Respublica Repertório Português de Ciência Política Edição electrónica 2004 |
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ANO:1936
| Destaques | Cronologia | Acontecimentos | Bibliografia | Personalidades | Livros do Ano | Falecimentos e Nascimentos |
| PORTUGAL | MUNDO | |
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Política |
· Decreto nº 25 539 institui a Colónia Penal do Tarrafal (Abril) · Criado um Comité Central do PCP (Abril) · Criação da Mocidade Portuguesa (Maio) · Regime jurídico dos organismos de coordenação económica (Julho) · Morre o general Sanjurjo, em Cascais (Julho) · Revolta comunista na armada (Setembro) · Aprovada a constituição da Legião Portuguesa (Setembro) · Suspensão das relações entre Portugal e a · República Espanhola (Outubro) · Constituída a Frente Popular Portuguesa (Outubro) |
· Governo da Frente Popular em França (Junho) · Guerra Civil de Espanha (1936-1939) (Julho) · Processos de Moscovo (Agosto) · Nova Constituição da URSS (Novembro) · Pacto Anti-Komintern entre a Alemanha e o Japão (Novembro) · Mao faz aliança com Chiang para enfrentar os japoneses (Dezembro) |
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Ideias |
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NACIONAL |
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· Janeiro 18 Remodelação governamental. Carneiro Pacheco na instrução. No Interior, Mário Pais de Sousa. Armindo Monteiro nos estrangeiros. Domínio da ala salazarista. |
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· Março 8 1ª Conferência Económica do Império Colonial Português |
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· Abril 1 Ministério da Instrução Pública passa a Ministério da Educação Nacional. Prevista a criação da Mocidade Portuguesa e do regime do livro único. Criada uma Junta Nacional da Educação. 23 Decreto nº 25 539 institui a Colónia Penal do Tarrafal - Criado um Comité Central do PCP. Com Alberto Araújo, Manuel Rodrigues da Silva, Pires Jorge e Álvaro Cunhal |
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· Maio 1 Sindicatos Nacionais em Belém São tentadas concentrações, mas são facilmente dispersas pela polícia. Representantes dos Sindicatos Nacionais são recebidos em Belém 11 Salazar toma posse como ministro da guerra. Dois dias depois, Santos Costa assume as funções de Subsecretário de Estado do Exército. 19 Criação da Mocidade Portuguesa. Dava-se cumprimento a lei de 19 de Abril anterior que remodelava o Ministério da Instrução. Francisco José Nobre Guedes é o primeiro comissário nacional da organização, até 1940, quando é substituído por Marcelo Caetano. - Também neste dia, é fundada a Academia Portuguesa da História 28 Dez anos de 28 de Maio. Comemorações em Braga, com discurso de Salazar: As Grandes Certezas da Revolução Nacional |
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· Julho 8 Decreto-Lei nº 26 757 estabelece o regime jurídico dos organismos de coordenação económica 20 Morre em Cascais, numa queda de avião, o chefe da rebelião nacionalista espanhol, o general Sanjurjo. |
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· Agosto 5 Somos antidemocratas e antiliberais. Diário de Notícias transcreve declarações de Salazar a jornalista inglês: nós somos antiparlamentaristas, antidemocratas, antiliberais ... nós queremos elevar, educar, proteger o povo, arrancá lo à escravidão da plutocracia, e por isso somos antidemocratas. (apud Luís Almeida Braga, A Posição de António Sardinha, pp. 38) 15 Obra das Mães pela Educação Nacional. Estrutura instituída pelo ministro Carneiro Pacheco, visando estimular a acção educativa da família bem como organizar a secção feminina da Mocidade Portuguesa. Entre as principais activistas, saliente-se Maria Guardiola, bem como Maria Joana Mendes Leal. O movimento perde o impulso ideológico a partir da década de cinquenta, mantendo-se com fins puramente assistenciais. 28 Manifestação salazarista no Campo Pequeno. Botelho Moniz propõe a criação de uma milícia armada do regime |
