Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004

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ANO:1956


SUMÁRIO:
Destaques Cronologia Acontecimentos Bibliografia Personalidades Livros do Ano Falecimentos e Nascimentos

I – DESTAQUES

PORTUGALMUNDO

Política

· Decreto-Lei nº 40 550 reforça o poder de intervenção da PIDE (Março)

· Lei nº 2 085 institui as Corporações (Agosto)

· Surge o PAIGC (Setembro)

· é criado o MPLA (Dezembro)

· Manifestações estudantis (Dezembro)

· Juscelino Kubitschek de Oliveira assume a presidência do Brasil (Janeiro)

· XX Congresso do PCUS condena o Estalinismo (Fevereiro)

· Independência de Marrocos (Março)

· Dissolução do Kominform (Abril)

· Conferência de Veneza aprova o relatório Spaak (Maio)

· Revolta de Poznam (Junho)

· Nacionalização do canal de Suez (Julho)

· Começa a campanha dos israelitas no Sinai (Outubro)

· Intervenção soviética na Hungria (Novembro)

· Reeleição de Eisenhower (Novembro)

· Retirada franco-inglesa do Suez (Dezembro)

Ideias

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II – CRONOLOGIA

NACIONAL

· Março

12 Decreto-Lei nº 40 550 reforça o poder de intervenção da PIDE no âmbito das medidas provisórias de segurança. Podem implicar cerca de três anos de prisão.

- Greves e manifestações de trabalhadores em Angola, Moçambique e Guinés

· Abril

- II Congresso da Mocidade Portuguesa, em Lisboa

· Maio

1 Dia do Trabalhador dá origem a várias manifestações

30 IV Congresso da União Nacional

· Junho

- Onda de greves em Lisboa

· Julho

18 Aprovados estatutos da Fundação Calouste Gulbenkian pelo Decreto-Lei nº 40 690

- Advogados e jornalistas protestam contra a censura e a acção da PIDE

· Agosto

22 Lei nº 2 085 institui as Corporações.

· Setembro

19 PAIGC. Por acção de Amílcar Cabral, surge em Bissau o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde. Outros fundadores são Aristides Pereira, Luís Cabral, Júlio de Almeida, Fernando Fortes e Elisée Turpin.

· Dezembro

12 Manifestações estudantis contra o Decreto nº 40 900 sobre encerramento de associações de estudantes. é ministro da educação Leite Pinto que vai ver os protestos prolongarem-se ao longo do ano seguinte, forçando o governo a desistir do diploma, pois este dá entrada na Câmara Corporativa para parecer e não volta a ser discutido na Assembleia Nacional.

- MPLA. O Movimento Popular de Libertação de Angola foi criado, depois de, em Outubro de 1955, ter surgido o Partido Comunista Angolano. Tem como principais dirigentes Mário Coelho Pinto de Andrade, Lúcio Lara e Viriato Cruz.

· Ainda em 1956...

 

 

 

INTERNACIONAL

· Janeiro

2 Eleições em França; não houve maioria clara para nenhuma das forças; vitória da esquerda comunista, com 145 lugares, e crescimento dos poujadistas, com 54 lugares; derrocada gaullista, com 5,5%

18 Criação na RDA de um ministério da defesa e de um exército, Popular Volksarmee

- No mesmo dia, primeira reunião do Comité de Monnet, em Paris

31 Juscelino Kubitschek de Oliveira assume a presidência do Brasil, depois de ter vencido as eleições de Outubro; fora proposto pelo PSDB, com o apoio do Partido Trabalhista

· Fevereiro

1 Governo de Guy Mollet em França

14 a 24 XX Congresso do PCUS; leitura do relatório de Khruchtchev sobre o estalinismo; adoptada a tese da coexistência pacífica.

· Março

3 Independência de Marrocos

12 Conselho da Liga árabe proclama o neutralismo

15 Kekonnen eleito Presidente da República na Finlândia

29 Reabilitação póstuma de Rajk na Hungria

· Abril

11 Assinatura de uma acordo tarifário entre a CECA e os USA, no âmbito do GATT

17 Dissolução do Kominform

· Maio

5 Acordo militar entre a Jordânia e o Egipto

6 Spaak apresenta aos ministros dos estrangeiros da CECA projecto de tratados

7 Assinatura de um acordo entre a CECA e a Suíça criando uma comissão mista

8 Acordo aduaneiro entre a CECA e a áustria

29 Conferência de Veneza aprova o ralatório Spaak e decide convocar uma conferência diplomática para a redacção dos tratados instituidores da CEE e da CEEA

