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Morte de D. Manuel II, governo de Salazar e nacional-sindicalismo
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Toma posse o
Conselho Politico Nacional (13 de Janeiro).
Bissaia Barreto,
membro influente da maçonaria, ex-deputado da Constituinte de 1911 e activista
da União Liberal Republicana, adere à União Nacional (Janeiro).
Frente Única da
Oposição. Surge uma proposta não concretizada, da iniciativa de Francisco da
Cunha Leal e de Catanho de Meneses, elementos não integrados na Aliança
Republicana e Socialista.
Comunistas –
Francisco de Paula Oliveira Júnior, dito Pavel (1908-1993), destacado e
mítico militante dos tempos heróicos do PCP, aparece como secretário da
Federação da Juventude Comunista Portuguesa, depois da prisão do anterior líder
do movimento Bernard Freund, dito René. Também neste ano desloca-se à
URSS Miguel Russell para participar no I Congresso do Socorro Vermelho.
Movimento Nacional-Sindicalista – Surge o
jornal Revolução (15 de Fevereiro), intitulado diário académico
nacionalista da tarde que, a partir de 14 de Março, passa a ter Rolão Preto
como director, transformando-se, desde Maio, no órgão do nacional-sindicalismo.
Aí se publicam vários textos e poemas de Fernando Pessoa. O movimento,
chefiado por Francisco Rolão Preto, atinge o seu auge em 1933, sendo proibido em
Agosto de 1934, antes de tentar um golpe de Estado em Setembro de 1935.
Conhecido como o movimento das camisas azuis, constitui a forma mais
similar ao fascismo, ocorrida entre nós. Moncada, um aderente, reconhece que o
movimento não passou de um epifenómeno de superfície como o da fosforescência
de certas vagas no mar, marcado pelos ventos soprados da Itália e da
Alemanha, com uma grande confusão de ideias e de sentimentos.
Dominam-no jovens estudantes, quase todos provindos do integralismo e quase
todos de direito. Entre os colaboradores, Amaral Pyrrait, António Lepierre
Tinoco, Dutra Faria, António Pedro, Júlio de Castro Fernandes, Fernanda de
Castro, Manuel Múrias, Garcia Domingues, João de Almeida, Barradas de Oliveira,
Almada Negreirosö,
Augusto Ferreira Gomes (1892-1953), João Ameal, Teófilo Duarte, Eduardo Frias.
Publicam vários textos e poemas de Fernando Pessoa.
Jantar dos
nacionais-sindicalistas no Parque Eduardo VII (18 de Fevereiro).
Costa Leite
recusa fazer parte do Conselho Superior do Nacional-Sindicalismo por este
tomar atitude hostil contra o Dr. Salazar (22 de Fevereiro)
Manifestações de
sindicalistas contra o desemprego e a Ditadura (25 de Fevereiro). Em Lisboa,
Marinha Grande, Setúbal, Silves e Olhão.
Greve geral
falhada. Protesto contra a futura criação do imposto de desemprego comandada
pelo PCP e pela sua correia de transmissão, a Comissão Intersindical (29 de
Fevereiro).
São presos 11
militantes comunistas em Monsanto, enquanto a polícia começa a detectar a
existência de um sistema de células (Abril).
Carmona, acompanhado
por vários membros do governo visita as obras do Monumento ao Marquês de
Pombal, na Rotunda (3 de Maio). Como observava Ramalho Ortigão, em 1882,
assim se vê consignar a estima deste povo pelo charlatanismo dos seus tiranos.
Criticava o projecto de estátua do marquês e propunha que se retirasse a de D.
José no Terreiro do Paço, ficando apenas o cavalo: o único que merece
continuar a contemplar Cacilhas...
Discurso de Mário
Pais de Sousa (ministro do interior) em Leiria: a República será
democrática e representativa. (15 de Maio).
Criada a
Federação Nacional dos Produtores de Trigo (28 de Maio), por acção do
ministro Linhares de Lima que, no decreto instituidor reconhece que a lavoura
portuguesa vive em crise permanente. Porque os preços aviltam-se, na
abundância por falta de procura e de crédito, na escassez, por crédito fácil,
antecipado e solícito. E a causa fundamental da crise é apontada: na
desordem, na desorganização, no isolamento em que a lavoura vive, e que o
intermediário fomenta e aproveita, reside a principal causa da irregularidade
nos preços e nas vendas.
Governo nº 102 de Salazar (13 233
dias, desde 5 de Julho). Nomeado presidente do ministério, Salazar será
exonerado e nomeado presidente do conselho em 11 de Abril de 1933. Voltará a ser
nomeado e exonerado presidente do conselho em 18 de Janeiro de 1936.
São ministros deste primeiro gabinete: Albino
Soares Pinto dos Reis (n. 1888), Manuel Rodrigues (Zé povinho de capelo e
borla), Daniel Rodrigues de Sousa (n. 1867), Aníbal de Mesquita Guimarãesö,
Armindo Rodrigues Monteiro, César de Sousa Mendes do Amaral Abrantes, Duarte
Pacheco, Sebastião Garcia Ramires (n. 1898) e Gustavo Cordeiro Ramos
(1888-1974).
