Respublica Repertório Português de Ciência Política Edição electrónica 2004 |
Conquista do Poder
Para muitos, a política traduz-se numa luta pela conquista do poder
supremo, pela aquisição, manutenção e exercício do poder do governo, onde, na
democracia, há uma tentativa de captura do poder se sufrágio, através de
partidos, entendidos como grupos que lutam por esse poder. Contudo, sempre se
considera que, na essência, o poder é o poder de decisão em momento excepcional,
onde há uma espécie de primado do executivo, dentro deste, pela liderança
pessoal do líder desse executivo, marcado por uma espécie de solidão. Foi esta
perspectiva concentracionária do poder que marcou o modelo de António de
Oliveira Salazar, o mesmo que declarou que a essência do poder é procurar
manter-se.
Conquista
e manutenção do poder— O governo da vontade geral e a perspectiva da democracia como tensão entre uma maioria e uma minoria, onde há diálogo e, consequentemente, lugares comuns entre
adversários. A perspectiva da política como relação entre o amigo e o
inimigo. — O estado normal e o estado febril de uma comunidade
política. Situacionismo e oposição. A oposição parlamentar e a oposição
extraparlamentar. Reviralhismo, insurreição e subversão. — A luta pelo
poder no Estado de Direito Democrático (eleições, processo de influência sobre
as decisões, controlo pela implementação administrativa das leis).
— Técnicas de persuasão política. Manipulação política e propaganda
política. A comunicação de massa. O demagogo. A rebelião das massas, a violação das massas pela propaganda e a multidão solitária. — A teoria do Estado Espectáculo. A passagem das ideias
e abstracções à s personagens. O star system. Os políticos como actores. A política mediática. A crise do sujeito sem discurso e o expressionismo social. — Violência e poder.
Formas violentas de modificação política (guerrilha, revolução, golpe de Estado,
rebelião, insurreição). — O terrorismo. Do Catecismo Revolucionário de Bakunine e Netchaev à teoria da
guerrilha e da luta armada dos anos sessenta. Situação actual. — O
golpe de Estado (coup
d’État). O
golpe de Estado constitucional. O golpe militar (pronunciamento).
A tese clássica de Gabriel Naudé (1639). A tese de Curzio Malaparte, Tecnica del Copo di
Stato, 1931. A teoria insurreccional do blanquismo. O mito da
greve geral segundo Georges Sorel. A teoria e a prática leninistas da insurreição.
Subversão a partir da sociedade civil. A insurreição a partir do
aparelho de Estado. — Tiranicídio e assassinato político.
— A desobediência civil e a resistência passiva (o modelo de Gandhi).
— As revoluções. O modelo da revolução francesa. A teoria marxista-
-leninista de revolução. O modelo das revoluções ao contrário. A revolução nacional.