· Junho

17 Togliatti, então secretário-geral do PCI proclama a tese do policentrismo para o movimento comunista mundial

26 Conferência diplomática em Bruxelas negoceia o que virá a ser o Tratado de Roma

28 Sublevação dos operários de Poznam na Polónia

· Julho

7 Bundestag vota lei sobre o serviço militar obrigatório

10 Egipto começa a receber armamento soviético

17 Por iniciativa britânica, é criado no seio da OECE o comité Maudling para estudar a criação de uma vasta zona de comércio livre entre os Estados membros da organização

17 a 21 Encontro de Brioni entre Tito, Nasser e Nehru; condenado o colonialismo e proclamado o neutralismo

18 Rakosi demite-se de secretário-geral do Partido dos Trabalhadores Húngaros

19 USA recusam financiar a barragem de Assuão

26 Nasser nacionaliza o Canal de Suez, sem aviso prévio: daqui em diante o Canal é nosso, só nosso

· Agosto

5 Reabilitação de Gomulka

7 França e Reino Unido concordam na criação de uma força armada conjunta por causa da nacionalização do Canal do Suez

7 a 14 Khruchtchev em Berlim

17 Tribunal Constitucional da RFA proibe o Partido Comunista

· Setembro

29 Acordo franco-alemão sobre a europeização do Sarre

· Outubro

14 Reabilitação e reintegração de Imre Nagy na Hungria

19 Tratado entre a URSS e o Japão sobre o fim do estado de guerra

19 a 20 Dirigentes soviéticos em Varsóvia

23 Revolta popular na Hungria

27 Tratado do Luxemburgo entre a França e a RFA sobre a questão do Sarre, que seria integrado politicamente na RFA a partir de 1957 e economicamente em 1960

28 Libertação de Wyszinski

29 Começa a campanha dos israelitas no Sinai

30 Libertação de Mindszenty

31 Desembarque franco-britânico em Port-Said, no Egipto

· Novembro

4 Intervenção soviética em Budapeste; Nagy proclama a neutralidade da Hungria e apela para a ONU; é substituído por Janos Kadar

6 Ultimatum soviético para a retirada das forças anglo-francesas.

- No mesmo dia, reeleição de Eisenhower

13 Cessa a resistência húngara

· Dezembro

24 Reembarque das forças anglo-francesas

· Ainda em 1956...

- Encontros Internacionais de Genebra, Tradição e Inovação

 

III - ACONTECIMENTOS DO ANO

PAIGC. Por acção de Amílcar Cabral, surge em Bissau o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde. Outros fundadores são Aristides Pereira, Luís Cabral, Júlio de Almeida, Fernando Fortes e Elisée Turpin. Em 18 de Maio de 1960, surge em Dakar a Frente de Libertação das Ilhas de Cabo Verde e da Guiné Portuguesa. Em 23 de Janeiro de 1963 surge a primeira acção armada com um ataque ao quartel de Tite, no Sul da Guiné. A chamada frente Noret é aberta em Julho desse mesmo ano. Em Janeiro e Março de 1964 é a chamada batalha do Como. De 13 a 17 de Fevereiro reúne o I Congresso em Cassacá, no Sul da Guiné. Em Novembro de 1964, aberta a chamada Frente Leste. Em 19 de Fevereiro de 1968, um ataque ao aeroporto de Bissalanca. Em 5 de Fevereiro de 1969, ataque a Madina de Boé. Em 1 de Julho de 1970, Paulo VI recebe Amílcar Cabral, Agostinho Neto e Marcelino dos Santos. Em 20 de Janeiro de 1973, assassinato de Amílcar Cabral. De 18 a 22 de Julho de 1973, II Congresso do PAIGC, com eleição de Aristides Pereira como secretário-geral. Em 24 de Setembro de 1973, proclamação do Estado da Guiné-Bissau em Madina do Boé. Em 16 e 17 de Maio de 1974, encontro de Aristides Pereira com Mário Soares em Dakar. De 25 a 31 de Maio, conversações de Londres entre o PAIGC e Portugal. Em 9 de Agosto, conversações de Argel. Em 26 de Agosto, assinatura do Acordo de Argel. Em 10 de Setembro, Portugal reconhece a independência da República da Guiné Bissau.

