Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004


Governo de Sidónio Pais

De 11 de Dezembro de 1917 a 14 de Dezembro de 1918

376 dias no total.

Até 15 de Maio de 1918, regime de ditadura (155 dias, cerca de cinco meses).

A partir de 15 de Maio de 1918, mandato presidencial de Sidónio Pais, quando os ministros passam a designar-se como secretários de Estado (222 dias, cerca de sete meses).

 

13º governo republicano[1]

Promove as eleições de 28 de Abril de 1918

·Presidente começou por acumular a guerra e os estrangeiros.

 

Os membros constantes do governo são:

·José Alfredo Mendes Magalhães (centrista e médico), na instrução, e

·João Tamagnini de Sousa Barbosa, mudando de pasta (colónias, interior e finanças). Centrista.

 

·António Maria de Azevedo Machado Santos no interior (até 3 de Março de 1918). Militar, membro da Junta revolucionária.

·Alberto de Moura Pinto (advogado unionista) na justiça (até 7 de Março de 1918)

·António dos Santos Viegas (engenheiro unionista) nas finanças, até 7 de Março de 1918.

·António Aresta Branco (médico unionista) na marinha, até 7 de Março de 1918.

·José Feliciano da Costa Júnior, militar, da Junta Revolucionária, no trabalho, até 15 de Maio de 1918.

·Francisco Xavier Esteves (independente, republicano histórico) no comércio, até 7 de Março de 1918.

 

Dezembro de 1917

·Anunciada a vitória em 8 de Dezembro. A revolta começou a ser preparada por um comité ligado aos unionistas de Brito de Camacho que se reunia em A Luta e na farmácia Durão, ao Chiado, de que era proprietário António Ferreira, também unionista. A direcção era composta por Alberto da Silveira, Alves Roçadas, Vicente Ferreira, Tamagnini Barbosa e Vasconcelos e Sá. Ao grupo liga-se Sidónio Pais.

·Entretanto, por influência de Augusto Vasconcelos, regressado de Madrid, Camacho deixa de apoiar o movimento.

·Os conspiradores conseguem financiamento do agricultor alentejano, também unionista, António Miguel de Sousa Fernandes.

·Depois de vitorioso o movimento, Sidónio tentou encontrar para chefe do governo o unionista Bettencourt Rodrigues, bem como o independente José Relvas. Como observa Rui Ramos, porque os partidos se haviam esfacelado em 1917, eis que Sidónio pode recolher as maravilhas de todos eles, e fazer a manta de retalhos com que se cobriu. O novo governo era apenas a República de 1910 livre dos democráticos[2].

·O novo poder começa por anular os castigos impostos aos bispos, disolve o parlamento e manda libertar os indivíduos presos por estarem implicados no golpe de 16 de Dezembro de 1916 (9 de Dezembro)[3]

·Nesse dia, num comício da União Operária Nacional, são apresentadas várias reivindicações ao novo governo, nomeadamente a utilização imediata de terrenos baldios.

·Cristóvão Moniz é nomeado director das subsistências (9 de Dezembro).

·São reintegrados os saneados pela lei de 1915 (10 de Dezembro). Nesse dia são formalmente demitidos os ministros do governo de Afonso Costa.

·É destituído o Presidente da República, Bernardino Machado (11 de Dezembro).

·No dia 11 a Junta Revolucionária é substituída por um novo governo. Três unionistas. A maioria do governo é de civis.

·Bernardino Machado só abandona o palácio de Belém em 15 de Dezembro, onde estava prisioneiro.

·Simbolicamente, é reintegrado no Instituto Superior de Agronomia, o antigo ministro da monarquia, D. Luís de Castro. São reintegrados os funcionários afastados depois do 14 de Maio de 1915 (15 de Dezembro).

·Publicado o programa de governo em separata do Diário do Governo, em 16 de Dezembro. O parlamento for a dissolvido. O programa diz que o governo é contra a demagogia e aponta para a harmonia e unidade da pátria.

·Extinta a Administração dos Abastecimentos em 17 de Dezembro.

·D. António Barroso regressa ao Porto em 20 de Dezembro.

·Regime dos preços da batata e do arroz, em 27 de Dezembro.

