janeiro, sendo criticado por Cunha Leal e, no dia 9, no Senado, por Machado Santos. Denunciam a entrega do regime aos monárquicos.

10 Eclodem movimentos revolucionários em Lisboa, Covilhã e Santarém, sob o comando de uma junta revolucionária constituída por Álvaro de Castro (então democrático que reptia o modelo insurrecional de 14 de Maio de 1915), Francisco Couceiro da Costa (evolucionista), António Granjo (evolucionista), Jaime de Morais (deputado dezembrista), Augusto Dias da Silva (socialista) e Cunha Leal (deputado dezembrista). Apoiam a junta os militares Ramos de Miranda, Jaime de Figueiredo, capitão Tribolet e António Maria Baptista. Em Lisboa revolta-se o tenente Prestes Salgueiro, até então membro do gabinete do ministro da marinha.

12 Começa a revolta de Santarém com Cunha Leal. Junta declara querer acabar com a influência monárquica no poder, depurar o exército, defender em todos os campos e inalteravelmente a República. Defendem a nomeação de um governo presidido por Nunes da Ponte, com o general Tamagnini de Abreu a ministro da guerra. Mas este antigo comandante do CEP chefiava as tropas governamentais que se dirigiam para Santarém.

- Também neste dia, nota oficiosa do governo, referindo a existência de prenúncios de um movimento revolucionário capitaneado por democratas e secundado por agentes bolchevistas.

16 Os revoltosos de Santarém rendem-se incondicionalmente, graças à acção da coluna negra vinda da Covilhã e comandada pelo tenente Teófilo Duarte, governador de Cabo Verde. Esta coluna impediu que a cidade fosse tomada pelas tropas das Juntas, comandadas por Silva Ramos, que tencionava pedir a Paiva Couceiro que encabeçasse o movimento.

18 Começa a conferência de paz de Versalhes, estando Portugal representado por Egas Moniz.

19 Paiva Couceiro restaura a monarquia no Porto.

21 Manifestação de republicanos em Lisboa diante do ministério do interior.

22 Voluntários civis concentram-se no Campo Pequeno para receberem armas e instrução militar. Destaca-se a acção do major de infantaria André Brun. São mobilizados antigos apoiantes civis do sidonismo, como Manuel Inácio Ferraz

23 Revolta monárquica de Monsanto em Lisboa. No dia 22 à noite, tropas pró-monárquicas começam a deslocar-se para Monsanto. Assume o comando o próprio Aires de Ornelas, com o apoio do tenente-coronel Álvaro de Mendonça. As tropas republicanas pró-governamentais são comandadas pelo tenente-coronel Vieira da Rocha.

24 Os monárquicos resistem até às 17 horas do dia 24. A escalada de Monsanto ficou como uma data histórica e para mim superior à própria proclamação da República (Magalhães Lima).

26 Recomeça a publicar-se O Mundo e o governo apresenta a demissão. O jornal logo comunica que o partido democrático defende uma concentração republicana.

- No mesmo dia, reunião no jornal A Luta. Depois de esmagada a revolta monárquica de Monsanto, houve reunião na sede do jornal A Luta presidida por Couceiro da Costa, com Cunha Leal, Álvaro Castro, Tomé de Barros Queirós, Aresta Branco, Fernandes Costa, Xavier Esteves, Inocêncio Camacho, Domingos Pereira, Ladislau Batalha e Augusto Dias da Silva, donde resulta consenso quanto à escolha de José Relvas.

27 Governo de José Relvas. O novo governo, que toma posse neste dia, começa por juntar representantes de todos os partidos, incluindo os próprios sidonistas (na justiça, estrangeiros, comércio e colónias), cujo parlamento se manteve até 19 de Fevereiro, data em que se regressou formalmente à plena vigência da Constituição de 1911. Augusto Dias da Silva, socialista, no trabalho. Pretendia-se um gabinete de concentração republicana, destinado a combater os realistas e nunca os sidonistas republicanos. Manteve a reforma sidonista da Lei da Separação, da autoria de Moura Pinto, e acordou-se quanto ao não imediato regresso dos exilados pelo sidonismo. Relvas observa: não posso correr o risco de ver as procissões cívicas nas ruas de Lisboa, clamando a intangibilidade da lei da Separação e festejando em apoteoses, como as piores de 1911, Afonso Costa e Bernardino Machado.

· Fevereiro

4 Apresentação parlamentar

No acto de apresentação parlamentar, perante o parlamento sidonista, em 4 de Fevereiro, o gabinete proclamava que era de todos os partidos, não tem partido algum, o seu partido é a república. Chamam-lhe o ministério da desforra. No plano do intervencionismo económico, advoga-se a liberdade de comércio e trânsito de géneros, com eliminação das proliferações regulamentares.

11 Republicanos, de Abel Hipólito, conquistam Estarreja As tropas republicanas são comandadas pelo general Alberto Ilharco.

13 Fim da Traulitânia, principalmente pela acção de Sarmento Pimentel que subverte a guarda real do Porto

17 Acaba a monarquia do Norte. Cai Vila Real.

- Também a 17, decreto sobre a liberdade de trânsito e comércio de vários géneros. O governo opta pelo regime dos preços máximos em vez dos anteriores preçários fixos do tabelamento. Alargado o regime da liberdade comercial ao trigo, arroz, batata e feijão.

19 Dissolução do parlamento sidonista Decreto publicado no dia 21), anunciando-se o regresso à chamada república velha. Invoca-se o facto do parlamento sidonista não ter ratificado as medidas governamentais para a defesa da República. As eleições são convocadas para 13 de Abril.

21 Comício no Coliseu dos Recreios em Lisboa presidido por Fernando Boto Machado. Discursam Estevão Pimentel, Cunha Leal, Costa Júnior e Ramada Curto. Cunha Leal proclama: o governo não deve prender-se neste momento com constitucionalidades … deve decretar a dissolução do Parlamento… A República não está feita. Respira-se ainda no Terreiro do Paço uma pesada atmosfera de reaccionarismo. Dir-se-ia que o Marquês de Pombal nos está pesando sobre o cachaço. é preciso purificar o ambiente. é preciso insuflar a vida da República. Vamos injectar-lhe a cafeína que necessita.

- Tumultos. Pede-se o desarmamento da polícia cívica. Nisto entra na sala João Soares, enviado do governo, comunicando que o decreto com a dissolução parlamentar já está assinado.

- Governo refugia-se no quartel do Carmo.Na manifestação de rua que se segue, dá-se um ataque ao ministério do interior, onde se encontrava José Relvas, o presidente do ministério, e ao quartel de Infantaria 33 do castelo de S. Jorge, considerado um bastião do sidonismo. Governo tem de refugiar-se no quartel do Carmo.

23 Extinção da polícia cívica e demissão do governador civil de Lisboa, António Miguel, logo substituído pelo tenente Prestes Salgueiro. Policiamento de Lisboa passou a ser feito pela GNR e pela Guarda Fiscal.