 

MPLA. O Movimento Popular de Libertação de Angola foi criado, depois de, em Outubro de 1955, ter surgido o Partido Comunista Angolano. Tem como principais dirigentes Mário Coelho Pinto de Andrade, Lúcio Lara e Viriato Cruz. Organiza-se no seio do PLUA e vai, depois, integrar o Movimento para a Independência Nacional de Angola, surgido em 1958. Em 29 de Março de 1959, a PIDE prende muitos dos dirigentes do movimento. Em 4 de Fevereiro de 1961 desencadeia a luta armada. Invoca as experiências culturais da revista Mensagem, surgida em 1949, e da revista Cultura, de 1957. Tem ligações à Sociedade Cultural de Angola, surgida em Luanda, e à Casa dos Estudantes do Império de Lisboa. Em Julho de 1960 é preso Agostinho Neto.

 

XX Congresso do PCUS; leitura do relatório de Khruchtchev sobre o estalinismo; adoptada a tese da coexistência pacífica (14-24 de Fevereiro). O processo de mudança na URSS culmina no XX Congresso do PCUS, quando Khruchtchev, aí apresenta, em sessão à porta fechada, um incisivo relatório, onde é particularmente denunciado o sistema de governo de Estaline: o nosso partido, todos nós condenamos resolutamente Estaline pelos erros e deformações grosseiras que causaram um grave prejuízo à causa do partido e à causa do Povo. Aprovada a doutrina da coexistência pacífica: os conflitos ideológicos e políticos entre Estados não devem resolver-se por meio de guerras. Khruchtchev, nas suas Memórias, op. cit., p. 68, assinala que o relatório em causa resultou do trabalho de uma comissão presidida por Piotr Pospelov, secretário do Comité Central do partido, que, de 1940 a 1949, fora director do Pravda. Nas mesmas Memórias, salienta-se que as delegações dos partidos comunistas da França e da Itália, após a leitura do relatório, sentiram uma profunda ansiedade emocional. Pareceu-me que a sua preocupação ultrapassava a de outros partidos irmãos. O que era compreensível. Eram, e ainda são, grandes partidos de massas proletárias. Tanto Togliatti como Thorez tinham estado presentes nos julgamentos públicos

 

Suez, Crise do. A chamada Crise do Suez é subsequente à subida ao poder de Nasser, em 18 de Abril de 1954, que, dois anos depois, inicia um processo de aproximação aos soviéticos, pelo que, em 10 de Julho de 1956, já o Egipto começa a receber armamento de Moscovo. Tudo se agrava quando os USA recusam financiar a construção da projectada barragem de Assuão, em 19 de Julho de 1956, posição a que, dois dias depois, a URSS responde, prometendo examinar as possibilidades de apoio. Nasser decide então nacionalizar o canal de Suez, em 26 de Julho de 1956, afrontando directamente tanto os interesses como o orgulho dos europeus ocidentais e em 5 de Novembro eis que se dá o desembarque de tropas franco-britânicas em Port Said. A Europa ocidental verifica, então, que deixara de ser protagonista na cena mundial. Sem o apoio norte-americano, vê-se alvo de um ultimato soviético, ao mesmo tempo que Nehru ameaça abandonar a Commonwealth, não faltando sequer uma formal condenação da ONU. As tropas franco-britânicas são assim obrigadas a recuar e o fruto amargo dos ventos da história mostra quem foi o efectivo derrotado na Segunda Guerra Mundial.

 

Conferência de Veneza. A conferência dos ministros dos negócios estrangeiros da CECA, realizada em Veneza, aprova o relatório Spaak, decidindo abrir negociações inter-governamentais, para as quais vão ser convidados a participar, para além dos seis, outros países europeus. Conforme reconhecia Hallstein, a genialidade do método era que tomou um grupo de pessoas que se tinham confinado a ideias gerais e transformou os seres humanos em delegações; depois, eles souberam resistir a pressões nacionais a fim de preservarem os seus conceitos internacionais. Conferência diplomática de Bruxelas Decidida a convocação de uma conferência diplomática para a preparação do aprofundamento da integração europeia, que, se reuniu em Bruxelas a partir de 26 de Junho, concluindo os seus trabalhos nos começos de Março de 1957.

IV – BIBLIOGRAFIA

AUTORES

OBRAS

Allur Society. A Study in Processeses, 1956

ADORNO, Theodor

Metakritik Der Erkenntnistheorie, 1956

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Introdução à Cibernética, 1956

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History of Social and Political Ideas, 1956

BERTALANFFY, Ludwuig von

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The Permanent Purge, Cambridge Massachussetts, Harvard University Press, 1956.

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DIAS, Jorge

Antropologia Cultural, 1956

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- Aspects de la Fonction Guerrière chez les Indo-Européens, Paris, Presses Universitaires de France, 1956.

