Tchernichevski, Nikolai Gavrilovitch (1829-1889)
Um dos
nihilistas russos, para quem seria importante que o poder passasse não de jure, mas de facto para as mãos da classe mais baixa e mais
numerosa: camponeses, assalariados e artesãos até porque o
mais terrível de tudo é sempre o Leviathan, o monstro informe que tudo vai
tragando. Contudo, Tchernishevski prefere adoptar a via literária para a
revolução, começando por meditar sobre As
Relações Estéticas entre a Arte e a Realidade, de 1855, até porque,
segundo ele, nas nações onde a vida espiritual e social alcançou um
desenvolvimento elevado existe, se assim se pode dizer, uma divisão de trabalho
entre os diversos ramos da actividade mental, ao passo que entre nós não
conhecemos senão um: a literatura. Dois anos depois, já considera que o
socialismo pode chegar à Rússia antes de se desenvolver completamente o
capitalismo, isto é, antes que sejam destruídas as raízes colectivistas que
permaneciam na Rússia rural. E na sua Crítica
dos Preconceitos Filosófico contra a Posse Comunal (Obshina), de 1858,
declara: não somos seguidores de Hegel e,
muito menos, de Schelling, mas não podemos deixar de reconhecer que os dois
sistemas prestaram grandes serviços à ciência com a descoberta das formas
gerais pelas quais se move o progresso histórico. O resultado fundamental desta
descoberta está no seguinte axioma: pela sua forma, a etapa superior do
desenvolvimento é similar ao ponto de partida. É aliás a este autor que
cabe a elaboração do guia moral de todo o populismo russo, o romance Que Fazer?, escrito quando Tchernishevski estava detido, entre 1862
e 1864. Tchernichevski foi, a partir de 1856, um dos mais importantes
colaboradores da revista Sovremennik
(O Contemporâneo), publicada em São Petersburgo de 1836 a 1866. Nela também
colaboraram Belinski, em 1847-1848, e Turguenev.
As obras completas de Tchernichevski foram publicadas em 1906, em dez
tomos. O autor exerceu profunda influência na evolução do marxismo na Rússia
e, logo em 1890-1892, Plekhanov uma série de artigos sobre o autor de Que
Fazer? na revista Sotsial-Demokrat,
órgão do grupo Emancipação do Trabalho.
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