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Revolta das Ilhas e dos Aviadores de Alverca e forte agitação sindical
Manifestações de Fevereiro de 1931 Revolta da Madeira (1931). Crise universitária. Abril e Maio Assalto ao jornal República 18 de Julho de 1931 Revolta dos aviadores de Alverca 26 de Agosto de 1931 Distúrbios em Évora 13 de Dezembro de 1931 Decreto de 22 de Dezembro institui um Conselho Político Nacional
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Crise
governamental – Carmona solicita a Domingos de Oliveira a demissão do
ministro Lopes da Fonseca por causa do novo código do notariado (4 de Janeiro).
Reunião de Salazar, Lopes Mateus e Domingos de Oliveira, em casa do primeiro,
por causa deste incidente, chegando-se a consenso sobre a necessidade da
demissão do ministro da justiça que sempre alinhara com Salazar, nomeadamente
por ocasião do conflito com Cunha Leal. (6 de Janeiro).
Remodelação.
Schiappa de Azevedo na guerra. Este teria conspirado com Ivens Ferraz no sentido
da substituição de Salazar (19 de Janeiro). José de Almeida Eusébio na justiça.
Armindo Monteiroö
nas colónias, onde um dos redactores do Acto Colonial, todo ele british,
vai promover a chamada mística do Império. Águedo de Oliveira,
subsecretário das finanças (26 de Janeiro).
Maçonaria
– Reabrem as portas do GOL (31 de Janeiro)
Revolta
da farinha. Governo decidir suspender a importação de farinha, aumentando o
preço do pão, há uma revolta em Lisboa (dias 5 a 11 de Fevereiro). Seguem-se
tumultos na Madeira, não controlados pelo governador José Maria de Freitas,
irmão de José Vicente.
Condicionamento
industrial – Lançado o modelo global do que virá a ser o condicionamento
industrial com os Decretos nº 19 354, (14 de Fevereiro) (e nº 19 409, de 4 de
Março seguinte).
Comunistas
– Surge o primeiro número do jornal Avante!, órgão central do PCP (15
de Fevereiro)
Estruturas anarco-sindicalistas e comunistas organizam greves e
manifestações em várias localidades (25 de Fevereiro). Exigem liberdade
sindical e medidas de combate ao desemprego.
Preso
Carlos Cal Brandão quando entrega bombas a um conspirador de Coimbra (18
de Março). Será deportado, primeiro, para Cabo Verde e, depois, para Timor,
donde regressará em Fevereiro de 1946.
Por
iniciativa da Câmara Sindical do Trabalho, de Lisboa, é criada a Comissão
Interfederal de Defesa dos Trabalhadores, uma restauração da proibida CGT,
ilegalizada em 1927, a central anarco-sindicalista (31 de Março).
Revolta
da Madeira (a
partir de 4 de Abril, até 2 de Maio). Comandada pelo General Sousa Dias
e desencadeada no Funchal. Apesar de também estar prevista uma insurreição no
continente, o processo apenas tem imediato seguimento nos Açores e na Guiné.
Sousa Dias é apoiado por Fernando Freiria, José Mendes dos Reis, Manuel Ferreira
Camões, Pestana Júnior, Carlos Vilhena e Sílvio Pélico.
Defende-se um governo republicano
que restaure as liberdades públicas e faça regressar a ordem constitucional de
1911. Aliás, encontram-se na ilha vários deportados políticos, nomeadamente os
líderes do 7 de Fevereiro de 1927.
Segue-se a adesão de várias ilhas
dos Açores ao movimento sob a liderança do comandante Maia Rebelo, João Manuel
de Carvalho, Lobo Pimental e Armando Pires Falcão, pai de Vera Lagoa.
Ingleses, norte-americanos e
brasileiros decidem criar uma zona neutral nalguns hotéis do Funchal. Os
oposicionistas no exílio, sob a liderança da chamada Liga de Paris, começam
então a falar na constituição de uma República da Atlântida.
O governo da Ditadura Nacional
envia uma expedição que começa por controlar os revoltosos açorianos. O
ministro da marinha Magalhães Correia assume o comando directo da mesma e
desembarca no Caniçal. Segue-se a conquista do Machico por uma força comandada
pelo capitão Jaime Botelho Moniz, isolando-se o Funchal.
Bernardino
Machado é demitido como professor aposentado da Universidade de Coimbra (23
de Abril).
