Respublica Repertório Português de Ciência Política Edição electrónica 2004 |
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Ano:1930
| Destaques | Cronologia | Acontecimentos | Bibliografia | Personalidades | Livros do Ano | Falecimentos e Nascimentos |
| PORTUGAL | MUNDO | |
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Política |
· Governo de Domingos Oliveira (Janeiro) · Começa o julgamento de Alves dos Reis (Março) · Acto Colonial, quando Salazar é Ministro das Colónias(Abril) · Governo não ratifica convenção da OIT sobre o trabalho forçado nas colónias (Maio) · Prisão de vários chefes republicanos devido a uma presumível intentona (Junho) · Conspiração de João de Almeida (Julho) · Criada a União Nacional em Portugal (Julho) · Causa Monárquica apoia Salazar (Agosto) · Governo decreta a ilegalização do Partido Republicano (Dezembro) |
· Demissão de Primo de Rivera. Acaba a ditadura e começa a dictablanda (Janeiro) · Decreto generalizador dos Kolkhozes na URSS (Janeiro) · Ghandi inicia segunda campanha de desobediência civil (Maio) · Golpe de Getúlio Vargas no Brasil derruba presidente Washington Luís (Outubro) · Eleições na Alemanha; ganha importância o partido nazi (Setembro) · Acordo entre a França e a China quanto à Indochina · Liquidação dos Kulaks por Estaline |
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Ideias |
· Surge o Centro de Estudos Democráticos com Armando Marques Guedes, Vitorino Nemésio, Joaquim de Carvalho, Hernâni Cidade, Newton de Macedo e José Ribeiro dos Santos. Pretendem fazer uma aproximação dos republicanos à Ditadura · Surge a revista Pensamento, de um Instituto de Cultura Socialista |
· Gandhi desencadeia um movimento de desobediência civil. Chama-lhe satyagraha, resistência não violenta. Considera que a verdade (satya) é o princípio supremo que comanda o universo, considerando-a sinónimo de Deus. Todas as suas teses assumem a defesa do espírito, considerando que o corpo é que é irreal porque não tem pretensões morais. Neste sentido advoga a unidade dos homens, a defesa do amor como lei da espécie. · Mounier, Emmanuel (1905-1950) Filósofo francês, fundador do personalismo. Director da revista Esprit, entre 1930 e 1950. Faz uma crítica cerrada ao estatismo tanto na situação limite de Estado Totalitário como no tocante às sementes totalitárias que ele considera existirem no que chama democracia individualista, porque "o estatismo democrático desliza em direcção ao Estado totalitário como o rio para o mar". O personalismo de Mounier é uma espécie de anti-ideologia, como o caracteriza Jean Lacroix, tendo a ver com as próprias vicissitude da revista Esprit, entre 1930 e 1950, que se pretendeu assumir como a enciclopedia do século XX, marcada pela ideia de "refaire la Renaissance". |
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NACIONAL |
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· Janeiro 4 Cunha Leal, então director do Banco de Angola, profere conferência na Associação Comercial de Lisboa onde critica violentamente Salazar, por causa de Angola 11 Discussão no Conselho de Ministro da questão Cunha Leal. A maioria dos ministros está contra Salazar que apenas é apoiado pelo ministro da justiça Lopes da Fonseca 15 Anuncia-se que Passos e Sousa formará governo 21 Governo de Domingos Oliveira. Salazar, ministro interino das colónias e Cunha Leal sai da direcção do Banco de Angola. 25 Salazar, em nota oficiosa, na qualidade de ministro interino das colónias, anuncia um plano de obras de fomento para Angola 26 Norton de Matos critica publicamente plano de obras de fomento para Angola anunciado por Salazar, no dia anterior |
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· Fevereiro 16 e 22 Salazar é obrigado a responder a Norton de Matos com uma série de notas oficiosas |
