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O regime joanino resiste e transige: o governo de Lacerda/ Barros
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Governo nº 2.6 de Lacerda/Barros, desde 15
de Janeiro. Gabinete liderado pelos maçons Correia de Lacerda, no reino,
e Fernando Luís Pereira de Sousa Barradas (1757-1841), na justiça, isto é, sem
Palmela e sem Subserra. Simão da Silva Ferraz de Lima e Castro, 1º Barão de
Rendufe volta ao cargo de intendente da polícia.
A influência inglesa é agora indisfarçável, sendo
o governo obrigado a reconhecer Charles Stuart como plenipotenciário da parte
portuguesa nas negociações com o Rio de Janeiro. A'Court relaciona-se
especialmente com Barbacena.
Outros ministros são o conde de Barbacena; o
Almirante Joaquim José Monteiro Torres; o conde de Porto Santo, D. Alexandre de
Saldanha da Gama (1778-1839); e Miguel António de Melo Abreu (1766-1836), futuro
conde de Murça.
A moderação joanina tenta dar uma no
cravo e outra na ferradura, mas nem sequer pode cumprir o desejado programa
de regresso ao consensualismo tradicionalista, queimando colaboradores que, para
a história, vão ser injustamente qualificados como uma resma de mediocridades
independentes num governo de puro expediente e de simples acalmação pela
inércia, para utilizarmos as palavras pouco exactas de Silva Dias. O novo
gabinete tem como principal medida a carta-patente reconhecendo a independência
do Brasil, mas atribuindo a missão de plenipotenciário ao britânico Charles
Stuart, com tratado assinado no Rio de Janeiro em 29 de Agosto. Por outras
palavras, os franceses perdem a jogada de influência em Lisboa, ao contrário do
que acontecera durante o anterior gabinete, onde Hyde de Neuville
conseguira enredar o britânico Thornton.
Reconhecimento da independência do Brasil –
Preparada a carta-patente sobre a independência do Brasil (13 de Maio). Assinado
tratado no Rio de Janeiro (29 de Agosto). D. João VI ratifica o mesmo em Lisboa
(15 de Novembro). O modelo estabelecido
contraria a vontade do rei, sempre esperançado no restabelecimento, senão do
Reino Unido, pelo menos de uma união pessoal, a protagonizar por D. Pedro e na
linha do proposto por Silvestre Pinheiro Ferreira. O que passaria por D. Pedro
nunca abdicar do trono de Portugal, a não ser com a maioridade de D. Maria da
Glória. Esse projecto, partilhado por D. Isabel Maria (1801-1876),
tem a manifesta oposição dos britânicos e dos austríacos – a imperatriz do
Brasil, D. Leopoldina, é filha do imperador da Áustria – interessados em que o
Brasil se separe de Portugal. Mas Lisboa tem tão pouca força que prevalece o
interesse britânico, humilhando-nos de tal maneira que o plenipotenciário
português nas negociações com o Rio de Janeiro acaba por ser um embaixador
britânico, Charles Stuart…