|| Governos|| Grupos|| Eleições|| Regimes|| Anuário|| Classe Política

  Anuário de 1912

1912

Greves, incursões monárquicas e fragmentação do partido-sistema

Em busca de uma Índia nova

Do Titanic ao taylorismo

pormenores em anuário CEPP)

Depois de manifestação de católicos em Lisboa, segue-se grande comício anticlerical (14 de Janeiro)

Greves e estado de sítio em Lisboa (de 30 de Janeiro a 12 de Fevereiro)

Governo decide fazer limpeza de bombistas e fecha a Casa Sindical, prendendo cerca de 700 pessoas (31 de Janeiro)

António José de Almeida anuncia a formação do partido evolucionista (24 de Fevereiro)

Brito Camacho anuncia a formação do partido unionista (26 de Fevereiro)

Afonso Costa que estava na Suíça desde Dezembro regressa a Lisboa (18 de Março)

Congresso dos democráticos em Braga (26 de Abril)

Greve da Carris (29 de Maio a 24 de Junho)

 

Governo nº 59  (16 de Junho) Duarte Leite (207 dias). Governo de concentração, com 3 democráticos, 2 unionistas e 2 evolucionistas.

Agitações rurais no Alentejo promovidas por Carlos Rates.

Segunda incursão monárquica de Paiva Couceiro, agora com o apoio dos legitimistas (3 de Julho)

Derrota dos monárquicos em Chaves (8 de Julho)

Reabre em Coimbra o CADC (8 de Dezembro)

 

 

 

Sem Deus nem religião – Manifestação de protesto contra o governo junto ao Patriarcado de Lisboa, então em S. Vicente de Fora (1 de Janeiro). Nova manifestação anti-clerical em Lisboa promovida pela Associação do Registo Civil com bandeiras onde pode ler-se Sem Deus nem Religião (14 de Janeiro). Uma delegação dos manifestantes, dirigida por Magalhães Lima, é recebida por Augusto de Vasconcelos: o Papa de Roma é apenas o chefe do sindicato católico universal e não pode ser considerado como um soberano (14 de Janeiro).

Greves em Lisboa de solidariedade com as dos rurais alentejanos, promovidas pela União dos Sindicatos Operários (de 28 a 30 de Janeiro). Eléctricos que furam a greve são atacados à bomba (29 de Janeiro). Em Évora, a GNR ataca o sindicato. Declarado o estado de sítio na capital (30 de Janeiro). Em resposta, decreta-se greve geral, a primeira do regime, havendo graves incidentes. A turbulência dura até 12 de Fevereiro.

Tareia para cima – A greve geral deu-me horas de incerteza e de inquietação, mas foi boa porque permitiu realizar uma limpeza que doutra forma não se realizaria. Tirámos setecentas e tantas bombas a essa Cambada da Carbonária que ficou quase completamente desarmada. E agora se se fizerem finos, tareia para cima…(Augusto Vasconcelos, em carta dirigida a João Chagas).

Repressão – Estabelecido o regime de censura à imprensa. Novas prisões de sindicalistas e monárquicos. Entre os detidos, o ex-ministro da monarquia, José de Azevedo Castelo Branco, bem como o republicano radical, Mário Monteiro, advogado dos conspiradores monárquicos no Tribunal das Trinas. São deslocadas para Lisboa tropas estacionadas em Abrantes (30 de Janeiro). Militares e carbonários assaltam a sede da União de Sindicatos, a chamada casa sindical, sita no Palácio Pombal, à Rua do Século, à uma hora da noite (31 de Janeiro). Presas 700 pessoas, que são conduzidas de barco para Sacavém, Monsanto e Alto do Duque (31 de Janeiro).

Jobs for the boys – Afonso Costa é nomeado professor ordinário da Faculdade de Ciências de Lisboa (5 de Fevereiro).

Bispos de Braga, Portalegre e Lamego são desterrados por dois anos (12 de Fevereiro).

Quebra da unidade partidária – Em A República, António José de Almeida considera a União Nacional Republicana mera aliança parlamentar (17 de Fevereiro) e anuncia a formação de um Partido Republicano Evolucionista (24 de Fevereiro). Dois dias depois, Camacho proclama a criação da União Republicana, constituído definitivamente em 27 de Março. No congresso dos democráticos em Braga não comparecem camachistas nem almeidistas, sendo reeleito directório afonsista. Bernardino Machado e Magalhães Lima mantêm-se no partido histórico (26 de Abril).