·Em 27 de Dezembro, já Sidónio acumulava as funções de presidente do ministério e de presidente da República.

Janeiro de 1918

·Revolta dos marinheiros no quartel de Alcântara no dia 8 de Janeiro.  Sidónio, na parada da vitória, humilhou os marinheiros, quando os fez desfilar desarmados. No dia 9, o Vasco da Gama, revoltado, circula no Tejo. Sidónio assume directamente a defesa da situação comandando a artilharia do Castelo de S. Jorge que atinge o navio e o faz render[4].

·Determina-se em 9 de Janeiro que os governos civis dissolvam todos os centros políticos que na actual conjuntura tenham exorbitado dos seus fins legais, concorrendo para a perturbação da ordem.

·Dissolução de todos os corpos administrativos em 10 de Janeiro.

·Sidónio visita o Norte a partir de 12 de Janeiro de 1918. No Porto, nos dias 12 e 13. Em Braga, 14. Em Guimarães e Viana do Castelo, 15. Depois, visita o Sul, entre 15 e 18 de Fevereiro. Em Évora, 15;em Beja, 17. Diz que o faz para tactear a opinião pública, porque não se pode governar sem o apoio da opinião e não há força alguma militar que a domine[5]. Dá vivas à república nova.

·Em 14 de Janeiro reconhece o apoio dos monárquicos que são pessoas honestas, mas logo salienta que diga-se o que se disser, agrade a quem agradar, o governo é republicano tendo como intuito acabar com os ódios que dividem a família portuguesa[6]

·Beatificação de D. Nuno Álvares Pereira em 23 de Janeiro.

·Teixeira Gomes é demitido de ministro de Portugal em Londres em 25 de Janeiro.

·Termina a greve dos caixeiros em 27 de Janeiro.

Fevereiro de 1918

·Norton de Matos chega ao exílio de Paris no dia 1 de Fevereiro.

·Fundada a Liga de Acção Nacional em Fevereiro. Com António Sérgio, F. Reis Santos e Pedro José da Cunha[7].

·Por decreto de 2 de Fevereiro (Decreto nº 3 929), são autorizados os estabelecimentos de assitência, nomeadamente hospitalares, a aceitarem doações, heranças e legados[8].

·Egas Moniz, ao inaugurar a sede do Partido Centrista, propõe um regime presidencialista em 6 de Fevereiro[9].

·O ministério do trabalho, através da direcção de serviços de subsitência pública passa a poder comprar e vender todos os géneros de primeira necessidade (Decreto nº 3 810 de 7 de Fevereiro).

·Novo preço para a batata em 8 de Fevereiro.

·Discurso de Brito Camacho em Braga, acusando a Lei da Separação de não ser uma lei para a defesa do Estado, mas antes para agravo da Igreja[10]

·Sidónio inicia visita ao Sul em 14 de Fevereiro. Em Évora, no dia 15 de Fevereiro, fala na constituição de um novo partido. Criticando a rotina dos partidos, diz que um maior haveria de formar-se. Regressa a Lisboa no dia 18. Estas declarações produziram imediatas reacções dos unionistas e Sidónio tem de emitir uma nota oficiosa, no dia 19, onde declara que não falou num partido único[11]. Queria um partido constituído por todos, de homens de bem para servir a pátria. E que era preciso implantar um regime novo em que monárquicos e republicanos possam viver[12].

·Em 15 de Fevereiro, o unionista José Barbosa que, na Constituinte for a o autor de um projecto presidencialista, em artigo publicado em A Luta, aceita o presidencialismo desde que ele nasça de um parlamento, a ser eleito pelo povo antes da própria eleição do Presidente[13].

·Decidida em conselho de ministros do dia 20 a realização de eleições, nomeadamente do Presidente, por sufrágio directo.

·Greve na Companhia de Gás e Electricidade em 21 de Fevereiro.

·Alterada a Lei da Separação em 22 de Fevereiro. Decreto nº 3 856 do ministro da justiça, o unionista Moura Pinto[14].

·Sidónio visita, no Porto, nos hospitais, doentes com tifo (24 de Fevereiro)[15].

