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ANO:1920

 


SUMÁRIO:
Destaques Cronologia Acontecimentos Bibliografia Personalidades Livros do Ano Falecimentos e Nascimentos

I – DESTAQUES

PORTUGALMUNDO

Política

· Governo de Fernandes Costa (Janeiro)

· Governo de Domingos Pereira (Janeiro)

· Álvaro de Castro abandona os democráticos e forma a dissidência dos reconstituintes (Março)

· Governo de António Maria Baptista. (Março)

· Governo de António Maria da Silva

· Governo de António Granjo

· Governo de Álvaro de Castro. (Novembro)

· Governo de Liberato Pinto. (Novembro)

 

· Terceira ase da Guerra Civil russa (Fevereiro)

· Tratado de Riga entre a Rússia e a Polónia (Março)

· Os jovens turcos do futuro Pai da Pátria (Ataturk) tomam o poder, na Turquia (Abril)

· II Congresso do Komintern (Julho)

· Tratado de paz entre a Turquia e os Aliados (Agosto)

· Armistício polaco-russo (Outubro)

· Derrota dos russos brancos de Wrangel, na Crimeia (Novembro)

Ideias

· O centrismo de Lino Neto

· Ensaios de Sérgio

· O socialismo guildista

 

 

 

 

II – CRONOLOGIA

NACIONAL

· Janeiro

3 Remodelação governamental.. Segundo a República, órgão dos liberais, eis que saem moderados e entram radicais.

8 Sá Cardoso aoresenta a demissão. Depois do reforço dos democráticos e da aprovação de uma moção de confiança no dia 8, por 51-39, eis que Sá Cardoso, agravado pelas críticas da oposição apresenta a demissão. O presidente convida o liberal Fernandes Costa para formar governo.

- No mesmo dia, o deputado Ventura Malheiro Reimão chegou então a declarar não temos dinheiro, estamos em bancarrota. Di-lo uma pessoa que já foi ministro das finanças (8 de Janeiro).

10 Criado o Consórcio Bancário com a missão de fixar os câmbios diariamente. Será extinto em 20 de Novembro.

- Também a 10, entra em vigor o Pacto da Sociedade das Nações. Afonso Costa assumia-se como o primeiro representante português na primeira assembleia da Sociedade das Nações.

19 Começa a publicar-se A União, órgão do Centro Católico Português. Tem como director António Lino Neto. Viverá inúmeras polémicas com A época, jornal dirigido por José Fernando de Sousa (Nemo).

15 O governo não chega a tomar posse, face a uma manifestação de rua, comandada pela ala radical do partido democrático, a chamada formiga branca, que havia sido organizada pelo antigo governador civil de Lisboa, Daniel Rodrigues. Os nomeados ministros, antes de tomar posse estavam reunidos no edifício da Junta de Crédito Público e foram alvo de uma manifestação hostil. Fernandes Costa logo desistiu.

- No mesmo dia há uma tentativa de assalto ao jornal A Luta, tendo o indigitado ministro do interior, António Granjo, que defender o jornal de pistola na mão. O mesmo Granjo segue depois para defender A República

- Ainda a 15, foi imediatamente reconduzido o anterior gabinete de Sá Cardoso.

17 António José de Almeida encarrega o liberal Tomé de Barros Queirós de formar um ministério nacional, mas este, logo no dia 17, desiste do intento.

17 a 19 Segue-se novo fracasso de Correia Barreto, presidente do Senado, que também desistiu (convidado a 17, desiste a 19). Recorre-se finalmente ao presidente da Câmara dos Deputados, Domingos Pereira.

20 Greve geral, fracassada.

21 Governo de Domingos Pereira. O governo, constituído em 21 de Janeiro, reúne quatro democráticos, quatro liberais e um socialista. Dá-se um agravamento da crise das subsistência, com inúmeras resistências populares à requisição de bens essenciais

21 Estado de sítio no Porto. Encerradas sedes sindicais e presos dirigentes.

22 António Granjo, no parlamento, declara que os acontecimentos do dia 15 tiveram ligações militares, numa alusão indirecta à GNR

- No mesmo dia, apresentação parlamentar. Apoio completo dos democráticos. Liberais: mais alguma coisa que expectativa benévola. Populares, através de António Granjo: oposição sistemática

- Ainda a 22, Jornal A República fala na existência de jovens turcos e de organizações secretas do Exército .

24 Termina a greve geral. O jornal A Batalha, em Fevereiro, declara que os republicanos apunhalaram a República e o grande combate (entre conservadores e trabalhadores) aproxima-se.

· Fevereiro

3 Apresentada a proposta de orçamento de Álvaro de Castro. António Maria da Silva terá dito na Câmara dos Deputados que o país tem estado a saque.

18 Fixação dos preços do açúcar

19 O Século começa uma campanha contra as moagens.

20 Fixação dos preços do azeite em 20 de Fevereiro

21 Bombas em Lisboa. Tumultos prosseguem nos dias 22 (ataque a O Século) e 23, dia do processo a Teófilo Duarte.

- Também a 21, determinado o arrolamento de todo o gado disponível.

· Março

2 No jornal A Capital, o ministro Celestino de Almeida faz declarações contra as moagens, referindo as dívidas ao Estado.

4 Governo apresenta demissão.

- No princípio do mês, prosseguem os atentados terroristas e as greves, nomeadamente de ferroviários (de 28 de Fevereiro a 4 de Março) e funcionários públicos (a partir de 3 de Março). Destaque para a greve dos sapateiros, com ataques bombistas a sapatarias. Greve do caminho de ferro do Sul e Sueste. Petardos em Lisboa no dia 18.

