Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004

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ANO:1924

 


SUMÁRIO:
Destaques Cronologia Acontecimentos Bibliografia Personalidades Livros do Ano Falecimentos e Nascimentos

I – DESTAQUES

PORTUGALMUNDO

Política

· Empréstimo obtido, em Londres, por Alberto Xavier (Março)

· Sublevação dos aviadores na Amadora (Junho)

· Governo de Rodrigues Gaspar (Julho)

· Movimentações pró.fascistas, em Portugal (Julho)

· Revolta abortada (Agosto)

· Novo golpe frustrado (Setembro)

· Governo de José Domingues dos Santos (Novembro)

· Grande vaga de atentados bombistas ao longo do ano

· Morte de Lenine (Janeiro)

· Fascistas ganham eleições, em Itália (Maio)

· Reconhecimento internacional da URSS

Ideias

· A Ditadura passa de órgão do fascismo a jornal da Acção Nacionalista

·

· Surrealismo. Movimento artístico fundado em 1924, por um grupo onde se destacam, Louis Aragon, Paul éluard e André Breton. Este último define o movimento como dictée de la pensée, en l’absence de tout contrôle exercé par la raison, en dehors de toute préocupation esthétique et morale. Insurgiam-se contra o unanimismo de Jules Roman, o cubismo e o dadaísmo.

·

 

 

 

II – CRONOLOGIA

NACIONAL

· Janeiro

7 Reabre o parlamento

- Apoios e oposições ao governo. Democráticos prometem a cooperação necessária para a execução do programa. O alvarista Carlos Olavo dá apoio firme, decidido e completo. Cunha Leal e Jorge Nunes, pelos nacionalistas, criticam o processo de queda do anterior ministério. Cunha Leal faz, a este propósito, uma contundente crítica a Teixeira Gomes. Jorge Nunes aos democráticos: aquilo que se fez ao partido nacionalista, o mesmo se fará ao partido democrático.

- Lino Neto sobre o governo de Álvaro de Castro. António Lino Neto em A União de Janeiro considera que o governo de Álvaro de Castro é um ministério de pessoas categorizadas. Acrescenta que a minoria católica condena e reprova, por fundamentalmente prejudicial ao povo, qualquer facto revolucionário, venha ele dos governantes com o nome de "golpe de Estado", venha dos governados com o nome de "jornada gloriosa". Condena todas as ditaduras sejam as de um regime, como a de Mouzinho da Silveira, as de um partido, como a de João Franco, ou as de um homem, como a de Sidónio Pais. Alerta contra os messias porque a solução da crise nacional está em cada um de nós, cumprindo simplesmente, mas inteiramente o nosso dever

11 Votada e aprovada a moção de confiança em 11 de Janeiro de 1924 (56 votos favoráveis, 27 contra). Criadas comissões de economia em todos os ministérios.

15 Apresentado orçamento.

21 Barros Queirós, da oposição nacionalista, apresenta proposta para a duplicação di imposto de selo que será adoptada pelo governo.

- António Sérgio convida Bernardino Machado para reitor da Universidade de Coimbra. Recusa, considerado que o reitor deve ser eleito.

- Explodem bombas em 7, 10, 13, 14 e 22 deste mês.

· Fevereiro

1 Funerais de Teófilo Braga

- Jornal A Ditadura, dirigido por Raul de Carvalho, passa de periódico do fascismo português a jornal de acção nacionalista, ligando-se ao grupo da Acção Nacionalista, dirigido por João de Castro Osório

11 Compressão das despesas públicas e greve dos empregados. Surgem os diplomas de extinção de vários serviços públicos, visando a redução das despesas (são suprimidos cerca de seis centenas de lugares que se achavam vagos e criadas comissões de economia em todos os ministérios), o que provocria uma greve de funcionários no dia 20.

17 Comícios unitários em Lisboa e no Porto contra o perigo de uma ditadura de direita.

20 e 21 Cunha Leal na Câmara dos Deputados faz um ataque cerrado a Norton de Matos, por causa do governo de Angola

21 O director da República fala nos democráticos como o partido dos escândalos: não há dia em que não surja um escândalo. Mas ainda não vimos, na cadeia, nenhum ladrão.

22 Cerca de 100 000 pessoas manifestam-se contra a vida cara.

25 Demissão do Ministro da Guerra. Ribeiro de Carvalho demite-se por não concordar com um projecto referente à promoção de sargentos. Foi interinamente substituído por Álvaro de Castro.

- Por solidariedade com o ministro, saem do governo os dois seareiros, António Sérgio e Azevedo Gomes. Mas a Seara Nova declara continuar o apoio ao governo.