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· Setembro 8 e 9 Revolta comunista na armada. Sublevação do navio Afonso de Albuquerque e do contratorpedeiro Dão que pretendiam dirigir-se a Espanha para se aliarem aos republicanos. Informações prévias da PVDE, então comandada pelo capitão Agostinho Lourenço, permitem a rápida actuação do ministro da marinha, comandante Ortins de Bettencourt, apoiado pelo tenenete Henrique Tenreiro. Revolta sufocada ao fim da tarde. A sublevação foi organizada pelas células de marinheiros do PCP, mobilizada pela chamada Organização Revolucionária da Armada. São quase todos transferidos para o Tarrafal que passa a ser conhecido como campo da morte lenta. 157 deportados chegam ao Tarrafal em 29 de Outubro de 1936. 30 Aprovada a constituição da Legião Portuguesa pelo DL 27 958 |
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· Outubro 14 Reforma do ensino liceal 23 Suspensão das relações entre Portugal e a República Espanhola 31 Manifestação de apoio a Salazar - A bordo do navio Luanda chegam a Cabo Verde os primeiros 200 presos políticos deportados para o Tarrafal. Entre eles está Bento Gonçalves, secretário geral do PCP - Constituída a Frente Popular Portuguesa, dominada pelos comunistas, mas com a participação de alguns grupos republicanos. Nasce da actividade da Liga Portuguesa Contra a Guerra e o Fascismo, dirigida por Bento de Jesus Caraça, e criada em Agosto de 1934. Apenas publica o respectivo programa em 1937, sob as palavras de ordem pão, paz, liberdade e cultura. Defende a democracia popular e a economia cooperativa e considera as províncias ultramarinas, como parte integrante e inviolável da nação portuguesa. Um dos aderentes republicanos é José Domingues dos Santos. - Com Bento Gonçalves no Tarrafal, recompõe-se o secretariado do comité central, passando a ser constituído por José Gregório, Manuel Guedes, Pires Jorge e Álvaro Cunhal. O Avante começa a ser publicado semanalmente e terá atingido uma tiragem de 10 000 exemplares, logo em 1937 |
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· Novembro 6 Salazar assume a pasta dos Negócios Estrangeiros, substituindo Armindo Monteiro 9 Posse da Junta Central da Legião Portuguesa 24 Reforma do ensino primário pelo DL nº27 279 25 Armindo Monteiro é nomeado embaixador em Londres |
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· Dezembro - Surge a Liga Portuguesa contra a Guerra e o Fascismo, integrada na Frente Popular Portuguesa |
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· Ainda em 1936... |
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INTERNACIONAL |
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· Abril 26 e 3 de Maio, Vitória da Frente Popular em França |
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· Junho 4 Governo da Frente Popular em França, presidido por Léon Blum. |
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· Julho 17 Começa a guerra civil espanhola |
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· Agosto 19 a 24 Surgem os célebres processos de Moscovo, marcados pelas fantásticas confissões espontâneas dos arguidos. O primeiro grande processo tem como réu Grigori Zinoviev e desenrola-se de 19 a 24 de Agosto de 1936. Seguem-se, nessa primeira vaga de 1936, entre outros, Lev Kamenev e Ivan Smirnov. O segundo grande processo decorre de 23 a 30 de Janeiro de 1937 e tem como principais acusados Yuri Piatakov, Karl Radek, Grigori Sokolnikov e Lionid Serebriakov. O terceiro processo, de 2 a 13 de Março de 1938 já abrange Nikolai Bukharine, Alexis Rykov e Khristian Rakovski. |
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· Setembro 12 Franco assume o cargo de Generalíssimo |
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· Outubro 14 Rei dos belgas, Leopoldo III, obrigado a estabelecer a neutralidade. |
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· Novembro 25 Pacto Anti-Komintern entre a Alemanha e o Japão 30 Nova Constituição da URSS |
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· Dezembro - Mao adopta as teses da frente popular e faz aliança com Chiang para enfrentar os japoneses, depois do incidente de Sian |
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· Ainda em 1936... |
Organismos de coordenação económica, 1936.Criados pelo Decreto lei nº 26 757 de 8 de Julho de 1936. Cria-se um enquadramento legal para vários organismos.
- Juntas Regionais de Viticultura (criada uma em cada região demarcada em 19 de Janeiro de 1931)
- Junta Nacional de Exportação de Frutas (4 de Julho de 1931)
- Junta Nacional da Olivicultura (8 de Julho de 1931)
- Federação dos Viticultores do Centro e Sul de Portugal (17 de Novembro de 1933)
- Comissão Reguladora do Comércio do Bacalhau (1934).