Os homens são outros –
No discurso de posse, declara: os homens são
outros, o Governo é o mesmo. Salienta,
aliás, que nem todos os processos políticos servem para todos os tempos ou
para todos os povos: os homens de governo têm, necessariamente, de actuar
segundo o seu modo de ser e segundo as realidades do momento. Mantêm-se
apenas Armindo Monteiro (colónias) e Cordeiro Ramos (justiça).
Misantropia –
Salazar vive então na Rua do Funchal, nº 3, uma governanta idosa tomava conta
da casa; adoptara uma pequenita, que lhe servia de companhia, e tratava da sua
educação... Raramente saía sem fim oficial (Rocha Martins).
A personalização do poder –
Salazar, a partir de então nunca mais será nomeado e exonerado, apesar das
diversas remodelações, substituições de ministros e tomadas de posse de
Presidentes da República, até ao decreto de 27 de Setembro de 1968, onde Américo
Tomás o exonera da chefia do governo, por continuar muito gravemente doente e
estarem perdidas todas as esperanças, mesmo que sobreviva, de poder voltar a
exercer, em plenitude, as funções do seu alto cargo. Entre outras curtas
interinidades, assinale-se que será ministro interino da guerra de 11 de Maio de
1936 a 6 de Setembro de 1944; ministro interino dos negócios estrangeiros de 6
de Novembro de 1936 a 4 de Fevereiro de 1947; ministro efectivo da defesa
nacional, de 13 de Abril de 1961 até 4 de Dezembro de 1962.
Bernardino
Machado instala-se na Galiza (30 de Maio), donde será afastado em 4 de
Dezembro de 1934. Passa a residir em Madrid em 7 de Novembro de 1935 e vai para
França em 30 de Outubro de 1936.
Criada uma União
dos Combatentes Republicanos com um Comité Supremo Político, dirigido por
Bernardino Machado, Afonso Costa, José Domingues dos Santos e Francisco da Cunha
Leal.
Sessão
nacional-sindicalista
no São Carlos (16 de Junho). Começa a
publicar-se em Faro o semanário O Nacional-Sindicalista,
onde colaboram J. D. Garcia Domingues e Luís Forjaz Trigueiros.
Diário Liberal –
Em 1 de Julho e até 31 de Dezembro, publica-se o Diário Liberal, dito
jornal republicano da manhã, que tem por lema, pela liberdade, pela
república, pelo povo, tendo como director Evaristo de Carvalho (1865-1938).
Numa segunda série, vai de 1 de Janeiro a 29 de Dezembro de 1933. Fazem parte do
conselho político do jornal, Mário de Azevedo Gomes, Hernâni Cidadeö
e Joaquim de Carvalho, nele colaborando Brito Camacho, Henrique de Barros,
Aquilino Ribeiro, António Sérgio e Armando Cortesão.
Morte de D.
Manuel II, na sua residência de Fullwel-Park, Twickenham, nos arredores de
Londres. (2 de Julho). Chegam a Lisboa os restos mortais do nosso último
monarca, transportados pelo cruzador britânico Concord (2 de Agosto). A
morte do rei, no exílio inglês, coincide com a ascensão de Salazar à chefia do
governo, e no primeiro conselho de ministros do mais longo gabinete da história
portuguesa, o novo chefe decidiu promover funerais nacionais ao falecido. Assim
enterra a monarquia em Portugal, dado que D. Manuel II poderia ser o seu
principal opositor, principalmente se estivesse vivo no dia seguinte ao fim da
II Guerra Mundial, onde toda a oposição democrática, com o eventual apoio dos
Aliados, poderia desencadear uma restauração tanto da monarquia como da
democracia.
Entre
integralistas e manuelinos –
O lugar-tenente João de Azevedo Coutinho, logo favorece a ascensão de D. Duarte
Nuno. Como vai dizer Luís de Magalhães: quer a Ditadura fazer uma República
que os republicanos não querem e quer, por isso, fazê-la com os monárquicos, que
não querem a República (2 de Julho). Rocha Martins, o jornalista monárquico
que não apoia a chamada de D. Duarte Nuno, considera então que se encontra
entalado entre os integralistas e os antigos monárquicos constitucionais,
dizendo que estes estão, quase todos, dependentes do emprego público, da
banca, dos Governos. A nobreza mantém-se no seu pedestal; alguém negociava, mas
embrulhava-se nos pergaminhos. Para o povo, um duque ou conde não tinham
significado.
Decreto nº 21 608
aprova os estatutos da União Nacional (20 de Agosto)
Anulada a
autorização para a propaganda nacional-sindicalista e suspenso
Revolução (Agosto)
PCP promove
comício-relâmpago em Alcântara, no chamado Dia Internacional da Juventude,
com discurso de Pavel. Há sangrentos incidentes, com mortes de um polícia e de
um manifestante (4 de Setembro)
Cisão no
congresso do nacional-sindicalismo. Supico Pinto e José Cabral são pela
subordinação ao Estado Novo. (Novembro).