·Brito Camacho em A Luta volta a insistir na tese unionista: primeiro, eleição do parlamento; só depois, a do presidente (24 de Fevereiro)[16].

·Conferência de Alfredo Pimenta na Liga Naval: isto … já não é República porque lhe falta Afonso Costa. Ainda não é monarquia porque lhe falta o rei.

·Greves em Lisboa: pessoal dos eléctricos (10 de Fevereiro), gazonistas, carroceiros e engomadeiras.

 

Em 7 de Março de 1918:

·Forbes Bessa (cadete da Escola de Guerra e estudante no Instituto Superior Técnico) no interior, até 15 de Maio de 1918.

·Martinho Nobre de Melo (o primeiro dos ministros da República que se disse não republicano), até 15 de Maio de 1918.

·Francisco Xavier Esteves, nas finanças, até 15 de Maio.

·Manuel José Pinto Osório no comércio, até 15 de Maio de 1918

·Alfredo Magalhães, mantendo-se na instrução, passa a acumular a marinha

·Tamagnini Barbosa mantém-se nas colónias;

·José Feliciano Costa Júnior mantém-se  no trabalho

 

 

Em 9  de Março de 1918

·José Carlos da Maia na marinha, até 15 de Maio de 1918

·Machado Santos nas subsistências e transportes (desde 9 de Março)

·Eduardo Fernandes de Oliveira na agricultura (desde 9 de Março)

 

Março de 1918

·Três ministros unionistas abandonam o governo no dia 7 de Março, mas um grupo significativo de unionistas abandona o partido em sinal de apoio a Sidónio[17]. Machado Santos sai do ministério do interior. Ascensão de Tamagnini Barbosa. Nobre de Melo é apresentado a Sidónio por Teófilo Duarte. Ao tomar posse diz não ser monárquico nem republicano, mas sim sindicalista[18].

·Entrevista de António Sérgio a O Século em 8 de Março, onde defende a concórdia nacional[19].

·Criado o ministério das subsistências e dos transportes (Machado Santos)  e o ministério da agricultura (Fernandes de Oliveira), pelo decreto nº 3 902 de 9 de Março. O primeiro será extinto em 19 de Julho de 1918.

·Lei eleitoral (decreto 3 907) em 11 de Março. Não alfabetos passam a eleitores.

·Novos preços dos cereais em 14 de Março.

·Lei orgânica do ministério das subsistência e transportes em 16 de Março, Integra duas direcções gerais de transportes e uma das subsistências.

·Egas Moniz, em meados de Março, é nomeado ministro de Portugal em Paris.

·Surge nos jornais um naifesto de uma Junta de Salvação Pública em 17 de Março. Pede a suspensão dos jornais da oposição, a prisão dos boateiros e chama ao partido democrático uma associação de malfeitores.

·Novos preços dos cereais e do peso do pão em 23 de Março.

·Constituído o Partido Nacional Republicano em 30 de Março.

·Nesse dia, pelo decreto nº 3 997, considerado diploma eleitoral, altera-se a Constituição de 1911, no sentido presidencialista. Eleição do presidente por sufrágio directo, com mandato de quatro anos, com chefia das forças armadas e poder de livre escolha do governo. Câmara de Deputados de 155 membros a eleger pelo sistema de lista incompleta, garantindo-se a representação das minorias. Senado de 78 membros, com 49 eleitos. Segundo Teófilo Duarte, o diploma foi redigido por Martinho Nobre de Melo que se valeu da colaboração de António Sardinha e Hipólito Raposo (era companheiro de mesa de Nobre de Melo com quem coabitava; eram os dois solteiros).

·Conselho central da União Operária Nacional mostra desalento com a situação: nada de razoável podem nem devem esperar as classes trabalhadoras de mais esta nova (?) situação política que o operariado acolheu com benévola expectativa.

·Greve dos eléctricos em Lisboa.

·III Congresso dos Trabalhadores Rurais em Lisboa, em 31 de Março e 1 de Abril.

Abril de 1918

·Congresso Unionista no Teatro de S. Carlos em 8 de Abril. Ataques ao sidonismo. Decidida a não participação nas eleições, por proposta do até há pouco ministro sidonista Moura Pinto[20].