- Segue-se uma vaga de substituição de governadores civis e de nomeação de comissões administrativas para os municípios, numa partilha de que beneficiaram os democráticos. Para o governo civil do Porto será nomeado o democrático José Domingues dos Santos.

- Democráticos assaltam o poder local. Segundo Relvas, os democráticos convenceram-se de que a restauração da República foi a sua própria restauração como partido político e como não podem assaltar o poder Central vão treinando as suas forças nos assaltos locai sobre o Terreiro do Paço.

23 Sai o primeiro número do jornal anarco-sindicalista A Batalha, dito porta-voz da organização operária portuguesa.

26 Estabelecido o regime de liberdade de comércio para o trigo, arroz, batata e feijão.

· Março

1 Decretos estabelecem nova lei eleitoral que regressa aos modelos das leis de 1913 e de 1 de Junho de 1915

7 Decreto nº 5 516 estabelece o horário de trabalho em 8 horas

12 Afonso Costa substitui Egas Moniz na conferência de paz (data da nomeação). Toma posse no dia 17

14 Suspensos vários professores em Coimbra, entre os quais Salazar, Fezas Vital, Magalhães Colaço e Carneiro Pacheco, da faculdade de direito, Diogo Pacheco de Amorim, de ciências, e Mendes dos Remédios, de letras.

18 Mendes dos Remédios demite-se de reitor da Universidade, sendo substituído interinamente pelo bacharel Joaquim Coelho de Carvalho, antigo presidente da Academia das Ciências.

23 Constituída a Associação de Classe dos Empregados do Estado. Francisco Nogueira de Brito é o secretário-geral.

26 O juiz Vieira Lisboa é nomeado para fazer uma sindicância aos professores de Coimbra.

27 Governo apresenta demissão. Relvas era defensor de uma remodelação dos partidos, mas os evolucionistas em 8 de Março recusam fusão com os unionistas num partido conservador. António José de Almeida apenas admitia que os unionistas passassem a integrar o partido evolucionista. Relvas não queria presidir a uma vitória eleitoral dos democráticos

- Greve dos tipógrafos em Lisboa.

30 Depois da saída dos ministros sidonistas, surge um novo governo, presidido pelo democrático Domingos Pereira, com um independente, cinco democráticos, três evolucionistas, dois unionistas e dois socialistas.

- Domingos Pereira, segundo Damião Peres, era um vulto democrático irrelevante na política antes da sua inclusão no governo de José Relvas.

· Abril

5 Por decreto, Lobo de ávila Lima volta a ser demitido da docência universitária. Protesto da Faculdade de Direito de Lisboa, a que não se associa Barbosa de Magalhães.

6 Manifesto governativo

7 Decreto nº 5 367 de 7 de Abril cria a Polícia de Segurança do Estado a partir da Polícia Preventiva, até aí mera secção da Polícia Cívica de Lisboa que contava com 27 agentes. Esta polícia, em 4 de Fevereiro de 1922 transforma-se em Polícia de Defesa Social.

- Também a 7, Greve na CUF contra os despedimentos.

12 Greves Greve dos corticeiros do Barreiro e dos estofadores e decoradores de Lisboa.

13 Alberto Madureira, tenta a criação de um partido republicano conservador, com o unionista Nunes da Ponte, o sidonista ex-monárquico Francisco Fernandes e o sidonista António Miguel de Sousa Fernandes, antigo governador civil de Lisboa.

15 Junta Municipal de Lisboa dos evolucionistas manifesta-se contrária à dissolução do partido.

16 Reunião visando a unificação da oposição aos democráticos. Reunião, no consultório de Egas Moniz, de delegados dos partidos centrista, unionista e evolucionista, com republicanos independentes, tendo em vista a unificação naquilo que então se qualificava como o partido republicano reformador. malogro, face à resistência dos evolucionistas

- Defesa de um rotativismo moderados/ radicais. O evolucionista Ribeiro de Carvalho, em entrevista a A Capital, defende um grande partido moderado, incluindo democráticos, que se oposraia a um grande partido radical, para onde deveriam transitar os radicais democráticos, evolucionistas e unionistas, o que só se conseguiria com a dissolução dos três grandes partidos.

17 Nova lei do arrendamento. Decreto nº 5 411 proíbe a elevação das rendas de casa.

18 Comício do Partido Socialista no teatro Apolo em 18 de Abril.

24 Ex-parlamentares evolucionistas reúnem com António José de Almeida e manifestam-se contrários à dissolução do partido.

25 Inaugurado solenemente o começo da construção do bairro social do Arco do Cego em Lisboa. Por decretos de 6 de Março e de 15 de Abril autorizava-se o governo a negociar empréstimos para a construção de bairros sociais. Em Lisboa, previam-se mais dois, um em Alcântara e outro na Ajuda. O processo foi marcado por um total fracasso. Logo em Junho de 1921 é suspensa a construção dos projectados bairros à excepção do do Arco do Cego. Em Janeiro de 1922 é nomeada uma comissão de inquérito. Uma lei de 5 de Maio de 1922 suspende os trabalhos. Nova lei de 13 de Setembro de 1922 permite apenas a conclusão das obras do bairro do Arco do Cego. A liquidação total ocorre em 23 de Outubro de 1925. As obras no bairro do Arco do Cego apenas se concluem já depois do 28 de Maio.

26 Juiz Vieira Lisboa conclui sindicância aos professores de Coimbra

28 Greve dos metalúrgicos e dos serviços camarários em Lisboa.

- No mesmo dia, livre importação de azeite estrangeiro com acidez não superior a 5 graus.

 

· Maio

1 Comícios operários. 30 000 pessoas num comício sindical em Lisboa, no Parque Eduardo VII, convocado pela União dos Sindicatos Operários de Lisboa .

2 Reformas universitárias de Leonardo Coimbra.

- Ainda neste dia, as greves recomeçam em força (carris, águas, cesteiros e alfaiates); Incêndio no serviço de encomendas postais do Terreiro do Paço; Conselho de Ministros lança apelo ao operariado.

3 Ministro do trabalho pede a demissão. Incêndio na cadeia do Limoeiro. O ministro da guerra mandara prender os grevistas da Companhia das águas.

6 Fim da greve na Companhia das águas

7 A greve dos funcionários camarários de Lisboa termina.

8 Greve da Carris

- Ainda a 8, Criado o Conselho Superior de Finanças, por decreto nº 5 525. Substitui o anterior Conselho Superior de Administração Financeira do Estado criado em 11 de Abril de 1911. O organismo está na base do Tribunal de Contas, apenas criado em 1930.

- Greves da construção civil no Porto e em Guimarães.

10 Os trinta suplementos do Diário do Governo. na véspera das eleições, surgia o mais gordo diário oficial da história portuguesa, onde, para além do pacote laboral se publicam 30 suplementos, que segundo os adversários, cria cerca de 17 mil novos empregos públicos. Todos nomeados por conveniência do serviço público, sem o visto do Conselho Superior de Finanças.

- Decretos nº 5 609 e nº 5 610 reformam os serviços prisionais (ministro António Granjo). O modelo vai estar em vigor durante cerca de uma década.