- Instituto do Vinho do Porto (1936)
- Junta Nacional dos Lacticínios da Madeira (Decreto-lei nº 26 665 de 4 de Junho de 1936).
- Instituto Português de Conservas de Peixe (10 de Julho de 1936)
- Junta Nacional dos Resinosos (12 de Setembro de 1936)
- Junta Nacional das Frutas (19 de Dezembro de 1936).
- Junta Nacional dos Produtos Pecuários (1939).
- Em 1972 cria-se o Instituto dos Cereais, concentrando a Federação Nacional dos Produtores de Trigo, Instituto Nacional do Pão, Comissão Reguladora das Moagens de Ramas, Comissão Reguladora do Comércio de Arroz, Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores. Em 1976 são instituídas duas empresas públicas, a partir do Instituto dos Cereais, a EPAC e o IC, por decreto-lei de 6 de Agosto.
Processos de Moscovo (19 a 24 de Agosto) Surgem os célebres processos de Moscovo, marcados pelas fantásticas confissões espontâneas dos arguidos. Como refere Soljenitsine, esse é o maior êxito do tribunal: quando o vício é tão reprovado que o próprio criminoso o repudia. O primeiro grande processo tem como réu Grigori Zinoviev e desenrola-se de 19 a 24 de Agosto de 1936. Seguem-se, nessa primeira vaga de 1936, entre outros, Lev Kamenev e Ivan Smirnov. O segundo grande processo decorre de 23 a 30 de Janeiro de 1937 e tem como principais acusados Yuri Piatakov, Karl Radek, Grigori Sokolnikov e Lionid Serebriakov. O terceiro processo, de 2 a 13 de Março de 1938 já abrange Nikolai Bukharine, Alexis Rykov e Khristian Rakovski. O acusador público desta macabra farsa judicial chama-se Andrei Vichinski (1883-1954), antigo menchevique de direita, célebre por ter assinado a ordem de prisão de Lenine em 1917, que fora nomeado procurador-geral em 1936. O mesmo que em 1940, como adjunto de Molotov nos Negócios Estrangeiros, se vai assumir como um dos principais artífices do programa de satelitização dos Estados da Europa do Leste. O próprio Exército Vermelho não escapou à purga. Com efeito, a 12 de Junho de 1937 anunciava-se a descoberta de uma conspiração militar e que os seus autores tinham sido executados. Segundo o comunista Roy Medvedev, de 1936 a 1939, foram presas cerca de cinco milhões de pessoas, das quais teriam sido executadas entre 400 000 a 500 000. Nos termos do relatório de Khruchtchev, apresentado ao XX Congresso do PCUS, nessa vaga de repressões em massa e actos brutais de violação da legalidade soviética, entre os 139 titulares e suplentes do Comité Central do PCUS, eleitos em 1934, cerca de 70%, isto é, 98, foram presos e executados no período de 1937-1938. Também 1 108 dos 1966 delegados ao mesmo Congresso foram presos sob a acusação de crimes contra-revolucionários. Na estatística elaborada por Jean Ellenstein, poderemos verificar que de 26 membros titulares do Comité Central eleito pelo XI Congresso do PCUS, o último a realizar-se com a presença de Lenine, 17 foram executados, assassinados (ou constrangidos a suicidar-se) e deportados por Estaline, e 6 em 10 membros do Politburo de 1922, 8 em 13 do Politburo de 1924, 9 em 17 do Politburo eleito depois do XV Congresso de 1927. A vaga repressiva não se ficou apenas pelo partido e pelas forças armadas, dado que atingiu também o mundo universitário, científico e literário, bem como os próprios comunistas estrangeiros que se encontravam na URSS. Se, para alguns, tudo era uma questão de ideologia, já para outros, a culpa caberia aos executores. De qualquer maneira, como acontece em todos os totalitarismos, os ideólogos têm as mãos limpas, os executores têm a consciência tranquila - - divisão social do trabalho! Ironicamente, Estaline, le mangeur d'hommes, vem dizer, por ocasião do XVIII Congresso do PCUS, em Março de 1939: a função da repressão no interior do país tornou-se supérflua e desapareceu, pois, uma vez que a exploração foi suprimida e os exploradores já não existem, não há mais ninguém a reprimir. Acrescenta mesmo: não se pode dizer que a depuração tenha sido feita sem defeitos graves. Infelizmente os erros foram mais numerosos do que poderíamos supor. Não há dúvida de que não teremos de empregar mais o método da depuração maciça. Era o comunismo transformado numa religião produtivista, numa religião ao avesso que explica o superior pelo inferior, conforme as palavras utilizadas por Comte para definir o materialismo. A este período das Grandes Purgas de 1936-1938 costuma também chamar-se a Yejovchtchina, tomando como base o nome de Nikolai Yejov (1895-1939?), chefe do NKVD desde 1936, onde substituiu Guenrikh Iagoda (1871-1938), que virá a ser fuzilado em 1938. Iejov acabou também por ser executado em 1939, sendo, a partir de então, substituído por Lavrenti Beria, que também irá ser executado em 1953. Recorde-se que, de 1935 a 1938 desapareceram 70% dos quadros do Comité Central do PCUS -- 111 dos 138 de 1930. Também, no Exército, são fuzilados 35 000 oficiais.
