Respublica Repertório Português de Ciência Política
Edição electrónica 2004
Método Método sempre quis dizer caminho, sempre foi
um meio, um instrumento
para se atingir o fim da
verdadeira ciência: a inteligibilidade do real. Logo, se os fins não devem ser
postos ao serviço dos meios, talvez o primeiro dos vícios científicos esteja
naqueles que acabam por transformá-lo numa ideologia,
dando prevalência ao método sobre o objecto. Quando
dizemos que no princípio de cada ciência
está o método, não podemos esquecer que o logos
é anterior e superior ao método, que
a ontologia é superior à metodologia, que a verdade,
deve, em qualquer caso, prevalecer, como assinala Gadamer. As
eternas perguntas sobre o como se caminha para a verdade (know
how), essa ilusão teórica do conhecer
o conhecimento, podem desviar-nos do próprio objecto que pretendemos
analisar e, de tanto pensarmos o
pensamento, podemos acabar por nem sequer pensar. Se dermos preponderância
à pergunta do como, do knowing
how, insistindo nas prescrições metodológicas, podemos desviar-nos das próprias
coisas, esquecendo o knowing that, não
respondendo à pergunta fundamental sobre o
quê. Com
efeito, no nosso tempo, as ciências sociais estão cercadas por um excesso de
metodologismo, onde abundam as engenharias conceituais com muitos manuais cheios
de instruções sobre a descoberta da verdade, que, muitas vezes, têm levado a
que se coisifique o pensamento. Ora, a
aprtir do momento em que se transforma o próprio pensamento numa simples coisa,
está aberta a senda para a objectivização do sujeito e para a subjectivização do objecto.