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Do assassinato do marquês de Loulé à Abrilada Ao longo do ano, D. João IV tenta ganhar espaço, procurando um modelo representativo conciliável com o tradicionalismo, nomeadamente pela convocação das Cortes, mas a tal se opõe o directório europeu. é neste contexto que surge a Conferência da Santa Aliança em Paris sobre Portugal, com representantes da França, Áustria, Rússia, Prússia e Espanha, assumindo posição contrária à convocação das cortes tradicionais em Portugal.
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Leite de Barros no governo (19 de Março)
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A balança da
Europa – Ofício de Chateaubriand para Hyde de Neuville critica a hipótese de
convocação das Cortes tradicionais em Portugal (12 de Fevereiro).
Assassinato do 1º marquês de Loulé, desde
1799, 8º conde de Vale dos Reis, Agostinho Domingos José de Mendonça Rolim de
Moura Barreto (1780-1824), em Salvaterra de Magos (24 de Fevereiro). Este
conselheiro do monarca era, na altura, a principal cabeça do grupo dos
aristocratas maçons que resistiam ao assalto apostólico na cabeça do reino.
Também esteve para ser assassinado Subserra no baile do ministro inglês Thornton
em 29 de Abril.
Remodelação –
Em 19 de Março entra, para as pastas do reino e da justiça, José António de
Oliveira Leite de Barros (1749-1833), 4º conde de Basto desde 1829, que se
mantém até abrilada.
Abrilada.
Revolta de D. Miguel no Rossio, apoiado pelo marquês de Chaves (30 de Abril). O
infante proclama querer acabar de vez com a infernal raça maçónica antes que
ela acabe connosco, dizendo querer salvar o rei
das garras dos infames que o cercavam. O corpo diplomático está,
então, reunido nos salões da legação britânica a festejar o aniversário de Jorge
IV. Dirige-se para o palácio da Bemposta, onde o rei tem ao seu lado Beresford,
regressado a Portugal no Verão de 1823. Thornton propõe que D. Miguel seja
substituído por Beresford. D. João VI, com o apoio dos diplomatas, refugia-se a
bordo da Windsor Castle, no dia 9 de Maio.
Grandes do reino, como Palmela, são presos em Belém. Palmela é único a ser
isolado, mas, fleumaticamente, vai lendo o Times. Passam, depois, para
Peniche. Os revoltosos insurgem-se contra Vila Flor (futuro Terceira) e Parati,
camaristas de D. João VI. José Agostinho de Macedo é um dos mais activos
agitadores da populaça, fazendo sucessivos comícios, onde denuncia os presos.
O regresso à legitimidade – D. Miguel parte
para o exílio a bordo da fragata Pérola, com destino a França (13 de
Maio). Patriarca tem que retirar-se para o Buçaco e D. Carlota passa a ter que
residir em Queluz. Os partidários do Infante são processados no dia 26, cabendo
a devassa a José Joaquim de Almeida Araújo Correia de Lacerda.
Remodelação – D. João VI regressa à
Bemposta, demite Leite de Barros nomeando Frei Patrício da Silva (1756-1840),
arcebispo de Évora, para ministro da justiça, e Palmela para o reino (14 de
Maio).
O protector
britânico – Em Setembro de 1824 chega a Lisboa o novo representante
britânico, William A’Court, para substituir Thornton, acusado de ser enredado
por Neuville. O novo delegado de Londres, que tinha sido embaixador em Nápoles e
Madrid, quer a demissão de Pamplona e procurará elevar Beresford a
generalíssimo.
Dissolução das
Cortes (3 de Junho). Nomeada uma junta para organizar a convocação das
Cortes à maneira tradicional (4 de Junho).
Decreto concede
perdão para as actividades políticas desenvolvidas por vintistas e
afrancesados, sendo amnistiados e isentos de perseguição todos os membros das
sociedades secretas (5 de Junho). Outro decreto da mesma data anula as leis
vintistas, mantendo, contudo, a que criou o banco de Lisboa.
Ainda são
perseguidos alguns importantes esteios do vintismo, como João da Cunha Souto
Maior; Bernardo Correia de Castro Sepúlveda; José de Melo e Castro Abreu; José
de Sousa Pimentel Maldonado; José Pedro Cardoso; José Leite Pereira de Berredo;
Sebastião Drago Valente de Brito Cabreira; Gil de Figueiredo (16 de Junho).
Amnistia para os
apostólicos, nomeadamente para os implicados no assassínio do Marquês de
Loulé (24 de Junho).