Respublica Repertório Português de Ciência Política Edição electrónica 2004 |
Complexidade Crescente, Lei da
Adaptando o pensamento de Teilhard de Chardin, Adriano Moreira enumera a
lei da complexidade cresecente nas relações internacionais, segundo a qual a
marcha para a unidade do mundo é acompanhada por uma progressiva multiplicação
qualitativa e quantitativa dos centros de decisão (divergência) e de uma
multiplicação quantitativa e qualitativa doas mútuas relações, tudo originando
novas formas políticas (grandes espaços) e órgãos supranacionais de diálogo,
cooperação e decisão.
Aquilo
que, Adriano Moreira, na esteira de Teilhard de Chardin, qualifica como a lei da complexidade
crescente nas relações internacionais, que é acompanhada
por idêntica complexidade crescente na reconstrução da polis.
Há divergências e convergências que só podem ser superadas, não pelo ecletismo ou pela síntese, mas apenas por aquilo que Chardin qualificava por emergência,
por aquela energia que lança para cima e para dentro, na direcção de um estado cada vez mais complexo e mais centrado. Segundo o ensino do Professor Adriano
Moreira, há movimentos de convergência mundialista, ao mesmo tempo que se aceleram processos de divergência e de
dispersão e dessa complexidade surgem novas formas políticas, desde os grandes
espaços aos órgãos supranacionais de diálogo, cooperação e decisão. Dito
de outra forma: a planetização dos fenómenos políticos, a marcha para a unidade do mundo, como se nota na existência de uma multiplicação das relações mútuas,
acompanha-se de uma multiplicação quantitativa e qualitativa dos centros de
decisão. Isto é, as relações internacionais são complexas. E as coisas
complexas são precisamente aquelas onde há, simultaneamente, convergência e
divergência. A convergência, a planetização dos fenómenos políticos
nota-se na marcha para a unidade do mundo, onde problemas como a fome, a
explosão demográfica e a domesticação da energia atómica são todos eles
indivisíveis. A divergência nota-se na multiplicação das relações
internacionais. Se, por um lado, se assiste a uma multiplicação quantitativa
(aumentam os contactos através das velhas formas) e a uma multiplicação
qualitativa (surgem novas formas de contactos) das relações internacionais, eis
que também se dá uma proliferação dos centros de decisão que se manifesta no
aumento do número de Estados (cerca de duas centenas), no aparecimento de novas
entidades supra-estaduais, bem como no surgimento de Organizações Não
Governamentais resultantes da internacionalização da vida privada.