|| Governos|| Grupos|| Eleições|| Regimes|| Anuário|| Classe Política

  Anuário de 1903

1903

 

Revolta do grelo, aparecem os nacionalistas, greves e protestos de viticultores

Vapores para Moçambique

Democracia-cristã

Bolcheviques

(Ver pormenores em anuário CEPP)

Revolta do grelo e greve geral em Coimbra (começa em 13 de Março)

Eduardo VII visita Lisboa (2 de Abril)

Manifestação de protesto de viticultores (18 de Maio)

Congresso do Partido Nacionalista em Viana do Castelo (Junho)

Greves operárias no Porto (Julho)

Greve dos metalúrgicos em Lisboa (Dezembro)

Fundado o Partido Nacionalista, com Samodães, Bertiandos e Jacinto Cândido.

João Arroio abandona as fileiras dos regeneradores hintzáceos.

Associação Comercial de Lisboa em rebeldia contra o governo que, em sua substituição, cria uma Câmara do Comércio.

Manifestação de protesto dos viticultores (18 de Maio)

Greve dos metalúrgicos (Dezembro)

Bernardino Machado desdobra-se em sucessivos discursos e conferências oposicionistas.

Junqueiro republicano – Saúdo...os homens obscuros que em 31 de Janeiro se deixaram matar pelo Bem e pela Verdade, e lembro ao Partido Republicano o duplo dever, de acção e de união, constituindo uma nobre família moral, um baluarte de luz e de vida heróica. Não realizar esse dever é cometer um crime (Guerra Junqueiro envia ao jornal Voz Pública um telegrama em 31 de Janeiro).

Remodelação – Em 23 de Fevereiro: Teixeira de Sousa passa da marinha para a fazenda; Manuel Rafael Gorjão (1846-1918), celebrizado como governador de Moçambique, onde foi responsável pelas obras do porto de Lourenço Marques, assume a pasta da marinha; para os estrangeiros entra Wenceslau de Sousa Pereira de Lima; Alfredo Vieira Coelho Pinto Vilas Boas (1860-1926), 1º conde de Paçô Vieira, governador de Ponta Delgada, nas obras públicas.

Governo da Turquia. João Arroio, na Câmara dos Pares, chama ao gabinete de Hintze governo da Turquia. Face à defesa feita pelo presidente do conselho, o par do reino retira-se da sala e o casaca de ferro fulmina-o: o digno par pode retirar-se; está no seu direito; mas eu também estou no meu direito de continuar a responder-lhe.

 

Greve geral em Coimbra, dita revolta do grelo (13 de Março). O protesto tem como pretexto a contribuição industrial, impedindo-se a entrada na cidade dos pequenos agricultores dos campos de Cernache. Intervenção da polícia e morte de um manifestante. Populares respondem à pedrada e ferem gravemente o comandante da força, o alferes Antunes. Nova carga policial e mais um morto. Estudantes manifestam-se em solidariedade para com as vítimas e a Universidade é encerrada. Nomeado um governador militar, com a cidade a ser ocupada por 500 soldados. No dia 14, greve de protesto dos comerciantes, que encerram as lojas. Os soldados são atacados a tiro. Progressistas apoiam as medidas do governo para o restabelecimento da ordem. Só no dia 16 é que a região volta à normalidade. Segundo denúncias publicadas no jornal O Dia, de 16 de Março, sociedades secretas de estudantes teriam previsto um ataque ao comboio no qual regressa a Lisboa, vindo de Paris, Pereira Carrilho. Embora o mesmo não tenha sido descarrilado, é efectivamente atacado a tiro e à pedrada.

Franquistas – Grande actividade de propaganda e implantação, no país interior e nas classes médias, caçando no mesmo terreno dos republicanos. Inaugurado o Centro Regenerador-Liberal em Lisboa (16 de Maio). João Franco discursa, afirmando-se monárquico contra a utopia e ardentemente liberal, apesar de reconhecer que teve de ser autoritário de 1893 a 1897, face às circunstâncias. O discurso patriótico, em nome da moralidade e liberdade, consegue mobilizar alguns republicanos de Lisboa e muitos agricultores, todos insatisfeitos com os rotativos.

João Arroio contra a família real. O par do reino João Arroio faz acusações à família real, criticando a viagem de D. Amélia pelo Mediterrâneo e a França, dizendo que o rei ter uma orientação demasiado jacobina e a rainha presumia uma tendência para as congregações católicas. Faz graves insinuações sobre as relações de Soveral com a rainha (11 de Maio). Segundo Raul Brandão, o rei chama nomes ao Arroio, o Arroio chama-lhe corno...Na altura, também se diz que o rei tem uma lista de ladrões. Também consta que Arroio, ameaçando com novo discurso contra o rei, onde se provaria que o monarca pedia dinheiro aos ministros, foi procurado em sua casa por José Luciano que o dissuadiu, dizendo que não o fazia por pressão de Hintze.

Congresso do Partido Nacionalista em Viana do Castelo, onde se vota o programa (3 de Junho). Na comissão central do novo agrupamento, o conde de Samodães, o conde de Bertiandos, par do reino desde 1842 e especialista em questões vinícolas, Jacinto Cândido da Silvaö , general Hugo de Lacerda, António Mendes Lages e José Pulido Garcia.

Republicanos – António José de Almeida regressa a Lisboa, depois de exercer durante sete anos clínica em S. Tomé e Príncipe (23 de Julho). Discurso de Bernardino Machado na sala dos Capelos (30 de Julho) Conferência do mesmo professor no Ateneu Comercial de Lisboa: não é lícito esperar a salvação dentro da monarquia (31 de Outubro). A anarquia da nação demonstra-se: no interior pelo desencadeamento das forças dissolventes do caciquismo, da plutocracia e a agitação do clericalismo, e fora, pelas mesmas consequências dolorosas que se seguem a qualquer ditadura progressista ou regeneradora.

Emídio Navarro em o Novidades, a propósito do assassinato dos reis da Sérvia, ataca a família real: destes acontecimentos há para nós uma lição a tirar: e é que não há povo tão oprimido, tão privado de liberdade, tão caído em vilipêndio que, num momento dado não possa erguer-se, num ímpeto irresistível e desordenado, para vingar a sua ruína e sacudir a afronta da sua opressão

Associação Comercial de Lisboa em rebeldia contra o governo que, em sua substituição, cria uma Câmara do Comércio.

Operários e viticultores no contra – Em Junho, várias greves operárias no Porto. Em Dezembro, greve dos metalúrgicos. Manifestação de protesto de cerca de 3 000 viticultores em Lisboa, promovida pela Real Associação Central da Agricultura Portuguesa (18 de Maio).

& Brandão, Raul (I): 94; Oliveira, Lopes: 196, 197, 199; Paixão, Braga (III, 1971): 29 ss., 31; Serrão, Joaquim Veríssimo (X): 85, 104, 105, 108; Silva, Amaro Carvalho da (1996).