Clausewitz, Karl von (1780-1831) Estrategista alemão, director da Academia Militar
de Berlim desde 1818. Cria o conceito de guerra
total que marca a actuação da Alemanha na guerra de 1914-1918, sob a
direcção de Hindenburg e Ludendorff. Celebrizado pelo facto de considerar a
política como uma espécie de guerra sem efusão de sangue, enquanto perspectiva
a guerra como uma simples continuação da
política dos Estados, por outros
meios. Porque a guerra não é senão
uma parte das relações políticas e, por conseguinte, não é qualquer coisa que
seja independente das mesmas … A guerra não é senão a continuação das relações
políticas pelo recurso a outros meios. É o acto de violência cujo fim é forçar o adversário a executar a nossa
vontade. Assim, fala na estranha trindade da guerra. O seu
elemento é a violência original. O seu modo de ser é o jogo (a probabilidade, o
acaso). O seu espírito é a política.
Acresce que no século XIX, depois da Revolução francesa e de Bonaparte,
esse deus da guerra, o sujeito
político passou a ser o povo e a
guerra absoluta passou a ser uma guerra
popular. Surge a nação em armas,
pelo que, deste modo, a a guerra passa a coincidir com a essência da política
do Estado, fundada na soberania do povo.
As respectivas obras são traduzidas em francês depois da derrota de 1870.
Raymond Aron dedica-lhe o seu Penser la
Guerre. Clausewitz, Paris,
Gallimard, 1976.
·Vom Kriege (obra escrita em
1818-1831, mas apenas publicada postumamente, em 1832; cfr. trad. port. Da Guerra, Lisboa, Perspectivas &
Realidades). A obra constitui os três primeiros volumes de Hinterlassene Werke, publicados entre 1832 e 1837.
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