- Decreto nº 5 576 repõe em vigor o modelo de delitos sociais, conforme o estilo da lei celerada de João Franco O novo diploma pune bombistas, com possibilidade de degredo para o Ultramar.

- Os números são incertos, mas em Março já haviam sido saneados 500 oficiais do exército. No entanto, contabilizavam-se mais de 17 000 funcionários do que em 1911, enquanto as forças armadas, nesse período, também aumentaram em cerca de 16 000 efectivos.

- Só a reforma da GNR (decretos nº 5 568 e 5 787, incluídos no 4º suplemento) aumenta os quadros de efectivos de 5 001, de 1911, para 18 956 homens.

- Ainda a 10, Pacote laboral. Publicação de um pacote legislativo laboral que incluía tanto uma lei do horário de trabalho, como a institucionalização de um Instituto de Seguros Sociais e a obrigatoriedade de seguro social em casos de acidente, doença e velhice (decretos nº 5 636, nº 5 637 e nº 5 638).

- Estabelecida a semana das 48 horas para a maioria dos trabalhadores. 42 horas para bancos e escritórios pelo decreto nº 5 516. Diploma entra em vigor no dia 1 de Novembro.

- Pelo decreto nº 5 705, estabelece-se o regime do emparcelamento de glebas ou parcelas rústicas.

11 Eleições. Vitória dos democráticos. Estavam marcadas para o dia 13 de Abril, quando foi dissolvido o parlamento sidonista. Apenas 7% de participação.

13 Greve da CUF

14 Protestos de professores e estudantes de Letras, apoiado pelos estudantes no dia 15.

15 O professor de direito Joaquim Pedro Martins é nomeado ministro de Portugal junto da Santa Sé.

19 Coelho de Carvalho é nomeado reitor efectivo da Universidade de Coimbra. Leonardo Coimbra demite Mendes dos Remédios por este se ter associado ao protesto do dia 14. Abandonará o cargo em 26 de Junho.

16 Comício operário em Lisboa

22 é dissolvida a Faculdade de Letras de Coimbra e transferida para o Porto. Em 2 de Maio Leonardo Coimbra reformara o estudos de filosofia, criando duas novas cadeiras e nomeando imediatamente os respectivos professores.

· Junho

2 Reabertura do Congresso da República. Canto e Castro apresenta a respectiva renúncia.

3 Congresso já reúne e pede a Canto e Castro que continue.

- No mesmo dia, começa uma vasta greve ferroviária que durará dois meses, com várias sabotagens. Abrange as linhas do Norte, Oeste e Leste, bem como as ligações com o estrangeiro.

- Bernardino Machado, envia de Paris a respectiva renúncia (invocando a não aceitação da legitimidade sidonista), mas esta só chega a Lisboa no dia 16 de Junho. O novo Congresso tem muita gente nova, desaparecendo grand eparte das anteriores figuras republicanas.

6 Governo manda encerrar sindicato dos ferroviários.

7 Os socialistas protestam no Congresso contra o encerramento dos sindicatos ferroviários, mas é votada moção de confiança ao governo.

10 Passa por Lisboa, vindo de França, o presidente brasileiro Epitácio Pessoa.

12 Governo pede a demissão.

13 Aprovada moção de confiança ao governo. Prepara-se greve geral.

16 Grande comício operário.

17 Greve geral de 48 horas, com sucesso parcial.

- Explodem várias bombas.

- Os sindicatos gráficos impedem a saída dos jornais.

- Socialistas criticam A Batalha.

- Encerrada a sede da União Operária Nacional.

- O governo apresenta sucessivos pedidos de demissão e recebe sucessivas moções de confiança.

18 Regime da venda de carnes congeladas.

20 Sai o primeiro número de Avante!, dito diário operário da tarde.

25 Governo insiste no pedido de demissão.

29 Governo de Sá Cardoso. Cerca de dois meses depois das eleições de 11 de Maio, surge um novo governo, presidido por Sá Cardoso e dominado pela ala moderada e conciliadora dos democráticos, com uma maioria de futuros reconstituintes. Dos novos ministros, apenas Rodrigues Gaspar tinha anterior experiência governativa. Só Lima Alves e Melo Barreto não estavam inscritos nos democráticos.

30 Apresentação parlamentar. O programa era muito extenso, levando o deputado Afonso de Melo a dizer que ele podia ser um lema de acção durante pelo menos cinquenta anos.

· Julho

7 Discussão parlamentar sobre a greve dos ferroviários. O deputado socialista Ramada Curto, ex-ministro democrático, critica o governo pela actuação destes na greve dos ferroviários, mas o governo obtém a confiança parlamentar.

9 ou 18 Atentado frustrado contra Alfredo da Silva.

21 Começa a discussão parlamentar sobre a revisão constitucional. Projecto aprovado no dia 1 de Agosto.

31 Apresentação do orçamento. Défice de 82 125 contos. Despesas com o pessoal absorvem 84% das receitas.

- Durante as greves ferroviárias de Julho, descarrilam comboios

- Assalto à igreja dos Congregados e ao jornal O Debate

· Agosto

5 Incêndio na garagem do parque automóvel do Estado.

- No mesmo dia, começa o julgamento dos conspiradores monárquicos.

6 António José de Almeida é eleito presidente da república

9 Bomba na estação de Santa Apolónia

15 Bombas na estação do Rossio. Tiroteio no Entroncamento. Continuam os descarrilamentos de comboios. Põem-se grevistas nos primeiros vagões das composições.

- Também neste dia, Álvaro de Castro no parlamento defende uma política de sacrifício e compressão das despesas .

20 Bancarrota.António Maria da Silva fala na Câmara dos Deputados no desregramento económico, político e financeiro. Alves dos Santos replica: é uma verdadeira falência. Já se fala em bancarrota.

27 Reforma das Faculdades de Letras. Pela lei nº 861 restabelece-se a Faculdade de Letras de Coimbra e cria-se outra no Porto que começa a funcionar no ano lectivo de 1919-1920. A proposta foi apresentada logo em 23 de Julho. Nesse diploma surgem restrições à autonomia universitária, dado que os reitores e os directores de faculdade passam a ser de nomeação governamental. Criada pelo ministro Leonardo Coimbra, é extinta em 1931 e restaurada em 1961. A primeira geração, marcada por Leonardo Coimbra, tem entre os professores Hernâni Cidade, Damião Peres, e conta, entre os alunos, Álvaro Ribeiro, Sant'Anna Dionísio, Agostinho da Silva, José Marinho e Delfim Santos.

· Setembro

1 Fim da greve dos ferroviários. Actuação enérgica do ministro da guerra Helder Ribeiro conseguiu restabelecer alguma circulação

2 Escândalos no ministério dos abastecimentos. O deputado democrático Abílio Martins diz que os escândalos do Hinton e os roubos do Crédito Predial são pequenos episódios quando comparados com as monstruosidades do ministério dos abastecimentos

3 Usura e açambarcamento. O deputado Ladislau Batatlha considera: a usura dos produtores, dos comerciantes, dos intermediários e dos consumidores é que faz com que os géneros faltem … o próprio público é açambarcador pelo espírito de viver, enquanto o outro o é pelo espírito de enriquecer

- Tumultos, em Lisboa pelo facto da câmara municipal ter mandado destruir o passeio central do Rossio.