Católicos contra
Rolão Preto – Há uma forte ofensiva do padre Abel Varzim, a partir do jornal
Novidades, contra a doutrina do nacional-sindicalismo, nos meses de
Outubro e Novembro, numa manobra de claro apoio a Salazar. No ano seguinte,
destaca-se outro católico, António Sousa Gomes, então director do Diário da
Manhã, numa ofensiva doutrinária contra os homens de Rolão Preto.
Temos uma
doutrina, somos uma força –
Discurso de Salazar
na sala do Conselho de Estado por ocasião da posse dos corpos directivos da
União Nacional (23 de Novembro). Considera que fora da União Nacional não
reconhecemos partidos. Dentro dela não admitimos grupos… nós temos uma doutrina
e somos uma força. Critica indirectamente os nacionais-sindicalistas, apela
aos monárquicos e aos católicos. Mas considera que a União Nacional não é
uma união de interesses, não é uma associação de influências, não é uma
representação de forças eleitorais.
Sobre
os monárquicos
faz uma espécie de
enterro dos mesmos, quando diz que D. Manuel II quando se podia considerar
preparado para ser rei levou-o a morte sem descendentes nem sucessor,
salientando já não haver uma forte corrente doutrinária monárquicos, porque a
essa mística da virtude expressiva da superioridade essencial da forma
republicana, não está oposta uma forte corrente doutrinária. Rocha Martins,
o jornalista monárquico que não apoia a chamada de D. Duarte Nuno, considera
então que se encontra entalado entre os integralistas e os antigos monárquicos
constitucionais, dizendo que estes estavam, quase todos, dependentes do
emprego público, da banca, dos Governos. A nobreza mantinha-se no seu pedestal;
alguém negociava, mas embrulhava-se nos pergaminhos. Para o povo, um duque ou
conde não tinham significado. Hipólito Raposo e Luís de Almeida Braga
declaram que não se mata uma causa por asfixia, nem se pode empreender a
regeneração nacional com ambiciosos e com trânsfugas, gafaria moral de que são
feitas, normalmente, as camarilhas dos aduladores.
O fim político da
ditadura – Assim, Salazar podia anunciar o fim político da Ditadura e
elogiar alguns homens públicos que tiveram a intuição do movimento e
vieram colaborar com a Ditadura, inventariando-se então os nomes de Bissaia
Barreto, Vasco Borges, coronel Vicente Ferreira, tenente-coronel Francisco
Velhinho Correia, Alfredo Magalhães, Camarate de Campos e Guilhermino Nunes.
Revolução
Nacional contra a Revolução Social – Já sobre os socialistas, Salazar
assinala: os outros organismos operários de carácter revolucionário são hoje
dominados pela ideologia bolchevista e trabalhados por agentes estrangeiros.
Todos tendem por meio de luta de classes para a revolução social.
Emitido o decreto nº
21 949 com uma lista dos amnistiados (5 de Dezembro). Continuam ainda
proscritos por dois anos, cinquenta nomes, onde constam os de Bernardino
Machado, Afonso Costa, Sousa Dias, Alfredo António Chaves, António Augusto Dias
Antunes, Armando Pereira de Castro Agatão Lança, Carlos Vilhena, Augusto
Casimiro, Carlos Frazão Sardinha, Ernesto Pope, Jaime Alberto de Castro Morais,
José Sarmento Beires, Pestana Júnior, António Luís, Prestes Salgueiro, Fernando
Pais de Teles Utra Machado, Fernando Augusto Freiria, Filémon da Silva Duarte de
Almeida, Francisco Alexandre Lobo Pimentel, Genipro da Cunha de Eça Costa
Freitas e Almeida, Jaime Pereira Rodrigues Baptista, João Manuel de Carvalho,
João Pereira de Carvalho, José Mendes dos Reis, Manuel Ferreira Camões, Manuel
Gregório Pestana Júnior, Manuel Sílvio Pélico de Oliveira Neto e Sebastião José
da Costa.
No mesmo dia,
Decreto-Lei nº 21 942 cria Tribunais Militares Especiais em Lisboa e
Porto, tendo em vista a punição dos crimes políticos.
Salazar passado a
António Ferro. Começam a ser publicadas as entrevistas de Salazar a António
Ferro, Salazar passado a ferro (de 18 a 24
de Dezembro).
Movimentação
golpista. Pimenta de Castro propõe a Domingos Oliveira que este chefia
um golpe de Estado de gente nova da situação contra o actual governo (21 de
Dezembro). Segundo Assis
Gonçalves esta gente nova seria constituída por vicentistas, descontentistas
(nacionais sindicalistas) reviralhistas (carvalhistas, aragonistas, cunhistas)
procuram dar-se as mãos para deitar ainda o seu barro à parede (21 de
Dezembro). Ainda neste mês,
Assis Gonçalves propõe a Salazar a constituição de uma forte polícia
especial, enquanto o Notícias
Ilustrado descobre que Salazar está representado nos chamados Painéis de
Nuno Gonçalves. Começa a publicar-se em
Faro o semanário O Nacional-Sindicalista,
onde colaboram J. D. Garcia Domingues e Luís Forjaz Trigueiros.