Respublica Repertório Português de Ciência Política
Edição electrónica 2004
Morte de Deus
Também dita "desdivinização do mundo". Surge a partir de Descartes e do penso
logo existo que lança os tempos modernos, marcados pela solidão da
razão individual, onde, nos primeiros tempos se acreditou no absolutismo dos métodos
da matemática e da geometria. Tenta-se a ocupação da cúpula da humanidade,
esse vértice integrador do próprio conhecimento. Só que, depois dessa
"morte", talvez tenha sucedido um infinito vazio que, desde
Abrem-se, assim, as portas ao chamado deicídio ou morte de Deus que, se
começou por ser exclusivamente académico, até porque Grócio e os outros
fundadores do jusracionalismo eram profundos crentes, depressa vai conduzir ao
patíbulo das execuções revolucionárias e à consagração de uma nova
entidade que vai fazer as vezes de Deus, o supremo ente ou a deusa-razão
que, com Robespierre, ganha direito a missas laicas e a procissões cívicas.
então, temos tentado preencher frustradamente. Ele próprio proclamou, em A
Gaia Ciência, de 1882, a "morte de Deus" e que "o homem
nobre não tem nada em vista:obedece simplesmente à natureza até sucumbir aos
instintos".