Respublica Repertório Português de Ciência Política Edição electrónica 2004 |
Alienação
Do lat. alienatio,
acção de tornar alguém ou alguma coisa alheia a alguém.
O mesmo que alheação. Pode, aliás, haver uma alienação psicológica
quando uma pessoa se torna alheia a si mesma. Juridicamente diz-se da operação
de transferência da propriedade de um bem. No plano sociológico tem a ver com
a separação violenta de dois seres que deveriam estar unidos. Conceito de
Marx, herdado de Hegel e de Feuerbach, que analisou especialmente o mecanismo da
alienação religiosa. Em alemão, Entfremdung, vem de Fremd,
estrangeiro, tal como em latim o alienus
era também o estrangeiro. Segundo as teorias do contrato social, dá-se a alienção
quando um indivíduo renuncia aos seus direitos originários e naturais,
entregando-os ao todo que, depois, os transforma em direitos civis que atribui
aos cidadãos. Isto é, a alienação acontece quando o indivíduo se afasta da
natureza e dos produtos sociais, culturais e económicos que resultam da
respectiva actividade. Segundo o
marxismo, a alienação é um processo pelo qual um trabalhador é desapossado
do produto do seu trabalho. Havendo propriedade privada dos meios de produção,
dá-se assim a despersonalização dos trabalho. Há separação entre o homem,
enquanto membro da sociedade civil, e o homem enquanto cidadão do Estado. É a
partir deste conceito que Marx elabora o de exploração. Althusser salienta que
a alienação em Marx ainda é uma noção pré-marxista, do humanismo do jovem
Marx, aparecendo nos Manuscritos de 1844.
Wilhelm Reich tenta identificar o conceito freudiano de repressão dos instintos
ao conceito marxista de alienação económica.
1Schwartz,
D. C., Political Alienation and
Political Behavior, Chicago, Aldine de Gruyter, 1973. Perroux, François, Aliénation et Societé Industrielle, Paris,
Éditions Gallimard, 1970.