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· Março 6 Constituída uma Comissão Intersindical de Lisboa Pró-Defesa do Horário de Trabalho 12 Uma Junta Liberal promove uma conferência anti-salazarista do engenheiro Perpétuo da Cruz na Associação de Socorros Mútuos dos Empregados do Comércio e Indústria - Começa o julgamento de Alves dos Reis - Ministro da Justiça autoriza a abertura da sede do GOL, com limitações, até Dezembro. - Incidentes em Angola. Conflitos em Luanda entre o chefe de estado maior Genipro da Cunha de Eça e Freitas e Almeida e o tenente Morais Sarmento, com a morte deste último, quando o Alto Comissário, Filomeno da Câmara, se tinha deslocado ao Lobito. Este é demitido no dia 16, sendo substituído pelo tenente coronel Bento Roma, segundo conselho de Monsenhor Alves da Cunha a Salazar, então ministro interino das colónias. Norton de Matos, em declaração pública, apoia Filomeno da Câmara. - Constituída uma Comissão Intersindical de Lisboa Pró-Defesa do Horário de Trabalho |
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· Abril - Surge Política, revista doutrinária, editada pela Junta Escolar de Lisboa do Integralismo Lusitano. Entre os colaboradores, Dutra Faria, Pinto de lemos, Amaral Pyrrait, António Pedro e António Tinoco 30 Acto Colonial Publicado o projecto de Acto Colonial que cria o conceito de Império Colonial Português, abolindo o regime dos altos-comissários. Diz-se que visa os princípios do mais alto nacionalismo. Redigido por Salazar, Armindo Monteiro e Quirino de Jesus. |
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· Maio 8 Estava reunido na altura em Lisboa o 3º Congresso Colonial, que defende a designação de províicias ultramarinas e a consideração de um todo unitário e indivisível. Salazar é apoiado por João de Almeida e Henrique Galvão, mas ferozmente criticado por Cunha Leal. O 28 de Maio entra em cisão tanto pela questão colonial como pela questão militar 17 Publicada a Reforma da Contabilidade Pública 28 Discurso de Salazar na Sala do Risco Ditadura Administrativa e Revolução Política. Comemorações com parada na Avenida da Liberdade - Cunha Leal passa do Aljube passa para Ponta Delgada e, daqui, para o Funchal. Evade-se em Novembro e só regressa a Lisboa, amnistiado, em Dezembro de 1932. São também presos nesse mês João Soares, Moura Pinto, Tavares de Carvalho, Carneiro Franco e Raúl Madeira. - Governo não ratifica convenção da OIT sobre o trabalho forçado nas colónias |
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· Junho 16 Nota oficiosa de Salazar sobre a situação de Angola. Anunciada a criação do Banco de Fomento Colonial com extinção da Junta da Moeda de Angola. O general Bilstein de Meneses é enviado como observador a Angola. 17 Prisão de vários chefes republicanos devido a uma presumível intentona, marcada para o dia 21. A Vaga de prisões atinge: Sá Cardoso, Helder Ribeiro, Augusto Casimiro, Rego Chaves, Ribeiro de Carvalho, Carlos Vilhena, Maia Pinto, Correia de Matos, Pinto Garcia, João Soares, Moura Pinto, Tavares de Carvalho, Carneiro Franco, Raúl Madeira e Francisco Cunha Leal. Várias deportações para os Açores de alguns dos implicados no processo. |
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· Julho 5 Prisão de João de Almeida, o herói dos Dembos. Conspiração de João de Almeida. Confrontos palacianos entre os homens do 28 de Maio. Os apoiantes de Salazar, liderados por Lopes Mateus, têm a oposição de Vicente de Freitas e de João de Almeida. Também se opõem a Salazar Ivens Ferraz e Namorado Aguiar. João de Almeida é preso em Julho. Segundo nota oficiosa do Ministério do Interior, preparava um movimento revolucionário destinado a derrubar o governo. - Neste mês, também se assistem a movimentações golpistas de Ivens Ferraz. Este, em conluio com o ministro da guerra Namorado de Aguira, movimenta-se no sentido do afastamento de Salazar 8 Publicado o decreto nº 18 570 que aprova o Acto Colonial. Apenas será revogado com a revisão constitucional de 1951. 29 Salazar abandona a pasta das Colónias, para onde é nomeado Eduardo Marques 30 Criada a União Nacional por decreto do Conselho de Ministros. Na Sala do Conselho de Estado, General Domingos de Oliveira lê o texto. Comparecem membros do Governo e representantes dos municípios do país. Salazar faz discurso intitulado Princípios Fundamentais da Revolução Política onde critica as desordens cada vez mais graves do individualismo, do socialismo e do parlamentarismo, laivados de actuações internacionalistas. |