5 Governo manda ocupar a sede da CGT onde reuniam sindicalistas da construção civil .

- Também a 5, António Maria da Silva é convidado a formar governo, mas logo desiste por falta de apoio dos populares.

7 Álvaro de Castro abandona o partido democrático.

8 Governo de António Maria Baptista. Gabinete constituído, quando Baptista aparecia como homem da confiança do patronato. Tinha como missão fundamental solucionar as greves. O governo todo ele é democrático, à excepção de Júdice Biker, membro do partido liberal, mas não em representação deste. Baptista era, segundo Pabón, apoplético, míope e ignorante.

- No mesmo dia, Governo emite manifesto à nação por causa da greve dos funcionários públicos.

9 Constituida a dissidência reconstituinte. Carta de Álvaro de Castro ao directório. No dia 11 comunica a dissidência ao Congresso e consegue a adesão de Sá Cardoso e de outros deputados democráticos, bem como de alguns dissidentes do partido liberal. Em 2 de Abril, manifesto assinado por 19 deputados (entre eles, Américo Olavo, Artur Lopes Cardoso, Carlos Olavo, Ferreira da Fonseca, Rego Chaves, Helder Ribeiro, Pereira Bastos, Camarate Campos, Manuel Alegre e Pedro Pita). Entre os senadores, Lima Alves, Melo Barreto, Namorado de Aguiar e Vasco Marques.

- Igualmente a 9, apresentação parlamentar: ordem pública, ordem pública, ordem pública. Regresso ao intervencionismo esconómico. Apoio dos democráticos, socialistas e populares. Reconstituintes, em expectativa. Liberais, oposição franca e leal.

- Ainda a 9, Ramada Curto considera que os empregados do Estado não têm direito à greve porque não são proletários.

10 No parlamento, tumultos nas galerias.

11 Greves. Continuam as greves, nomeadamente dos metalúrgicos e da construção civil, bem como os atentados terroristas.

12 Adiamento dos trabalhos parlamentares até 11 de Abril. Votam contra os liberais e socialistas.

13 Termina greve dos funcionários públicos. António José de Almeida intervém no sentido de uma solução honrosa do conflito. Nesse dia é concedido o sistema de ajudas de custo aos funcionários. Apenas continua nos serviços dos correios e telégrafos. A greve começou no dia 4 de Março.

15 Começa a greve da indústria do mobiliário.

17 Grandes tumultos nos dias 17 e 19. Sindicalistas disparam sobre a GNR. Operários dão vivas à Rússia Vermelha.

19 Pressão militar inglesa em Lisboa. Uma flotilha inglesa faz exercício de tiro real diante do Terreiro do Paço. Temia-se uma revolução bolchevique em Lisboa.

- No mesmo dia, encerrada a sede da CGT, que apelara à greve geral, com confrontos entre grevistas e membros da GNR.

- Ultimato do governo aos grevistas dos serviços telegráfico-postais.

20 Governo emite um pacote de decretos sobre a questão das subsistências, nomeadamente pelo tabelamento de bens essenciais e de interdição das exportações, contrariando a linha de liberalização dos anteriores gabinetes. Anulado o decreto de 5 de Março que estabelecia a liberdade de comércio para os açúcares. Fixação dos preços máximos para azeite, arroz, batata, café, feijão, grão, milho nacional da última colheita, carvão vegetal e leite. Determina-se a apreensão destes géneros para serem postos à disposição do governo sempre que os mesmos sejam encontrados em local onde não estivessem à venda. Proibida a exportação de toros de pinho. Manifesto obrigatório de gado.

22 Surge uma lei-travão, proibindo a apresentação de propostas envolvendo aumentos das despesas ou diminuição das receitas. é intensa a fuga de capitais.

24 Lei nº 960 sobre o regime cerealífero.

- Também neste dia, repressão aos sindicalistas. Encerrados os sindicatos da construção civil e dos metalúrgicos, bem como a sede da União Sindical Operária, com grande aparato policial. Apreendido o jornal A Batalha que acusa o governo de ressuscitar os processos do regime sidonista. Nesse dia, um decreto determinava medidas excepcionais contra os grevistas dos serviços telegráfico-postais e dos operários da construção civil nas obras do Estado.

26 Proibida a exportação de tecidos, malhas de lã e algodão.

27 A Batalha suspende a sua publicação regular como jornal diário

28 Greve de protesto contra o encerramento de A Batalha.

30 Termina a greve dos correios. Carteiros regressam ao trabalho.

· Abril

3 Proibida a exportação de calçado.

5 Termina a greve da construção civil.

8 Obrigatoriedade de manifesto para açúcares estrangeiros.

10 Começa a greve dos operários dos arsenais.

11 Reabre o parlamento.

12 Por ocasião de uma manifestação de apoio ao governo na Rua Augusta, bombas e mortes.

13 Pacote de propostas financeiras do governo.

14 Defesa de um tipo único de pão. Deputado Costa Júnior, socialista, interpela o ministro da agricultura, advogando um tipo único de pão e acusando a panificação de praticar fraudes pela existência de dois tipos de farinha e de pão

14 e 15 Atentados em Lisboa, Porto, Faro e Beja.

15 Termina a greve dos metalúrgicos iniciada em 11 de Março.

No mesmo dia, é apresentada no parlamento uma proposta de lei de repressão aos bombistas, com deportação imediata para os dinamitadores.