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AUTORES |
OBRAS |
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ARON, Raymond |
Introduction à la Philosophie de l’Histoire, 1936 |
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BASTO, Eduardo Alberto Lima |
Inquérito Económico-Agrícola , 1936 |
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CARREL, Alexis |
Homme (L’), cet Inconnu , 1936 |
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FESSARD, Gaston |
Pax Nostra , 1936 |
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FREYRE, Gilberto |
Sobrados e Mucambos. Decadência do Patriarcado Rural e Desenvolvimento do Urbano , 1936 |
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GIDE, André |
Retour de l’URSS, 1936 |
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HUSSERL, Edmund |
Krisis der europaischen Wissenschaften , 1936; (port. A Crise das Ciências Europeias e a fenomenologia Transcendental) |
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JAEGER, Werner |
Paideia , 1936 |
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KEYNES, John Maynard |
The General Theory of Employment, Interest and Money , Basingstoke, Macmillan Press, 1936. |
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LASKY, Harold |
The State in Theory and Practice, 1936 |
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LASSWELL, Harold D. |
Politics: Who Gets What, When, How? , Nova York, MacGraw-Hill, 1936; (trad. port. Política. Quem Ganha o Quê, Quando e Como?, Brasília, Editora da Universidade de Brasília, 1984). |
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LEFEBVRE, Henri |
La Conscience Mystifiée , Paris, éditions Gallimard, 1936. |
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LEITE, Costa (Lumbralles) |
A Doutrina Corporativa em Portugal, 1936 |
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MADRIAGA, Salvador |
Anarchie ou Hiérarchie , Paris, éditions Gallimard, 1936. |
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MARITAIN, Jacques |
Humanisme Intégrale , Paris, éditions Aubier-Montaigne, 1936 |
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MISES, von |
Socialism, 1936 |
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MONCADA, Luís Cabral |
O Dever da Hora Presente , Coimbra, 1936 |
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MOURNIER, Emmanuel |
Manifesto ao Serviço do Personalismo, ed. orig. 1936; (reed. António Ramos Rosa, trad., Lisboa, Moraes Editores, 1967). |
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PIROU, Gaétan |
La Crise du Capitalisme , Paris, éditions Sirey, 1936. |
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RéGIO, José |
As Encruzilhadas de Deus, 1936 |
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SARTRE, Jean Paul |
Imagination, 1936 |
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SFORZA, Carlo |
Europe and the Europeans , 1936 |
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SRAUSS, Leo |
The Political Philosophy of Hobbes, 1936 |
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STRAUSS, Leo |
Political (The) Philosophy of Hobbes: its basis and its genesis , Oxford, Clarendon Press, 1936 |
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TROTSKI, Lev |
A Revolução Traída, 1936 |
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VERDROSS |
Etat et Nation , 1936 |
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ZEDONG, Mao |
Problemas Estratégicos da Guerra Revolucionária na China, 1936
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Keynes, John Maynard (1883-1946) Economista inglês. Aluno de Alfred Marshall. Professor em Cambridge desde 1908. Editor do Economic Journal desde 1911. Delegado financeiro à Conferência de Paz de 1919. Dirige a delegação britânica à conferência de Bretton Woods e propõe a criação do Fundo Monetário Internacional de que viria a ser o primeiro governador. Começa marcado pelas ideias de Sidgwick e Marshall, mas acaba por distenciar-se das receitas da escola clássica, considerando que o desemprego só pode ser combatido pela intervenção do Estado. Passa, então, a defender a necessidade dos investimentos públicos, de grandes trabalhos de obras públicas e de um sistema de incentivos à exportação. Tenta, contudo, distanciar-se do chamado socialismo de Estado, advogando a descentralização das decisões. Do mesmo modo, rejeita o laissez faire, defendendo o controlo estadual do aforro e do investimento, em nome da justiça social e da estabilidade. No plano das ideias políticas é o inspirador daquilo que Norman Barry qualificou como o consenso social democrata do segundo pós-guerra e que durou até 1973, criticando no modelo democrático anterior a incapacidade dele proporcionar o pleno emprego de de ter provocado uma desigual distribuição da riqueza e das rendas. · The Economic Consequences of Peace, 1919.