·Congresso rural nos começos de Abril debate propostas de restruturação fundiária[21]

·Batalha de La Lys em 9 de Abril. Morrem 327 oficiais e 7 098 praças, cerca de 35% da 2ª divisão do CEP. Em 21 de Março começara uma ofensiva alemã e os ingleses têm de retirar em cerca de 60 km. Em 4 de Abril começam motins de tropas portuguesas. Tamagnini pede aos britânicos que substituam as posições de toda a 1ª divisão portuguesa, face à insubordinação de várias brigas desta, que se recusam a ir para a frente. Em 8 de Abril, quando o ataque alemão abranda, é retirada a 1ª divisão. Depois do massacre, o CEP é removido para a rectaguarda e utilizado para a abertura de trincheiras para os ingleses[22].

·Restabelecida a censura em 13 de Abril.

·Criação dos celeiros municipais em 22 de Abril.

·Eleições em 28 de Abril. Abstenção dos democráticos, evolucionistas, unionistas e União Operária Nacional[23]. Nas presidenciais, Sidónio obtém 69% (510 000 votos).

·Para os deputados, governo obtém as maiorias em todos os círculos, à excepção de Arganil, onde triunfam os monárquicos (eleitos 40 deputados desta filiação). Surge uma minoria católica. 1 deputado socialista, Dr. João de Castro, de raça negra.

·Novo contrato entre o Estado e o Banco de Portugal em 29 de Abril. Elevado para 350 000 contos o limite da circulação fiduciária (200 000 em Dezembro de 1916). Permite-se um aumento annual de 60 000 contos, origem das chamadas portarias surdas[24]

Maio de 1918

·Tentativa golpista no Porto no dia 4 de Maio. Prisões.

·Amnistia para crimes políticos e crimes comuns em 8 de Maio. Leote do Rego e Norton de Matos não são abrangidos, porque considerados oficiais desertores[25].

·Instituído a favor da Biblioteca Nacional o regime do depósito legal (8 de Maio).

·Discurso de Sidónio, reafirmando o republicanismo em 9 de Maio. Quer ser chefe de todos os portugueses e mandatário da Nação[26].

·Criado um Instituto de Seguros Sociais Obrigatórios e de Previdência Geral em 10 de Maio.

·Sidónio desloca-se ao Porto no dia 17 e no edifício do Aljube, no dia 18, liberta presos políticos que tinham sofrido maus tratos. Não recebe o apoio dos partidários da república velha, com críticas do Mundo e de A Luta, mas também não tem aplausos de monárquicos, com críticas de O Dia[27].

·Sidónio toma posse da presidência na Câmara Municipal de Lisboa, em 13 de Maio.

Em 11 de Maio de 1918:

Sidónio Pais, já Presidente da República, cede as pastas que detinha

 

·Tamagnini Barbosa na guerra

·Xavier Esteves nos estrangeiros

 

 

Em 15 de Maio de 1918:

Os ministros passam a secretários de Estado;

 

 

·Alfredo Magalhães na instrução

·Xavier Esteves nas finanças (desde 1 de Junho)

·Tamagnini Barbosa passa das colónias para o interior (até 8 de Outubro);

·Machado Santos nas subsistências e transportes (até 9 de Junho).

·Na justiça, Alberto Osório de Castro (até 8 de Outubro);

·Na guerra, Amílcar de Castro Abreu Mota (até 8 de Outubro);

·Na marinha, José Carlos da Maia (até 7 de Setembro);

·Nos estrangeiros, Joaquim do Espírito Santo Lima (até 8 de Outubro);

·No comércio, Joaquim Mendes do Amaral (até 8 de Outubro);

·Nas colónias, Alexandre José Botelho de Vasconcelos e Sá (até 23 de Dezembro). Será ministro da agricultura com Ginestal Machado, de 15 de Novembro a 18 de Dezembro de 1923.

·Na agricultura, Eduardo Fernandes de Oliveira (até 23 de Dezembro).

 

·Ezequiel de Campos profere conferência na Liga Agrária do Norte, em 18 de Maio. Nesse dia, Sidónio visita o Porto e decide libertação de presos políticos que, na prisão, tinham sido agredidos.