20 Discurso de Cunha Leal na Câmara dos Deputados, atacando as moagens: a guerra permitiu, com o auxílio da fraude, reunir nas mãos da Moagem capitais disponíveis enormes. A pouco e pouco, as mogens começaram a alargar o seu campo de operações. Eles são senhores, entre outras coisas, do seguinte: moagens, panificação, indústria da bolacha e fabrico de massas, energia hidráulica, minas de carvão , metalurgia, indústria de fiação, etc. O seu poder torna-se estranho, compram jornais políticos e não políticos e manobram, assim, à vontade, a consciência pública.

24 Adopção de um tipo único de pão. Elevado o preço do trigo exótico $25/kg no preço de entrega à Moagem. Mantém-se para o trigo nacional o preço de $22/kg.

30 Denunciada a fuga de capitais. Deputado Lello Portela discursa na Câmara dos Deputados sobre o tema.

· Maio

1 Comemorações do 1º de Maio contra a ditadura das forças vivas. Retrocede a ofensiva sindical. Governo apoia-se nos grupos de defesa da República, aliando-se os carbonários democráticos com representantes das associações patronais que, neste transe, apoiam António Maria da Silva.

5 Proibida a exportação de adubos orgânicos.

6 Deputado socialista Ladislau Batalha critica o tipo único de pão, por significar pão mais caro e pior (6 de Maio).

- No mesmo dia, governo apresenta novas propostas financeiras.

11 é criado um Tribunal de Defesa Social (dois juízes nomeados pelo governo e um pela magistratura) para criminosos de delitos sociais e bombistas.

15 Redução dos quadros do funcionalismo público.

23 Continuam as greves, nomeadamente dos eléctricos de Lisboa (até 31 de Maio). Governo promove, como alternativa, o transporte automóvel e regressa-se à tracção animal.

- Abunda a fuga de capitais e um mercado clandestino de câmbios

27 Jacinto Nunes apresenta, no Senado, proposta de amnistia para crimes políticos e religiosos. A proposta não é aprovada, apesar do apoio de Dias da Silva, socialista, e de António Maria da Silva. Forte oposição de Álvaro de Castro.

- O parlamento começa a discutir a questão do imposto sobre os lucros de guerra.

- Divergências entre os católicos, no conflito entre A época de Fernando de Sousa (Nemo) e A União, de António Lino Neto. Neto tinha escrito que a Igreja é a mais bela democracia que tem visto o mundo e a primeira democracia de todos os tempos. Nemo contesta, baseando-se em Charles Maurras. Também Pequito Rebelo em A Monarquia havia contestado o presidente do Centro Católico Português, em Março desse ano.

29 Greve dos médicos mutualistas.

31 Termina a greve dos carros eléctricos de Lisboa.

· Junho

3 Gomes da Costa condenado. Ministro da guerra João Estevão águas aplica 20 dias de prisão correccional a Gomes da Costa porque este em 3 de Junho publica artigo em A Capital criticando-o. Gomes da Costa era então membro da Federação Nacional Republicana, depois de ter sido membro do partido centrista.

5 Manifesto obrigatorio para couros e cabedais em quantidades superiores a 20 kg.

6 Morte de António Maria Baptista. Morte do presidente do ministério, em pleno conselho de ministros, logo substituído por Ramos Preto. Acabara de ler uma notícia inserta em O Popular, então dirigido por Cunha Leal.

7 Manifesto obrigatório para a manteiga importada das Ilhas.

18 Governo apresenta a demissão, depois de ser criticado por um diploma que aumentava os vencimentos dos membros dos gabinetes ministeriais. São convidados sucessivamente para constituir governo Teixeira Gomes, Brito Camacho, Correia Barreto e Sá Cardoso. Todos desistem.

- No mesmo dia, Cunha Leal discursa na Câmara dos Deputados em apoio do ministro das finanças e criticando as forças vivas: nós fazemos a defesa dos interesses da Pátria e as forças vivas têm de pagar, hão-de pagar, embora tenhamos de lhes abrir as burras com o auxílio da guarda republicana. Corrida ao Banco de Portugal e sensível flexão do câmbio.

- Governo democrático (três ministros), mobilizando populares e socialistas. Era uma aliança da esquerda parlamentar com moderados. Oposição de liberais e reconstituintes que recusam colaborar.

- Álvaro de Castro, analisando o programa de governo, proclama: é fácil e difícil discutir o programa do Governo. E é difícil porque, de uma maneira geral, pode dizer-se que não há ninguém, português e espanhol, brasileiro ou de qualquer outra nacionalidade, que não esteja de acordo com os princípios enunciados.

28 Aprovada, na Câmara dos Deputados, moção de confiança por 49-39. Mas no Senado ganha uma moção de desconfiança apresentada pelos liberais, por 25-23. Contudo, não era da praxe fazer depender o governo de votações do Senado

· Julho

- Entra em funcionamento o Tribunal de Defesa Social, criado em Maio de 1919.

2 O jornal O Mundo ataca o governo, considerando-o como mal constituído.

- Igualmente a 2, os trabalhos parlamentares são adiados por dez dias

4 Um dos juízes do Tribunal de Defesa Social, Pedro de Matos, é assassinado. Segue-se um ataque à bomba ao mesmo tribunal.