- Tumultos, no Porto, durante um comício contra a carestia de vida. Assaltos a celeiros em Elvas

17 Extinção do ministério dos abastecimentos, pela lei nº 882. Até então, o seu titular, a título interino, era o ministro do comércio Ernesto Navarro.

16 Negociações de D. Manuel II com os integralistas. Entre 16 e 28 de Setembro, dois representantes integralistas, Luís de Almeida Braga e Pequito Rebelo, deslocam-se à Inglaterra, para conversações com D. Manuel II.

18 Criação da Confederação Geral do Trabalho. No II Congresso Operário Nacional realizado em Coimbra, constitui-se a Confederação Geral do Trabalho. Segue-se o modelo da CGT francesa, por inspiração de Emílio Costa.

- Jornal A Montanha do Porto questiona: Partido Democrático? Qual? O de Afonso Costa? O de Domingos Pereira? O de António Maria da Silva? O de Álvaro Castro? Valha-nos Deus

22 Revisão constitucional. Lei nº 891 concede ao Presidente da República o direito de dissolução do Congresso. Relatório elaborado por Alberto Xavier, com a oposição de Barbosa Magalhães.

30 Alberto Xavier é nomeado director geral da fazenda pública.

- Em fins de Setembro, dissolvem-se os partidos unionista e evolucionista. A reunião dos unionistas decorre em 29 de Setembro. O congresso dos evolucionistas em 30 de Setembro e 1 de Outubro.

· Outubro

5 António José de Almeida toma posse do cargo de presidente da república. Havia sido eleito em 6 de Agosto.

- Também a 5, Aparece A Bandeira Vermelha. Sai o primeiro número de A Bandeira Vermelha, dito semanário comunista, instituindo-se a Federação Maximalista Portuguesa, criada em Setembro. Trata-se de um grupo dissidente da CGT, o primeiro a defender a revolução russa em Portugal. Entre os seus principais militantes, Manuel Ribeiro, António peixe, Francisco Dias, Arsénio Filipe e José da Silva Oliveira. Em Março de 1921, a partir desta base, cria-se o Partido Comunista Português.

- Criado o Partido Republicano Liberal

- Congresso do Partido Democrático. Reeleição de Afonso Costa, tendo como rival José Domingues dos Santos. Conflitos entre Domingos Pereira, António Maria da Silva e Álvaro de Castro.

8 António Granjo é eleito líder parlamentar dos liberais.

- Nesse dia, Júlio Martins, ex-evolucionista, anuncia a constituição do grupo parlamentar popular. Terá o apoio de alguns grupos de radicais democráticos.

13 Facções sidonistas anunciam adesão aos liberais

- Igualmente a 13, o directório do Partido Nacional Republicano aconselha a dissolução do mesmo grupo. Este partido era então liderado por Egas Moniz.

15 Idêntica posição toma a facção que se lhe opunha, dirigida por Feliciano Costa e que publicava A Situação.

20 Os integralistas anunciam no jornal A Monarquia que se desligam da obediência a D. Manuel II

- Greves. Greve dos barbeiros em Lisboa. Da construção civil em Guimarães. Dos descarregadores de terra no Porto. Dos soldadores em Olhão. Dos operários conseveiros em Setúbal. Dos carniceiros em Faro. Bombas na Marinha Grande e contra um comboio no Porto.

26 A Bandeira Vermelha proclama fazer em toda a parte a apologia da revolução russa

· Novembro

18 Liberdade de comércio. Liberdade de importação, comércio e trânsito da batata, feijão e arroz.

22 Aprovadas as bases regulamentares do Centro Católico Português, durante o II Congresso do CCP, o chamado congresso da reestruturação, realizado em Lisboa, no Beco do Apóstolos, à Rua da Flores, na sede da Associação Católica.

- Lino Neto na liderança. Saída dos monárquicos. O movimento, fundado em 8 de Agosto de 1917, elegeu para presidente António Lino Neto, advogado e professor de economia política do Instituto Comercial e Industrial de Lisboa, apoiado por uma comissão central de que fazem parte António Pereira Forjaz, professor da faculdade de ciências de Lisboa, José da Fonseca Garcia, advogado. Da anterior comissão central, saíam Pinheiro Torres e Fernando Sousa (Nemo), marcados por militância monárquica. Na altura comemoram-se as festas do Beato Nuno. Há delegados de 13 dioceses.

- Greves e tumultos. Greve dos sapateiros em Braga. Tumultos em Setúbal. Atentado à bomba contra Alfredo da Silva. Apupos a António Granjo no Porto. Assalto ao semanário monárquico de Coimbra, Ressurreição.

· Dezembro

1 Em carta dirigida a Aires de Ornelas, D. Manuel II critica o procedimento dos integralistas

2 Controlo do comércio externo. Decreto nº 6 263 agrava sobretaxas da importação, estabelece a liberdade das exportações e restringe as remessas de fundos e títulos em ouro para fora do país. Criado um Conselho Fiscalizador do Comércio Geral e Câmbios.

- Cunha Leal critica o decreto de 2 de Dezembro que vem a ser modificado no dia 20, conforme o pedido de várias forças vivas.

18 Encíclica de Bento XV aos prelados portugueses, apoia expressamente a criação do CCP

19 Bombistas. Descoberto em Lisboa um arsenal que se situava numa dependência de uma escola primária.

22 Pedem a demissão os ministros das finanças, da agricultura e do comércio, por causa do decreto de 2 de Dezembro.

29 Sá Cardoso em entrevista ao Diário de Notícias, refere a existência de agitadores no seio da classe operária.

30 Punição do açambarcamento. Estabelecido o regime do processo sumário para matérias relacionadas com géneros açambarcados ou adulterados, em 30 de Dezembro (lei nº 922).

- Greves e bombas. Greves em Lisboa do pessoal dos eléctricos, dos pasteleiros, dos cozinheiros e dos trabalhadores do mar. Bombas em Lisboa, Coimbra e Porto.

- Em Dezembro surge o primeiro doutor em direito por Lisboa, Jaime de Gouveia. Havia cursado em Coimbra

· Ainda em 1919...

 

 

 

 

 

 

INTERNACIONAL

· Janeiro

5 Fundação do NSDAP. A. Drexler funda em Munique o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães

15 Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht são assassinados. Falha a insurreição espartaquista em Berlim.