Greve da Carris (29 de Maio a 24 de Junho)

O governo pede a demissão face aos ataques lançados pelos democráticos sobre o ministro do interior Silvestre Falcão e a ameaça de uma greve geral. Arriaga consulta Camacho, que propõe os nomes de Basílio Teles e de Duarte Leite. Almeida indica Alves da Veiga, Nunes da Ponte, Xavier Esteves, Aresta Branco e Pimenta de Castro. Basílio Teles, convidado para formar governo, através do governador civil do Porto, Sá Fernandes, volta a recusar e aconselha que se forme um gabinete presidido por Afonso Costa. Segue-se sondagem a Augusto de Vasconcelos e, finalmente a Duarte Leite.

Governo nº 59 (16 de Junho) Duarte Leite Pereira da Silvaö (207 dias, cerca de seis meses e meio). Gabinete de concentração, com 3 democráticos, 2 unionistas e 2 evolucionistas.

 

Presidência e Interior: Duarte Leite Pereira da Silva, lente de matemática, próximo dos unionistas que o hão-de candidatar à presidência da república.

Na justiça, o democrático Francisco Correia de Lemos (1852-1914). Nas finanças, o unionista e futuro salazarista, o professor de engenharia António Vicente Ferreira (1874-1953). Volta à guerra o democrático António Xavier Correia Barreto. Na marinha, o evolucionista Francisco José Fernandes Costa (1867-1925). Nos negócios estrangeiros, mantém-se o unionista Augusto César de Almeida Vasconcelos Correia, que no governo anterior também assumira as funções de presidente do ministério. No fomento, o evolucionista António Aurélio da Costa Ferreira (professor de liceu), que tem como chefe de gabinete Alfredo Pimenta, ex-anarquista e futuro monárquico, então professor no liceu Passos Manuel. Nas colónias, mantém-se o democrático Joaquim Basílio Cerveira e Sousa de Albuquerque e Castro.

Evolucionistas marcam agenda – O evolucionista António Granjo defende a necessidade de uma amnistia. António José de Almeida clama pela necessidade de realização imediata de eleições locais.

Segunda incursão monárquica Segunda incursão de Paiva Couceiro, agora com o apoio do legitimista D. João de Almeida (Lavradio), antigo oficial austríaco (3 de Julho). Os invasores, cerca de sete centenas, estão melhor armados e adoptam um claro programa de restauração monárquica. Juntam no mesmo esforço os manuelistas e os miguelistas. Depois de uma tentativa de assalto a Valença do Minho, chegam a atacar Vila Frade. A incursão é acompanhada por sublevações monárquicas em Azóia, Leiria, Batalha e Fafe. Surgem as guerrilhas do Padre Domingos em Cabeceiras de Basto (6 de Julho). Paiva Couceiro lança um ataque a Chaves (8 de Julho), mas é derrotado no dia 9, quando também é preso D. João de Almeida. É também descoberta conjura monárquica em Évora, dirigida militarmente pelo major Montez (13 de Julho). Como resposta, serão criados três tribunais militares em Braga, Coimbra e Lisboa, para julgamento dos conspiradores (16 de Julho). Há cerca de 274 presos políticos em Junho

Olimpíadas Participação portuguesa nas Olimpíadas de Estocolmo. Morte do maratonista Francisco Lázaro, por insolação (3 de Julho).

José Mendes Norton de Matos (1867-1955) funda no Huambo a cidade de Nova Lisboa (8 de Agosto).

Carlos Rates desloca-se ao Alentejo em missão de propaganda sindicalista e de inquérito à vida associativa (29 de Setembro).

 

Bloco – Uma coligação de unionistas e evolucionistas (Bloco) elege Macedo Pinto, evolucionista, como presidente da Câmara dos Deputados. Braamcamp Freire é reeleito presidente do Senado (2 de Dezembro).

Católicos – Do exílio, o arcebispo da Guarda, D. Manuel Vieira Matos, convida os católicos a integrarem uma União Católica, porque urge fazer o que fizeram os católicos alemães. A carta há-de ser publicada no jornal A Guarda, de 29 do mesmo mês (5 de Dezembro). Reabre em Coimbra o CADC (8 de Dezembro). Manuel Arriaga escreve a Duarte Leite propondo indulto aos bispos e a modificação no regime dos presos políticos. O chefe do governo recusa as sugestões (8 de Dezembro).

 

perante a Câmara dos Deputados, que o governo deve ter base partidária e assentar numa maioria parlamentar (6 de Janeiro). Entretanto, Arriaga convida António José de Almeida para formar governo. Tem apoio dos camachistas, mas não dos independentes que recusam a respectiva proposta de amnistia. Acaba por desistir (6 de Janeiro).

Saudosismo activo – Criar um novo Portugal, ou melhor ressuscitar a Pátria Portuguesa, arrancá-la do túmulo onde a sepultaram alguns séculos de escuridade física e moral, em que os corpos definharam e as almas amorteceram (Teixeira de Pascoaesö , in A Águia, nº 1, de Janeiro de 1912).