Jansenismo
Doutrina religiosa e política
inspirada nas teses de Jansen. Defende as teorias agostinianas da predestinação
contra as teses tomistas do racionalismo e do livre arbítrio.
Contra o racionalismo escolástico
Tem como programa libertar os
espíritos do racionalismo. Considera que só pode obedecer à vontade divina
aquele que já escolheu seguir a graça. Porque Deus predestina todas as pessoas,
ou para a salvação ou para a condenação e o ser humano é impotente, tanto
perante a inclinação para o pecado, como perante o impulso da graça para o bem.
Rigor ascético
Neste sentido, assumiu a
necessidade do rigor ascético e da intransigência moral, acentuando os aspectos
rituais do catolicismo, nomeadamente os sacramentos.
Galicanismo
O modelo, de origem francesa,
influencia Pascal e a comunidade de Port-Royal, bem como Racine, Boileau,
Fénelon e Bossuet. Também favorece o desenvolvimento do galicanismo, quando proclama
a autonomia dos bispos face ao papa, ao mesmo tempo que deixa livre o
desenvolvimento do poder real, não pondo peias ao absolutismo.
Condenações papais
Foi condenado pelo papa
Inocêncio X em 1653 e por Clemente XI em 1713, pela bula Unigenitus.
Contra o barroco
Transforma-se num programa de
luta contra o barroco, marcado pelo rocócó e pelo gongorismo
Jansenismo em Portugal
Em Portugal houve recepção do
jansenismo, sobretudo em matéria política, sendo várias as tentações de criação
de uma Igreja Lusitana independente de Roma, desde D. João IV. Neste sentido se
compreende a restauração do Beneplácito Régio, com D. João V. As doutrinas
jansenistas também favoreceram o pombalismo, havendo reflexo das mesmas em
autores como António Pereira de Figueiredo, autor de De Suprema Regum, e
António Ribeiro dos Santos, autor de De Sacerdocio et Imperio.