- Heur et Malheur du Guerrier,1956; (reed. Paris, éditions Flammarion, 1985).

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From Generation to Generation,1956

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Civilian and Military, 1956

ELIADE, Mircea

- Forgerons et Alchimistes, 1956

Le Sacré et le Profane, 1956; (reed., Paris, éditions Gallimard, 1965).

ENGISCH, Karl

Einführung in das juristiche Denken, 1956

EULAU, Heinz

Political Behavior, 1956

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Nuer Religion, 1956

FIGUEIREDO, Fidelino de

Medo da História, 1956

FRIEDMAN, Milton

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A Autoridade e o Indivíduo, São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1956.

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Le Romantisme Fasciste, Paris, éditions Fasquelle, 1956.

SERRA, António Truyol

História de la Filosofia del Derecho y del Estado

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The Torment of Secrecy. The Background of American Security Policies, Glencoe, The Free Press of Glencoe, 1956.

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Fads and Faibles in Modern Sociology, 1956

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Teoría del Estado, trad. cast., Barcelona, Ediciones Bosch, 1956.

VELOSO, Agostinho

Nas Encruzilhadas do Pensamento, 3 vols., Porto, Livraria Apostolado da Imprensa, 1956-1957.

VIERECK, Peter

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VOEGELIN

Order and History Vol I Israel and Revelation, Baton Rouge-Louisiana, 1956

WALDO, Dwight

Political Science in the U. S. A., Paris, UNESCO, 1956.

WEIL, Eric

Philosophie Politique, Paris, vrin, 1956

 

 

 

V - PERSONALIDADES DO ANO

Neto, António Agostinho (1922-1979) Médico por Lisboa, depois de frequentar a faculdade de medicina de Coimbra. Filho de um pastor protestante angolano. Concluído o liceu em Luanda, começa como empregado administrativo dos serviços de saúde. Em 1947 parte para Portugal onde cursa medicina. Um dos fundadores do MPLA e o primeiro presidente da República Popular de Angola, desde 11 de Novembro de 1975, até à data da morte. Começa como militante do MUD Juvenil em 1954, tomando parte, como representante da oposição portuguesa no I Encontro Mundial da Juventude Rural realizado em Viena nesse ano, organizado pela Federação Mundial da Juventude Democrática, de orientação pró-soviética. Preso pela PIDE em 1955 por fazer parte do MUD Juvenil, juntamente com Pedro Ramos de Almeida e ângelo Veloso. Regressa a áfrica em 1959, assumindo a presidência do MPLA, de que foi um dos fundadores em 1956. é um dos principais organizadores da Casa dos Estudantes do Império. Preso em Angola em Julho de 1960, é remetido para o Tarrafal, donde passa para o Aljube. Daqui se evade no Verão de 1962, numa acção organizada pelo PCP.

 

 

Brzezinski, Zbigniew Politólogo norte-americano de origens polacas. Professor na Columbia University de Nova Iorque e na John Hopkins University. Conselheiro dos presidentes democratas, de Kennedy a Carter. Nesta última presidência foi director do National Security Council. Manteve funções de conselheiro, perito em matérias da Europa do Leste na presidência de George Bush. Um dos principais sovietólogos da Guerra Fria, analista do fenómeno totalitário. Assinala a existência de três ciclos no sovietismo: se com Lenine, temos um partido totalitário visando a reconstrução total da sociedade, já com Estaline, passou a existir um Estado totalitário que subordinou totalmente a sociedade e tornou o próprio partido dependente do poder pessoal do secretário-geral deste que, aliás, também passou a ser assessorado directamente pelo aparelho militar e policial. Finalmente, com Brejnev, surgiu um Estado totalmente estagnado dominado por um partido totalitário corrupto. Analisando a subida de Gorbatchov ao poder, observa que que quanto mais o período estalinista fosse denunciado, mais o período leninista teria de ser idealizado, passando a fingir-se que tinha sido verdade aquilo que, nunca realmente, o tinha sido. Porque ao ter que atacar o estalinismo na base de um revitalizado leninismo, estava também a dar nova energia, a dar nova legitimidade e, assim, a perpetuar as forças ideológico-políticas que conduziram directamente ao leninismo.

· The Permanent Purge

Cambridge Massachussetts, Harvard University Press, 1956.

· Ideology and Power in Soviet Politics

Nova York, Praeger Press, 1962.