Estudantes
do Instituto Superior do Comércio e do Instituto Industrial e Comercial do Porto
hasteiam no edifício da escola uma bandeira vermelha, enquanto decorre uma greve
às aulas em toda a Universidade do Porto (28 de Abril). À tarde realiza-se uma
assembleia-geral dos estudantes da academia nas instalações da faculdade de
medicina, que é interrompida pela polícia. Na confusão, dá-se uma acidental
queda colectiva, a partir de um varandim, falecendo o estudante João Martins
Branco
Greve
revolucionária dos estudantes universitários de Lisboa, leva a incidentes na
faculdade de medicina, com intervenção policial. Secundam o movimento estudantes
de direito, letras, farmácia e veterinária (29 de Abril). O protesto alastra a
Coimbra, enquanto no Porto decorre uma imponente manifestação no decorrer dos
funerais do estudante acidentado
Incidentes em Lisboa e
Coimbra no 1º de Maio. Surgem manifestos de um grupo dito Estrela Vermelha.
Em Coimbra, está prevista uma assembleia-geral do professores para tratamento de
assuntos pedagógicos, com movimentação de estudantes republicanos. Ministro
demite equipa reitoral em exercício liderada por Luís Carrisso, e encerra a
Universidade. Nomeada reitor o professor de medicina João Duarte de Oliveira,
com Luís Cabral de Moncada, como vice-reitor
Aprovação provisória das bases orgânicas da União Nacional, numa reunião
presidida por Lopes Mateus (1 de Maio). Considerada associação política
independente do Estado, mas não um partido
político.
No
mesmo dia, quando os manifestantes pró-regime regressam de Lisboa, são lançadas
bombas contra eles (1 de Maio).
Manifestação
de apoio ao regime promovida por membros da União Nacional, estudantes ditos
nacionalistas e elementos da tropa da guarnição de Lisboa, diante do
Palácio de Belém, com discurso de Carmona: hoje, que constantes ventos de
Desordem, vindos do Oriente, abalam todo o mundo, que seja Portugal, no
Ocidente, a fortaleza da Ordem (17 de Maio).
Ataque
à maçonaria.
Fechadas e seladas as portas do
Grémio Lusitano, sede do Grande Oriente Lusitano (19 de Maio).
Nota
oficiosa de Salazar sobre a estabilização da moeda (23 de Maio).
Bombas em Lisboa no Alto do elevador de Santa Justa. Tumultos na Rua do Carmo
(25 de Maio)
Sessão
da Liga 28 de Maio com ataques à maçonaria e ao comunismo (28 de Maio).
Neste dia, Salazar recebe as insígnias da grã-cruz da Torre e Espada e agradece
com um discurso proferido na Sala do Conselho de Estado, intitulado O
Exército e a Revolução Nacional.
Em
Maio, Jaime de Morais, Moura Pinto e Jaime Cortesão, exilados em Espanha,
organizam-se para o derrube do regime português. São apoiados por Jaime Baptista
e Utra Machado. Têm a oposição dos chamados anti-budas, com José
Domingues dos Santos, António Ribeiro de Carvalho, José da Conceição
Mascarenhas, Agatão Lança e Vasco da Gama Fernandes (1908-1991). Ribeiro de
Carvalho antigo ministro de Álvaro de Castro, amigo de António Sérgio e Raúl
Proença não aceita voltar ao governo depois de um convite que lhe faz Gomes da
Costa em 1926. Exilado em Espanha, recusa a amnistia em 1950. Morrerá louco.
Universidade
Técnica – Decreto aprova os estatutos da Universidade Técnica de Lisboa,
então integrada pelo Instituto Superior de Agronomia, pela Escola Superior de
Medicina Veterinária, pelo Instituto Superior Técnico e pelo ISCEF (2 de Junho)
Remodelação
– Schiappa de Azevedo deixa o ministério da guerra. A pasta é assumida
interinamente pelo ministro do interior, Lopes Mateus (25 de Junho)
Aliança
Republicano-Socialista. O directório deste movimento, em 8 de Julho,
solicita a Carmona, em audiência, direitos como partido político. Pretende
assumir-se como uma espécie de resposta à institucionalização da União Nacional.
Presidido por Norton de Matos, então Grão-Mestre da Maçonaria, conta com a
participação de Tito de Morais e de Mendes Cabeçadas e nasce da iniciativa de Sá
Cardoso.
Por
um Estado forte – Manifestação de homenagem a Carmona em Belém. À noite, no
Coliseu, discursos de Domingos de Oliveira e de Oliveira Salazar: um
nacionalismo político, económico e social bem compreendido, dominado pela
soberania incontestável do Estado forte em face de todos os componentes da Nação
(17 de Julho).
Assalto ao jornal
oposicionista República (18 de Julho).
