Carlos Magno

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No Natal do ano 800, em Roma, o Papa Leão III elevou o rei dos francos, Carlos Magno (768-814) à categoria de imperador dos romanos, uma experiência que, apesar de apenas durar cerca de quarenta anos, até ao Tratado de Verdun de 843, quando os netos do primeiro imperador o dividiram, deixou o rasto daquilo que Robert Lafont qualifica como o Império do Meio, a soma do Sul e do Norte , congregando a parcela ocidental do Império Romano, principalmente aquilo que é hoje o território da França, da Alemanha e da Itália.

Mas o Império carolíngio era mais um ideal moral do que um regime, significando, nas palavras de J. Calmette, a unidade do Ocidente sob um chefe que exerce a plenitude do poder temporal no interesse da república cristã. Uma dupla designação divina paira sobre os "fideles". O mesmo termo designa os súbditos do Estado e os da Igreja: o papa e o imperador estão no cume da hierarquia que preside aos destinos dos corpos e das almas. Assim se precisa o conceito medieval: as relações do Império e do papado condicionam doravante o equilíbrio do sistema .

Assim, logo em 806, em Thionville, Carlos Magno estabelece o governo confraternal, repartindo os seus domínios pelos três filhos, uma partilha que logo tentou rectificar em 813, quando proclamou o filho Luís, o Piedoso, como seu sucessor.

Depois, no Tratado de Verdun de 843, se, para Luís-o-Germânico, ficam as províncias a Leste do Reno, a Francia Orientalis, e para Carlos o Calvo, a Francia Occidentalis, com a Marca de Hispania, eis que a fatia central do Império cabe a Lotário, a quem também é reconhecida a dignidade imperial.

Apesar de continuar a utilizar-se a expressão governo confraternal, não há dúvida que a unidade do Império Cristão está definitivamente abalada.

A faixa central, a que se deu o nome de Lotaríngia e que, mais tarde, há-de constituir o eixo da casa da Borgonha, vai acabar, um quarto século depois, por ser dividida em lotes, que são atribuídos a Luís-o-Germânico e a Carlos-o Calvo, apesar deste último, em 875, ainda receber do Papa a dignidade honorífica de imperador.

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Página revista em: 05-01-1999.


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