Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004


1923

 

Jan.  Fev.  Mar.  Abr.  Mai.  Jun.  Jul.  Ag.  Set.  Out.  Nov.  Dez.


Janeiro

 

Bloco republicanos de liberais e reconstituintes

Liberais e reconstituintes na oposição, dizem-se, então bloco republicano.

 

A questão do ensino religioso

Prosseguem os conflitos com a Igreja. Leonardo Coimbra, Ministro da Instrução Pública, entre 30 de Novembro de 1922  e 9 de Janeiro de 1923, é obrigado a demitir-se por pressão da ala jacobina quando tenta nova legislação estabelecendo que o ensino será neutral em matéria religiosa, o que permitiria a reinstalação do ensino religioso. Leonardo é apoiado por Raul Brandão, Guerra Junqueiro e Teixeira de Pascoaes. Ao facto não é estranha a atitude colaboracionista do CCP com os trabalhos parlamentares.

 

4

Imposição de barrete cardinalício ao núncio apostólico

António José de Almeida impõe o barrete cardinalício ao novo Núncio Apostólico, Monsenhor Acquille Locatelli, em 4 de Janeiro. Choques entre revolucionários e polícias em Lisboa e no Porto.

 

15

Apresentação do orçamento

Apresentado orçamento para 1923-1924 em 15 de Janeiro.

 

27

Regulamento da lei fiscal

Por decreto de 27 de Janeiro é regulamentada a lei fiscal de 21 de Setembro.

 

Bombas

Nos começos do ano de 1923 recrudescem os atentados bombistas.

 


Fevereiro

2

Julgamento dos outubristas

Os ânimos exaltam-se com o julgamento dos outubristas no Tribunal de Santa Clara (de 24 de Novembro de 1922 a 1 de Junho de 1923). Na sessão de 2 de Fevereiro, um dos réus proclama: o meu crime foi ser revolucionário. Intervenção dos advogados de defesa Cunha e Costa, Ramada Curto e Amâncio Alpoim.

 

9

Intervenção do advogado Ramada Curto

Na sessão do dia 9, Ramada Curto considera que a nação e todos os poderes do estado vivem hoje à sombra da revolução de 19 de Outubro.

 

5

Unificação de liberais e reconstituintes

Em 5 de Fevereiro os directórios dos partidos liberal e reconstituinte decidem organizar novo partido conjunto.

 

17

Manifesto do partido nacionalista

Em 17 de Fevereiro é publicado o manifesto do novo partido nacionalista, redigido por Júlio Dantas.

 

19

Comunicação oficial ao Congresso sobre o novo partido

No dia 19, Álvaro de Castro comunica oficialmente ao Congresso a constituição do novo partido.

 

27

Bombas contra o regime do novo horário de trabalho

Bombas em Lisboa por causa do regime do horário de trabalho dos metalúrgicos, em 27 de Fevereiro.

 


Março

 

Moagens compram O Século

As moagens compram O Século, nomeando Cunha Leal com director (Março).

 

 

Seara Nova defende União Cívica

Manifesto da Seara Nova defende uma união cívica à margem das querelas partidárias. Apelo a uma obra de reorganização nacional através de uma governação excepcional indispensável, com o apoio e cooperação de todos os portugueses

 

9

Não a empréstimo da Sociedade das Nações

Interrompidas negociações com a Sociedade das Nações, tendo em vista a obtenção de um avultado empréstimo. Considera-se que o mesmo poria em jogo a soberania e a independência nacionais

 

27

Nova pauta aduaneira

Nova pauta aduaneira em 27 de Março.

 

 

Greves

Greves dos metalúrgicos e padeiros.

 


Abril

 

Congresso dos democráticos

Congresso do partido democrático. Contra a linha oficial, as candidaturas de Vitorino Guimarães e José Domingues dos Santos. Chega a propor-se a criação de uma religião laica visando substituir o catolicismo.

 

25

Bombas

Bombas em Lisboa na rua da Imprensa Nacional (25 de Abril)

 

27

Bombas em barbearias na Rua Augusta e na calçada do Combro (27 de Abril).

 

 

Greves

Greves dos corticeiros, dos trabalhadores das moagens e dos têxteis.

 


Maio

15

Empréstimo Rácico

Lei nº 1424 de 15 de Maio estabelece o chamado empréstimo rácico. Destina-se a cobrir o défice.  Condições bastante favoráveis. Juro annual de 6 ½ pagável trimestralmente, isenção de impostos. Liberado em libras esterilinas.

13

Papa apoia Centro Católico

Carta de Pio XI de 13 de Maio apoia a pastoral colectiva do episcopado português que apoiava o CCP.