8 Portaria secreta de António Maria da Silva autoriza o Banco de Portugal a exceder o limite da circulação fiduciária para reembolso dos saldos dos depósitos à ordem e às operações de auxílio às praças do país. A portaria só será revelada em 24 de Novembro de 1920

- No mesmo dia, greves e tumultos. Greve no Porto dos manufactores de calçado. Há brigadas de vigilância que fazem caçadas aos amarelos, isto é, os trabalhadores independentes ao domicílio. A greve não tem o controlo da CGT. Tumultos graves em Setúbal, com assaltos a estabelecimentos no centro da cidade por tarefeiros da indústria de conservas. Tumultos também em Alcácer do Sal. Todos os movimentos sem controlo sindical. São as chamadas revoltas da fome.

- Ainda a 8, governo demite-se. Continuam a ser convidadas, a partir do dia 10 de Julho, várias personalidades para formar governo, como os oficiais Correia Barreto, Sá Cardoso, Herculano Galhardo e Abel Hipólito. Todos desistem. Devido a este convite a militares, fala-se na derrota do exército português.

10 Decreto nº 6 735 sobre o novo regime cerealífero.

19 Sucessão de revoltas da fome sem controlo da CGT em Santarém (9 de Julho); Guimarães e Azambuja (13 de Julho); Aviz (15 de Julho).

- No mesmo dia, Greve dos motoristas e bombas em Lisboa

21 D. Miguel II renuncia ao trono, depois de negociações com os integralistas. No dia 31 abdiva em favor do seu terceiro filho, D. Duarte Nuno, confiando a sua tutela a D. Maria Aldegundes de Bragança, sua tia.

- Governo de António Granjo. Ensaia-se uma fórmula liderada pelo liberal António Granjo, em aliança com os reconstituintes e apenas com um democrático (Velhinho Correia).

20 Apresentação parlamentar. Governo apoiado por democráticos, liberais e reconstituintes. Cooperação condicionada dos socialistas. Oposição dos populares. Granjo propõe restabelecer gradual e sucessivamente a liberdade do comércio, relativamente a todos os artigo em que se possa presumir que la livre concorrência resultará o seu barateamento.

28 Fuga de capitais. Ministro das finanças, Inocêncio Camacho, afirma, na Câmara dos Deputados, que a maior parte do ouro proveniente das exportações fica depositado em bancos estrangeiros ou é utilizado em aquisições sumptuárias.

30 A agitação social prossegue, principalmente pela acção da Legião Vermelha, com os seus bombistas alcunhados Bela Kun e Gavroche. Greve da Carris de Lisboa até 2 de Setembro. Assaltos a armazéns de víveres em Santarém.

· Agosto

- Falhanço do controlo sindical. Secretário geral interino da CGT, Alfredo Lopes, em entrevista a O Século refere energias entregues a si mesmas que não têm sido canalizadas pela Central, referindo o possível agravamento das revoltas depois das falências dos governos a que seguirá a falência do povo.

5 Prosseguem as revoltas da fome, mais violentas do que em Julho. Neste dia, na Guarda e em Coimbra. Depois, em Aviz e na Azambuja, em nome dos baldios.

7 Regime de autonomia das colónias. Aprovada no parlamento nova lei de autonomia administrativa das colónias (lei nº 1 005). Cria o regime dos altos-comissários. Consagra a expressão colónias, em vez de províncias ultramarinas. Altera a Constituição de 1911.

- No mesmo dia, Liberdade de comércio. Lei deixa ao arbítrio do governo estabelecer ou suprimir qualquer restrição à liberdade do comércio e trânsito de géneros de primeira necessidade.

9 Reformas financeiras frustradas.Proposta financeiras de Inocêncio Camacho são apresentadas parlamentarmente. Não chegarão a ser votadas.

11 é criado um comissariado dos abastecimentos no ministério da agricultura. Nesse dia, no Porto, grande agitação, por causa de greves e lock out de resposta.

13 Lei nº 1 012 cria a Festa do patriotismo no dia 14 de Agosto em honra do Santo Condestável.

19 O parlamento encerra por dois meses. Concedidas várias autorizações legislativas ao governo, nomeadamente para nomear Norton de Matos (concretizada em 31 de Agosto) e Brito Camacho (18 de Outubro) como altos-comissários em Angola e Moçambique, respectivamente.

20 Novo atentado contra um membro do Tribunal de Defesa Social, Dr. Félix Horta, alvejado na Rua 1º de Dezembro em Lisboa.

21 Revolta frustrada.

22 Medidas sobre subsistências. Tabelamento dos preços do carvão vegetal. Alteração da limitação da composição das refeições fornecidas em hotéis e restaurantes.

24 Comemora-se no Porto o centenário da revolução liberal. Inaugurado o novo Clube dos Fenianos.

25 Assaltos a armazéns de víveres na Figueira da Foz.

29 Greve dos tipógrafos em Lisboa.

31 Greves no Porto. Intervenção policial da GNR, que ocupa as ruas.

· Setembro

2 Fim da greve da Carris, iniciada em 30 de Julho.

- No mesmo dia, Integralistas reconhecem D. Duarte Nuno. A Junta Central do Integralismo Lusiano declara reconhecer como herdeiro do trono português D. Duarte Nuno, unindo-se assim ao partido legitimista.

6 Restabelecidos dois tipos de pão. Autorizada a importação livre de direitos alfandegários de carnes, gorduras animais e gorduras vegetais. No dia seguinte, alargado o regime para arroz, milho, batatas e legumes.

- Também a 6, proibição do fabrico e venda de produtos de pastelaria em dois dias de cada semana.

7 Manifesto obrigatório de carvões e lenhas.

- Igualmente neste dia, democráticos criticam os ministros correlegionários pelas medidas tomadas quanto à questão das subsistências.