18 Começo da Conferência de Paz, em Versalhes

20 Ofensiva dos russos brancos comandados por Denikine no norte do Cáucaso. Denikine, quando dominava territorialmente, tratou, muito rigidamente de defender uma Rússia grande e indivisa, um colete de forças que nem sequer lhe permitiu uma conveniente aliança com o nacionalismo ucraniano, numa frente anticomunista. Contra isto, a partir de Moscovo, os soviéticos iam lançando a confusão na retaguarda dos brancos, quando prometiam e praticavam a autodeterminação das nacionalidades, ao mesmo tempo, que constituíam um Exército Vermelho que mobilizava antigos oficiais czaristas, os quais, muito esotericamente, iam praticando a ideia russa. Denikine, que podia jogar num programa federalista ou confederacionista, preferiu ser fiel ao unitarismo czarista e, naturalmente, ficou algemado pelos fantasmas da política de russificação dos alógenos do século XIX. Lenine, pelo contrário, pôde escolher o realismo de ter um pássaro na mão em vez de muitos a voar e logo tratou de aconselhar as retaguardas antibrancas a serem primeiramente independentistas e comunistas, dizendo até a alguns movimentos que seria prematura uma rápida declaração de aproximação à central estadual da sovietização.

21 Começa a guerra na Irlanda, depois dos deputados nacionalistas proclamarem a independência.

- Chineses apoiados pelos russos brancos invadem a Mongólia

· Fevereiro

11 Começa a guerra russo-polaca. Exército polaco apodera-se de Brest Litovsk

22 Revolta comunista na Hungria Levantamento comunista em Budapeste, liderado por Bela Kun.

23 Estabelecido o soviete de Munique

 

· Março

4 Fundada, em Moscovo, a III Internacional, Komintern. De acordo com as teses de Lenine, depois de consolidado o poder soviético, as forças vencedoras trataram de lançar uma vasta operação internacionalista, na sequência da fundação em Moscovo da III Internacional que, vai ser conhecida, a partir do calão jornalístico, como Komintern.

18 a 23 VIII Congresso do Partido Comunista russo. Adoptado novo programa visando a transição do socialismo para o comunismo, pela expropriação total da burguesia e unificação nacional de toda a economia num plano de Estado.

21 Bela Kun proclama a República Soviética da Hungria.

23 Fundado, em Milão, o primeiro fascio

- Surge a República Soviética da Ucrânia

· Abril

7 é proclamado o Estado Soviético, em Munique, que dura até 8 de Maio.

10 Assassinado Zapata Emiliano Zapata, chefe da insurreição camponesa do México

23 Lei sobre as 8 horas diárias de trabalho, em França

28 Publicado o Pacto da Sociedade das Nações.

· Maio

28 Independência da Arménia

· Junho

28 Alemanha assina o Tratado de Versalhes. Em 22 de Junho os deputados alemães haviam votado favoravelmente as condições da paz.

· Julho

25 Rússia declara renunciar a todos os seus privilégios na China

27 Derrota de Bela Kun, na Hungria.

31 Alemanha adopta a Constituição de Weimar.

· Setembro

12 Fiúme, Rijeka. A zona, disputada entre a Itália e a Jugoslávia, depois da Grande Guerra, foi conquistada por um grupo de irridentistas fascistas italianos, liderados por Gabriel d’Annunzio.

19 Tratado de Saint Germain en Laye entre os aliados e a áustria.

· Outubro

13 a 20 Derrota dos russos brancos de Denikine

· Novembro

16 Miklos Horthy, político húngaro, Almirante, último comandante da armada do império austro-húngaro. Enquanto chefe do exército, derrota Bela Kun,

- No mesmo dia, eleições legislativas em França. Vitória do bloco nacional de direita

27 Tratado de Neuilly entre os aliados e a Bulgária.

· Ainda em 1919...

- Friedrich Naumann funda, na Alemanha o Partido Democrático.

- Surge a CDT. Conféderation Française Démocratique du travail. Central sindical francesa oriunda da Confederação dos Sindicatos Cristãos

 

 