- António da Fonseca, ministro do comércio, foi nomeado ministro de Portugal em Paris. Augusto de Castro é nomeado para Londres.

28 Alberto Xavier parte para Londres com o intuito de negociar um empréstimo. Aí fica até 23 de Março, data em que parte para Paris. Regressa a Lisboa no dia 4 de Abril. Operação concluída com a casa Baring Brothers em 20 de Março.

- Continuam as greves e os atentados da Legião Vermelha.

- Explodem bombas em 14, 27 e 28 deste mês.

· Março

1 Amnistia para os revoltosos de 10 de Dezembro de 1923 que estavam presos em S. Julião da Barra.

- Lei sobre o aumento do imposto de selo. A lei foi proposta pelo oposicionista Tomé de Barros Queirós e foi apoiada pelo governo.

15 Numa entrevista a A Tarde, Álvaro de Castro declara que a CGT é um organismo inimigo do Estado.

- Empréstimo obtido, em Londres. Alberto Xavier em negociações com a casa Baring Brothers.

20 Abateu em Campolide um prédio de quatro andares por deficiências de construção. Doze mortos.

22 Times publica artigo elogioso sobre as reformas financeiras em Portugal. Segue-se Le Temps de Paris. Álvaro de Castro informa o parlamento em 7 de Abril

31 Até 3 de Abril CADC promove a constituição de uma União Católica dos Estudantes Portugueses em reunião realizada em Coimbra. Participam, entre outros, Lopes da Fonseca, Pedro Teotónio Pereira, Marcello Caetano e Albano Pereira Dias Magalhães.

- Bombas nos dias 10 e 29.

· Abril

- Congresso dos metalúrgicos em Coimbra

2 Começa a viagem aérea Lisboa-Macau de Sarmento Beires e Brito Pais.

8 Oposição questiona empréstimo obtido em Londres.

10 Deputados a abertura de um crédito em libras, conforme o acordo conseguido por Alberto Xavier em 20 de Março com a Baring Brothers. A oposição questiona e o debate prossegue quando o deputado monárquico Carvalho da Silva apresenta uma moção de deconfiança.

18 Retomada a greve dos empregados do Estado em até ao dia 22.

18 a 28 Afonso Costa vem de férias a Portugal e insiste com o partido democrático para apoiar Álvaro de Castro

25 a 27 Congresso do partido democrático sem críticas ao governo. Contra a linha oficial, Vitorino Guimarães. O governo passa sem críticas. O governo convida Afonso Costa para embaixador em Londres, mas este cargo acabará por seu ocupado por Norton de Matos, depois da recusa daquele. Norton de Matos abandonara o cargo de alto-comissário em Angola, alegando razões de saúde.

- Cessa a publicação de A União.

- Conferência de Lino Neto no Funchal: O Estado Moderno, Sindicalismo e Congreganismo.

- Bombas em 15, 24 e 27.

· Maio

- Greves dos transportes no Porto leva a que a cidade fique cercada por forças militarizadas. Instala-se o regime de censura prévia ao jornal A Batalha.

7 Gomes da Costa regressa a Portugal de missão de serviço à índia e a Macau, com uma visita à China. Partira de Lisboa em Agosto de 1922. De regresso, em entrevista ao Diário de Lisboa diz que o ministério das colónias é uma súcia de idiotas. A questão é discutida no parlamento no dia 8. Mariano Martins, o ministro repele a insinuação. Gomes da Costa diz que não fará nenhum relatório porque ninguém lê relatórios.

23 Decretos nº 9 718 e nº 9 719 remodelam o sistema monetário. Cria moedas de 1$, $50, $20, $10 e $5. Tiragens em 1924, 1925 e 1926.

23 a 27 Afonso Costa volta a Lisboa. Governo convida-o para embaixador em Londres, mas o posto acabará por ser ocupado por Norton de Matos.

28 Confrontos sangrentos, nos Olivais. Morte de três operários e de um polícia. Uma cilada armada pela polícia de Ferreira do Amaral, vivamente criticada por Jaime Cortesão.

30 Conflito entre o ministro da guerra interino, e a aviação militar, por causa de um decreto sobre compressão das despesas. O deputado Lelo Portela, que era oficial-aviador, levantou a questão na Câmara dos Deputados.

- Bombas nos dias 7, 11, 14, 15, 16 e 28

· Junho

3 Associações patronais pedem a profilaxia social contra a Legião Vermelha

- No mesmo dia, Decreto nº 9 761 promove a nacionalização parcial da dívida pública externa. Os juros e as amortizações passam a ser pagos em escudos para os portadores não estrangeiros. Os títulos na posse de estrangeiros, para serem pagos em esterilinos, terão de ser carimbados nas delegações portuguesas de Londres e Paris.

