Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004


1926

Jan.  Fev.  Mar.  Abr.  Mai.  Jun.  Jul.  Ag.  Set.  Out.  Nov.  Dez.


Janeiro

4

Críticas ao Banco de Portugal

Em 4 de Janeiro o deputado Amâncio de Alpoim diz que a administração do Banco de Portugal é uma caverna de falsificadores e ladrões.

 

11

Um plano soviético?

Reflexos parlamentares do caso Alves dos Reis. Um juiz de instrução do processo põe a hipótese do caso estar relacionado com um vasto plano soviético (11 de Janeiro).

 

29

O ferrete do estrangeiro

Em 29 de Janeiro, Cunha Leal no parlamento diz que o caso Alves dos Reis é um reflexo do ferrete do estrangeiro.

 


Fevereiro

1

Revolução de Almada

Em 1 de Fevereiro, deu-se uma tentativa de revolta radical em Torres Novas. A chamada revolução de Almada. O governo e o presidente da república estavam no Porto a comemorar o 31 de Janeiro. A revolta era chefiada pelo construtor civil José Augusto da Silva Martins Júnior, reunindo outubristas, sidonistas, ex-democráticos, formigas pretas e radicais. No comando militar da revolta, o alferes Lacerda de Almeida.

 

9

Proposta de régie para os tabacos

Governo apresenta proposta para régie nos tabacos em 9 de Fevereiro, com um exaustivo relatório historiando o processo. O prazo da concessão, estabelecido em 1906 terminava em 30 de Abril. Logo se levanta um clamor pela liberdade de exploração, regiem este que, na Europa só era praticado pelos britânicos.

 

 


Março

 

Afonso Costa presidente da assembleia da SDN

Afonso Costa é eleito presidente da assembleia extraordinária da Sociedade das Nações.

 

6

Congresso Nacionalista

Em 6 de Março de 1926, Congresso do Partido Nacionalista no Liceu Camões em Lisboa. Cunha Leal foi vivamente criticado por ter aceite o cargo de vice-governador do Banco Nacional Ultramarino. Organiza lista, com o capitão de mar e guerra Vasconcelos e Sá, capitão de mar e guerra Mendes Cabeçadas, Vicente Ferreira, Bissaia Barreto, capitão-tenente Carlos Pereira e João Pinheiro, que enfrenta a lista oficiosa de Tamagnini Barbosa e Pedro Pitta

 

8

Constituição da União Liberal Republicana

Constituída a União Liberal Republicana, no Teatro Nacional, em reunião de 8 de Março. Apoio de Rocha Saraiva e de grupo importante dos evolucionistas que têm o acordo de António José de Almeida.

 

10

Anúncio parlamentar do novo partido

Em 10 de Março, anuncia-se no parlamento a instituição da União Liberal Republicana.

 

27

Seara Nova contra o fascismo

Comício organizado pela Seara Nova contra a hipótese de um golpe fascista.

 

 

Revista Ordem Nova

Lançada a revista Ordem Nova que tem como redactores-fundadores Marcello Caetano e Albano Pereira Dias de Magalhães. Diz-se revista antimoderna, antiliberal, antidemocrática, antiburguesa e antibolchevista; contra-revolucionária; reaccionária; católica, apostólica e romana; monárquica, intolerante e intransigente insolidária com escritores, jornalistas e quaisquer profissionais das letras, da arte e da imprensa. Outros colaboradores: Pedro Teotónio Pereira, Manuel Múrias, J. A. Vaz Pinto e Nuno de Montemor.

 


Abril

8

Discussão parlamentar da questão dos tabacos

Começa a discutir-se na Câmara dos Deputados a questão dos tabacos (8 de Abril). Estão contra a proposta governamental de administração directa do monopólio pelo Estado os projectos de lei dos deputados Pestana Júnior, Aboim Inglês e Cunha Leal, todos defendendo a liberdade de exploração.

 

14

Tumultos no parlamento

Em 14 de Abril, nova sessão agitada na Câmara dos Deputados. Durante a discussão de um projecto do deputado Manuel José da Silva, uniformizando o subsídio parlamentar dos deputados que são funcionários públicos, António Maria da Silva chama epilépticos aos deputados esquerdistas. Cadeiras e cadeiras partidas pelos protestos.

 

28

Manifestações contra o governo

Manifestações contra o governo por causa dos tabacos nos dias 28, 29 e 30 de Abril. O contrato de exclusivo terminava a 30 de Abril.

 

30

Governo assume a posse da Companhia dos Tabacos

Despacho do governo de 30 de Abril, apenas publicado em 19 de Maio seguinte, determina que funcionários governamentais tomem posse da Companhia.