 

20

Missões civilizadoras laicas em Angola

Norton de Matos cria em Angola uma missão civilizadora laica, em 20 de Maio.

 

 


Junho

1

Julgamento dos outubristas

Leitura da sentença dos implicados na noite sangrenta em 1 de Junho.

 

7

Circulação fiduciária

Novo contrato entre o Estado e o Banco de Portugal, em 7 de Junho de 1923. Aumento da circulação fiduciária relacionado com o empréstimo.

 

9

Primeiro congresso do Partido Radical

De 9 a 11 de Junho, primeiro congresso do novo Partido Radical. Aliança entre outubristas, como Procópio de Freitas, Camilo de Oliveira, Orlando Marçal, António Arez e Veiga Simões, e os restos do partido popular. O grupo começou por chamar-se Partido Republicano de Fomento Nacional.

 

14

Carmona regressa à 4ª divisão militar

Carmona pede escusa do cargo de promotor do tribunal de Santa Clara e regressa ao comando da 4ª região militar em 14 de Junho.

 

22

Nacionalistas regressam ao parlamento

Nacionalistas regressam ao parlamento, depois de um mês de ausência, em 22 de Junho de 1923.

 

29

Perigo de conspiração fascista

A Batalha alerta para o perigo de uma conspiração fascista, em 29 de Junho.

 

 


Julho

4

Naacionalistas contra o governo

Cunha Leal, enquanto sublíder dos nacionalistas, critica o governo em 4 de Julho.

 

 

Crítica à s políticas financeira e agrícola

Ataques da Imprensa da Manhã e de A Pátria à política dos ministros das finanças, Vitorino Guimarães, e da agricultura, Abel Fontoura da Costa.

 

7

Morte de Guerra Junqueiro

Morte de Guerra Junqueiro em 7 de Julho.

 

11

Democráticos candidatam Teixeira Gomes

Partido democrático, por influência de Afonso Costa, apresenta a candidatura de Manuel Teixeira Gomes à presidência da república, em 11 de Julho.

 

16

Demissão do ministro da guerra

Demite-se o ministro da guerra Fernando Freiriia em 16 de Julho. Conflito com o oficial avidor António Maia que também era deputado.

 

17

Censura a António Ferro

Protestos contra a censura feita à peça de António Ferro, Mar Alto. Subscrevem o protesto, entre outros, Fernando Pessoa, António Sérgio, Raul Brandão, Jaime Cortesão e Aquilino Ribeiro.

 

 


Agosto

2

Votada favoravelmente moção de confiança ao governo

Votada favoravelmente moção de confiança em 2 de Agosto.

 

3

Manifestação contra o inquilinato

Em 3 de Agosto, cerca de um milhar de manifestantes em Lisboa, numa movimentação das juntas de freguesia contra o inquilinato, apoiada pela CGT.

 

6

Eleição de Teixeira Gomes

Em 6 de Agosto Teixeira Gomes é eleito presidente da República contra a candidatura de Bernardino Machado, apoiada pelos nacionalistas. Afonso Costa que tinha prometido apoiar Bernardino, acabou por inverter a sua posição naquilo que foi considerada uma incursão afonsista, vinda de Paris.

 

16

Fim definitivo do pão político

Novo regime ceralífero em 16 de Agosto, pelo decreto nº 9 060. O governo põe fim, de forma definitiva, ao regime do pão político. Aumento do preço do pão de 3ª em cerca de 50%- Aumento do preço do trigo à produção. Seguem-se 30 agitados dias de protestos, promovidos pela União Sindical de Lisboa, dirigida por Manuel de Figueiredo.

 

 

CGT contra o fim do pão político

Comício promovido pela CGT contra o fim do pão político. Pró-soviéticos acusam de traição a direcção da central. Decretada a greve geral. Bombas em Lisboa, Beja, Alhos Vedros e Montijo. A maioria das greves cessa em 25 de Agosto. No dia 28, já se retoma o trabalho na generalidade.

 

23

Revista fascista

Em 23 de Agosto surge o primeiro número da revista Ideia Nova, dirigida por Raul de Carvalho, tambbém director de A Ditadura.

 

29

A Batalha defende a livre importação de trigo

Em A Batalha de 29 de Agosto já se critica o pão político que só avantajava a moagem e alguns intermediários, defendendo-se a importação livre de trigo exótico

 


Setembro

7

Aumentam as dotações do Fundo de Fomento Agrícola

Duplicadas as dotações para o Fundo de Fomento Agrícola em 7 de Setembro.