III - ACONTECIMENTOS DO ANO

Liberal, Partido (1919) Imediatamente após a queda do sidonismo, surgem tentativas para a unificação das oposições republicanas aos democráticos. Alberto Madureira, em 13 de Abril de 1919, tenta a criação de um partido republicano conservador, com o unionista Nunes da Ponte, o sidonista ex-monárquico Francisco Fernandes e o sidonista António Miguel de Sousa Fernandes, antigo governador civil de Lisboa. Em 15 de Abril, a Junta Municipal de Lisboa dos evolucionistas manifesta-se contrária à dissolução do partido. No dia 16 de Abril, reunião no consultório de Egas Moniz de delegados dos partidos centrista, unionista e evolucionista, com republicanos independentes, tendo em vista a unificação naquilo que então se qualificava como o partido republicano reformador. malogro, face à resistência dos evolucionistas O evolucionista Ribeiro de Carvalho, em entrevista a A Capital, defende um grande partido moderado, incluindo democráticos, que se oposraia a um grande partido radical, para onde deveriam transitar os radicais democráticos, evolucionistas e unionistas, o que só se conseguiria com a dissolução dos três grandes partidos. Em 24 de Abril, ex-parlamentares evolucionistas reúnem com António José de Almeida e manifestam-se contrários à dissolução do partido. Mas, em fins de Setembro, sob o governo de Sá Cardoso, onde apenas participam democráticos, depois de António José de Almeida ter sido eleito presidente em 6 de Agosto, dissolvem-se os partidos unionista e evolucionista. A reunião dos unionistas decorrem em 29 de Setembro. O congresso dos evolucionistas em 30 de Setembro e 1 de Outubro. No dia 5 tomava posse António José de Almeida. Não tarda que o novo partido, já integrado por evolucionistas e unionistas, abra as portas aos sidonistas: primeiro, à facção do ex-evolucionista e ex-centrista, Egas Moniz. Depois, aos restantes sidonistas moderados. Assim, em 13 de Outubro o directório do Partido Nacional Republicano, então liderado por Egas Moniz, aconselha a dissolução do mesmo grupo. Idêntica posição é tomada em 15 de Outubro, pela facção sidonista que se lhe opunha, então dirigida por Feliciano Costa e que publicava A Situação. No entanto, um grupo de antigos evolucionistas, liderado por Júlio Martins, não adere à fusão e, com o apoio de alguns democráticos radicais e do ex-centrista e ex-sidonista Cunha Leal, em 8 e Outubro, trata de constituir o grupo parlamentar populares. Nesse mesmo dia, o novo partido liberal logo elege como líder parlamentar o antigo evolucionista António Granjo, que se havia destacado como conspirador contra o sidonismo. Entretanto, o governo Sá Cardoso pede a demissão em 3 de Janeiro de 1920 e António José de Almeida logo trata de convidar os novos liberais para constituirem governo, o que fazem sob a presidência de Fernandes Costa, com António Granjo, Mesquita de Carvalho, Mendes dos Reis, Tito de Morais, Jorge Vasconcelos Nunes, José Barbosa, Pinto Veloso e Fernandes de Almeida. Contudo, o gabinete nem sequer chega a tomar posse, marcada para o dia 15 de Janeiro de 1920, face a uma manifestação promovida pela ala radical dos democráticos, a chamada formiga branca. Nesse mesmo dia, chega a esboçar-se uma tentativa de assalto aos jornais apoiantes dos liberais, A Luta e a República. António José de Almeida reconduziu imediatamente o gabinete de Sá Cardoso e logo trata de convidar algumas personalidades para a constituição de um ministério nacional. Tenta, em primeiro lugar, o liberal e ex-unionista Tomé de Barros Queirós, que logo desiste. Recorrre, depois, ao presidente do Senado, Correia Barreto, que também desiste. Finalmente tenta o presidente da Câmara dos Deputados, Domingos Pereira, que em 21 de Janeiro já constitui gabinete, com quatro democráticos e outros tantos liberais, acompanhados por um socialista. Era a primeira vez que os liberais, enquanto tal, acediam ao governo, mobilizando o ex-evolucionista Luís Augusto Pinto Mesquita de Carvalho para a justiça, o ex-unionista José Barbosa para as colónias; o ex-evolucionista Celestino Germano pais de Almeida para as colónias; e Jorge Vasconcelo Nunes para o comércio. Dura pouco esta concentração e em 8 de Março de 1920 no governo democrático de António Maria Baptista apenas aparece o ministro liberal Joaquim Pero Vieira Júdice Biker, na marinha. Em 19 de Julho de 1920, os liberais voltam ao governo e à presidência do ministério, com António Granjo numa experiência de conjugação com os reconstituintes e um democrático, que dura apenas quatro meses. Entre os ministros liberais deste gabinete, para além de Granjo na preisdência e na agricultura, Inocêncio Camacho nas finanças, Manuel Ferreira da Rocha nas colónias e Júlio Ernesto Lima Duque no trabalho. Entretanto, os liberais são afastados dos gabinetes de Álvaro de Castro, Liberato Pinto, Bernardino Machado de 20 de Novembro de 1920 a 23 de Maio de 1921. Contudo, nesta data voltam ao poder com Tomé de Barros Queirós num governo integralmente constituído por elementos do partido, com os generais Abel Hipólito e Alberto Carlos da Silveira, José de Matos Cid, Ricardo Pais Gomes, Melo Barreto, António Granjo, Fernandes Costa, Ginestal Machado, Lima Duque e Manuel Sousa da Câmara. é durante este gabinete que se realizam as eleições de 10 de Julho de 1921 que dão a primeira e única vitória eleitoral dos liberais face aos democráticos. Estes ficam reduzidos a 54 deputados (cerca de 30%) contra 88 deputados liberais (cerca de 50%), mas com 15% para os reconstituintes de Álvaro de Castro, à frente da dissidência dos reconstituintes, oriunda dos mesmos democráticos. Uma fraca maioria relativa, aliás, dependente de uma minoria dominada pelos ex-jovens turcos. Mesmo assim, constitui-se novo governo liberal a partir de 30 de Agosto, agora liderado por António Granjo, com Raúl Lelo Portela, Vicente Ferreira, Freitas Soares, Ricardo Pais Gomes, Melo Barreto, Ferreira da Rocha, Ginestal Machado, Lima Duque, Fernandes Costa e Aboim Inglês. A experiência é bruscamente interrompida pelo golpe outubrista de 19 de Outubro e pelo assassinato do próprio chefe do governo. Depois dos liberais, juntamente com os democráticos e os reconstituintes, terem em finais de Novembro, acordado no princípio da não colaboração com os governos outubristas, segue-se o gabinete de concentração partidária liderado por Francisco Cunhal Leal, em 16 de Dezembro de 1921, onde participa o liberal Augusto Joaquim Alves dos Santos, na pasta do trabalho. Aliás, neste gabinete, estava previsto que os liberais assumissem a pasta do comércio, através de Celestino de Almeida, mas Cunha Leal rejeitou o nome. Seguem-se as eleições de 29 de Janeiro de 1922 onde os democráticos voltam à vitória, com 74 deputados. Com efeito, depois de se esboçarem listas conjuntas de democráticos, liberais e reconstituintes, o governo decidiu apresentar listas próprias, baralhando todo o esquema e prejudicando essencialmente os liberais, dado que estes foram obrigados a uma conjunção com os reconstituintes e os cunha lealistas. Segue-se o longo governo democrático de António Maria da Silva, de Fevereiro de 1922 a Novembro de 1923, o governo mais estável da I República, que também marca o fim dos liberais que, em 5 de Fevereiro de 1923 se diluem num partido nacionalista, onde também começam por participar os reconstituintes e os seguidores de Cunha Leal.

 

Nazismo A doutrina do nacional-socialismo alemão, expressa por Adolfo Hitler, no Mein Kampf, de 1924, e pelo programa do NSDAP (Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães), fundado em 1919. Entre os pontos fortes da doutrina, destaca-se a ideia-de luta pela existência, originária do neo-darwinismo, a visão racista que assume a superioridade da raça ariana, a visão elitista, a perspectiva geopolítica da conquista de um espaço vital a Leste, e o programa de remoção dos judeus da sociedade alemã, ligado a um anti-bolchevismo, considerado um produto semita. Já o nacional-socialismo alemão vai desvalorizar o ideia de Estado, considerando-o como simples aparelho (Apparat) ao serviço da comunidade do povo (Volksgemeinschaft). Como salientava Adolf Hitler em Mein Kampf, de 1924, o Estado não passa de simples forma cujo conteúdo é a raça: o Estado é um meio de atingir um fim. Deve manter, em primeiro lugar, os caracteres essenciais da raça. Segundo as palavras de Pierre Birnbaum, Hitler opôs-se à concepção hegeliana do Estado como instrumento da razão universalista ou ainda da teoria weberiana do poder racional-legal, que se aplicam, tanto uma como a outra, muito particularmente, ao Estado prussiano fortemente burocratizado, fazendo sua uma perspectiva anti-estatista e desejando confiar a uma elite o cuidado de realizar a união da raça. Não se estranhe, pois, que alguns teóricos nazis cheguem a considerar o mesmo Estado como mero produto do direito romano, criticando particularmente a noção de personalidade do Estado, considerada como resultante de uma concepção jurídica individualista, apenas baseada em relações meramente interpessoais. Alfred Rosenberg, o célebre autor de Der Mythus des zwanzigsten Jahrhunderts, de 1930, por exemplo, assinalava que o Estado já não é, hoje, para nós um ídolo que se baste a si mesmo e perante o qual todos nos devemos prostrar; o Estado também não é um fim, é apenas meio para a conservação étnica. Um meio como os outros, como deveriam sê-lo a Igreja, o Direito, a Arte, a Ciência. As formas do Estado mudam e as leis passam, mas o povo permanece. Donde resulta que a Nação é o princípio e o fim perante o qual tudo o resto deve vergar-se. Outros autores, como Reinhard Höhn, em Volk und Verfassung, chegam mesmo a propor que o nazismo dispense a própria noção de Estado, dado que para a construção do novo direito público alemão seriam suficientes os conceitos de povo (Volk) e de condutor (Führer).

 

III Internacional (1919) Fundada em Moscovo em 4 de Março de 1919. Conhecida, segundo o calão jornalístico, por Komintern Komintern (III Internacional) Nome pela qual é conhecida a III Internacional, ou Internacional Comunista, fundada em Moscovo em 4 de Março de 1919.