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· Agosto - Causa Monárquica apoia Salazar e incita os monárquicos a aderirem à União Nacional - Conflito entre Lopes Mateus e Vicente de Freitas Lopes Mateus, o ministro do interior, conhecido como o cabo Mateus entra em conflito com Vicente de Freitas e persegue os monárquicos que não aceitaram colaborar. Chega a ser preso João de Almeida. - Surge, em Paris, o chamado Grupo de Buda com os oposicionistas Moura Pinto, Jaime Morais e Jaime Cortesão. Ligados a José Domingues dos Santos. |
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· Outubro 4 e 11 Notas oficiosas anunciam várias prisões para evitar nova revolta. 5 Esboçam-se em Lisboa manifestações da oposição. Efectuadas várias prisões. - Recusada a existência de milícias civis para a defesa da Ditadura. |
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· Dezembro 3 e 13 Face a uma nova intentona, o governo decreta a ilegalização do Partido Republicano Português e o encerramento de O Rebate, então órgão oficial do mesmo. Prisão e deportação dos principais dirigentes do grupo 13 Inaugurada a Liga 28 de Maio. Dominada por sidonistas e tendo como principal líder David Neto 30 Salazar discursa para militares, elogiando as respectivas virtudes (é o regime das notas oficiosas, dos discursos calmamente encenados em salas fechadas perante delegações representativas; o reviralho faz golpes de Estado ou organiza-se no exílio) |
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· Ainda em 1930... |
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INTERNACIONAL |
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· Janeiro 5 Na URSS, surge o decreto generalizador dos Kolkhozes. 28 Em Espanha dá-se a demissão de Primo de Rivera, que parte para o exílio em Paris. Há uma grave crise económica, a que se segue uma súbita desvalorização da peseta. Como então se dizia, acaba-se a ditadura e começa a dictablanda. |
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· Março - Na URSS, as terras colectivizadas que apenas abrangiam 21% passam a 58%. O próprio Estaline escreve um artigo tentando refrear a colectivização de terras A Vertigem do Sucesso 27 Na Alemanha de Weimar, demite-se o governo social-democrata de Hermann Muller. 30 Surge um governo de inspiração presidencial, com o católico Heinrich Brunning a assumir os destinos da Alemanha. |
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· Abril 29 Em áfrica, Hailé Selassié sobe ao trono imperial na Etiópia |
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· Maio 1 Surge o relatório Sur l'organisation d'un régime d'union fédérale européen, comunicado aos diversos governos europeus, avançando-se na concepção de uma europa unificada. 12 Ghandi inicia segunda campanha de desobediência civil contra o imposto de sal |
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· Junho 26 até 13 de Julho. Na Rússia, XVI Congresso do Partido Comunista. Foi chamado o congresso da ofensiva geral do socialismo, sob o pretexto da URSS não ter sido afectada pela Grande Depressão, donde se concluía ser o socialismo superior ao capitalismo na prática. Decidido o reforço da colectivização da agricultura pela intensificação de kolkhozes. |
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· Agosto 17 Em Espanha, as oposições de esquerda unificam-se pelo chamado Pacto de S. Sebastian |
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· Setembro 14 Eleições, na Alemanha, onde ganha importância o NSDAP, em nome da tríade Trabalho, Liberdade, Pão. Os nazis, que se opõem ao pagamento de indemnizações de guerra, passam de 12 para 107 deputados. |