8 Obrigatoriedade de entrega de determinadas quantidades de açúcar amarelo pelos industriais açucareiros das colónias.

- No mesmo dia, liberdade de importação, refinação, trânsito e venda de açúcares brancos.

- Prosseguem assaltos a armazéns de víveres em vários pontos do país, principalmente a padarias.

9 Greve em Setúbal e comício operário na Covilhã.

- Assalto a padarias em Lisboa e Setúbal.

11 Greve da marinha mercante.

12 Governo manda ocupar a sede da CGT.

20 Forças do exército, perante a ameaça de greve dos ferroviários, ocupam a estação do Barreiro e outras da linha do Sul

23 Prémios de cultura para terrenos incultos e criação de um Fundo de Fomento Agrícola (Decretos nº 6 961 e 6 962).

28 Decreto nº 6 984 organiza o comissariado dos abastecimentos.

30 Greve dos ferroviários. Governo começa a utilizar em grande escala o serviço dos sapadores do Exército, comandado por Raul Esteves. Linhas dinamitadas. Governo manda pôr à frente dos comboios os grevistas presos. A greve vai-se extinguindo no Norte, mas recrudesce no Sul, durando cerca de 70 dias, até 8 de Dezembro. Era a primeira greve conjunta de empresas privadas e do Estado

· Outubro

6 Decretada a mobilização geral de todos os meios de transporte. Vias férreas são reparadas por artífices civis. As greves ferroviárias só terminam no dia 15.

15 Face aos ataques de reconstituintes e liberais, o governo demite-se, apesar de ser aprovada uma moção de confiança no parlamento.

- No mesmo dia, remodelação dos serviços do ministério da agricultura.

16 Instituído o casal de família pelo decreto nº 7 033. O diploma não foi aplicado. Previa a instituição de unidades agrícolas que sustentassem famílias de 4 pessoas, com casas, dependências e glebas anexas.

18 Reabertura do Congresso. Chovem as críticas da oposição.

19 António Maria da Silva, pelos democráticos critica os contratos de fornecimento de trigo e carvão negociados no estrangeiro.

20 Nivelados os preços do trigo nacional e do trigo exótico.

21 O reconstituinte Júlio Dantas substitui o democrático Rego Chaves na pasta da instrução. Velhinho Correia demite-se do partido democrático.

- No mesmo dia, novo regime cerealífero. Intervenção mais directa da Manutenção Militar no abastecimento pelo decreto nº 7 070 de 28 de Outubro.

29 Granjo propôs amnistia geral para os crimes políticos. Não foi aprovada.

· Novembro

1 Reis da Bélgica visitam Portugal, no regresso dos Estados Unidos. Segue-se, no dia 8, a visita dos príncipes do Mónaco, a caminho dos Açores.

12 Extinção do Consórcio Bancário.

15 Governo demite-se, face aos ataques de reconstituintes e populares sobre questões de abastecimento de trigo e carvão, apesar de aprovada moção de confiança.

17 Novo decreto sobre a divisão de baldios (decreto nº 7 127).

19 Decreto nº 7151 aplica aos indígenas das colónias que adoptam um modo de vida civilizado os direitos civis dos europeus.

- No mesmo dia, experiência governamental, presidida pelo reconstituinte Álvaro de Castro, dura cerca de dez dias. Os liberais querem ficar na oposição, por terem sido anteriormente exonerados. O directório dos democráticos recusa ir para o governo, o que leva à cisão do grupo de Domingos Pereira, que aceitam, em rebeldia, lugares no gabinete.

- Também a 19, dissidência formalizada em carta, a que também adere o deputado Vasco Borges.

- Ainda a 19, um grupo de democráticos, liderado por Domingos Pereira, entra em divergência com o directório do partido e decide apoiar e participar no governo de Álvaro de Castro, também ele dissidente dos democráticos e então chefe dos reconstituintes, onde também participavam os populares. O novo governo dura apenas dez dias. Entre outros, acompanham-no Jaime de Sousa e Adriano Pimenta. O afastamento durará até Janeiro de 1922, quando o grupo regressa ao seio dos democráticos.

22 Apresentação parlamentar

- Igualmente neste dia, reunião de cerca de 2 500 delegados do patronato na presença de álavro de Castro. Defende-se a revisão da Constituição no sentido da participação das forças vivas, à semelhança da segunda câmara do sidonismo.

25 Aprovada moção de desconfiança. Na véspera, o ministro das finançlas revelara uma portaria secreta de António Maria da Silva, autorizando o Banco de Portugal a exceder o limite da circulação fiduciária.

- No mesmo dia, foi convidado para formar governo o general Abel Hipólito, afecto aos liberais que recusou. António José de Almeida aconselha Liberato Pinto a formar um governo de geral concentração republicana.

27 Lei nº 1074 estabelece novo limite para a circulação fiduciária em 550 000 contos.

30 Governo de Liberato Pinto. Governo democrático, com reconstituintes e populares e o apoio das forças vivas e até de alguns sectores católicos. O jornal A época incitava Liberato para fazer um governo militarizado que fosse órgão da vontade nacional. Um bonapartismo de segunda ordem, segundo Fernando Medeiros.

· Dezembro

2 Apresentação parlamentar .

- Continuam as greves. Crise cambial, com um princípio de corrida aos bancos.

8 Propostas de reforma finceira. Começa a discussão parlamentar sobre as propostas do novo ministro das finanças sobre o aumento das contribuições do registo, que não chegam a ser aprovadas, mas geram pânico nos meios ditos conservadores, bem como grande nervosismo cambial e corrida aos bancos..