 

12

Explosão de bomba na sede do partido radical

No dia 12 de Setembro, dá-se uma explosão de uma bomba que estava a ser fabricada na sede do Partido Radical, no Porto, morrendo três militantes.

 

13

Primo de Rivera toma o poder em Espanha

Pronunciamento do general Primo de Rivera em Espanha

 

10

Crise da autoridade

Carta de André Brun a João Chagas, de 10 de Setembro de 1923: por aqui chegámos a uma admirável situação: não há Governo. Cada um faz o que lhe apetece. A primeira coisa que se faz em face de qualquer medida de governação é declará-la inexequível e idiota. Passados dias ou se põe de parte oficialmente a medida, ou, o que é mais fácil ainda, não se cumpre. Em resumo: a nossa crise é de estupidez por parte de quem governa e de velhacaria por parte de quem lucra com governos assim.

 

26

Convocação extraordinária do Congresso por causa de problemas financeiros

Em 26 de Setembro, o Congresso é extraordinariamente convocado para tratar de problemas financeiros.

 

28

Etiópia na SDN

Etiópia torna-se membro da Sociedade das Nações

 

28

Tumultos

Tumultos na Aldeia da Ponte, com intervenção da GNR. Cinco mortos (28 de Setembro).

 

26

Crítica ao controlo estadual das subsistências

Como dizia Ezequiel de Campos em 26 de Setembro, em O Primeiro de Janeiro, o governo pôs tabelas a tudo; andou a farejar os negócios ilícitos; proibiu o jogo; e fez o pão político. Mas a vida teimou em encarecer, a libra a subir em escudos, e a gente em concorrer à s festas e romarias, como nunca.

 

 

Pessoal disponível na função pública

António Maria da Silva propões a criação de uma Comissão Central de Economias e de uma Repartição de Pessoal Disponível.

 

 


Outubro

3

Teixeira Gomes chega a Lisboa

Teixeira Gomes desembarca em Lisboa, vindo de Londres, em 3 de Outubro.

 

5

Posse do novo Presidente da República

No dia 5 de Outubro, Teixeira Gomes tomava posse como Presidente da República.

 

15

Visita de navio soviético a Lisboa

Visita o Tejo um navio soviético, o primeiro desde 1917. A tripulação do mesmo visita a sede da CGT. No dia 1 de Novembro, com a visita de outro navio soviético, o governo já proíbe que a tripulação se desloque a terra

 

21

Lino Neto sobre o CCP

Em 21 de Outubro, Lino Neto declara que o centro não é um partido político, embora represente uma influência de natureza política. Não pretendemos instalar-nos no poder nem confundimos legislação com regime.

 

31

Liberdade de trânsito de géneros alimentícios

Edital do Comissariado Geral dos Abastecimentos de 31 de Outubro declara livre o trânsito dos géneros alimentícios, à excepção das zonas raianas, onde continuam sujeitos ao regime de guias.

 

Defesa das reivindicações dos católicos

Cunha Leal ataca o governo por este não satisfazer as reivindicações dos católicos, no que é apoiado por Moura Pinto.

 

 

Contra a protecção dada ao assassino de Sidónio

Rocha Martins acusa figuras democráticas de continuarem a proteger José Júlio Costa, o assassino de Sidónio Pais.

 

 


Novembro

 

Governo apresenta demissão

Votada moção de confiança ao governo por 43-42 e António Maria da Silva apresenta a demissão

 

6

Afonso Costa recusa formar governo

No dia 6 de Novembro chega a Lisboa Afonso Costa: não trago ódios. É indispensável a união de todos. Apesar de convidado para formar um governo de salvação nacional, recusa a tarefa no dia 7. Os nacionalistas recusam, então, participar num governo presidido por Costa. Convidado Catanho de Meneses, acaba por desistir por não conseguir agrupar democráticos e independentes.

 

10

I Congresso do PCP

Entre 10 e 12 de Novembro de 1923 realiza-se o I Congresso do PCP. Eleito um comité central dominado por Carlos Rates. Foi apresentada uma tese, não discutida, sobre a venda das colónias à Inglaterra para se resolver o défice do Estado. Participa Jules Humbert Droz, delegado da Internacional Comunista.

 

10

A Batalha começa a abandonar as teses anarco-sindicalistas

Mudança de orientação em A Batalha, com abandono das teses anarco-sindicalistas e do mito da greve geral, a partir de 10 de Novembro. Em vez de forças vivas, passa a usar-se a expressão burguesia.

