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  Anuário de 1887

1887

 

Morte de Fontes, Esquerda Dinástica e Vida Nova

Sobre a nudez forte da verdade...

O manto diáfano da fantasia....

(Ver Arquivo antigo do anuário CEPP

Governo nº 39 Governo de José Luciano desde 20 de Fevereiro de 1886.

Morte de Fontes, substituído por António Serpa na chefia dos regeneradores Barjona de Freitas constitui a Esquerda Dinástica Anarquistas lançam o jornal A Revolução Social

Eleição nº  30 (6 de Março). Vitória dos governamentais progressistas, com 107 deputados. Regeneradores com 36 deputados. 8 deputados para a Esquerda Dinástica. 2 deputados republicanos.

Pugilato parlamentar com deputado Ferreira de Almeida a esbofetear o ministro da marinha, Henrique Macedo Tratado de Pequim reconhece Macau como possessão portuguesa.

 

Grupos políticos

 

Liderança dos regeneradores – Morre Fontes Pereira de Melo, em 23 de Janeiro, sucedendo-lhe António Serpa na chefia dos regeneradores (a eleição é anunciada em 1 de Agosto). É eleito numa reunião de regeneradores, realizada em casa de Barbosa du Bocage (20 de Junho).

 

Oposição republicana – Dois meetings republicanos (28 de Março), na altura em que surge o primeiro apelo do grupo à insurreição, com Augusto Manuel Alves da Veigaö (1850-1924): se queremos salvar o país da odiosa exploração de que está sendo vítima, se queremos poupar-lhe a desgraçada e humilhante situação do Egipto, pensemos noutros meios. Congresso do partido no Porto, de 18 até 22 de Dezembro, esboçando-se uma tentativa de entendimento com a esquerda dinástica de Barjona de Freitas, conforme proposta de José Jacinto Nunes, que, no entanto, é formalmente rejeitada.

Esquerda dinástica – Barjona de Freitas anuncia a criação de um novo partido. Os adversários logo alcunham o movimento como a esquerda ginástica. No dia 1 de Agosto discursa na Câmara dos Deputados sobre a matéria (31 de Julho).

Em Julho, o marquês de Rio Maior discursa na Câmara dos Pares em defesa dos jesuítas, revelando que os respectivos filhos foram educados nos colégios da congregação, tal como os de José Dias Ferreira e de Emídio Navarro.

Eleição nº 30 (6 de Março). Vitória dos governamentais progressistas que elegem 113 dos 169 deputados no continente e ilhas (71%). 36 deputados regeneradores no continente e ilhas (23%). 8 deputados da Esquerda Dinástica no continente e ilhas (5%). 2 deputados republicanos por Lisboa (José Elias Garcia e Zófimo Consiglieri Pedroso), onde contam com o apoio militante do jornal O Século. No Porto, são apoiados pelo jornal Folha Nova. Guerra Junqueiro ainda continua a ser eleito deputado progressista, agora por Quelimane.

Eleição de 50 pares, chamados do galão branco, com vitória progressista, à excepção de Faro e Castelo Branco (30 de Março).

Eleições municipais em Lisboa, com vitória da lista monárquica de Fernando Palha e Rosa Araújo (16 de Setembro).

Pugilato parlamentar – O 1º tenente Ferreira de Almeida esbofeteia, em plena Câmara dos Deputados, o ministro da marinha e ultramar Henrique Macedo, que responde a murro (7 de Maio). O pretexto da discussão foi um caso de indisciplina verificado no navio de transporte Índia. O Ministro acaba demitido e o deputado, condenado a quatro meses de prisão. A Câmara dos Deputados altera a sanção disciplinar aplicada a Ferreira de Almeida, que é suspenso como deputado e passa a estar sujeito a julgamento a levar a cabo pela Câmara dos Pares (28 de Maio). Nova cena de pugilato no parlamento entre José de Azevedo Castelo Branco e Bivar de Sousa (9 de Maio).

Remodelações – Em 9 de Maio: Barros Gomes marinha.

Em 15 de Setembro: Henrique Macedo retoma a pasta da marinha

Macau – Só em 1 de Dezembro de 1887, com o Tratado de Pequim, é que o território de Macau passa a ser equiparado às restantes possessões portuguesas, atingindo-se a plenitude de uma soberania que, apesar de tudo, continua condicionada, dado não poder ceder-se tal estabelecimento a outra nação sem o consentimento do Império Celeste.

A força e a esperança – De um lado, a força que há no trono, e do outro, a esperança passiva, a simpatia calorosa que há no povo, desejamos sobretudo, para a fortuna da nossa terra, um aperto de mão directo entre o rei e o povo (Oliveira Martins).

& Martins, Joaquim Pedro d'Oliveira (1924) Dispersos, I: 27, 28, 68; Oliveira, Lopes d': 66, 67, 68; Paixão, Braga (II, 1968): 85, 86, 88.