9 Os ferroviários do Sul e Sueste retomam o trabalho.

- Situação financeira dramática. Cunha Leal reconhece que Portugal se encontra sem recursos em Lisboa e a descoberto em Londres … estamos sem recursos necessários para comprar o pão nosso de cada dia.

18 I nterrupção dos trabalhos parlamentares até 9 de Janeiro de 1921.

21 Congresso do partido democrático. Contra a linha oficial, Vitorino Guimarães.

24 é criado o Comissariado Geral dos Abastecimentos e estabelecido um novo regime de preços pelo decreto nº 7 207. O anterior comissariado passa a comissariado geral, sendo estabelecida uma delegação no Porto e comissariados distritais.

29 Bombas em edifícios sindicais.

· Ainda em 1920...

 

 

 

INTERNACIONAL

· Janeiro

16 Aliados levantam bloqueio à Rússia

· Fevereiro

7 Execução de Koltchak pelos bolcheviques

11 A terceira e última fase da guerra civil russa, acontece quando o exército polaco se apodera de Brest-Litovsk, em 11 de Fevereiro de 1920, ao mesmo que os vermelhos liquidavam os anteriores focos de resistência: executam Koltchak em 7 de Fevereiro e apoderam-se de Murmansk em 13 de Março.

· Março

1 Almirante Horty torna-se regente da Hungria, estabelecendo um regime autoritário.

13 Exército bolchevique apodera-se de Murmansk, acabando a frente norte da guerra civil

18 Assinatura do Tratado de Riga entre a Rússia e a Polónia. Em Março, Lenine institui a NEP (nova política económica).

29 IX Congresso do Partido Comunista russo, realizado em Moscovo, até 5 de Abril.

· Abril

4 Na guerra civil russa, Wrangel sucede a Denikine na frente sul

23 Jovens turcos tomam o poder … na Turquia. Primeira reunião da Assembleia Nacional turca. Mustafá Kemal eleito presidente do comité executivo. Sultão será destituído a 11 de Maio.

25 Polacos invadem a Ucrânia

· Maio

6 Polacos conquistam Kiev

27 Tomás Mazarik primeiro presidente da República da Checoslováquia

· Junho

8 Começo da contra-ofensiva russa contra os polacos

12 Retomada de Kiev pelos russos

· Julho

- II Congresso do Komintern onde, por um lado, se estabelece o modelo a que devem obedecer os partidos que, na nova Internacional, se quisessem inscrever e, por outro, se delineiam os esquemas da luta pela libertação nacional dos povos colonizados.

· Agosto

10 Tratado de Sèvres estabelce a paz entre a Turquia e os Aliados.

12 a 15 Vitória polaca na chamada batalha do Milagre do Vístula, travando o avanço soviético em direcção a Varsóvia, após a conquista de Kiev.

· Outubro

12 Armistício polaco-russo

· Novembro

2 a 7 Realiza-se em Baku Congresso dos Povos do Oriente, organizado pelo Komintern, onde se estabelece o princípio, segundo o qual, com a ajuda do proletariado dos países mais desenvolvidos, as nações em atraso poderão seguir o sistema soviético e superar as estapas naturais de desenvolvimento do comunismo, saltando o estádio capitalista

12 a 16 Wrangel abandona a Crimeia. Vai ser derrotado em Sebastopol em Novembro de 1920, sendo obrigado a evacuar cerca de 130 000 apoiantes.

· Dezembro

3 A norte da Crimeia, o anarquista ucraniano Nestor Makhno, libertado em Fevereiro de 1917, organizou um exército de camponeses que ocupou largas fatias do Sul da Rússia, a chamada Confederação das Organizações Anarquistas (Nabat). Acabou sendo derrotado pelos seus anteriores aliados bolchevistas, data em que fugiu para França.

 

 

III - ACONTECIMENTOS DO ANO

Altos Comissários Modelo de administração ultramarina instituído pela lei nº 105, de 1920, que cria um sistema de ministros residentes, delegados do governo central. O regime é utilizado em Angola e Moçambique até 1930. Em Angola, destaca-se Norton de Matos e em Moçambique, Brito Camacho. O modelo é extinto com o Acto Colonial de 1930.

 

 

IV – BIBLIOGRAFIA

AUTORES

OBRAS

ALMEIDA, Fortunato de

Subsídios para a História Económica de Portugal, Porto, 1920.

BALFOUR, Arthur

Essays Speculative and Political, Londres, 1920

BARBOSA, Rui

Oração aos Moços, 1920.

BELLOC, Hillaire

Europe and the Faith,1920.

BOSANQUET

What Religion Is, London: Macmillan, 1920.

CORREIA, Francisco António

O Problema Comercial, 1920.

DEWEY, John

Reconstruction in Philosophy, 1920

GILSON, étienne

Thomisme, 1920

HOBSON, S.G.

- Guild Socialism Restored, 1920

- National Guilds and the State, 1920

- Social Theory, 1920

KELSEN

- Problem (Das) der Souveränität un die Theorie des Volkerrechts, Tubinga, J. C. B. Mohr, 1920

- Wesen (Vom) und Wert der Demokratie, 1920

MALBERG, Carré de

Contribution à la Théorie Générale de l'Etat, 1920; (Paris, éditions Sirey/CNRS, 1962 [trad. cast. Teoría General del Estado, México, Fondo de Cultura Económica, 1948]).

