Respublica Repertório Português de Ciência Política Edição electrónica 2004 |
1841
Cai o governo de Bonfim e sucede-lhe o de Joaquim António de Aguiar. Politicamente, o país continua a ser dominado pela dupla Costa Cabral/ Rodrigo da Fonseca, os quais têm um grave conflito quando disputam a eleição para Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano, depois da morte de Manuel Gonçalves de Miranda. Aguiar foi escolhido por receber o apoio conjunto de Cabral e Rodrigo. Começa a despontar a estrela de António José de Ávila, o novo ministro da fazenda do governo de Aguiar que reforça a tendência ordeira, quando amnistia os implicados na revolta dos marechais, demite oficiais setembristas, dissolve unidades da Guarda Nacional e entrega o comando das Guardas Municipais a cartistas (D. Carlos de Mascarenhas em Lisboa e conde das Antas no Porto). Por efeitos do comando subterrâneo da maçonaria, o cabralismo, antes de o ser, já o era...
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Reabertura das Cortes |
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Demissão do ministro da fazenda |
Manuel Gonçalves de Miranda cede a pasta da fazenda ao barão do Tojal e passa para a marinha, gerida até então por Bonfim (12 de Março).
Morte de Gonçalves Miraanda
Miranda, até então, Grão Mestre da Maçonaria, vai falecer em 5 de
Abril.
Conflito entre Cabral e Fonseca
Sucede-se então um grave conflito entre a dupla que dinamizava o governo,
Costa Cabral e Rodrigo da Fonseca, os quais disputam, o lugar cimeiro do Grande
Oriente. O conflito entre as duas estrelas governamentais começara em Janeiro,
mas, graças à intervenção do próprio Bonfim, reconciliaram-se em 15 de
Março.
Proposta
tributária
No dia 15 de Março, a Câmara dos Deputados discute a proposta tributária
do governo. José Estevão lança para o debate o conflito entre Cabral e
Rodrigo da Fonseca. Há uma resposta directa do próprio Costa Cabral. A
proposta de Tojal é aprovada com uma maioria de 21 deputados.
Demissão
do governo
Depois
de reabertos os trabalhos parlamentares no dia 25, houve um empate numa
votação (38-38) sobre a reconstituição da Guarda Nacional proposta
pelo governo, a fim de se extinguirem os Batalhãoes Nacionais criados
quando a Espanha nos ameaçava invadir. Governo apresenta a demissão,
apesar de a 29 de Maio ter obtido uma maioria (45-38). A Rainha chega a
chamar o Duque da Terceira para este formar governo.
Governo
de Joaquim António de Aguiar
Governo
de Joaquim António de Aguiar. Indicado, ao mesmo tempo, por Costa Cabral
e Rodrigo da Fonseca (9 de Junho). Cabral conserva a pasta da justiça.
Rodrigo da Fonseca fica apenas com a dos estrangeiros. Aguiar acumula a do
reino. Vila Real é chamado para a guerra. António José de Ávila aparece na
fazenda. José Ferreira Pestana na marinha. É o sétimo e último governo do
setembrismo.
Ataques a Ávila
O novo ministro da fazenda recebe ferozes ataques parlamentares de
Garrett e de Taipa (15 de Julho e 14 de Agosto). Também o atacam
cartistas como Ferrer e Seabra.
Em 6 de Novembro de 1841, retirados 10% aos vencimentos dos funcionários. Falhava a tentativa de um novo ministro da fazenda, depois das sucessivas experiências do anterior governo nesse lugar (Ferraz, Miranda e Tojal).
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