3 para 4 Sublevação dos aviadores na Amadora, depois da demissão do respectivo comandante. São cercados por tropas de Queluz. Só no dia 7 de Junho aceitam render-se, graças à acção do general Bernardo Faria que entra no campo desarmado, acompanhado por oficiais de várias unidades militares.

- Álvaro de Castro aceita entrar num duelo à espada como o aviador Ribeiro da Fonseca. A imprensa mostra fotografia do duelo em 2 de Julho.

- Convite a Afonso Costa para formar governo. Álvaro de Castro em correspondência telegráfica com Afonso Costa considera inevitável a queda do governo e a necessidade de outro presidido pelo próprio Afonso Costa. Dificuldades de apoio parlamentar quanto às reformas financeiras.

6 a 12 Debate na Câmara dos Deputados sobre o decreto de 3 de Junho quanto aos juros dos títulos de empréstimos. Intervenção de vários antigos ministros das finanças, nomeadamente de Cunha Leal e Velhinho Correia.

16 O Mundo prevê e combate a hipótese de um golpe à Primo de Rivera

20 Afonso Costa volta a Portugal e pede ao Presidente da República que apoie o governo

- Também neste dia, demite-se Nuno Simões, ministro do comércio, sendo interinamente substituído por Helder Ribeiro, no dia 26.

24 Deputado monárquico fala em quadrilha de ladrões no poder. Cancela de Abreu declara na Câmara dos Deputados que o país está entregue a uma quadrilha de ladrões.

26 Governo pede demissão. A pasta do comércio passa a ser acumulada por Helder Ribeiro. O assunto desceu ao parlamento e foi, então, rejeitada uma moção de confiança. O governo pediu a demissão.

27 49 toneladas de moeda de prata partiam para Londres para pagamento de compromissos externos, conforme prévia decisão do governo, tomada no dia 11 de Fevereiro. Destinavam-se a caucionar o empréstimo de 20 de Março. A prata fina era constituída pelas moedas retiradas de circulação.

- O Diário de Lisboa anunciava: acabaram-se as coroas. Houve uma tumultuosa sessão parlamentar. Os jornais monárquicos lançaram um furioso ataque ao governo.

28 é emitida uma nota oficiosa de Álvaro de Castro sobre a matéria. Não podia ir ao parlamento por estar demissionário.

- Vitorino Guimarães apresenta na Câmara dos Deputados uma moção de desconfiança que foi aprovada por 41-23. Moção de confiança apresentada pelo alvarista Carlos Olavo é reprovada por 33-31.

30 Depois de debate parlamentar, Álvaro de Castro telegrafava para Londres a suspender a remessa das moedas.

- Igualmente a 30, a CGT saúda a queda do governo de Álvaro de Castro, por causa dos roubos da Finança e da Moagem, dos bárbaros crimes dos Olivais e de Sines.

- Teixeira Gomes convida de novo Álvaro Castro para este formar governo. Desiste. Os democráticos, apesar de prometerem apoio, não querem comprometer-se com as medidas financeiras.

- Sarmento Pimentel, num artigo publicado na Seara Nova, nº 36, proclamava: Não há Exército Nacional. Há a guarda pretoriana da República burguesa carregando o orçamento com cifras monumentais, roubando ao País os homens bons que trazem da aldeia para na cidade se indisciplinarem, para se desmoralizarem, para se sifilizarem

- Partido Socialista qualifica a política de Álvaro de Castro como franca tentativa de uma política financeira de esquerda que sucumbiu perante a reacção das classes capitalistas. Neste mês, realizou-se no Porto o XI Congresso do PS que continou a ser dominado por Ramada Curto e Amâncio Alpoim.

- Bombas nos dia 1, 4, 7, 25 e 29.

· Julho

- Conflitos entre os sindicalistas afectos à Associação Internacional dos Trabalhadores, central anarco-sindicalista fundada em Berlim em 1919, e os da Internacional Sindical Vermelha, fundada por Lenine em 1923.

- Governo de Rodrigues Gaspar. Afonso Costa recusou formar governo e Álvaro de Castro, apesar de convidado, decidiu não continuar. O novo governo é um cacharolete político com vincante predominância do PRP, como lhe chamou Cunha Leal. Colaboram os membros da Acção Republicana e são mobilizados alguns republicanos independentes.

- Moção de confiança passa por 45- 24. Apoio dos democráticos e dos alvaristas; os católicos assumem a neutralidade; oposição de nacionalistas e monárquicos.

