Respublica Repertório Português de Ciência Política
Edição electrónica 2004
Revolução Copernicana (Kant)
Se o racionalismo cartesiano, juntamente
com o empirismo, dão lugar à
ideologia iluminista, à Aufklarung ou dialéctica do
esclarecimento, os dois referidos ingredientes servem a Kant para
levar a cabo aquilo que ele próprio designa como a revolução
copernicana.
Criticando, no empirismo inglês, o cepticismo e no racionalismo, o dogmatismo,
procura um novo processo de conhecimento, que qualifica como criticismo
e idealismo transcendental. Antes dele, o sujeito que gravita à volta
do objecto, tal como antes de Nicolau Copérnico e
da sua DeRevolutionibus
Orbium Coelestium, de 1530, se pensava que a terra andava à volta do sol.
Com Kant, o objecto passa a gravitar à volta do sujeito: o entendimento cria as suas leis não a partir da natureza, mas
prescreve-as à natureza. Se, na filosofia clássica aristotélica, o
pensamento precede o conhecimento, a partir de Kant,
o conhecimento é anterior ao pensamento e constitui o seu conteúdo e o seu
objecto: aceitou-se até hoje como coisa normal que todo o conhecimento tinha que deixar dirigir-se
pelos objectos... ; trata-se agora de averiguar se não progrediríamos mais
aceitando que são os objectos que têm de deixar dirigir-se pelo nosso
conhecimento