Junho de 1918

·Decreto nº 4 489 sobre a assistência religiosa a militares em campanha, em 1 de Junho[28].

·Machado Santos sai do governo em 9 de Junho.

·V Congresso da Federação das Juventudes Católicas em Santarém[29].

·Sidónio declara em 20 de Junho que o equívoco monárquico findou[30]

·Reatadas as relações diplomáticas com a Santa Sé em 27 de Junho[31].

·Instituído um Conselho Económico em 28 de Junho.

·Em 29 de Junho, estabelecida a obrigatoriedade de venda de géneros que sejam considerados excedentes face ao consumo próprio, individual ou familiar.

Julho de 1918

·Por decreto de 6 de Julho, Decreto nº 4 554, o grau de bacharel formado é substituído pelo de licenciado. Restauram-se as insígnias doutorais. Pode conceder-se o grau de doutor aos professores ordinários e extraordinários que o não possuíssem, bem como a individualidades eminentes, dignas dessa distinção[32]. É abrangido António de Oliveira Salazar, também feito doutor decertino.

·Governo contrai empréstimo para a criação de escolas de instrução primária em todo o país (14 de Julho). As escolas teriam cantinas e forneceriam alimentação gratuita para os alunos pobres.

·Em 15 de Julho, reunião das comissões preparatórias do Congresso.

·Reunião preparatória da Cruzada Nuno Álvares Pereira, na Liga Naval, promovida pelo capitão João Afonso Miranda, em 11 de Julho. Fundação do grupo em 18 de Julho.

·Extinta a secretaria de Estado das subsistências e dos Transportes, sendo os serviços integrados no interior, em 14 de Julho.

·Ofensiva dos serviços de fiscalização de susbsitências. Encerradas 243 mercearias em Lisboa. União Operária Nacional louva o governo. Protesto dos retalhistas (17 de Julho).

·Começa a greve dos ferroviários do Sul e Sueste em 18 de Julho. Até 23 de Julho.

·Inauguração solene do novo parlamento em 22 de Julho. Trabalhos parlamentares são interrompidos de 6 de Agosto a 4 de Novembro. Tanto Machado Santos como Cunha Leal, nas suas primeiras intervenções, pergunta quem é o presidente do ministério, defendendo a existência deste cargo, expressamente previsto na Constituição de 1911. A maioria elege Egas Moniz para seu líder parlamentar[33].

·Conflito entre deputados dezembristas e monárquicos por causa da saudação ao Brasil em 26 de Julho[34].

·Esboça-se um conflito no seio dos dezembristas, com Egas Moniz a opor-se a que se consagre na Constituição a dissolução parlamentar pelo Presidente da República. Considera que, no presidencialismo é tão inadmissível essa dissolução quanto a não dissolução em parlamentarismo. Tamagnini Barbosa, por seu lado, assume um extremado anti-parlamentarismo defendendo a dissolução, numa ideia também partilhada por Sidónio Pais[35].

·Assalto ao centro evolucionista de Lisboa. Assalto aos jornais A Montanha e O Norte, no Porto.

·Em Julho recomeça a baixa do câmbio. Grande agitação económica provocada pelo aumento da contribuição industrial e pelas novas medidas legais contra o açambarcamento.

Agosto de 1918

·Interrupção dos trabalhos parlamentares em 6 de Agosto. Até 4 de Novembro.

·Manifesto do partido democrático em 8 de Agosto. Declara que a república está em perigo com os homens de Dezembro tutelados e amparados pelos monárquicos[36].

·Organização de um Comissariado Geral dos Abastecimentos em 22 de Agosto. Regime de senhas de racionamento desde 23 de Setembro.

·O Século  de 24 de Agosto refere a crise das subsistências como uma anarquia mansa, criticando o regime vigente de controlo, com regulamentações avulsas de governdores civis e administradores de concelhos, com preços a variarem de terra para terra e pelo aparecimento de novos negociantes e transportadores clandestinos de géneros alimentícios.

·Estabelecido o regime do racionamento em 31 de Agosto. Regime dos manifestos e das rações individuais fixadas a nível de freguesia pelo regedor e pelos professores oficiais. O regime das senhas de consumo inicia-se em Lisboa logo em 16 de Setembro e no dia 23 do mesmo mês no resto do país.

