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  Anuário 1831

 

Revoltas pedristas no continente e abdicação de D. Pedro

Arquivo antigo do anuário CEPP

Da revolta polaca à Jovem Itália

Grupos políticos

Revolta liberal em Lisboa em 7 de Fevereiro.

D. Pedro abdica de Imperador do Brasil (7 de Abril). Vai para França em Agosto. Obtém empréstimo junto dos Ardouin em 23 de Setembro.

Remodelação do governo miguelista (1 de Julho). Conde de Basto passa a chefiar o governo. Em 27 de Setembro, Rio Mendonça regressa à pasta da justiça.

Roussin, almirante francês, comanda as operações da esquadra francesa no Tejo contra D. Miguel (6 de Julho)

Papa reconhece o regime miguelista (5 de Agosto)

Revolta anti-miguelista em Lisboa, com movimentações da Infantaria 4 e onde participa Alexandre Herculano (21 de Agosto).

A dependência – O miguelismo tem algum brilho externo enquanto dura a conjuntura europeia que lhe é favorável, mas com a saída de Wellington do governo britânico e a Revolução de 10 de Julho de 1830 em França, a derrocada do regime torna-se inevitável. E as atitudes de repressão terrorista em que o respectivo governo se enreda, levam a imediatos protestos dos governos europeus que o poderiam favorecer. Em Julho de 1831 já a esquadra francesa do almirante Albin Roussin chega a Cascais e, depois de um ultimato, apresa todas as forças navais de D. Miguel. No dia 1 de Junho de 1833, já desembarca no Porto, ocupado pelos pedristas, Palmela, acompanhado pelo inglês Napier, logo feito almirante, que promove a estratégia vitoriosa de desembarque dos pedristas em Cacela e derrota os restos da esquadra miguelista na batalha do cabo de São Vicente, de 3 a 5 de Julho, permitindo que Vila Flor ocupe a Lisboa miguelista, no dia 24 de Julho, sem necessidade de disparar um único tiro. E todo o processo atinge o seu termo em 22 de Abril de 1834, quando Luís Filipe de França e Jorge IV do Reino Unido, manobrando o regente D. Pedro de Portugal e Maria Cristina de Espanha, instituem a chamada Quádrupla Aliança, com a península ibérica definitivamente integrada na esfera de influência do bloco franco-britânico da balança da Europa. Dois anos depois já somos pressionados para enviarmos tropas para Espanha, a fim de se combaterem os carlistas, tal como em 1847 chegam até nós tropas espanholas para defenderem o cabralismo, dizendo que eram miguelistas as forças da Patuleia. Em 1836, a jovem rainha, depois da morte do primeiro consorte, D. Augusto, é casada com um D. Fernando, sobrinho de Leopoldo I da Bélgica e primo do príncipe Alberto, marido da rainha Vitória. E Londres passa a influenciar-nos também através de Bruxelas. Como se há-de ver nas manobras do embaixador belga durante a belenzada de 1836, contra Passos Manuel e se notará na emboscada de Saldanha de 1846, a favor do restabelecimento dos cabrais. Portugal é, efectivamente, um Estado exíguo, dependente da pressão diplomática e do empréstimo externo. Porque o Estado português não sabe que para continuarmos independentes somos, muitas vezes, obrigados à gestão de efectivas dependências. Que o digam as humilhações sofridas com a questão da barca Charles et Georges, por parte dos franceses, e o Ultimato britânico de 1890. Ora, a ilusão de afastarmos os Braganças não nos fez recuperar a força perdida, mas, apesar de tudo, talvez tenha sido um milagre resistirmos em autonomia política, mesmo condicionada. Como ainda hoje.

Revolta liberal em Lisboa em 7 de Fevereiro. No processo terá participado Alexandre Herculano.

Remodelação – Em 1 de Julho: Duque do Cadaval é substituído pelo conde de Basto na chefia do governo (ministro assistente ao despacho).

Em 27 de Setembro: Rio Mendonça regressa à pasta da justiça.

O barão de Roussin, almirante francês, comanda as operações da esquadra francesa no Tejo contra D. Miguel. (6 de Julho). Estão presos em S. Julião da Barra dois cidadãos franceses, o pretexto para a intervenção que humilha Lisboa, principalmente quando a nossa esquadra é apresada e levada para Toulon.

Papa Gregório XVI reconhece o regime de D. Miguel (5 de Agosto). Na encíclica Mirari vos, onde condena o liberalismo católico, volta a incluir-se a maçonaria entre os males que afectam a cristandade.

Nova revolta anti-miguelista em Lisboa, com movimentações da Infantaria 4, onde participa Alexandre Herculano (1810-1877) (21 de Agosto). Há cerca de 200 mortos nas refregas e 39 dos principais implicados serão fuzilados a 10 de Setembro, seguindo-se bárbaras repressões, degredos e desterros, onde a ala do conde de Basto marca a loucura do terrorismo de Estado, onde se aliam caceteiros de rua, beatos intelectuais e vingativos magistrados.

D. Pedro abdica de Imperador do Brasil face a uma revolta dos chamados nativistas. Segue-se o domínio destes sob a liderança do regente Diogo António Feijó, um liberal contra quem se levantam os conservadores (7 de Abril). Vai para França, em Agosto, onde é protegido por Luís Filipe, que pretende casar um dos filhos com D. Maria II. Tem aí o apoio de Lafayette. Contudo, entre os exilados portugueses, há uma forte oposição ao Imperador do Brasil, encabeçada por Saldanha, com o apoio de Rodrigo Pinto Pizarro, o futuro barão de Sabrosa, e dos irmãos Passos. Saldanha é acusado de querer a união ibérica e os Passos falam até na instauração da república.

Enpréstimos – Pedristas obtêm empréstimo de dois milhões de libras junto do banqueiro Ardouin, de Paris (23 de Setembro).