Centralismo democrático

No II Congresso, ocorrido em Julho de 1920, estabelece-se o modelo a que devem obedecer os partidos integrantes, ao mesmo tempo que se delineiam os esquemas da luta pela libertação nacional dos povos colonizados.

Adesão

Segundo a 12ª condição de adersão, os partidos pertencentes à Internacional Comunista devem basear-se no princípio de centralismo democrático, isto é, a sua organização deve ser tão centralizada quanto possível e predominar uma disciplina de ferro.

Depurações

Do mesmo modo, nos termos da condição 13ª, os partidos comunistas nos países em que desenvolvem a sua actividade legalmente devem, de vez em quando, proceder a depurações dos seus membros, para se livrarem de quaisquer elementos pequeno-burgueses que hajam aderido. Tal centralismo democrático era também universal: o partido que desejar participar no Komintern deverá afastar os reformistas e centristas (2ª); tem de criar por toda a parte uma organização ilegal paralela, que, no momento decisivo, ajudará o partido a cumprir o seu dever para com a revolução (3ª); é obrigado a apoiar incondicionalmente qualquer república soviética na sua luta com forças contra-revolucionárias(14ª); além disso, os partidos que ainda conservarem os antigos programas sociais-democratas devem revê-los os mais depressa possível e elaborar [... ] um novo programa comunista em conformidade com as decisões da Internacional Comunista(15ª); todos os decretos dos congressos da Internacional Comunista, assim como os do seu Comité Executivo, abrangem todos os partidos pertencentes à Internacional Comunista(16ª); todos os partidos que desejarem ingressar na Internacional Comunista devem mudar de nome, desde que a fórmula partido comunista não esteja já incluída na designação(17ª).

Foi a partir do II Congresso do Komintern que se deu uma vaga de fundações de partidos comunistas, destacando-se o nascimento da SFIC, Secção Francesa da Internacional Comunista, no Congresso de Tours da SFIO (25 a 29 de Dezembro de 1920), a fundação do Partido Comunista Italiano (5 de Janeiro de 1921) e do próprio Partido Comunista Português em 6 de Março de 1921.

 

Fiúme Rijeka Estabelecimento veneziano que os Habsburgos compraram em 1471. A partir de 1779 passa a pertencer à Hungria. A zona, disputada entre a Itália e a Jugoslávia, depois da Grande Guerra, foi conquistada por um grupo de irridentistas italianos em 12 de Setembro de 1919, liderados pelo poeta Gabriel d'Annunzio. Pelo tratado de Rapallo de 12 de Novembro de 1920, foi declarado Estado independente. Voltou a Itália pelo Tratado de Roma, celebrado em 1924, entre a Itália e a Jugoslávia. Ocupada em 3 de Maio de 1945 pelos jugoslavos, sendo a ocupação reconhecida pelo Tratado de Paris de 1947. Faz actualmente parte da Croácia

 

Pan-africanismo Movimento surgido depois da Grande Guerra. Teve uma primeira manifestação essencialmente racista com Marcus Mosiah Garvey, fundador da Associação Universal para o Progresso dos Negros, unida em torno do slogan Africa para os africanos . Segue-se a acção de William Edward Bughardt du Bois, negro norte-americano, doutor em Heidelberg e professor de sociologia em Atlanta, organizador de vários congressos pan-africanos. O primeiro realiza-se em Paris em Fevereiro de 1919, onde se pede que as colónias alemãs sejam confiadas à gestão da comunidade internacional e a criação de um organismo permanente visando o controlo da aplicação de leis destinadas à melhoria de vida dos africanos. O II congresso ocorreu em Setembro de 1921, com sessões em Londres, Bruxelas e Paris. O III em Londres, com uma sessão em Lisboa, promovida pela Liga Africana. O IV, em Nova Iorque, no ano de 1927, ainda com reivindicações moderadas. Contudo, no V congresso realizado em Manchester em Março de 1945 já se reclama a completa e absoluta independência para os povos da áfrica ocidental

 

 

IV – BIBLIOGRAFIA

AUTORES

OBRAS

BABBIT, Irving

Rousseau and Romanticism, Boston, 1919

BERGSON, Henri

L’ énérgie Spirituelle, 1919.

BOSANQUET

Some Suggestions in Ethics, London: Macmillan, 1918; 2nd ed. 1919.

BOURGEOIS, Léon

Le Pacte de 1919 et la Societé des Nations, 1919.

BRANDãO, Raul

Memórias, 3 vols., vol. I, Porto, Renascença Portuguesa, 1919; (vol. II, Lisboa, Aillaud & Bertrand, 1925; vol. III - Vale de Josafat, Lisboa, Edições Seara Nova, 1931, reed., Lisboa, Perspectivas & Realidades, s.d.).

BUBER, Martin

Gemeinschaft, 1919

DUNNING, William

A History of Political Theories. Ancient and Mediaeval, Basingstoke, Macmillan Press, 1919.

FREUD, Sigmund

Jenseits des Lustprinzips,, 1919-1920

Gramsci

Ordine (L’) Nuovo (1919-1920), Turim, Einaudi, 1954

HOBSON, S.G.

Labor in the Commonwealth, 1919.

LASKI

Authority in the Modern State 1919

MAETZU, Ramiro de

La Crisis del Humanismo, 1919.

MERêA, Paulo

As Teorias Políticas Medievais no Tratado da Virtuosa Benfeitoria, in Revista de História, ano VIII, nº 29, 1919; (in Estudos de História do Direito, Coimbra, Coimbra Editora, 1923).

MISES, Ludwig Von

Nation, Staat und Wirtschaft. Beiträge zur Politik und Geschichte der Zeit, 1919

SALAZAR, António Oliveira

Minha (A) Resposta. No processo de Sindicância à Universidade de Coimbra, Coimbra, França Amado, 1919

SCHELER, Max

Le Renversement des Valeurs,1919.

SCHUMPETER

The Sociology of Imperialism, 1919 (In Imperialism and Social Classes, org. de Paul Sweezy, Nova Iorque, Augustus M. Kelley, 1951; Nova ed., Imperialism and Social Classes. Two Essays, trad. Ingl. De Heinz Norden, Nova Iorque, World, 1955; Trad. fr. Impérialisme et Classes Sociales, Paris, éditions de Minuit, 1972. O original alemão foi publicado em 1919 e 1927, no Archiv fur Sozialwissenschaft und Sozialpolitik, de Tubinga).

SOREL

Matériaux pour une Théorie du Prolétariat, Paris, éditions Rivière, 1919.

TAYLOR, G.S.

Guild State, 1919

VEBLEN

The Engineers and the Price System, Boston, Huebsch, 1919

VITAL, Fezas

Minha (A) Resposta, 1919

WATSON, John Broadus

Psychology from the Standpoint of a Behaviourist, Chicago, Lippincot, 1919.

