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  Anuário 1825

1825

O regime joanino resiste e transige: o governo de Lacerda/ Barros

Arquivo antigo do anuário CEPP

  Grupos políticos 1825

  Governo nº 2.5 de Lacerda/ Barradas (15 Jan.)

Reconhecimento da independência do Brasil Amnistiados maçónico (5 de Junho) Amnistiados apostólicos (24 de Junho) Tratado do Rio de Janeiro (29 de Agosto) Ratificação do tratado por D. João VI (15 de Novembro)


Governo nº 2.6 de Lacerda/Barros, desde 15 de Janeiro. Gabinete liderado pelos maçons Correia de Lacerda, no reino, e Fernando Luís Pereira de Sousa Barradas (1757-1841), na justiça, isto é, sem Palmela e sem Subserra. Simão da Silva Ferraz de Lima e Castro, 1º Barão de Rendufe volta ao cargo de intendente da polícia.

A influência inglesa é agora indisfarçável, sendo o governo obrigado a reconhecer Charles Stuart como plenipotenciário da parte portuguesa nas negociações com o Rio de Janeiro. A'Court relaciona-se especialmente com Barbacena.

Outros ministros são o conde de Barbacena; o Almirante Joaquim José Monteiro Torres; o conde de Porto Santo, D. Alexandre de Saldanha da Gama (1778-1839); e Miguel António de Melo Abreu (1766-1836), futuro conde de Murça.


A moderação joanina tenta dar uma no cravo e outra na ferradura, mas nem sequer pode cumprir o desejado programa de regresso ao consensualismo tradicionalista, queimando colaboradores que, para a história, vão ser injustamente qualificados como uma resma de mediocridades independentes num governo de puro expediente e de simples acalmação pela inércia, para utilizarmos as palavras pouco exactas de Silva Dias. O novo gabinete tem como principal medida a carta-patente reconhecendo a independência do Brasil, mas atribuindo a missão de plenipotenciário ao britânico Charles Stuart, com tratado assinado no Rio de Janeiro em 29 de Agosto. Por outras palavras, os franceses perdem a jogada de influência em Lisboa, ao contrário do que acontecera durante o anterior gabinete, onde Hyde de Neuville conseguira enredar o britânico Thornton.

Reconhecimento da independência do Brasil – Preparada a carta-patente sobre a independência do Brasil (13 de Maio). Assinado tratado no Rio de Janeiro (29 de Agosto). D. João VI ratifica o mesmo em Lisboa (15 de Novembro). O modelo estabelecido contraria a vontade do rei, sempre esperançado no restabelecimento, senão do Reino Unido, pelo menos de uma união pessoal, a protagonizar por D. Pedro e na linha do proposto por Silvestre Pinheiro Ferreira. O que passaria por D. Pedro nunca abdicar do trono de Portugal, a não ser com a maioridade de D. Maria da Glória. Esse projecto, partilhado por D. Isabel Maria (1801-1876), tem a manifesta oposição dos britânicos e dos austríacos – a imperatriz do Brasil, D. Leopoldina, é filha do imperador da Áustria – interessados em que o Brasil se separe de Portugal. Mas Lisboa tem tão pouca força que prevalece o interesse britânico, humilhando-nos de tal maneira que o plenipotenciário português nas negociações com o Rio de Janeiro acaba por ser um embaixador britânico, Charles Stuart…