PRETO, Rolão

A Monarquia é a Restauração da Inteligência, 1920

RICKERT

Die Philosophie des Lebens, 1920

RODRIGUES, Manuel

Lições de Economia Social, Póvoas do Varzim, 1920

RUSSEL, Bertrand

Practice and Theory of Bolshevism, 1920

SAMUEL, Alexander

Space, Time and Deity, 1920

SéRGIO, António

Ensaios, I, Rio de Janeiro, Anuário do Brasil, 1920; (II, Lisboa, 1929; III, Porto, 1932; IV, Lisboa, Seara Nova, 1934; V, Lisboa, Seara Nova, 1936; VI, Lisboa, Inquérito, 1946; VII, Lisboa, Publicações Europa-América, 1954; VIII, Lisboa, Guimarães, 1958)

SPENGLER

Preussentum und Sozialismus, 1920

STAMMLER

Sozialismus und Christentum, Leipzig, 1920

WEBB, Sydeny/

POTTER, B.

A Constitution for thr Socialist Commonwealth of Great Britain, Londres, 1920.

 

 

 

V - PERSONALIDADES DO ANO

Gomes, Mário Azevedo (1885-1965) Natural de Angra do Heroísmo. Engenheiro Agrónomo em 1907. Professor do ISA de 1914 a 1946 e de 1951 a 1955, depois de ter sido demitido por Salazar. Ministro da agricultura 1923-1924. Colaborador da Seara Nova. Director-geral da instrução agrícola de 1919 a 1925. Um dos patriarcas da oposição ao salazarismo, aparece nas candidaturas de Norton de Matos e de Humberto Delgado, em lugar de destaque. Membro do directório Democrato Social. Filho de Manuel Azevedo Gomes e sobrinho de António Luís, faz parte de uma dinastia de republicanos, continuada pela respectivo filho que chega a ser Secretário Estado das Florestas num dos governos de Mário Soares. Como silvicultor é um dos incentivadores do processo de povoamento florestal que vai influenciar os modelos salazaristas de política agrícola.

· A Situação Económica da Agricultura Portuguesa, Lisboa, 1920.

· Dois Meses no Ministério da Agricultura, Lisboa, 1924.

· Evolução da Agricultura Portuguesa entre as Duas Guerras Mundiais,Lisboa, 1945. Com Henrique de Barros e Eugénio Castro Caldas.

· Estudos Sociais,Lisboa, 1946 e 1955. Em dois tomos

· Silvicultura,Lisboa, 1956.

 

Dantas, Júlio (1876-1962) Médico e escritor. Presidente da Academia das Ciências. Deputado em 1905. Senador durante a República. Ministro da instrução pública de 21 de Outubro a 30 de Novembro de 1920, no governo de António Granjo, na qualidade de reconstituinte, substituindo o democrático Rego Chaves. Ministro dos negócios estrangeiros no governo de Cunha Leal, de 16 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro de 1922. Ministro dos negócios estrangeiros no governo nacionalista de Ginestal Machado, de 15 de Novembro a 18 de Dezembro de 1923. Membro do partido liberal e do partido nacionalista. Torna-se no símbolo do sistuacionismo cultural da I República, sendo particularmente zurzido por Almada Negreiros no Manifetso Anti-Dantas. O seu situacionismo mental vai levá-lo a colaborar com o Estado Novo, assumindo as funções de presidente da comissão nacional dos centenários em 1940.

· Páginas de Memórias,Lisboa, Portugália, 1968.

Neto, António Lino n. 1873 Advogado e professor de economia do Instituto Comercial e Industrial de Lisboa. Passa depois a professor de direito industrial no Instituto Superior Técnico. Vice-reitor da Universidade Técnica entre 1938 e 1942. Fundador e dirigente do Centro Católico Português, eleito em 1919. Director do jornal católico A União, orgão do CCP, desde 19 de Janeiro de 1920, assumindo uma postura centrista, contra a ala monárquica dos católicos, expressa pelo jornal A época, dirigida por Fernando Sousa (Nemo). Do seu grupo, apoiado pela Igreja oficial e pelo próprio Papa, faz parte António de Oliveira Salazar. Em Maio de 1920 escreve que a Igreja é a mais bela democracia que tem visto o mundo e a primeira democracia de todos os tempos. Nemo contesta, baseando-se em Charles Maurras. Também Pequito Rebelo em A Monarquia havia criticado o presidente do Centro Católico Português, em Março desse ano. Em Dezembro de 1922 António Maria da Silva elogia António Lino Neto. Em 21 de Outubro de 1923, declara que o centro não é um partido político, embora represente uma influência de natureza política. Não pretendemos instalar-nos no poder nem confundimos legislação com regime. Em 24 de Novembro seguinte, toma posição sobre o governo nacionalista de Ginestal Machado: é necessário que a atmosfera de confiança que por toda a parte se vem desenvolvendo contra os políticos se não se acentue mais nem torne possível entre nós movimentos como os que lá for a determinaram a ascensão ao poder de Mussolini em Itália e de Primo de Rivera em Espanha. Em Janeiro de 1924 considera que o governo de Álvaro de Castro é um ministério de pessoas categorizadas. Acrescenta que a minoria católica condena e reprova, por fundamentalmente prejudicial ao povo, qualquer facto revolucionário, venha ele dos governantes com o nome de "golpe de Estado", venha dos governados com o nome de "jornada gloriosa". Condena todas as ditaduras sejam as de um regime, como a de Mouzinho da Silveira, as de um partido, como a de João Franco, ou as de um homem, como a de Sidónio Pais. Alerta contra os messias porque a solução da crise nacional está em cada um de nós, cumprindo simplesmente, mas inteiramente o nosso dever. Em Abril de 1924 profere conferência no Funchal: O Estado Moderno, Sindicalismo e Congreganismo. Ainda reúne a direcção do Centro Católico em 17 de Dezembro de 1931, quando esta organização decide não enfrentar a União Nacional.