· Treatise of Probability, 1921.
· Laissez-Faire and Communism, 1926.
· A Treatise on Money, 1930.
· Essays in Persuasion, Nova York, 1931.
· The General Theory of Employment, Interest and Money , Londres, Macmillan, 1936.
· Two Memoirs, Londres, 1949.
Blum, Léon (1872-1950) Um dos mestres do socialismo democrático francês, defensor do pluralismo político, da planificação democrática. Opositor ao bolchevismo, considerando o mesmo como blanquista, contrário à tradição socialista. Jurista, literato e crítico de teatro. De origens judaicas. Depois de uma carreira como auditor no Conselho de Estado, desperta para a política com a questão Dreyfus. Funda, com Jaurès, L’Humanité, em 1904. Eleito deputado a partir de 1919. Encarregado da redacção do programa de acção dos socialistas, passa a director do jornal Le Populaire, que desde 1920 se opõe aos comunistas. Apesar de se assumir como marxista, entende o socialismo à maneira de Jaurès, como um sentimento da solidariedade humana e como uma exigência da consciência. Torna-se chefe do grupo parlamentar socialista. Apoia a formação do cartel das esquerdas em 1924, sustentando governos radicais, mas, até 1936, concebe, para os socialistas, uma política de soutien sans participation. Em 1926 salienta que os socialistas tanto podem assumir a conquista do poder, pela via revolucionária, como o exercício do poder, a gestão da ordem legal republicana, através de uma maioria parlamentar, com respeito das regras constitucionais. Presidente do conselho de ministros francês com a Front Populaire entre 4 de Junho de 1936 e 21 de Junho de 1937 e de 13 de Março a 8 de Abril de 1938, assumindo, no intervalo, as funções de vice-presidente do conselho. Autoriza em Junho de 1940 que dois socialistas participem no governo de Pétain, apesar de, no mês seguinte, ser um dos oitenta deputados que recusam plenos poderes ao velho marechal. Preso na Alemanha durante a Guerra.. Volta à chefia do governo entre 13 de Dezembro de 1946 e 16 de Janeiro de 1947. Publica em 1945 à l’échelle Humaine, obra escrita em 1941, onde defende a social-democracia como o processo de passagem do capitalismo para o socialismo, conservando as liberdades tradicionais. Advoga um socialismo humanista que não é fatalismo nem determinismo, tal como também não se configuar como resignação nem cinismo, devendo libertar a pessoa humana de todas as servidões que a oprimem..
· La Réforme Gouvernamentale , 1918. Paris, Grasset, 1936.
· à l'échelle Humaine , Paris, éditions Gallimard, 1945. Cfr. ed., Paris, Gallimard, 1971, com prefácio de René Remond. Obra escrita em 1941.
· Le Socialisme Démocratique, Scission et Unité de la Gauche. Discours 1921-1946 , Paris, Librairie Denoël, 1972.
Noüy, Pierre Lecomte du (1883-1947) Formado em direito e filosofia. Doutor em ciências desde 1916, sob a orientação de Alexis de Carrel, de quem é discípulo. Tal como o mestre, passa do cientismo agnóstico ao espiritualismo cristão, considerando Deus como uma espécie de anti-acaso.
· L'Homme devant la Science
, Paris, 1939.· L'Avenir de l'Esprit
, Paris, 1941.· La Dignité Humaine
, Nova Iorque, 1944.· Human Destiny
, Nova Iorque, 1947.