Setembro de 1918

·Canto e Castro substitui Carlos da Maia na pasta da marinha, em 7 de Setembro.

·Aç úcar e petróleo são racionados. Senhas de consumo gratuitas para indigentes (4 de Setembro).

·Proibida a venda de farinha a granel e limites ao números de refeições em estabelecimentos hoteleiros e similares (21 de Setembro).

·Regime de prémios de produtividade para agricultores em 23 de Setembro.

·Reacende-se a agitação económica face aos diplomas que restringem o comércio cambial e que tributam os lucros excepcionais derivados da guerra[37].

·Tentativa de golpe em Lamego, descoberta em 28 de Setembro por Sollari Alegro.

·Nova insubordinação no CEP, quando se pensava em voltar à frente[38]

·Pneumónica mata em Setembro 31 785 pessoas.

 

Em 9 de Outubro de 1918:

Apenas se mantêm

·Alfredo de Magalhães na instrução (antigo democrático) e

·Vasconcelos e Sá nas colónias (centrista, afecto a Egas Moniz);

·Forbes Bessa no trabalho;

 

·Tamagnini Barbosa passa para as finanças.

 

Entre os novos membros do governo:

·Capitão António Bernardino de Sousa Ferreira no interior (afecto a Egas Moniz);

·Jorge Couceiro da Costa na justiça (afecto a Egas Moniz);

·Coronel Álvaro César de Mendonça na guerra (conhecido como monárquico);

·João de Canto e Castro Silva Antunes na marinha;

·António Caetano de Abreu Freire Egas Moniz nos estrangeiros (até 4 de Dezembro);

·João Alberto Pereira de Azevedo Neves no comércio (lente da Escola Médica de Lisboa, conhecido como monárquico);

·Capitão José João Pinto da Cruz Azevedo nos abastecimentos (amigo pessoal de Sidónio).

 

Outubro de 1918

·Preços máximos da carne (2 de Outubro).

·Tamagnini perde as prerrogativas de principal figura do governo. Reforçada a ala de Egas Moniz com Bernardino Ferreira e Couceiro da Costa. Como refere Cunha Leal, este arranjo secretarial era uma espécie de cacharolete centro-direita, com certos devotos de Sidónio , em missão de vigilância[39]

·Revoltas abortadas em Lisboa, Porto, Coimbra (coronel Alexandre Mourão) e Évora (Estevão Pimentel) em 12 de Outubro.  95 prisões[40]

·Estabelecido o estado de sítio no dia 13. Presas várias figuras democráticas (Ribeira Brava, Sá Cardoso e Almeida Ribeiro). António Granjo é um dos participantes nas revoltas.

·Populares assaltam O Mundo em 14 de Outubro. No Porto é assaltado o Clube Democrático dos Fenianos e a sede de A Montanha.

·Comité revolucionário assume o comando da cidade de Évora em 15 de Outubro. Morte do comandante, coronel Pereira da Silva.

·No dia 16, em Lisboa, a leva da morte, com uma coluna de 153 presos políticos a ser assaltada, na esquina da Rua Vítor Cordon, com a rua do Ferragial. 7 mortos, entre eles, Ribeira Brava[41].

·Submarino alemão torpedeia a Augusto Castilho comandada por Carvalho Araújo em 14 de Outubro.

·Em 24 de Outubro, isenção de direitos na importação de arroz, feijão e grão de bico.

·31 785 mortos pela pneumónica em Outubro.

Novembro de 1918

·Face à não reabertura do parlamento em 4 de Novembro, Cunha Leal desliga-se do partido nacional republicano.

·Limita-se a matança de reses a quatro dias por semana (8 de Novembro).

·Assinatura do Armistício que põe fim à Grande Guerra em 11 de Novembro.

·Tentativa fracassada de greve geral em 18 de Novembro. Governo manda ocupar militarmente as estações de caminho de ferro [42].

·Actos de sabotagem na greve dos ferroviários do Sul e Sueste em 19 de Novembro.

