Respublica Repertório Português de Ciência Política Edição electrónica 2004 |
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Governo de Manuel Maria Coelho |
De 19 de Outubro a 5 de Novembro de 1921 |
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28º governo republicano 14º governo pós-sidonista 1ºgoverno outubrista[1] |
17 dias |
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·Na presidência e no interior, Manuel Maria Coelho. Como ele próprio confessou, só governou três dias, estando todo o demais tempo em crise[2]. ·Na justiça, Vasco Guedes de Valsconcelos (não tomou posse) e António Augusto de Almeida Arez, desde 22 de Outubro (este era reconstituinte e assumiu funções sem apoio do respectivo partido). ·Nas finanças, Francisco António Correia. Antigo membro da Liga de Acção Nacional e ex-ministro dos negócios estrangeiros de António Maria da Silva, de 26 de Junho a 19 de Julho de 1920, na qualidade de independente. ·Na guerra, José Cortês dos Santos. ·Na marinha, Vítor Macedo Pinto (não tomou posse) e Francisco Luís Ramos (desde 21 de Outubro); ·Nos negócios estrangeiros, Alberto da Veiga Simões; ·No comércio e comunicações, António Pires de Carvalho; ·Nas colónias, sucessivamente nomeados Carlos Henrique da Silva Maia Pinto (não tomou posse), José Eduardo de Carvalho Crato (não tomou posse) e Manuel Maria Coelho interino. ·Na instrução pública, António Alberto Torres Garcia (não tomou posse) e Manuel de Lacerda de Almeida (desde 22 de Outubro). ·No trabalho, Alfredo Pinto de Azevedo e Sousa, interino até 25 de Outubro e, desde esta dta Alfredo Pinto de Azevedo e Sousa. ·Na agricultura, Antão Fernandes de Carvalho. |
Outubro de 1921 ·Às 22 horas e 45 minutos do dia 19 de Outubro, António José de Almeida investe Manuel Maria Coelho. Pouco antes, Agatão Lança informa-o dos atentados[3]. ·Primeiro governo outubrista, reunindo chefes da insurreição e gente respeitável. Muitos não tomam posse para não se confundirem com os assassinos. O presidente do ministério era um antigo revoltoso do 31 de Janeiro de 1891. ·Libertado o assassino de Sidónio Pais, José Júlio Costa, que se encontrava detido nno hospital Miguel Bombarda. A acção é levada a cabo por 300 civis armados. É levado para o Centro Republicano António Maria de Baptista, onde foi homenageado. Segue para o Norte, em regime de clandestinidade. ·Atentado contra Alfredo da Silva em Leiria. Preso Tamagnini Barbosa. A única organização política que apoia o novo governo é o grupo popular de Júlio Martins, mas já sem a participação de Cunha Leal. António José de Almeida apresenta a demissão, mas manifestação de autarcas, no dia 30 de Outubro, fá-lo recuar. ·Funerais de António Granjo em 24 de Outubro. Cunha Leal discursa: a fera que todos nós e eu aç ulamos, que anda à solta, matando porque é preciso matar. Todos nós temos culpa! É esta maldita política[4]. ·Lopes de Oliveira diz então: foi a desordem em que caímos que vitimou agora, canibalmente, alguns dos nossos. ·Jaime Cortesão: os crimes que se praticaram não eram possíveis sem a dissolução moral a que chegou a sociedade portuguesa. Por trás das espingardas que vararam António Granjo, há outras armas mais perigosas e asassinas. Chamam-se elas o egoísmos das classes, e, em especial, das mais altas; a inércia e por vezes a corrupção do poder; a esterilidade dos mais elevados organismos políticos da nação que se debatem em mesquinhas disputas. ·Nos dias 24, 26 e 27 o governo levava a cabo a prisão dos principais implicados nos atentados de 19 de Outubro. ·Em 30 de Outubro, manifestação de homenagem ao Presidente da República que havia declarado querer demitir-se[5]. Novembro de 1921 ·Governo demite-se em 3 de Novembro por temer intervenção estrangeira. Fala-se na chegada de navios de guerra ingleses, franceses e espanhóis. |