
¾ Voegelin, Eric (1901-1985)
Conceito pode definir-se, não a realidade, 13, 98 -Linguagem do teórico, 3, 17-Procura da ordem da existência, 11, 90 -Teoria, reprodução imaginativa de experiências, 7, 65 44, 277 Voegelin, Eric,
sendo licenciado em direito, também começou a sua vida docente como colaborador de um dos maiores juristas do
século XX, Hans Kelsen, com o ensaio The Nature of Law, elaborado em 1957, que constituiu a base da leccionação de um curso de introdução ao direito que regeu na Faculdade de Direito da Louisiana, de 1954 a 1957, considerado pelo próprio como edição temporária, destinada exclusivamente aos alunos inscritos. Um texto, aliás, bastante marcado pelos modelos de Order and History, de 1956-1957
Tal mestre constitui, sem dúvida, uma das referências fundamentais do universo contemporâneo das ideias. Principalmente por ser um insigne representante da íntima ligação entre o pensamento europeu e o pensamento norte-americano do pós-guerra, à semelhança de outros
gigantes, como Leo Strauss, Carl J. Friedrich e Hannah Arendt, que a euforia genocida das perseguições hitlerianas obrigou a uma travessia do Atlântico. Uma geração que manteve, nesse Novo Mundo, a arca dos segredos teóricos da liberdade europeia, daquilo que o mesmo Voegelin considerou como a ciência clássica e cristã do homem, onde o fundo ateniense, platónico e aristotélico, reanimado pelo estoicismo romano e pelo vigor espiritual judaico-cristão, produziu aquele humanismo activista que sempre ousou nascer de novo, refazendo as sucessivas renascenças e promovendo aquelas regenerações que sempre visaram regressar para seguir em frente.
Falamos evidentemente daquelas correntes contrárias à modernidade do cientismo, iluminista ou positivista, que alguns alcunham de conservadoras, e que o não deixam de ser, se as entendermos como conservadoras do que deve ser, isto é, dos princípios, mas que, contudo, se manifestam como irreverentemente inconformistas, quando não insolentes, face ao situacionismo mental da modernidade, que apenas pretende conservar o que está. Aliás, a comunidade instalada nas terras norte-americanas, fiel ao acto fundacional da respectiva res publica, sempre constituiu uma espécie de refúgio para todos os que, peregrinando pelas origens, conservam fidelidade ao princípio da continuidade histórica das instituições políticas, tendo até transformado a independência norte-americana naquela revolução evitada que permitiu o transporte do consensualismo anti-absolutista, tardo-medieval e renascentista, para os nossos dias.
As teses de Voegelin sobre o direito inserem-se, sem dúvida, naquele grandioso movimento de regresso ao direito natural e à teoria da natureza das coisas que, depois do holocausto nazi e do terrorismo estalinista, nos obrigou à reperegrinação em torno da dignidade da pessoa humana.
Voegelin, natural de Colónia, foi estudante de direito em Viena e, candidatando-se a docente na faculdade de direito, onde se licenciara, elaborou, em 1922, uma dissertação onde teve como um dos orientadores, o referido Hans Kelsen. Contudo, cinco anos depois, quando contava com 26 anos de idade, já esboçava uma crítica de fundo ao seu mestre, repudiando o excessivo logicismo das bases metodológicas da teoria pura do direito, marcada pela Normlogik da Escola de Marburgo, segundo as quais, uma ciência do direito que não obedecesse às categorias formais do a priori kantiano não poderia atingir a dimensão autenticamente científica. Contudo, não seguia as sendas também neo-kantianas da Escola de Baden, marcada pela filosofia dos valores, modelo que vai inspirar alguns dos principais pensadores do direito do mundo lusíada, como Luís Cabral de Moncada e Miguel Reale. Se se distanciava do conceito de valores assumido por Heinrich Rickert, não deixava, contudo, de conciliar-se com a perspectiva do institucionalismo do francês Maurice Hauriou, aceitando deste, principalmente, a sua ideia de representação, tópico a partir do qual vivenciava a sua fé democrática.
The New Science of Politics. An Introduction
(Chicago, The Chicago University Pres, 1952). (cfr. a péssima trad. portuguesa de José Viegas Filho, A Nova Ciência da Política, 2ª ed., Brasília, Editora Universidade de Brasília, 1982).Order and History
vol. I - Israel and Revelation (Baton Rouge, Louisiana, Louisiana State University Press, 1956); vol. II - The World of the Polis (Baton Rouge, Louisiana, Louisiana State University Press, 1957); vol. III - Plato and Aristotle (Baton Rouge, Louisiana, Louisiana State University Press, 1958); vol. IV - The Ecumenic Age (Baton Rouge, Louisiana, Louisiana State University Press, 1974); vol. V - In Search of Order (Baton Rouge, Louisiana, Louisiana State University Press, 1987). Análise da tensão clásica entre o sagrado e o profano no mundo da política. Perspectiva da análise das estruturas do simbólico na ordem política ocidental.
BIBLIOGRAFIA:
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Chicago, Regnery Gateway, 1961.
Anamnesis
(Munique, Piper Verlag, 1966).Trad. ing., Columbia, Missouri, University of Missouri Press, 1978.
The Nature of the Law and Related Legal Writings
Baton Rouge, Louisiana State University Press, 1991 [trad. port. de Fernando Virgílio Ferreira, com prefácio de José Adelino Maltez, A Natureza do Direito e outros textos jurídicos, Lisboa, Edições Vega, 1998].
Estudo das Ideias Políticas de Erasmo a Nietzsche
, apresentação e tradução de Mendo Castro Henriques, Lisboa, Ática, 1996Germino, Dante, «O "Metaxo" da Vida Humana», in Crespigny, Anthony, Minogue, Kenneth R., Filosofia Política Contemporânea, trad. port., Brasília, Editora Universidade de Brasília, 1982, pp. 103 segs.. Henriques, Mendo Castro, A Filosofia Civil de Eric Voegelin, Lisboa, 1993, dissertação de doutoramento. Rogeiro, Nuno, «A Política como Arcano e Revelação. Memória de Eric Voegelin», in Revista Futuro Presente, Janeiro de 1980.
: Maltez, José Adelino, Princípios de Ciência Política. Introdução à Teoria Política, Lisboa, ISCSP, 1996, pp. 11, 28, 37, 53, 104, 129, 322 e 442. Possenti, Vittorio, A Boa Sociedade. Sobre a Reconstrução da Filosofia Política, Lisboa, IDL - Instituto Adelino Amaro da Costa, 1986, pp. 51 segs..
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