2 a 7 Congresso Eucarístico Nacional em Braga. Conferência de Salazar: A paz de Cristo na classe operária pela S. S. Eucaristia.

9 Programa de Governo. Leitura da declaração ministerial. Põe acento tónico na reforma financeira, com o controlo das cambiais e a compressão das despesas. Em Julho há uma pequena quebra positiva no índice do custo de vida, mas em Outubro a inflação volta a disparar.

14 Confrontos entre tropas do Exército e GNR. Prosseguem as tentativas de revolta. Forças do exército e da GNR chegam mesmo a entrar em refrega no Parque Eduardo VII, com cerca de uma dezena de mortos.

16 Derrotada moção de desconfiança ao governo proposta pelos nacionalistas por 45-24

- Por indicação de Rocha Saraiva, Abranches Ferrão nomeia Cunha Leal reitor da Universidade de Coimbra (desempenha funções gratuitamente, mantendo o lugar de deputado). Será demitido em Abril de 1925. Raul Proença na Seara Nova comentava: estamos de certo no país dos Hotentotes

19 O Novidades acusa Mussolini de oportunismo e falta de preparação intelectual.

24 Movimentações pró.fascistas, em Portugal. O jornal Ditadura revela a formação de um novo movimento político, constituído por um grupo de portugueses que querem salvar a pátria; entre os nomes citados, Eurico Cameira, Trindade Coelho, Tamagnini Barbosa, Raul de Carvalho, director do jornal, Teófilo Duarte, Duarte e Sousa, Mota Oliveira e Cândido Costa.

- No mesmo dia, Bombas em Lisboa. O chefe da Legião Vermelha evade-se da cadeia do Limoeiro.

28 João Franco publica e prefacia, Cartas de El Rei D. Carlos.

· Agosto

8 Decreto nº 998 cria uma comissão reguladora da compra e abastecimento de cereais.

13 O jornal A época anuncia o falhanço de uma tentativa golpista de assalto ao forte da Ameixoeira que teria sido preparada por um comité integrado por Martins Júnior que desejava como chefe Gomes da Costa. Insinua-se que o golpe visava pôr o partido radical no poder e que o futuro ministro do trabalho seria Carlos Rates, secretário-geral do PCP

17 e 18 Bombas

19 Empréstimo de Londres. As soluções financeiras continuam a faltar. O ministro das finanças apoia o empréstimo obtido pelo anterior governo de Álvaro de Castro. Mas, em vez da garantia da prata das moedas, vende a garantia, na soma de um milhão e quinhentos mil libras, quantia conservada intacta nas caixas dos nossos banqueiros de Londres. Converte o valor-prata em valor-ouro.

- Surgem protestos parlamentares contra a reforma do contrato entre o Estado e a companhia dos tabacos.

26 Reunião no Louriçal com Afonso Costa. Almoço de líderes democráticos em casa de Ramos Preto. Pressionam no sentido da formação de um novo governo. Participam Afonso Costa, António Maria da Silva, Domingos Pereira, José Domingues dos Santos e Álvaro de Castro.

28 Revolta radical, em Lisboa. Revolta abortada, no castelo de S. Jorge. Presos 8 comunistas e 1 radical.

· Setembro

2 Nova lei do arrendamento

9 Lei do agravamento fiscal

12 Novo golpe frustrado: assalto ao ministério da guerra e à central telegráfica combinada na leitaria em frente ao teatro Apolo. O edifício da Alfândega chega a ser tomado pelo major Pires Falcão.

- Jornais O Mundo e A Batalha alertam para o perigo de um golpe fascista.

28 Referendo entre sindicalistas. Conforme resolução do Congresso Operário da Covilhã a CGT promove referendo sobre a adesão internacional do movimento sindical português. 104 sindicatos pela Associação Internacional dos Trabalhadores (anarco-sindicalistas) e 6 pela Internacional Sindical Vermelha (marxista-leninista)

- Igualmente neste dia, numa reunião de 200 delegados de associações patronais, a pretexto da organização de um boicote ao pagamento do imposto de selo nas bebidas, é criada uma União dos Interesses Económicos. Financiada pela CUF e pelos latifundiários, misturando nomes como os de Martinho Nobre de Melo, Pereira da Rosa, Pequito Rebelo, Nunes Mexia e Filomeno da Câmara. Integram a união, a Associação Comercial de Lisboa, a Associação Comercial do Porto, a Associação Industrial Portuguesa, e a Associação Central da Agricultura Portuguesa.

- Bombas nos dias 24, 25, 26 e 29.

· Outubro

2 Decreto nº 10 151 cria uma Repartição do Pessoal Disponível.

3 Lei autoriza o governo a contrair junto da Caixa Geral de Depósitos um empréstimo de 15 000 contos para a reparação de estradas.

