Respublica Repertório Português de Ciência Política
Edição electrónica 2004
Imagem do Poder
O político, sendo um reflexo de uma imagem que a sociedade faz
de si mesma, assume-se como uma representação e liga-se a símbolos e mitos,
pelo que é da mesma natureza que o universo poético. Com efeito, a imagem,
enquanto eikon
(imagem ou reflexo), distingue-se de eídos
(aparência ou forma). Etimologicamente é a aparição,
assume-se como algo de visível do que não se vê. Liga-se assim à phantasia
do poder (um impulso exterior captado pela alma e capaz de aí permanecer). Neste
sentido, constitui uma das formas de justificação
do poder político, tendo a ver com a miranda
(o lado exotérico, a exteriorização ou o ritual do poder) e distinguindo-se
da credenda (o lado esotérico, dos
princípios, crenças e ideologias). A ideologia e a constituição, como
formas dominantes de credenda e de miranda.
Imaginação
social e representação utópica. A
questão da constituição. Do
título que serve para mandar ao estatuto
jurídico do político.
As
liturgias políticas e os rituais do poder. A questão dos símbolos nacionais.
As festas e os feriados nacionais. O comemorativismo oficial. Das regras de
etiqueta dos anciens régimes à s
actuais regras protocolares, cerimoniais e rituais.