Madariaga, Salvador de (1886-1978) Salvador de Madariaga y Rojo. Pensador espanhol. Director da secção de desarmamento do secretariado da SDN, de 1922 a 1927. Embaixador em Londres e Paris, durante o regime republicano. Opositor a Franco. Europeísta, preside ao comité cultural do Congresso de Haia, de 1948.
· Anarchie ou Hiérarchie, Paris, éditions Gallimard, 1936.
· Portrait de l’Europe, Paris, 1952.
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& Who Gets What, When, How?, 1936 Obra de Harold D. Lasswell. O sistema político é entendido como um campo de operações onde se defrontam grupos de interesse e onde se movem indivíduos racionais e utilitaristas. A domocracia é um simples mecanismo, um conjunto de procedimentos, totalmente indiferente face a valores. A ciência política passa a ser equivalente à ciência económica, estudando um ser apenas vinculado à procura do seu próprio interesse. Assim intressa apenas procurar o quem ganha o quê, quando e como. Lasswell, considerando que o estudo da política é the study of influence and influential, aceita uma visão piramidal da distribuição de valores, onde, na parte de cima, estão poucos, a elite que preserva a sua ascendência, manipulando símbolos, controlando supplies e aplicando a violência. Em nome do realismo, reagia assim contra o sentimentalismo e o moralismo dominantes na ideologia do internacionalismo liberal, principalmente como fora assumido por Thomas Woodrow Wilson. Mantendo os esquemas comportamentalistas, introduzem-se no universo norte-americano autores como Gaetano Mosca (1854-1941), Robert Michels (1876-1936) e Carl Schmitt (1888-1985), sem se esquecer da herança de Maquiavel. Isto é, aquilo que muitos hão-de ver como um cunho tipicamente norte-americano, volta a não passar de mais um dos cíclicos recepcionismos europeus, agora da teoria das elites, embora sujeita a uma releitura democrática, dado que a mesma servira de invocação para as ideologias do fascismo e do nazismo na Europa dos anos trinta. [trad. port. Política. Quem Ganha o Quê, Quando e Como?, Brasília, Editora da Universidade de Brasília, 1984]. |
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& Manifesto ao serviço do Personalismo (1936) Obra de Emmanuel Mounier, onde se procura um caminho para lá do fascismo, do comunismo e do mundo burguês decadente. Considera que não há civilizações que não sejam metafisicamente orientadas. Critica no mundo moderno o individualismo gerador do lucro ganho sem qualquer serviço prestado, pelo que o homem que perdeu o sentido do Ser, que só se move entre coisas, e coisas utilizáveis, destituídas de mistério. Quanto ao fascismo, considera que algumas das suas reacções são sãs na sua origem, importando despojar a mística do chefe da idolatria que a corrompe e nela reencontrmeos a necessidade do mérito e da dedicação pessoal; tiremos à disciplina o seu constrangimento e não teremos dificuldade em reencontrar aqui e ali a alma de um personalismo cativo de realizações opressivas. O comunismo é uma combinação de verdade e de erro, pelo que uma revolução para a abundância, o conforto e a segurança, se os seus móbeis não forem mais profundos, conduz mais seguramente, após as febres da revolta, a uma universalização do execrável ideal pequeno-burguês do que a autêntica libertação espiritual. |
VII - FALECIMENTOS E NASCIMENTOS
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FALECIMENTOS |
NASCIMENTOS |
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BAINVILLE, Jacques (1879-1936) CHESTERTON, Gilbert Keith (1874-1936) COIMBRA, Leonardo (1883-1936) GORKI, Maxim (1868-1936) KAMENEV, Lev (1883-1936) KIPLING, Rudyard (1865-1936) LAPOUGE, Gorges Vacher de (1854-1936) MAETZU, Ramiro (1874-1936) MICHELS, Robert (1876-1936) PAVLOV, Ivan (1849-1936) RICKERT, Heinrich(1863-1936) SCHLICK, Moritz (1882-1936) SPENGLER, Oswald (1880-1936) THIBAUDET, Albert (1874-1936) TONNIES, Ferdinand (1855-1936) TRINDADE, Teófilo José da (1856-1936) UNAMUNO, Miguel de (1864-1936) ZINOVIEV, Grigori (1883-1936) |
PEREIRA, André Gonçalves (n. 1936) PINTO, Carlos Alberto da Mota (n.1936) POULANTZAS, Nicos (1936-1979) VATTIMO, Gianni (n. 1936) |