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  Anuário 1824

1824

Do assassinato do marquês de Loulé à Abrilada

Ao longo do ano, D. João IV tenta ganhar espaço, procurando um modelo representativo conciliável com o tradicionalismo, nomeadamente pela convocação das Cortes, mas a tal se opõe o directório europeu. é neste contexto que surge a Conferência da Santa Aliança em Paris sobre Portugal, com representantes da França, Áustria, Rússia, Prússia e Espanha, assumindo posição contrária à convocação das cortes tradicionais em Portugal.

Domínio da balança da Europa

Domínio do protector britânico

Arquivo antigo do anuário CEPP

Assassinato do Marquês de Loulé em Salvaterra de Magos (24 Fev.)

Leite de Barros no governo (19 de Março)

  Abrilada (30 de Abril)

D. Miguel parte para o exílio (13 de Maio)

Convocadas as cortes tradicionais (4 de Junho)

Perseguição e amnistia para maçons (5 de Junho) e perdão para os apostólicos

Chegada a Lisboa de A. Court (Setembro)

 

A balança da Europa – Ofício de Chateaubriand para Hyde de Neuville critica a hipótese de convocação das Cortes tradicionais em Portugal (12 de Fevereiro).

Assassinato do 1º marquês de Loulé, desde 1799, 8º conde de Vale dos Reis, Agostinho Domingos José de Mendonça Rolim de Moura Barreto (1780-1824), em Salvaterra de Magos (24 de Fevereiro). Este conselheiro do monarca era, na altura, a principal cabeça do grupo dos aristocratas maçons que resistiam ao assalto apostólico na cabeça do reino. Também esteve para ser assassinado Subserra no baile do ministro inglês Thornton em 29 de Abril.

Remodelação – Em 19 de Março entra, para as pastas do reino e da justiça, José António de Oliveira Leite de Barros (1749-1833), 4º conde de Basto desde 1829, que se mantém até abrilada.

Abrilada. Revolta de D. Miguel no Rossio, apoiado pelo marquês de Chaves (30 de Abril). O infante proclama querer acabar de vez com a infernal raça maçónica antes que ela acabe connosco, dizendo querer salvar o rei das garras dos infames que o cercavam. O corpo diplomático está, então, reunido nos salões da legação britânica a festejar o aniversário de Jorge IV. Dirige-se para o palácio da Bemposta, onde o rei tem ao seu lado Beresford, regressado a Portugal no Verão de 1823. Thornton propõe que D. Miguel seja substituído por Beresford. D. João VI, com o apoio dos diplomatas, refugia-se a bordo da Windsor Castle, no dia 9 de Maio. Grandes do reino, como Palmela, são presos em Belém. Palmela é único a ser isolado, mas, fleumaticamente, vai lendo o Times. Passam, depois, para Peniche. Os revoltosos insurgem-se contra Vila Flor (futuro Terceira) e Parati, camaristas de D. João VI. José Agostinho de Macedo é um dos mais activos agitadores da populaça, fazendo sucessivos comícios, onde denuncia os presos.

O regresso à legitimidade – D. Miguel parte para o exílio a bordo da fragata Pérola, com destino a França (13 de Maio). Patriarca tem que retirar-se para o Buçaco e D. Carlota passa a ter que residir em Queluz. Os partidários do Infante são processados no dia 26, cabendo a devassa a José Joaquim de Almeida Araújo Correia de Lacerda.

Remodelação – D. João VI regressa à Bemposta, demite Leite de Barros nomeando Frei Patrício da Silva (1756-1840), arcebispo de Évora, para ministro da justiça, e Palmela para o reino (14 de Maio).

O protector britânico – Em Setembro de 1824 chega a Lisboa o novo representante britânico, William A’Court, para substituir Thornton, acusado de ser enredado por Neuville. O novo delegado de Londres, que tinha sido embaixador em Nápoles e Madrid, quer a demissão de Pamplona e procurará elevar Beresford a generalíssimo.

Dissolução das Cortes (3 de Junho). Nomeada uma junta para organizar a convocação das Cortes à maneira tradicional (4 de Junho).

Decreto concede perdão para as actividades políticas desenvolvidas por vintistas e afrancesados, sendo amnistiados e isentos de perseguição todos os membros das sociedades secretas (5 de Junho). Outro decreto da mesma data anula as leis vintistas, mantendo, contudo, a que criou o banco de Lisboa.

Ainda são perseguidos alguns importantes esteios do vintismo, como João da Cunha Souto Maior; Bernardo Correia de Castro Sepúlveda; José de Melo e Castro Abreu; José de Sousa Pimentel Maldonado; José Pedro Cardoso; José Leite Pereira de Berredo; Sebastião Drago Valente de Brito Cabreira; Gil de Figueiredo (16 de Junho).

Amnistia para os apostólicos, nomeadamente para os implicados no assassínio do Marquês de Loulé (24 de Junho).