· Totalitarian Dictatorship and Autocracy

Cambridge, Massachussetts, Harvard University Press, 1956 [ 2ª ed., Nova York, Praeger Press, 1965] . Com Carl Joachim Friedrich.

· Between Two Ages. America’s Role in the Technotronic Era

Nova Iorque, The Viking Press, 1970.

· The Grand Failure. The Birth and Death of Communism in the Twentieth Century

[1ª ed., 1989], Londres, MacDonald & Co., 1990.

· Out of Control. Global Turmoil on the Eve of the 21st Century

Nova York, Collier Books, 1993.

 

 

Bertalanffy, Ludwig von (1901-1972) Biólogo, amigo de Hayek. Nasce em Viena, onde vai ser director do Instituto de Estudos Biológicos, e instala-se nos Estados Unidos a partir de 1949. Visa a criação de uma teoria dos sistemas gerais, defensora de um movimento de unificação da ciência, criticando-se a redução da comunicação entre os vários campos de investigação, que conduzia a uma duplicação de esforços, e defendendo-se a necessidade de cada disciplina ter uma teoria geral e abstracta para integrar o conhecimento adquirido noutras disciplinas. Depois da Segunda Guerra Mundial, em 1956, chega mesmo a fundar-se uma Sociedade para o Desenvolvimento da Integração dos Sistemas Gerais, editora da revista General Systems. Considera que a vida é uma luta contra a entropia, através da informação. No mundo físico existe um sistema fechado, dado que não recebem informação do ambiente, a não ser quanto ao impulso inicial, pelo que há uma tendência para a desordem e para o caos. Nos fenómenos vitais e sociais, há sistemas abertos, marcados pela complexidade crescente.

· «General Systems Theory. Foundations, Developments, Applications»

In General Systems, vol. I, 1956 [ reed., Nova York, Brazillier, 1968; trad. fr. Théorie Générale des Systèmes, Paris, Librairie Dunod, 1973] .

 

VI - LIVROS DO ANO

Preface (A) to Democratic Theory, 1956 Obra de Robert Dahl, onde se faz o estudo comparado de três tipos de democracia norte-americana: madisonian democracy (o esforço de compromisso entre o poder das maiorias e o poder das minorias), populistic democracy e polyarchal democracy. Considera que a poliarquia se caracteriza por um profundo pluralismo social, havendo uma pluralidade de centros de decisão autónomos. Há uma diversidade de organizações sociais e cada uma delas tem um certo grau de autonomia face às concorrentes. Os vários líderes independentes entram em concorrência e fazem coligações sempre mutáveis, sob o controlo popular. Impõe-se assim o compromisso e a conciliação, através de intermináveis negociações (bargaining) entre grupos que se opõem uns aos outros. A livre concorrência entre grupos rivais, nos limites impostos pelo consenso, leva a um equilíbrio espontâneo, equilíbrio que será tanto mais estável quanto a sociedade é mais diversificada (Chicago, The University of Chicago Press, 1956).

 

Allur Society. A Study in Processes and 1956 Considera o Estado unitário como a última fase da evolução do político que começa nas sociedades sem Estado, de forma piramidal, e passa, sucessivamente, pelas sociedades segmentares, pelos Estados Segmentares, atingindo, finalmente os Estados Unitários. A crescente complexificação da instituição política leva a que o poder se vá deslocando acima da sociedade. Nos Estados Segmentares, com a chefatura, o poder ainda está na sociedade, ao contrário do que acontece nos Estados Unitários, onde o poder se distribui através do centro, de forma hierárquica, representando alguma coisa for a e acima da sociedade.

VII - FALECIMENTOS E NASCIMENTOS

FALECIMENTOS

NASCIMENTOS

AGUIAR, Padre Américo Monteiro de (1887-1956)

BADOGLIO, Pietro (18711-1956)

BENDA, Julien (1867-1956)

BRECHT, Bretold 1898-1956

CABRAL, António 1863-1956)

CECIL, Lord Hugh (1869-1956)

FERRO, António (1895-1956).

LIMA, João Evangelista Campos (1887-1956)

OLIVEIRA, Luís Alberto de (1880-1956)

 

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© José Adelino Maltez. Todos os direitos reservados. Cópias autorizadas, desde que indicada a proveniência: Página profissional de José Adelino Maltez ( http://maltez.info). Última revisão em: 30-04-2009 © José Adelino Maltez. Todos os direitos reservados. Cópias autorizadas, desde que indicada a proveniência: Página profissional de José Adelino Maltez ( http://maltez.info). Última revisão em: 30-04-2009