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· Outubro 24 No Brasil, ocorre o golpe miliotar que derruba presidente Washington Luís |
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· Novembro 3 Sobe ao poder, no Brasil, Getúlio Vargas |
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· Dezembro 12 Soldados aliados evacuam o Sarre 19 Pilsudski visita Lisboa |
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· Ainda em 1930... - Trotski funda uma IV Internacional e escreve A Revolução Permanente na ásia - Estabelecido um acordo entre a França e a China, pelo qual os chineses, em troca do reconhecimento dos direitos franceses na na Indochina, recuperam as suas concessões - Chiang, depois de executar a mulher e da irmã de Mao, lança uma primeira ofensiva contra os redutos comunistas, mobilizando cerca de 100.000 homens |
Decreto generalizador dos Kolkhozes na URSS (5 de Janeiro) 21 % das terras soviéticas já estão colectivizadas; em Março, 58%. Vejam-se as comparações apresentadas por Jean Ellenstein quanto à evolução do número de fogos em regime de kolkhoz: 5 999 000 em 1 de Maio de 1930; 8 250 000 em 2 de Fevereiro de 1931; 13 839 000 em 10 de Julho de 1931; 15 000 000 em 1 de Novembro de 1931; 15 258 000 em 1933 e 15 717. 00 em 1934. Este crescimento visava cumprir as metas estabelecidas pelo Primeiro Plano Quinquenal adoptado em Abril de 1929, sendo abruptamente estabelecidos, de forma autoritária e burocrática, a partir de Novembro desse ano. Até então, os kolkhozes contavam apenas com 2 000 000 de fogos, representando 7,6% da superfície cultivada. A vaga de terror rebentou nos três primeiros meses de 1930 e, conforme as previsões de Molotov, o campo, dentro em breve, será todo cultivado e vai transformar-se num mar efervescente.
Liquidação dos Kulaks por Estaline Por trás das estatísticas está o primeiro grande holocausto da nossa história contemporânea: a liquidação dos chamados Kulakse também não podem esquecer-se os milhões de mortes por fome nos campos da Ucrânia, no ano de 1933, em nome de uma vesga política de abastecimento.E no próprio nome invocado para o massacre estava o cerne do totalitarismo. Com efeito, a expressão kulak, no mundo rural russo, ainda no século XIX, queria dizer usurário rural. No entanto, depois das reformas de Stolipine e de 1917, kulak passou a significar agricultor que tinha assalariados. Com Estaline, a categoria foi objecto de uma pejorativa interpretação extensiva, servindo para dar cobertura a todos os agricultores economicamente fortes, até porque os tradicionais kulaks tinham sido especialmente comprimidos com a guerra. Segundo Tucker, Estaline restaurou desta forma a servidão da gleba e os campos de trabalhos forçados de Pedro o Grande. Aliás, desde 1923 que estava de novo em vigor o regime de passaporte interno (propiska) -- que havia sido abolido em 1917 -- tendo, sobretudo, em vista evitar o afluxo de rurais às grandes cidades -- é que de 1928 a 1932 tinha sido essa a solução adoptada por cerca de 12 milhões de camponeses. As grandes cidades da URSS tinham-se despovoado depois da Revolução de Outubro. Petrogrado que tinha 2 415 000 habitantes em 1916, passará a 740 000, logo em 1920. Também Moscovo vai descer, no mesmo período, de 1 753 000 para 1 120 000.
Relatório de 1930 da autoria de Saint-John Perse (nome literário de Aléxis Saint-Léger) e Aristide Briand. Neste relatório, intitulado Sur l'organisation d'un régime d'union fédérale européen, comunicado aos diversos governos europeus, em 1 de Maio de 1930, visava-se apenas a criação de uma agência federal da Sociedade das Nações com o objectivo de se estabelecer através de uma série de acordos económicos, um mercado comum entre os diversos povos europeus. Mas, contrariamente ao discurso de Setembro, já encarava a questão de forma política, ou melhor dizendo, acentuando a vertente intergovernamental de cooperação política.