 

15

Governo nacionalista de Ginestal Machado

Em 15 de Novembro, governo minoritário nacionalista, presidido por Ginestal Machado, com Óscar Carmona, na pasta da guerra – o único não partidário ­–, e Cunha Leal nas finanças. Durará pouco mais de um mês esta experiência da direita republicana. Fernando Medeiros chama-lhe intentona putchista

 

19

Apresentação parlamentar

Apresentação parlamentar em 19 de Novembro. Recepção fria segundo Cunha Leal. O líder dos nacionalistas na Câmara dos Deputados é Álvaro de Castro. Prioridade ao problema financeiro, com reforma do contrato entre o Estado e o Banco de Portugal. Anexo ao programa, um relatório alarmante sobre a situação financeira do país. Álvaro de Castro se, no seu papel de líder parlamentar expressa um inequívoco apoio institucional, logo declara em termos de opinião individual, que discorda da metodologia usada para a superação do impasse, dado que prefere um ministério de concentração.

 

19

Golpe de Hitler em Munique

Golpe nacional socialista de Munique. Hitler será preso.

 

 

 

Cunha Leal tenta adoptar o modelo de liberalização do comércio e propõe o estabelecimento de novas reformas financeiras. É criticado no parlamento por Velhinho Correia e Vitorino Magalhães (21 de Novembro).

 

23

Ferreira do Amaral comandante da polícia

Tenente-coronel Ferreira do Amaral é nomeado comandante da polícia (23 de Novembro) e vai destacar-se na repressão da Legião Vermelha.

23

Liberdade de comércio

Emitido edital do Comissariado Geral dos Abastecimentos estabelecendo ampla liberdade de comércio em 23 de Novembro.

 

Lino Neto adverte contra o autoritarismo e o fascismo

António Lino Neto, em A União, de 24 de Novembro, toma posição sobre o governo de Ginestal Machado: é necessário que a atmosfera de confiança que por toda a parte se vem desenvolvendo contra os políticos se não se acentue mais nem torne possível entre nós movimentos como os que lá for a determinaram a ascensão ao poder de Mussolini em Itália e de Primo de Rivera em Espanha.

 

28

Circulação fiduciária

Lei nº 1 601 de 28 de Novembro: possibilidade de novo alargamento da circulação fiduciária.

 

28

Novo contrato com o Banco de Portugal

No dia 28, depois de aprovado na Câmara dos Deputados, é promulgado novo contrato com o Banco de Portugal e aprovado relatório financeiro do governo.

 

29

Novas propostas financeiras

No dia 29, Cunha Leal apresenta novas propostas financeiras: agravamento da contribuição predial, comparticipação do Estado nos lucros das sociedades anónimas, redução dos quadros do funcionalismo. Propõe também o despedimento gradual do pessoal adido.

 

28

Conferências de Léon Duguit na faculdade de direito de Lisboa

Em 28 e 29 de Novembro de 1923, Léon Duguit profere conferências na Faculdade de Direito de Lisboa: Les Grandes Doctrines Juridiques et le Pragmatisme. Em 7 de Dezembro, o deão de Bordéus transforma-se no primeiro doutor honoris causa da escola. Sérgio há-de chamar-lhe um conferente de filosofia superficial, sem uma profunda compreensão dos problemas da filosofia, não conseguindo assentar o seu discurso numa noção suficientemente exacta do conceito.

 


Dezembro

1

Congresso das associações comerciais e industriais

De 1 a 4 de Dezembro, congresso das Associações Comerciais e Industriais. Apresentadas comunicações de António de Oliveira Salazar e Armindo Monteiro. Liderança do congresso cabe a Moses Bensabat Amzalak.

 

1

Revista dos Homens Livres

Nos dias 1 e 12 de Dezembro de 1923 saem os dois números únicos da revista Homens Livres. Uma revista organizada por António Sérgio e Afonso Lopes Vieira, juntando seareiros e integralistas: Livres da Finança & dos Partidos. Tenta juntar-se o novo direitista com o novo esquerdista, visando uma ditadura de salvação nacional.

 

8

Carlos Rates defende revolução imediata

Carlos Rates em O Comunista de 8 de Dezembro de 1923 defende uma ditadura das esquerdas contra a ditadura das direitas. Os comunistas são então partidários de uma revolução imediata, porque o povo português, na sua maior parte, é uma massa apática e indiferente. Quem dominar em Lisboa, domina o país inteiro. Prevê a instalação de uma ditadura das direitas e que n o dia seguinte à instalação desta toda a população está com os vencedores, do mesmo modo que, três meses depois todos estarão contra a ditadura, considerada uma prova pela qual teremos de passar.