10 A União dos Interesses Económicos promove o lock out

- Responde A Batalha, com a convocação de vários comícios.

13 Comícios promovidos pela CGT e pelo Partido Radical.

14 Tumultos no Porto e em Espinho. Conflito no Porto entre patrões e sindicalistas, face à intensidade do lock out. Assalto a lojas em Espinho.

24 A União dos Interesses Económicos anuncia a compra de O Século, tendo em vista a defesa dos interesses do comércio. A mobilização de fundos acaba por não permitir a compra institucional, mas ficam como principais sócios do jornal Pereira da Rosa, Carlos de Oliveira e Moses Bensabat Amzalak.

- No mesmo dia, Edital estabelece liberdade de trânsito para trigos e farinhas

- Ainda a 24, rebentam bombas.

- Em Outubro e Novembro reacende-se o conflito entre os católicos, com o Novidades, afecto ao CCP, a polemizar com A época, de Fernando de Sousa.

· Novembro

4 Reabre o parlamento. Ministro das finanças diz que regressou a prata.

7 Governo proíbe a realização em Lisboa de uma manifestação comemorativa da revolução bolchevista.

8 é extinto o Comissariado Geral dos Abastecimentos, anunciando-se um processo de liberalização do comércio dos bens de primeira necessidade. O governo seguinte revoga a medida em 20 de Dezembro

15 Desaparece no Mar do Norte, Sacadura Cabral

18 Mais liberdade para o trânsito dos géneros alimentícios

19 Queda do Governo e conflitos entre democráticos. O governo pede a demissão na sequência da apresentação de uma proposta financeira sobre Angola. O grupo democrático de José Domingos dos Santos considerou que a proposta era da responsabilidade do governo e não do partido. Este grupo vai, depois, aliar-se com a oposição na votação de uma moção de confiança ao governo, apresentada por António Maria da Silva, onde o governo é derrotado por três votos (46-43). Governo cai por desinteligências dentro do próprio partido democrático, a que nem Afonso Costa consegue pôr termo.

21 Reorganização do ministério da agricultura (Torres Garcia).

22 Governo de José Domingues dos Santos. Uma experiência de governo canhoto. Mobilizados quatro canhotos e dois seareiros, sendo os restantes alvaristas e independentes.

27 Declaração ministerial com apelo à justiça social.

- Bombas nos dias 11, 16 e 20

· Dezembro

1 e 16 Comícios da União Operária Nacional Contra o desemprego, os baixos salários, as moagens, as forças vivas.

- O Governo reconhece oficialmente, pela primeira vez, a Confederação Geral do Trabalho.

6 Aprovada uma moção de confiança apresentada por Álvaro de Castro (63-27). Na Câmara dos Deputados, lidera a bancada democrática de apoio ao governo Sá Pereira. António Maria da Silva, Rodrigues Gaspar, Vitorino Guimarães e Vasco Borges abandonam a sala sem votarem.

20 Por decreto mantinha-se em actividade o Comissariado Geral dos Abastecimentos que havia sido extinto em 8 de Novembro.

25 Fascistas contra a prisão de açambarcadores. Jornal A Ditadura reclama contra a prisão de pretensos açambarcadores, entre os quais D. Manuel de Mello, sucessor de Alfredo da Silva na direcção da CUF

26 Associação Comercial de Lisboa critica o imposto de selo e a política cambial, insurgindo-se contra as bandeiras desbotadas do partidarismo

· Ainda em 19...

 

 

 

 

 

INTERNACIONAL

· Janeiro

21 Morte de Lenine.

22 MacDonald, James Ramsay, fundador do Labour, toma posse, assumindo a chefia do primeiro governo trabalhista britânico até Novembro deste ano.

· Fevereiro

1 URSS reconhecida pela Grã-Bretanha

7 Reconhecimento da URSS pela Itália

- XIII Congresso do PCUS. O primeiro congresso depois da morte de Lenine. Aumenta o número dos membros do Comité Central. O trotskismo é considerado desvio pequeno-burguês.

· Abril

- Partido Socialista forma governo na Dinamarca.

· Maio

4 Cartel das esquerdas ganha as eleições em França. Aliança dos radicais, liderados por Herrito, com os socialistas de Léon Blum.

24 Fascistas obtêm a maioria absoluta nas eleições italianas.

· Junho

24 O deputado socialista italiano Giacomo Matteoti é assassinado por milícias fascistas.

· Outubro

11 é fundado o movimento artístico do Surrealismo

28 Reconhecimento da URSS pela França

31 Conservadores vencem as eleições britânicas.

- Proclamada a República Popular da Mongólia

· Ainda em 19...