 

 

Congresso sindical

Realiza-se o 2º congresso das Juventudes Sindicalistas

 


Maio

1

Agitação na rua e no parlamento por causa dos tabacos

Incidentes sobre a questão dos tabacos prosseguem em 1, 12, 17, 20 e 22 de Maio. Grita-se abaixo a ditadura democrática e morra o governo. Os apoiantes da Esquerda Democrática usam flores vermelhas na lapela. Em 4 de Maio, Marques Guedes discursa na Câmara dos Deputados sobre a matéria. Apresentada moção que determinava o encerramento da fábrica.

 

12

Regime autoritário na Polónia

Em 12 de Maio, Pilsudski toma o poder na Polónia.

 

13

Monumento ao Marquês de Pombal

Em 13 de Maio é lançada a primeira pedra do monumento ao Marquês de Pombal na Rotunda, em Lisboa.

 

25

Governo deixa de representar-se no parlamento

Em 25 de Maio, o governo decide deixar de representar-se na Câmara dos Deputados. Com a questão dos tabacos, o governo sofria mais do que os governos monárquicos em 1905 e 1906. Como observa Marques Guedes: o governo, inegavelmente, saía mal ferido da contenda, porque diminuído no seu prestígio. Mas o parlamento dir-se-ia quisera suicidar-se.

 

28

Braga, Congresso Mariano, propaganda de Cunha Leal e Gomes da Costa

Congresso Mariano em Braga no dia 28 de Maio. Cunha Leal está na cidade, almoçando com apoiantes. Discursa no Bom Jesus, criticando o partido democrático, outrora obediente à ameaça do chicote de nove rabos do Dr. Afonso Costa, mas que agora nem sequer tem um chefe. É um instituto tresmalhado…, e o restante do partido nacionalista: nem toda a mole ambição do sr. Ginestal Machado, nem todas as intrigas do sr. pedro Pita, nem todo o maquiavelismo do sr. Tamagnini Barbosa são susceptíveis de inspirar confiança à nação…é um organismo parasitário. Chega à cidade, pelas 22 horas, o general Gomes da Costa.

 

31

O dia seguinte…

Em 31 de Maio, o major Ribeiro de Carvalho, ainda apelava a que se repetisse o modelo da Regeneração de 1851, com uma política ampla e de generosa conciliação nacional, reconhecendo que o movimento pode ser útil. Salientava que a vitória da revolução é, antes de mais nada, um triunfo da opinião pública. Os revoltosos venceram porque ninguém estava disposto a sacrificar-se por um governo que não traduzia os votos da nação.

 

27

22 h de 27 de Maio. Gomes da Costa (tinha cabeça de galinha e era sempre da opinião da última pessoa com quem falava) chega a Braga[1]

28

6 h. De 28 de Maio. Inicia-se o movimento em Braga.

28

Manifesto da Junta de Salvação Pública

Em Lisboa uma Junta de Salvação Pública lança manifesto. Mendes Cabeçadas entrega manifesto a Bernardino Machado.

29

António Maria da Silva demite-se

Governo de António Maria da Silva apresenta demissão.

29

Cabeçadas em Lisboa

Guarnição de Lisboa adere a Gomes da Costa. Lidera o movimento Mendes Cabeçadas.

29

Carmona em Elvas

Carmona que estava em Elvas  assume o comando da 4ª divisão em Évora.

30

Cabeçadas forma governo

Bernardino Machado convida Cabeçadas a formar governo. Este aceita e assume as funções de M. Marinha e de presidente do Ministério acumulando interinamente todas as outras pastas. Gomes da Costa dá ordem a todas as forças militares para avançarem sobre Lisboa.

31

Encerramento do Congresso

Ministro da Guerra manda encerrar o Congresso da República.

 

Demissão de Bernardino

B. Machado apresenta a demissão a Cabeçadas



[1] RAUL BRANDÃO, III, p. 77

 


Junho

1

Gomes da Costa em Coimbra. O triunvirato

Gomes da Costa em Coimbra anuncia triunvirato com Cabeçadas e Armando Ochoa. Ochoa retira-se.

3

Gomes da Costa em Sacavém

Gomes da Costa em Sacavém

3

Novo governo de Cabeçadas

Cabeçadas em Lisboa organiza novo governo, entregando a Gomes da Costa as pastas da Guerra, das Colónias e da Agricultura. Nas Finanças, Salazar; na Instrução,  Mendes dos Remédios; na Agricultura,  Ezequiel de Campos; na Justiça,  Manuel Rodrigues

4

Gomes da Costa na Amadora

Gomes da Costa na Amadora.

4

A Tuna de Coimbra

De Coimbra vêm Remédios, Rodrigues e Salazar. Avistam-se na Amadora com Gomes da Costa. Remédios e Rodrigues tomam posse, Salazar volta para Coimbra no dia 5

7

Gomes da Costa no Terreiro do Paço

Gomes da Costa toma posse como M. da Guerra e interino das Colónias.

7

Parada da vitória

Parada da Vitória na Avenida da República, com 15 000 homens

 


Julho


Agosto


Setembro


Outubro


Novembro


Dezembro

 


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