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AUTORES |
OBRAS |
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BARKER, Ernest |
Church, State and Study. Essays , Londres, Methuen Press, 1930. |
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BERNANOS, Goerge |
La Grand Peur des Bien-Pensants |
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BRIAND, Aristide |
Sur l’Organisation d’un Régime d’Union Fédérale Européenne |
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CABRAL, António |
- Linha de Fogo, Na - Minhas Memórias Políticas [1930-1932] |
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CAMPOS, Ezequiel de |
Prólogo à Organização do Trabalho Português |
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CARVALHO, Joaquim |
«Formação da ideologia republicana», in Montalvor, Luís, História do regime republicano em Portugal, tomo I, Lisboa, 1930. |
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CASTRO, Ferreira de |
A Selva, 1930 |
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DéAT, Marcel |
Perspectives Socilistes |
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DEWEY, John |
Individualism, Old and New |
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EVOLA, Giulio Cesare Andrea |
Tradizione Ermetica, |
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GéNY, François |
Conflit du Droit Naturel et de la Loi Positive |
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GUITTON, Jean |
Pensée Moderne et Christianisme |
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GURVITCH |
Les Tendances Actuelles de la Philosophie Allemande , Paris,1930 |
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HALéVY, Daniel |
La Fin des Notables ,1930 |
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HELLER, Hermann |
Rechtstaat oder Dikatatur, Tubinga, 1930 |
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HERRIOT, édouard |
Europe , Paris, éditions Rieder, 1930. |
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HOBHOUSE, L.T (1864-1929) |
Liberalism , Nova Iorque,1930 |
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KELSEN |
Der Staat als Integration ,Viena,1930 |
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KEYNES, John Maynard |
A Treatise on Money ,Londres,Macmillan,1930 |
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LASKI |
Liberty in the Modern State |
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MAN, Henri de |
La Joie au travail ,Paris,Alcan,1930 |
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MONCADA, Luís Cabral |
Do Valor e Sentido da Democracia. Ensaio de Filosofia Política , Coimbra, 1930. |
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PIMENTA, Alfredo |
Estudos Filosóficos e Críticos |
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REDSLOB, Robert |
Le Principe des Nationalités.Les Origines,les Fondements psychologiques,les for,es adverses,les solutions possibles ,Paris,1930 |
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RéNARD, Georges |
- Philosophie (La) de l'Institution - Théorie de l'Institution, Essai d'Onthologie Juridique , Paris, éditions Sirey, 1930. |
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ROMANO, Santi |
Corso di Diritto Amministrativo |
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ROMERO OTAZO, F |
Sentido Democratico de la Doctrina de Santo Tomaso ,Madrid,1930 |
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ROSENBERG, Alfred |
Mythus Des Zwanzigsten Jharhunderts |
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RUSSEL, Bertrand |
Conquest (The) of Happinness |
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SEIPEL |
Kampf um di osterreiche Verfassung |
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SPANN, Othmar |
Krisis der Volkswirtschatslehre |
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SPIRITO, Ugo |
La Critica della Economia Liberale, 1930 |
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TROTSKI |
Revoluçäo (A) Permanente |
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VECCHIO, Giorgio del |
Lições de Filosofia do Direito , vol. I - História da Filosofia do Direito [ed. Orig. 1930; 10ª ed. it., 1957], 4ª ed., trad. port., Coimbra, Livraria Arménio Amado, 1972. |
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WILLOUGHBY |
Etical (The) Basis of Politics |
Lima, Henrique Linhares de (1876-1953) Oficial do exército. Natural dos Açores. Um dos homens do 28 de Maio e da Ditadura Nacional, apoiante da institucionalização do salazarismo. Director da Manutenção Militar. Ministro da agricultura de 8 de Julho de 1929 a 5 de Julho de 1932, quando organiza a Campanha do Trigo, instituída em 16 de Agosto de 1929. Presidente da câmara municipal de Lisboa, Ministro do interior de 23 de Outubro de 1934 a 18 de Janeiro de 1936. Está para a agricultura dos anos trinta, assim como Duarte Pacheco está para as obras públicas. Logo na conferência de imprensa de apresentação da Campanha, no dia 17 de Agosto de 1929, considera: em breve nos bastaremos a nós próprios com a produção de trigo nacional. Logo em 1 de Agosto desse ano decreta a existência de um tipo único de pão, reivindicação tradicional dos sindicalistas. Chama para organizar a propaganda da campanha Rocha Martins. Para a coordenação técnica mobiliza o professor de agronomia António Sousa da Câmara, indicado pelo Instituto Superior de Agronomia e que o ministro até então desconhecia. A Campanha, a partir de 13 de Agosto de 1830 passou a designar-se Campanha de Produção Agrícola, terminando oficialmente em 1937
Gandhi, Mahatma (1869-1948) Mohandas Karamchand. Qualificado como Gandhi, isto é grande alma. O título foi pela primeira vez utilizado por R. Tagore em meados da década de vinte. Líder político indiano. Formado em direito em Inglaterra. Começa como advogado na áfrica do Sul, onde vive cerca de duas décadas e meia. Aí começa por apoiar a acção inglesa na luta contra os boers, para mais tarde encabeçar os processos de desobediência civil, transformando-se num guru, onde alia o ascetismo a posições de activismo social de cariz reformista. Volta à índia em 1915. Inicia em 1920 o movimento de não-cooperação com as autoridades coloniais.