 

8

Criação da Acção Realista Portuguesa

Carta de Alfredo Pimenta a Aires de Ornelas em 8 de Dezembro, pedindo para integrar a Causa Monárquica, tentando misturar o apoio a D. Manuel II com as doutrinas tradicionalistas. É então criada a Acção Realista Portuguesa, independente da Causa, mas subordinada ao lugar-tenente. Integram o novo grupo António Cabral, ex-ministro da monarquia, e Caetano Beirão, dissidente do Integralismo Lusitano.

 

10

Golpe de Estado

Em 10 de Dezembro, novo golpe revolucionário radical liderado pelo capitão de fragata João Manuel de Carvalho, a bordo da Douro, antigo ministro da guerra nos governos de Maia Pinto e Cunha Leal. Implicados no golpe Agatão Lança e Nuno Simões. Participam vários membros do PCP. Insinua-se que Teixeira Gomes foi o inspirador do golpe, contido energicamente por Carmona, o único ministro que não estava no Porto. Almoçara com o revoltoso em 8 de Dezembro. Ginestal Machado, no dia 10, pede ao Presidente da República a dissolução parlamentar. Carvalho declarará: faltou tudo! Faltaram todos! Só eu cumpri o meu dever e honrei os meus galões.

 

11

Democráticos atacam o governo

Nos dias seguintes, sucessivos ataques dos democráticos à política do governo, através de João Camoesas e António Maria da Silva. Carmona vai ao parlamento no dia 11 e perante os pedidos de esclarecimento de Agatão Lança e Nuno Simões, retira-se, porque tenho mais que fazer.

 

11

Trabalhistas vencem as eleições britânicas

Vitória dos trabalhistas nas eleições britânicas.

 

13

Rejeitada moção de confiança ao governo

No dia 13 já era rejeitada uma moção de confiança ao governo, proposta por Álvaro de Castro, por 53 contra 42.

 

14

Governo demite-se

Pedindo o governo a demissão ou a dissolução parlamentar, Teixeira Gomes considera que o parlamento era quem tinha de resolver o problema do país. Governo demite-se no dia 14.

 

15

Surge o jornal Novidades

Em 15 de Dezembro, reaparece o jornal Novidades, agora como órgão da hierarquia católica, em apoio do CCP. O A União cessa a sua publicação em Abril de 1924.

 

15

Álvaro de Castro abandona os nacionalistas

Em 15 deste mês, Álvaro de Castro afasta-se dos nacionalistas. Aprovada numa reunião da junta consultiva dos nacionalistas, por 57-18, uma moção repudiando ministérios de concentração e pseudo-ministérios nacionais.No dia 16, juntamente com três dezenas de deputados e senadores nacionalistas, funda o Grupo Parlamentar de Acção Republicana. No dia 14 aceitara formar governo de carácter não exclusivamente partidário, contra a opinião do seu directório.

 

17

Cunha Leal defende ditadura salvadora, apelando ao Exército

No dia 17 de Dezembro, Cunha Leal faz uma conferência na Sociedade de Geografia, ladeado por Júlio Dantas e Ginestal Machado, proclamando a ditadura salvadora para Portugal há-de vir, trazida pela força das circunstâncias. Diz que o Exército é o símbolo máximo da Pátria e que só ele pode salvar Portugal.

 

 

Atmosfera favorável a regime de força

Teixeira Gomes, numa carta datada do mesmo dia declara: sentia que a atmosfera se ia tornando, a pouco e pouco, favorável a um regime de força.

 

 

Governo de Álvaro de Castro

Nova experiência de governo. A liderança vai caber a Álvaro de Castro que, poucos dias antes, constituíra um Grupo Parlamentar de Acção Republicana, uma dissidência dos nacionalistas. 

17

Criação da Acção Republicana

No dia 17, Alberto Xavier comunica na Câmara dos Deputados a constituição do grupo.

 

18

Constituído o governo em 18 de Dezembro, com três alvaristas, três democraticos, dois seareiros, um afecto aos seareiros, um nacionalista e um independente.

 

21

Prioridade à questão financeira

O presidente logo declara que o problema financeiro era o único do governo.  Na declaração ministerial de 21 de Dezembro promete-se estabelecer a ordem e o equilíbrio nas finanças e no Estado.

 

22

Novo acordo com o Banco de Portugal

Novo acordo com o Banco de Portugal em 22 de Dezembro. O banco era uma sociedade privada onde nem sequer havia supremacia do governo

 

22

Adiamento dos trabalhos parlamentares

Parlamento encerrado de 22 de Dezembro a 7 de Janeiro.

 

31

João Chagas abandona a legação de Paris, por limite de idade

João Chagas abandona, por aposentação, o cargo de ministro de Portugal em Paris (31 de Dezembro).

 

 

 


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