 

 

 

III - ACONTECIMENTOS DO ANO

 

 

IV – BIBLIOGRAFIA

AUTORES

OBRAS

ALAIN

Propos sur le Christianisme, 1924

BABBITT, Irving

Democracy and Leadership, ed. orig. 1924; (cfr. Russell Kirk, pref., Indianapolis, Liberty Fund, 1979).

BEVERIDGE, Henry William

Insurance for All, 1924

BLOCH, Marc

Les Rois Thaumaturges. étude sur le Caracter Surnaturel attribué à la Puissance Royale particulièrement en France et en Angleterre, 1ª ed., 1924; (Paris, éditions Gallimard, 1983).

CAMPOS, Fernando

- Política, 1924

-Os nossos mestres ou Breviário da Contra-Revolução, Lisboa, Portugália Editora, 1924.

CEREJEIRA, Manuel Gonçalves

A Igreja e o pensamento contemporâneo, Coimbra, Coimbra Editora, 1924.

CONSTANTINESCU-GAGDAD, E.

études d’Histoire Pacifiste, 3 vols., Paris, 1924.

DAVY, G.

Eléments de Sociologie, vol. I - Sociologie Politique, Paris, 1924.

ESTALINE

Fundamentos do Leninismo, 1924

FIGUEIREDO, Jackson de

Literatura Reaccionária, 1924

GETTEL, Raymond G.

History of Political Thought, Nova York, Century Co., 1924; (trad. port. História das Ideias Políticas, Lisboa, Editorial Inquérito, 1936).

GIDDINGS, Franklin Henry

Scientific Study of Human Society, 1924

HALéVY, élie

Doctrine de Saint Simon, 1924

HITLER, Adolf

Mein Kampf,1924; (Cfr. trad. fr., Paris, Nouvelles éditions Latines, 1934; trad. port. de Edições Afrodite-Fernando Ribeiro de Melo).

HOBHOUSE

Social Development, 1924

KENT, Frank

The Great Game of Politics. An Effort to Present the Elementary Human Facts About Politics, Politicians and Political Machines, Candidates and Their Ways, for the Benefit of the Average Citizen, Garden City, Page & Co., 1924.

MACLEOD, W. C.

The Origin of the State Reconsidered in the Light of the Data of Aboriginal North America, 1924.

SARDINHA, António

Princípio (Ao) era o Verbo. Ensaios & Estudos, Lisboa, Livraria Portugália, 1924

STAMMLER

Rechtsphilosophie, 1924

STAMMLER

Der Richter, 1924

TAGORE

Nationalism, 1924

TROTSKY

As Lições de Outubro

VALOIS, Georges

Révolution (La) Nationale, 1924

WATSON, John Broadus

Behaviourism, 1924

 

 

V - PERSONALIDADES DO ANO

Valois, Georges (1878-1945) Pseudónimo de Georges Gressent. Começa como maurrasiano, no Cercle Proudhon e passa a fascista puro. Funda em 1925 o movimento Le Faisceau, depois de ter encontrado Mussolini em 1923. Defende a fusão do socialismo e do nacionalismo, em nome de uma grande revolução construtiva, anunciadora de uma nova e progressiva civilização, antiliberal e anti-individualista, heróica e viril, no quadro de uma nação solidária. Afasta-se posteriormente desta tese, tornando-se próximo dos radicais de esquerda a partir de 1929. Assume-se como resistente. Morre na deportação.

· 1924, La Révolution Nationale, Paris, Nouvelle Librairie Nationale

· 1927, Le Fascisme, Paris, Nouvelle Librairie Nationale

Meinecke, Friedrich (1862-1954) Historiador alemão. Professor em Estasburgo, Friburgo e Berlim. Salienta que o nazismo resultou de um desequilíbrio entre forças racionais e irracionais.

· Weltburgertum und Nationalstaat; (port. Cosmopolitismo e Estado Nacional, 1908).

· Die Idee der Staatsraison in der neuren Geschichte,1924; (trad. ing. Machiavellism. The Doctrine of Raison d'Etat and its Place in Modern History, New Haven, 1957; trad. fr. L'Idée de la Raison d'état dans l'Histoire des Temps Modernes, Genebra, Droz, 1973; trad. Cast. La Idea de Razón de Estado en la Edad Moderna, Madrid, Centro de Estudios Constitucionales, 1983).

· Die Entstehung des Historicismus,1936.

· Die deutsche Katastrophe,Wiesbaden, 1946.

 

MacLeod, W. C. Um dos clássicos da antropologia política.