 

 

 

V - PERSONALIDADES DO ANO

Pilsudski, Josef (1867-1935) Nacionalista polaco. Deportado para a Sibéria entre 1887 e 1892. Funda o Partido Socialista Polaco em 1897 e dirige a revista Robotnik, o trabalhador suspensa em 1900. Assume a luta armada a partir de 1905, assaltando bancos e esquadras da polícia. Organiza um exército polaco na Galícia austríaca que se junta aos impérios centrais durante a Grande Guerra, mas que apenas entra em combate no território polaco contra os russos.

Na Polónia, durante a Grande Guerra, enquanto um grupo de polacos, liderado por Pilsudski se aliou aos austro-húngaros, outro grupo, liderado pelos nacionais-democratas, colaborou com a Rússia, em troca de posterior autonomia. Contudo, em 5 de Novembro de 1916, os Impérios Centrais admitem a criação de um reino independente na zona polaca até então dependente da Rússia. Pilsudski, entretanto aliado aos nacionais-democratas, é preso pelos alemães de Julho a Novembro de 1917 , enquanto os antigos aliados dos russos instalam em Paris um Comité Nacional Polaco. Assim, com o apoio dos nacionais-democratas, em 10 de Novembro de 1918, Pilsudski toma o poder em Varsóvia, realizando-se eleições, logo em Janeiro de 1919, donde resulta uma Dieta que vai eleger Pilsudski como presidente. Como chefe de Estado e comandante das forças armadas polacas, vence a guerra russo-polaca de 1919-1920, que termina com o Tratado de Riga de 18 de Março de 1921. Consegue, pelo tratado de Riga aumentar o território polaco, com partes da Lituânia, Bileo-rússia e Ucrânia. Quase ao mesmo tempo surgia uma Constituição democrática, em 17 de Março de 1921. Resigna em 1923, desiludido com o parlamentarismo e a corrupção e sofrendo os efeitos da inflação. Promove golpe de Estado de 1926. Recusa ser presidente mas assume as funções de chefe do governo em 1926-1928 e em 1930. Com a subida de Hitler ao poder propõe à França uma guerra preventiva contra a Alemanha. Morre em 1935, mas os respectivos sucessores mantêm o regime autoritário.

 

 

Nitti, Francesco (1868-1953) Italiano de origens judaicas, marcado pelo radicalismo liberal. Chefe do governo em 1919-1920. Obrigado ao exílio a partir de 1924.

· L'Europa senza Pace, 1921

· La Decadenza de l'Europa, 1922

· Meditazioni dell'Esilio, 1947

· Meditazioni e Ricordi, 1953

 

 

Sturzo, Luigi (1871-1959) Sacerdote católico italiano. Fundador do primeiro partido democrata cristão, que transformou em partido laico, ao contrário das perspectivas confessionais, directamente dependentes dos episcopados, assumidas então por outros movimentos políticos católicos, como o Centro Católico Português, de 1917. Começa a vida política como presidente da câmara da sua terra natal, Caltagirone (1905). Destaca-se como secretário-geral da Acção Católica (1915). Em Janeiro de 1919 funda o Partido Popular Italiano que nas eleições de Novembro desse ano já consegue 100 deputados. Depois da Marcha sobre Roma e contra a opinião do papa, abandona a direcção do partido (Julho de 1923). Vai para o exílio em 1924. Apenas regressa a Itália em 1946. A sua doutrina pode ser qualificado como de popularismo, para se distinguir do populismo. Defende o modelo do autogoverno local, que as regiões e a nação devem ser articuladas num todo complexo organizado de forma electiva e com responsabilidades bem delineadas sem interferência de poderes e competência de tipo centralizador.

· La Democrazia Cristiana nel Pensiero e nella Vita

Conferência proferida em Palermo, 1902.

· La Funzione Storica del Partito Popolare Italiano, 1923

· La Comunità Internazionale e il Diritto di Guerra

(ed. ingl., Londres, 1929).

· L’église et l’état,1937.

· La Societá, sua Natura e Leggi. Sociologia Storicista, 1949.

· Saggi e Discorsi Politici e Sociali, ed. de Vincenzo Clemente, Roma, Edizioni inque Lune, 1973.

· Scritti Inediti:

I - 1890 - 1924, ed. de Francisco Piva; II - 1924 - 1940, ed. de Franco Rizzi; III - 1940 - 1946, ed. de Francisco Merlgeri (Roma, Edizioni Cinque Lune, 1971).

 

 

Brandão, Raul Germano (1867-1930) Um dos melhores escritores de língua portuguesa do século XX. Depois de tentar a carreira militar, dedica-se ao jornalismo. Com interesse politológico, para além da impressionista visão do Portugal das invasões francesas, destacam-se as monumentais Memórias, fundamentais para a compreensão psicológica dos homens e dos acontecimentos da I República, numa espécie de reportagem íntima de um republicano não alinhado, mas bastante influenciado pelo ambiente daquela geração portuense que não foi chamada a conformar o novo regime, onde se destacam Guerra Junqueiro, Basílio Teles e Sampaio Bruno, cujas observações, nunca escritas pelos próprios, são registadas por Raúl Brandão.

· El-Rei Junot, Porto, 1912

· Memórias, 3 vols., vol. I, Porto, Renascença Portuguesa, 1919; (vol. II, Lisboa, Aillaud & Bertrand, 1925; vol. III - Vale de Josafat, Lisboa, Edições Seara Nova, 1931 [ reed., Lisboa, Perspectivas & Realidades, s.d.] ).

 

 

VI - LIVROS DO ANO

 

 

VII - FALECIMENTOS E NASCIMENTOS

FALECIMENTOS

NASCIMENTOS

CARNEGIE, Andrew (1835-1919)

HAECKEL, Ernst (1834-1919)

HERTLING, Georg Conde (1843-1919)

LIEBKNECHT, Karl (1871-1919)

LUXEMBURG, Rosa (1871-1919)

OSTROGORSKI, Moisei Yakovlevich (1854-1919)

QUEIRóS, Francisco Teixeira de (1848-1919)

ROOSEVELT, Theodor (1858-1919)

ANDERSEN, Sophia de Melo Breyner (n.1919)

BELL, Daniel (n. 1919)

BUCHANAN, James McGill (n. 1919)

GUEDES, Armando Manuel Marques (n. 1919)

MARCHUETA, Afonso (1919-1980)

NAMORA, FernandoGonçalves (1919-1989)

PAHLAVI, Mohammad Reza (1919-1980)

SARAIVA, José Hermano (n. 1919)

SARRãO, Joel (n. 1919)

VARELA, João de Matos Antunes (n. 1919)

VENTURA, Raul Jorge Rodrigues (1919-1999)


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© José Adelino Maltez. Todos os direitos reservados. Cópias autorizadas, desde que indicada a proveniência: Página profissional de José Adelino Maltez ( http://maltez.info). Última revisão em: 02-05-2009 © José Adelino Maltez. Todos os direitos reservados. Cópias autorizadas, desde que indicada a proveniência: Página profissional de José Adelino Maltez ( http://maltez.info). Última revisão em: 02-05-2009