· A Questão Agrária,1908

 

 

Laski, Harold Joseph (1893-1950) Nasce em Manchester. Estuda em Oxford. Começa a carreira docente, como professor de história, no Canada, na McGill University, de Montreal, entre 1914 e 1916. Passa para Harvard, de 1916 a 1920, período em que escreve Authority in the Modern State (1919) e The Foundations of Sovereignty, and Other Essays (1921), obras onde combate a perspectiva da omnipotência do Estado soberano, em nome do pluralismo político. Professor na London School of Economics desde 1920. Assume a cátedra de Political Science de 1926 a 1950.

Do pluralismo ao intervencionismo

Em Grammar of Politics (1925), muda parte da perspectiva anterior, considerando o Estado como "the fundamental instrument of society." Membro do partido trabalhista desde 1923, destaca-se como editorialista do Daily Herald. Chega a aproximar-se de algumas análises marxistas nos anos trinta, quando tenta interpretar a crise da democracia, na sequência da Grande Depressão. Em The State in Theory and Practice (1935), The Rise of European Liberalism: An Essay in Interpretation (1936), and Parliamentary Government in England: A Commentary (1938), chega a considerar que a crise económica do sistema capitalista pode levar à destruição da democracia política, salientando que o socialismo constituiria a única alternativa face à ameaça do fascismo. Durante a Segunda Guerra Mundial é adjunto de Clement Attlee, quando este exerce as funções de Vice-Primeiro Ministro. Nessa época escreve Reflections on the Revolution of Our Time (1943) e Faith, Reason, and Civilization: An Essay in Historical Analysis (1944), onde clama por reformas económicas.

· Studies in the Problem of Sovereignity, New Haven, Yale University Press, 1917.

· Authority in Modern State, New Haven, Yale University Press, 1919 [reed., Hamden, Archon Books, 1968].

· Political Thought in England from Locke to Bentham, Londres, 1920 [reed., Westport, Greenwood Press, 1973].

· The Foundations of Sovereignty, New Haven, Yale University Press, 1921.

· A Grammar of Politics, Londres, Allen & Unwin, 1925 (2ª ed., Londres, 1930).

· Communism. 1381-1927, Londres, 1927.

· The Dangers of Obedience and other essays, Nova Iorque, 1930.

· Liberty in Modern State, 1930 [reed., Fairfield, A. M. Kelley, 1972].

· Democracy in Crisis, 1931 [reed., Nova York, AMS Press, 1969].

· The Rise of European Liberalism, 1931 [reed., New Brunswick, Transaction Books, 1996]. Cfr. trad. cast. El Liberalismo Europeo México, Fondo de Cultura Economica, 1961.

· Studies in Law and Politics, 1932 [reed., Westport, Greenwood Press, 1968].

· Some Representative Political Thinkers of the Victorian Age, Londres, Hearnshaw, 1933.

· The State in Theory and Pratice, Londres, 1935.

· Parlamentary Government in England, 1938. Londres, Allen and Unwin, 1952

· The American Presidency, 1940. Londres, Allen and Unwin, 1952, 3ª ed.

· Programme for Victory, Com Harold Nicolson, Herbert Read, W. M. MacMillan, Ellen Wilkinson e G. D. H. Cole, Londres, Routledge, 1941.

· The Strategy of Freedom, Londres, Allen & Unwin, 1942.

· Reflections on the Revolution in our Time, Londres, Allen & Unwin, 1943 [trad. port. Reflexões sôbre a Revolução de Nossa época, São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1946].

· The Secret Battalion. An Examination of the Communist Attitude to the Labour Party, Londres, 1946.

· The American Democracy. A Commentary and an Interpretation, Nova York, Viking Press, 1948 [reed., Fairfield, A. M. Kelley, 1977].

· The Dilemma of Our Time, Londres, Allen and Unwin, 1952.

· The Pluralist Theory of State, Londres, Routledge & Kegan Paul, 1989 [inclui textos de George Douglas Colz e John Neville Figgis]. Ed. de Paul Q. Hirst.

· The Communist Manifesto, Nova Iorque, 1967.

· Introdução à Política, Trad. port. de Marcelle Soares Brandão, Rio de Janeiro, Zahar, 1964.

· O Liberalismo Europeu, Trad. port. de Álvaro Cabral, São Paulo, Mestre Jou, 1973.

 

 

Alexander, Samuel (1859-1938) Filósofo anglo-australiano. Defende o realismo preceitual contra o idealismo, falando numa evolução emergente do espírito, dentro da ordem natural. Autor de Space, Time, and Deity (1920), onde se aproxima das posições de Bergson. Outra das suas obras é Beauty and other Forms of Value (1933). Ligado ao movimento sionista.

 

 

VI - LIVROS DO ANO

 

VII - FALECIMENTOS E NASCIMENTOS

FALECIMENTOS

NASCIMENTOS

KROPOTKINE, Príncipe Piotr (1842 - 1920)

WEBER, Max (1864-1920)

CUELLAR, Pérez de (n. 1920)

JOãO PAULO II (n. 1920)

MOON, Sun Myung (n. 1920)

POUJADE, Pierre (n. 1920)

SACRAMENTO, Mário Emílio de Morais (1920-1969)

TAVARES, Francisco de Sousa (1920-1993)


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