· The Origin of the State Reconsidered in the Light of the Data of Aboriginal North America,1924.

· The Origin and History of Politics,1931

 

 

Osório, João de Castro (1899-1970) Líder do grupo da Acção Nacionalista passa a dirigir o Jornal A Ditadura em 1924. O jornal, anteriormente periódico do fascismo português, transforma-se em jornal de acção nacionalista

· Manifesto Nacionalista,1919.

· A Revolução Nacionalista,1922.

· Um Ano de Ditadura,1924. Antologia de discursos e alocuções de Sidónio Pais.

 

 

Campos, Fernando (1891-1958) Autor português da escola integralista. Destaca-se como organizador de um inventário do pensamento contra-evolucionário português.

· 1924, Os Nossos Mestres ou o Breviário da Contra-Revolução

· 1931-1933, O Pensamento Contra-Revolucionário em Portugal no Século XIX

· 1941, Páginas Corporativas

 

 

VI - LIVROS DO ANO

& Mein Kampf, 1924 Obra de Adolf Hitler, escrita na prisão, depois de falhado o golpe de Munique. Aí considera o Estado como simples forma cujo conteúdo é a raça. Salienta que o objectivo do Estado reside na conservação e desenvolvimento de uma comunidade de seres vivos da mesma espécie, física e mentalmente, e que os Estados que não correspondem a essa finalidade são fracassos, impondo-se, portanto, a defesa da alma racial (Rassenseele). Refere que o fim supremo do Estado racista deve ser o de procurar a conservação dos representantes da raça primitiva, criadores da civilização, que fazem a beleza e o valor moral de uma humanidade superior. Nós, enquanto arianos, não podemos representar um Estado senão como organismo vivo que constitui um povo, organismo que não apenas assegura a existência desse povo, como ainda, desenvolvendo as suas faculdades morais e intelectuais, o faz atingir o mais alto grau de liberdade. O Estado não tem outro papel senão o de tornar possível o livre desenvolvimento do povo, graças ao poder orgânico da sua existência. Paradoxalmente tem uma concepção feita à imagem e à contraposição daquilo que ele considera a concepção judaica do Estado: o Estado judeu nunca foi delimitado no espaço; expandindo-se sem limites no universo, compreende exclusivamente os membros de uma mesma raça. é por isto que este povo formou em todo o lado um Estado no Estado, até porque a religião de Moisés não é senão a doutrina de conservação da raça judaica. Assim, Hitler também considera que o Estado é um organismo racial e não uma organização económica onde o instinto de conservação da espécie é a primeira causa da formação de comunidades humanas, acreditando que nunca nenhum Estado foi fundado pela economia pacífica, mas sempre o foi pelo instinto de conservação da raça, tanto o heroísmo ariano gerando Estados marcados pelo trabalho e pela cultura, como a intriga geradora das colónias parasitas de judeus. Considera também que a burguesia separando a noção de Estado das obrigações para com a raça, abriu a porta a uma concepção que nega o Estado em si mesmo. E o Estado não é um fim, mas um meio. é, na verdade, a condição prévia para a formação de uma civilização humana de valor superior mas não é a sua causa directa. Esta reside exclusivamente na existência de uma raça apta à civilização. E os Estados que não visem directamente o desenvolvimento de uma comunidade de seres que, no plano físico e moral, são da mesma espécie são organismos defeituosos, criações abortadas. O facto de exisitirem nada significa, tal como os sucessos obtidos por uma associação de filibusteiros não justificam a pirataria. Porque a história do mundo é feita pelas minorias, sempre que as minorias de número encarnam a maioria da vontade e da decisão (cfr. trad. fr., Paris, Nouvelles éditions Latines, 1934; trad. port. de Edições Afrodite-Fernando Ribeiro de Melo).

 