Satyagraha
Em 1930 já desencadeia um movimento de desobediência civil. Chama-lhe satyagraha, resistência não violenta. Considera que a verdade (satya) é o princípio supremo que comanda o universo, considerando-a sinónimo de Deus. Todas as suas teses assumem a defesa do espírito, considerando que o corpo é que é irreal porque não tem pretensões morais. Neste sentido advoga a unidade dos homens, a defesa do amor como lei da espécie.
Influências
As suas teses nasceram de um reflexão começada na própria Inglaterra, onde se redescobriu como hindu, ao estudar a obra de Ruskinm Unto this Last. Isto é, as teses do deísmo desenvolvidas por um ocidental. Aliás, as semelhanças entre as respectivas atitudes e o modelo de Tolstoi são evidentes, de tal maneira que o primeiro ashram, ou quinta colectiva, que fundou, nos arredores de Durban, recebeu o nome desse escritor russo. Da mesma forma, é influenciado pelas teses do norte-americano Henry Thoreau.
Um Estado não violento
Assume-se contra a civilização ocidental contemporânea onde domina o corpo e a sensualidade. O Estado representa a violência de forma concentrada, usando uma linguagem de comando e de uniformidade. Neste sentido propõe um novo modelo de Estado não violento assente em pequenas comunidades ruaris, autogeridas e auto-suficientes.
Vargas, Getúlio (1883-1954) Presidente brasileiro, instaurador do Estado Novo. Começa como deputado do Rio Grande do Sul em 1923. Passa a ministro das finanças em 1926-1927. Destaca-se como governador gaúcho em 1928-1930. Chefe dos liberais, participa na revolução de Outubro de 1930 que derruba Washington Luís e o seu presumível sucessor, vencedor das eleições de1 de Março, Júlio Prestes. Assume a chefia do governo no dia 3 de Novembro seguinte. Depois da assembleia constituinte de 1933 e da nova Constituição de 16 de Julho de 1934 e face a uma tentativa de golpe dos comunistas, estabelece um novo regime, o Estado Novo em Novembro de 1937. Tinha sido eleito presidente em 17 de Julho de 1934. Participa na II Guerra Mundial, ao lado dos aliados, em Agosto de 1942. Deposto em Outubro de 1945. Volta a ser eleito presidente em 1950. Nesta sua segunda passagem pelo poder, Vargas adopta um nacionalismo açambarcador, implementando monopólios em sectores vitais da economia, nomeadamente o energético. A oposição cerra fileiras numa frente comum de interesses que reunia a UDN e os militares, sob a liderança carismática do Jornalista Carlos Lacerda. Clamava-se pela renúncia de Vargas quando este se vê envolvido em acusações de participação num atentado contra Lacerda, que resulta na morte do major-aviador Florentino Vaz. Posto entre a humilhação da abdicação e o vexame da deposição, escolhe o suicídio, ficando célebre a sua carta-testamento ao povo brasileiro, escrita no dia 24 de Agosto de 1954, horas antes de pôr termo à sua vida com um tiro no peito.