Polícia
Internacional Portuguesa encarregada da vigilância das fronteiras, passa,
pelo Decreto nº 20 125, de 30 de Julho, para a tutela do Ministério do Interior,
sendo remodelada no sentido de reprimir iniciativas contrárias aos
interesses do Estado e da Nação, para o que é criada uma Secção de
Vigilância Política e Social (30 de Julho).
Revolta
dos Caçadores 7 e dos aviadores de Alverca que está para ser coincidente com
a Revolta das Ilhas (26 de Agosto). Dura cerca de nove horas e deixa quatro
dezenas de mortos. Entre os líderes da revolta: Utra Machado, Sarmento Beiresö,
António Augusto Dias Antunes (comandante dos Caçadores 7 e director da Imprensa
Nacional), Hélder Ribeiro, Brito Pais, Jaime Baptista, Agatão Lança e Prestes
Salgueiro, antigos governadores civis de Lisboa, e o Arcanjo Teixeira, antigo
comandante da GNR. Participam vários aviadores. Revolta jugulada pelo governador
militar de Lisboa, brigadeiro Daniel de Sousa, logo promovido a general, sendo
também relevante a acção do general Farinha Beirão da GNR. Em defesa do regime,
também se destacam David Neto, Mário Pessoa Costa e Jorge Botelho Moniz. Os
chefes da revolta são deportados para Cabo Verde e Timor.
Oposição
no exílio – Afonso Costa escreve a vários políticos republicanos espanhóis,
recomendando-lhes José Domingues dos Santos que aí se deslocaria, a fim de obter
um empréstimo destinado à causa revolucionária portuguesa. Afonso Costa
encontra-se com o espanhol Lerroux (3 de Outubro).
Sindicatos comunistas criam a Comissão Intersindical, uma cisão da CGT,
diversa da tendência anarco-sindicalista (2 de Setembro).
Libra
abandona o estalão ouro, com desvalorização de 30%, num gabinete de
coligação nacional de trabalhistas, liberais e conservadores, liderado pelo
trabalhista Mac Donald (2 de Setembro). Conselho Ministros português decide que
o escudo alinhe com a libra (6 de Setembro).
Remodelações
– Lopes Mateus assume o ministério da guerra, que geria interinamente. Mário
Pais de Sousa (1891-1949), no interior (21 de Outubro).
José
de Almeida Eusébio, na justiça (26 de Outubro)
Reunião da oposição em França:
em Byris (Sul de França), na casa de Bernardino Machado (dias 22 e 23 de
Novembro). Participam Afonso Costa, José Domingues dos Santos, João Pina de
Morais (vindos de Paris), Cunha Leal (de Biarritz), Jaime de Morais e Jaime
Cortesão (vindos de Madrid). Procura-se uma ligação entre a Aliança
Republicano-Socialista e a Liga de Defesa da República e decide-se uma dupla
forma organizacional, com um organismo vivendo em Portugal, à luz do dia e
tentando a luta legal, e outro, no estrangeiro, cujo objectivo é
essencialmente a revolução. Há uma saudação às vítimas da ditadura,
muito especialmente aos deportados em Cabo Verde, cerca de três centenas, e de
Timor, cerca de quinhentos
Distúrbios
em Évora (13 de
Dezembro) por ocasião da inauguração de uma sede da Liga Nacional 28 de Maio. No
dia seguinte, é assassinado Joaquim da Silva Dias, director do jornal O
Manuelinho, quando se prepara para seguir para Lisboa, acompanhado por
Francisco Rolão Preto
(1894-1977).
Reunião de militantes do Centro Católico, convocados por Lino Neto (17
de Dezembro). Comparece Mário de Figueiredo, mas não Salazar. Decidem não
enfrentar a União Nacional.
Instituído o Conselho Político
Nacional pelo Decreto nº 20 643 (22 de Dezembro). Presidido pelo Presidente
da República, integra o presidente do Supremo Tribunal de Justiça e o
procurador-geral da República, bem como onze homens públicos de livre escolha.
Entre os civis: Salazar, Armindo Monteiro, Manuel Rodrigues, Martinho Nobre de
Melo, Mário Figueiredo e José Alberto dos Reisö.
Renovação Democrática –
Surge o grupo da Renovação Democrática, com Pedro Veiga, Álvaro Ribeiro,
Delfim Santos, Lobo Vilela, Mário de Castro e Nuno Rodrigues dos Santos, um
grupo republicano liberal, ligado ao magistério de Leonardo Coimbra, donde vai
emergir o movimento da Filosofia Portuguesa e a que aderem, em Lisboa, Vasco da
Gama Fernandes, Freitas e Silva, Pompílio da Cruz e Manuel Anselmo, mais tarde
aderente ao salazarismo.