Princípio (Ao) era o Verbo, 1924 A mais célebre colectânea de ensaios do fundador do Integralismo Lusitano, António Sardinha, publicada no ano anterior ao seu prematuro falecimento. Considera que as causas da crise espiritual do Ocidente derivam do chamado renascimento do direito romano,onde o "absolutismo dos reis entra a preverter a noção cristã de autoridade". Esse vício teria sido agravado pela Renascença "com a sua ideia naturalista do Poder e o seu centralismo excessivo,mesmo despótico" e com ela ,Lutero que "quebra a unidade moral da Europa".Acontece que na Península Ibérica "o humanismo pretensioso da Renascença se depura e deixando de ser,como era para os gafados italianos ,um fim ,- um ideal de vida, volve-se com os Colégios da Companhia (de Jesus) acentuadamente, um meio de educação valiosíssimo, - um valioso agente de formação mental, de que o Colégio das Artes em Coimbra nos fornece um exemplo convincente".Depois, com a derrota da Invencível Armada, deu-se "o cisma das nações e o advento das éticas do norte com o seu natural triunfo em Vestfália".Finalmente,o absolutismo vai triunfar sem reservas no século XVIII, "destruindo todos os organismos intermédios" e deixando "apenas o Estado na presença do indívíduo,despojado já da rede miúda das associações domésticas e económicas".Para Sardinha, "o Estado Absolutista do século XVIII antecede logicamente o Estado Metafísico e todo poderoso das modernas democracias.Esse Estado é o Estado napoleónico baseado não na noção histórica da autoridade derivada da Família,da Comuna e das Corporações,mas no simples conceito materialista da força e do domínio".A seguir veio o idealismo alemão:"nos seus vícios estruturais o germanismo, para evitar o vácuo, encaminha-nos para o absoluto.Donde a quase divinização do Estado,com Fichte e Hegel por seus corifeus na Pátria de Kant, - no solar do livre exame".Citando George Santayana,vai considerar pagã essa filosofia germânica do eu,"procurando sobrepôr a inteligência como princípio e fim de si mesma, às evidências contantes do ser".Para ele "na pulverização crescente da sociedade, o 'indivíduo' dos idílios solitários de Rousseau dera lugar ao 'cidadão' dos festins eleitorais do liberalismo" e este "volveu-se sem demora no 'produtor' da metafísica bastarda de Karl Marx".Foi,assim,que o Estado passou de "instituição coordenadora e complementária" a "instrumento de domínio" e que se gerou "o estadualismo mais abusivo e mais arbitrário". Nestes termos,Sardinha vai propôr o regresso ao direito natural, "como compreendia S.Tomás e toda a magnífica coorte dos seus comentadores peninsulares da Contra-Reforma,com o insigne Francisco Suarez à cabeça".Seria o regresso à liberdade orgânica e à noção de pessoa: " a liberdade, - no seu superior sentido orgânico - é natural da Península, sendo entre nós o absolutismo um intruso violento, um hóspede atrevido e não desejado". Com efeito, "os hispanos basearam-se sempre , por condição peculiar da sua índole , na noção de pessoa" e não na noção de indivíduo;"a individualidade vem do corpo, da matéria, do instinto.Inversamente ,a personalidade da alma." Para ele,o cristianismo é uma "grande democracia espiritual, - a única,a verdadeira" e "em cujo seio somos todos irmãos e iguais perante Deus,diferenciando-se somente pelos méritos adquiridos,pelas virtudes professadas, - essa grande democracia espiritual,repito,correspondia ao que borbulhava no mais entranhado do génio hispânico: a ideia da independência e a ideia de responsabilidade". (Ao Princípio era o Verbo. Ensaios e Estudos (Lisboa, Livraria Portugália, 1924; cfr. 2ª ed., Lisboa, Restauração, 1959).

 

 

VII - FALECIMENTOS E NASCIMENTOS

FALECIMENTOS

NASCIMENTOS

AMARAL, Francisco Joaquim Ferreira do (1844-1924)

PORTO, António Carlos Coelho de Vasconcelos (1855-1924).

BONANçA, João (1836-1924)

BRADLEY, Francis Herbert (1846-1924)

BRAGA, Joaquim Teófilo Fernandes (1843-1924)

DEGREF, Guillaume Joseph (1842-1924)

LENINE, Vladimir Ilitch Ulianov (1870-1924)

MARSHALL, Alfred (1842-1924)

NATORP, Paul (1854-1924)

PANTALEONI, Maffeo (1857-1924)

PORTO, António Carlos Coelho de Vasconcelos (1855-1924)

TOUR DU PIN, René de la (1834-1924)

VEIGA, Augusto Manuel Alves da (1850-1924)

WILSON, Thomas Woodrow (1856-1924)

 

 

 

BARRE, Raymond (n. 1924)

CABRAL, Amílcar Lopes (1924-1973)

CARTER, James Earl ou Jimmy (n. 1924)

FERNANDéZ DE LA MORA, Gonzalo (n.1924)

GASPAR, A Rodrigues. Governo de (1924)

GOMES, João Maria Paulo Varela (n. 1924)

KISSINGER, Henry (n. 1924)

LYOTARD, Jean-François (n. 1924)

MONDLANE, Eduardo (1924-1969)

REVEL, Jean-François (n.1924)

SARTORI, Giovanni (n.1924)

SERVAN-SCHREIBER, Jean Jacques (n. 1924)

SOARES, Fernando Luso (n. 1924)

SOARES, Mário Alberto Nobre (n. 1924)


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