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1894
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A experiência autoritária de Hintze – Concentração monárquica contra a coligação liberal (Ver Arquivo antigo do anuário CEPP
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O rotatitivismo entra
em crise, dado que os partidos monárquicos se configuram cada vez como
autênticas patrulhas, como acontecia no seio da própria oposição monárquica, com
Mariano de Carvalho a atacar o líder progressista, José Luciano. Os republicanos
também estão divididos, sendo de destacar os ataques do jornalista Homem Christo.
De um lado, os chamados radicais, como Basílio Teles, Alves da Veiga e João
Chagas. Do outro, os chamados conservadores, como Eduardo Abreu, Sampaio Brunoö
e Gomes da Silva. Cresce, sobretudo, o número dos indiferentes e prenuncia-se a
decadência do regime.
Ou
vamos para casa; ou vamos para a república; ou para o miguelismo (palavras
do cacique progressista Oliveira Monteiro, em Janeiro).
As eleições são adiadas
sine die e surgem decretos dissolvendo a Associação Comercial de Lisboa, a
Associação Industrial e a Associação de Lojistas (31 de Janeiro).
Forças vivas contra o governo
Manifestações das associações comercial, de lojistas e industrial de Lisboa
contra a política fiscal do governo. Anunciado comício para o dia 29 de Janeiro
de 1894, é proibido. O governo dissolvera as instituições. Imediatos protestos
dos progressistas, pela voz de José Luciano e apresentação de petição ao rei, o
qual declara que o governo se justificaria de tudo no parlamento. Carlos
Lobo de Ávila cria a Câmara do Comércio e Indústria. Oliveira Martins está
gravemente doente (12 de Fevereiro).
Eleição nº 34 (15 e 30 de
Abril). Num universo de 986 233 eleitores, vitória dos governamentais
regeneradores que se assumem como concentração monárquica, sem Bernardino
Machado e sem Augusto Fuschini, mas com João Franco e Carlos Lobo d'Ávila.
11 deputados progressistas e 2
deputados republicanos (Eduardo de Abreu e Gomes da Silva).
Caciques progressistas de Lisboa
apoiam os republicanos.
Nos Açores, uma lista patrocinada pela
Comissão Autonomista apresenta-se ao sufrágio, com o apoio do Partido
Progressista. Entre os candidatos eleitos, Montalverne de Sequeira, Francisco
Pereira Lopes de Bettencourt Ataíde e Duarte Andrade Albuquerque Bettencourt.
Rei anticonstitucional –
A Constituição está suspensa, a soberania
nacional foi atacada nos seus foros e nas suas franquias mais valiosas, os
direitos do povo foram ofendidos e conspurcados, o regime representativo foi
suprimido, sob a responsabilidade do Rei, que, faltando aos seu juramento, se
colocou for a da Constituição unicamente porque à sua vontade aprouve fazê-lo,
porque assim lhe pareceu melhor, segundo declarou, para os altos interesses da
Nação (jornal Correio da Tarde, de 27 de Maio).
Anarquistas. Em Junho o jornal
A Propaganda emite os chamados princípios comuns aos anarquistas
portugueses: abolição da propriedade individual, do Estado e de toda a
autoridade e expropriação da riqueza e do poder, por meio da revolução social,
surgindo pactos livremente feitos para a produção e para o consumo.
Morre Oliveira Martins, então
49 anos (24 de Agosto).
Remodelação – Em 1 de Setembro:
Lobo de Ávila substitui Frederico Arouca nos estrangeiros
Defesa militar do Império – Os
alemães ocupam Quionga no norte de Moçambique (2 de Julho). Parte para
Moçambique uma expedição militar, comandada por Joaquim Mouzinho de Albuquerque
(1855-1902). Tinham chegado notícias da revolta de Gungunhana (15 de Setembro),
principalmente com o ataque à própria cidade de Lourenço Marques de vários
chefes vassalos daquele imperador dos vátuas, em revolta contra o imposto de
cubata, já quando António Enes estava a caminho de Lisboa. Campanha
anglo-germânica contra Portugal. Jornal Morning Post propõe que Portugal
ceda o norte de Moçambique à Alemanha e o Sul à Inglaterra, porque mantém
muito dificilmente a ordem nas regiões africanas (20 de Setembro). Na mesma
senda, os jornais de Berlim falam abertamente na necessidade dos portugueses
cederam os respectivos interesses africanos aos alemães. António Enes, nomeado
comissário régio em 3 de Novembro, parte para Moçambique, via canal de Suez,
acompanhado pelo capitão de engenharia Alfredo Freire de Andrade e pelo
primeiro-tenente de artilharia Henrique de Paiva Couceiro (8 de Dezembro).
Governo entra em ditadura (28
de Novembro). São encerradas as Cortes e deixa de haver parlamento até Janeiro
de 1895. Situação semelhante apenas ocorrera em 1847. Por ocasião da reabertura
das Cortes no dia 1 de Outubro, o ministro João Franco reconhecera que não é
já com ficções constitucionais que o país vai.
Agressividade oposicionista –
Constitui-se uma união entre progressistas e
republicanos, enquanto as oposições reúnem-se na redacção do Correio da
Noite, formando a Coligação Liberal, pela junção de progressistas
e republicanos (3 de Dezembro). No dia 5 os coligados emitem manifesto:
Homens Liberais de todas as bandeiras, unamo-nos! Um por todos, todos por um!
A partir de então, desencadeiam-se importantes comícios anti-governamentais.
A velha Liga Liberal renasce e trata de promover várias conferências. Numa
delas, Bernardino Machado é explícito, apelando à guerra ao banditismo
político. Num comício do Campo Pequeno (9 de Dezembro), José Maria de Alpoim
proclama que a pátria está em perigo. No Porto, o conde de Samodães
também preside a comício de protesto no teatro do Príncipe Real, no dia 16, onde
José de Alpoim pede que se hasteie para todos uma única bandeira, a bandeira
da Democracia, bandeira que não se confunda com o estandarte real, que seja a
bandeira da pátria. O jornal progressista Soberania do Povo chega a
proclamar que a monarquia está morta.
Reforma da instrução primária e
da instrução secundária (22 de Dezembro). Os liceus passam a ter um curso geral
de cinco anos e um curso complementar de dois anos.
Viva o rei! No meio da
corrupção de acordos, ele (o rei) é a única entidade política que soube
manter-se alheia a eles (Bernardino Machado, em 26 de Dezembro).
& Chagas, João (Correspondência, I): 25; Ferrão, Almeida: 156, 162; Gallis, Alfredo (I): 521, 522, 523, 527-531, 544, 545, 557, 574, 575, 582, 583, 584, 585; Oliveira, Lopes: 143, 146, 147, 148, 150, 152, 160; Paixão, Braga (II, 1968): 185 ss.; Rego, Silva (1966): 314 ss.; Santos, António Ribeiro dos: 213; Serrão, J. Veríssimo (X): 59, 60, 63, 64, 65.