Keyserling, Hermann von (1880-1946) Natural da Lituânia. Influenciado por Bergson, funda em Darmstadt, em 1929, uma Escola de Sabedoria e uma Sociedade de Filosofia Livre, onde pretendia lutar pelo renascimento da Europa, de acordo com o conceito oriental de sabedoria. Profere três celebradas conferências em Lisboa, em Abril de 1930. Considera o homem como a síntese de elementos telúricos e espirituais, salientando que, se as ideias permitem saber, só a alma pode compreender, isto é, penetrar no sentido daquilo que se sabe, um sentido que é o lugar onde se mistura o espiritual e o vivo. Analisando o processo das relações internacionais do seu tempo, fala na Rússia como a Eurásia, onde o gosto da destruição e a santidade, a crueldade aguda e o heroísmo não se sustentam senão quando se opõem, desafia todas as definições e escapa mesmo às classificações habituais. Sim, a ásia começa aí, ao mesmo tempo que a Europa acaba, o Oriente e o Ocidente aí se misturam estreitamente, formando um continente, ao mesmo tempo explosivo e amorfo. Conclui, proclamando: Moscovo é o centro revolucionário de todo o Oriente que desperta... Em todo o lugar do Oriente, isto é, a Leste dos Urales e a sul dos mares Negro e Cáspio, reina um espírito cujo símbolo extremo é Moscovo. Também considera a Espanha como já pertencendo à áfrica.
· L'Avenir de l'Europe,1918.
· Le Monde qui nait, Paris, Stock, 1926.
· Das Spectrum Europas, Estugarda, Deutsche Verlag Samstalt, 1928. Ver a trad. fr., Analyse Spectrale de l’Europe, Paris, Stock, 1947.
· La Révolution Mondiale et la Responsabilité de l'Esprit, Paris, Stock, 1934
Dandieu, Arnaud Um dos fundadores do grupo Ordre Nouveau em 1930.
· 1931, Décadence de la Nation Française, Paris, Rieder, 1931. Com Robert Aron.
· 1931, Le Cancer Américain, Paris, Rieder, 1931. Com Robert Aron.
· 1933, La Révolution Nécéssaire, Paris, éditions Bernard Grasset, 1933. Com Robert Aron.
Aron, Robert (1896-1975) Autor francês. Um dos que, nos começos da década de trinta, procura uma terceira via, distante do individualismo e do colectivismo. Fundador do grupo Ordre Nouveau em 1930, como Arnaud Dandieu e Denis de Rougemont. Faz apelo ao homem real contra o homem abstracto do liberalismo. Considera que os governos deixaram de ter um fim elevado e denuncia a perspectiva tecno-económica como o cancro social. Assume-se como federalista, colaborando com Alexandre Marc.
· Décadence de la Nation Française, Paris, Rieder, 1931. Com Arnaud Dandieu.
· Le Cancer Américain, Paris, Rieder, 1931. Com Arnaud Dandieu.
· La Révolution Nécéssaire, Paris, éditions Bernard Grasset, 1933. Com Arnaud Dandieu.
· Principes du Fédéralisme, Paris, 1948. Com Alexandre Marc
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& Der Mythus des zwanzigsten Jharhunderts, 1930 Obra de Alfred Rosenberg (1893-1946). Para este autor nazi a tarefa do século XX consiste na criação de um novo tipo de homem, a partir de um novo mito de vida. O mito é a força formadora, a alma criadora da realidade. E a filosofia tem de dar forma conceitual aos mitos. Neste sentido, advoga o renascimento alemão em torno do mito do vermelho, do sangue e dos heróis, contra o ouro, símbolo do dinheiro e dos plutocratas. Daí considerar o Estado como um simples meio para a conservação étnica. |
VII - FALECIMENTOS E NASCIMENTOS
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FALECIMENTOS |
NASCIMENTOS |
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ABREU, António José Teixeira de (1865-1930). ARROIO, João Marcelino (1861-1930) BALFOUR, Arthur James, Conde de (1848-1930) BRANDãO, Raul Germano (1867-1930) DOUHET, Giulio (1869-1930) RIVERA, Miguel Primo de (1870-1930) |
BOURDIEU, Pierre (n. 1930) DERRIDA, Jacques (n. 1930) PINTASILGO, Maria de Lurdes (n. 1930) |