·Regressam a Lisboa as primeiras tropas do Corpo Expedicionário Português que esteve na Flandres, em 23 de Novembro.

·No dia 24 de Novembro, reabrem os trabalhos parlamentares que logo encerram. Tentativa de agressão ao deputado monárquico Carvalho da Silva.

·Surgem juntas militares pró-monárquicas em Novembro.

·18 123 mortos pela pneumónica em Novembro.

Dezembro de 1918

·Parte para Paris, em 5 de Dezembro, a delegação portuguesa à Conferência de Paz. É presidida por Egas Moniz e conta com Freire de Andrade, Espírito Santo Lucas e Santos Viegas. O ministro de Portugal em Paris é então Bettencourt Rodrigues. Colaboram com a delegação Álvaro Vilela, Batalha Reis e o conde de Penha Garcia.

·Tentativa de assassínio de Sidónio em 6 de Dezembro, por ocasião da condecoração aos sobreviventes do Augusto Castilho. Vaga de prisões. Assaltada e destruída a sede do Grande Oriente. Sidónio, antigo maçon, indigna-se.

·No dia 8, Sidónio mistura-se com a multidão durante um festival infantil que decorria no Jardim Zoológico.

·No dia 8, os bispos escrevem a Sidónio, pressionando-o no sentido das reivindicações católicas[43].

·Machado Santos apresenta uma série de projectos de levantamento do estado de sítio, de abolição da censura, amnistia e estabelecimento das garantias constitucionais (9 de Dezembro).

·Sidónio Pais é assassinado às 23 horas e 55 minutos do dia 14 de Dezembro, na estação do Rossio. Tem, como últimas palavras: sei que morro! Salvem a Pátria.

·Mortos pela pneumónica em Dezembro: 2 2116



[1] Fernando Tomás Rosa Gouveia, Orgânica Governamental…, p. 31 (15º ministério, 1º da ditadura de Sidónio Pais, até 15 de Maio de 1918) e p. 32 (16º ministério, 1º do mandato presidencial de Sidónio Pais, quando os ministros passaram a designar-se por secretários de Estado); Damião Peres, pp. 169 ss.

[2] Rui Ramos, p. 616.

[3] Damião Peres, p. 169.

[4] Damião Peres, p. 172.

[5] Damião Peres, p. 173.

[6] Rui Ramos, p. 616.

[7] Damião Peres, p. 179.

[8] Joaquim Maria Lourenço, p. 204; Manuel Braga da Cruz, p. 271.

[9] Damião Peres, p. 174.

[10] Manuel Braga da Cruz, p. 271.

[11] Damião Peres, p. 176.

[12] Rui Ramos, p. 616.

[13] Damião Peres, p. 175.

[14] Joaquim Maria Lourenço, pp. 137 ss e Manuel Braga da Cruz, p. 271.

[15] Damião Peres, p. 174.

[16] Damião Peres, p. 175.

[17] Damião Peres, p. 176.

[18] Vida Mundial de 20 de Agosto de 1971, p. 6 e Damião Peres, p. 177.

[19] Damião Peres, pp. 179-180.

[20] Damião Peres, p. 178.

[21] Oliveira Marques, p. 81.

[22] Rui Ramos, p. 527.

[23] Damião Peres, p. 179.

[24] Oliveira Marques, p. 519

[25] Damião Peres, p. 180.

[26] Rui Ramos, p. 617.

[27] Damião Peres, pp. 180-181.

[28] Joaquim Maria Lourenço, p. 204.

[29] Manuel Braga da Cruz, p. 256.

[30] Rui Ramos, p. 619.

[31] Joaquim Maria Lourenço, pp. 207 ss.

[32] Marcello Caetano, Apontamentos…, p. 45.

[33] Damião Peres, p. 183.

[34] Damião Peres, p. 186.

[35] Damião Peres, p. 187.

[36] Damião Peres, p. 186.

[37] Marcello Caetano, pp. 291 e 294.

[38] Rui Ramos, p. 527

[39] II, p. 113

[40] Damião Peres, pp. 168-169.

[41] Damião Peres, p. 169.

[42] Alexandre Vieira, p. 136.

[43] Manuel Braga da Cruz, p. 274.

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